3 Literature study
3.4 Training algorithm
3.4.1 Gradient decent
Escolher a carreira médica não é uma tarefa fácil, abraçá-la mais difícil ainda. Encontrar uma especialidade que lhe agrade e proporcione uma vida confortável é a grande dúvida do graduando no fim do curso. Ginecologia e Obstetrícia hoje não é das mais populares, mas a UFRN desde muito tempo, através da Maternidade Escola Januário Cicco, oferece aos alunos ótimas condições de aprendizado e sempre captou muitos para a especialidade. Iniciei minha Residência na UFRN, depois mudei para São Paulo e fiz estágio na Santa Casa de Misericórdia, ao voltar para Natal fiz prova de Título e fui aprovada na primeira tentativa, ficando bastante satisfeita.
Desde o princípio foi a Ginecologia que me interessou e mais precisamente a patologia cervical e o câncer de colo uterino. Entretanto, é na Obstetrícia que se tem mais prazer por trazer “vidas ao mundo” e onde se recebe mais benefícios financeiros, porém é também muito desgastante, com plantões e alguns insucessos que sempre lhe levam a reavaliar sobre qualidade de vida. Pratiquei Obstetrícia por algum tempo com prazer, mas após entrar no HLA, no setor de prevenção fui me encantando mais e mais com a colposcopia e com a citologia.
Quando apareceu a oportunidade de uma pós-graduação em Anatomia patológica que é pré-requisito para a formação em citopatologia eu não tive dúvidas, me inscrevi, fui selecionada e cursei com muito prazer. Após terminar, iniciei logo o estágio para citopatologia na própria UFRN. Sempre gostei de estudar e acredito ter deixado uma boa impressão em meus professores. Depois veio um curso de especialização pela Sociedade Brasileira de Citopatologia e finalmente a tão sonhada e temida prova de títulos. Tudo com sacrifício de conciliar a vida profissional e familiar com os estudos, mas caminhando em frente. Após o título de Citopatologia, prestei o concurso para a qualificação em Colposcopia e também fui aprovada.
A decisão de deixar a Obstetrícia veio quando iniciei a praticar a citopatologia, pois era necessário mais tempo para me dedicar às lâminas. Com o tempo assumi a chefia do Laboratório de Citopatologia do HLA. Há aproximadamente quatro anos a Universidade Potiguar fez um convênio para o HLA receber os alunos do curso de Medicina no estágio, os doutorandos. E meu ambulatório de Patologia cervical (Colposcopia) onde realizo os exames de prevenção de câncer de colo foi um dos
locais escolhidos, pela coordenação do curso junto com a direção do hospital, para receber os alunos.
Assim me tornei tutora do curso. Sempre gostei de ensino, e esse foi o gatilho para voltar a estudar novamente. Senti a necessidade de ingressar no Mestrado a fim de melhorar o meu desempenho como professora e para que os alunos pudessem aproveitar mais o que eu tinha a oferecer, pois transmitir conhecimento é uma via de mão dupla e sem um preparo pedagógico não conseguimos entender isso.
O convite por parte da Dra. Ana Katherine até hoje me envaidece e foi dela a ideia do estudo. Confesso não ter simpatizado muito com o tema inicialmente, pois só faço citologia ginecológica, mas sentamos e organizamos todo o projeto que foi submetido à plataforma Brasil e aceito no Programa de pós-graduação do CCS. A contribuição dos acadêmicos de medicina na aplicação de questionários foi de grande valia, muito me ajudou, embora eu mesma tenha feito muitas das nossas entrevistas, pois muitas vezes nossos horários não batiam.
O início do trabalho foi bem difícil: aprender a abordar as pacientes sobre um assunto que não lhes interessava e nem agradava, aprender a colher o material e a identificar as alterações. Pode parecer simples, mas requer postura e habilidade que fomos desenvolvendo pouco a pouco. Alguns dos nossos primeiros esfregaços foram inadequados por dessecamento, por contaminação ou por escassez de material. Apesar de se tratar de epitélio escamoso e glandular, como no colo uterino, o aspecto celular é um pouco diferente, as células se mostram menores e as alterações são mais sutis. A valiosa ajuda do Dr. Eleutério Jr na revisão das lâminas e no ajuste desses critérios foi fundamental para continuarmos.
O projeto inicial baseado em um estudo anterior previa 120 pacientes. Ao completarmos 100 fiz uma parcial da estatística para a disciplina de bioestatística II e descobrimos que precisávamos dobrar o nosso número, pois os resultados nesse tamanho de amostra não se mostraram significativos. Agradeço ao prof. Kênio pela colaboração. O nosso ritmo foi modificado a fim de conseguirmos um número adequado de amostras. Fizemos 215 coletas, sendo 200 válidas e aí obtivemos resultados significativos. Gostaria de ter descoberto antes e talvez ter atingido um número acima de 300 que com certeza nos daria um estudo mais robusto.
O programa do CCS para mim foi uma ótima experiência, incorporei muito dos ensinamentos na minha prática diária. Com certeza foi difícil conciliar as nossas atividades diárias com a carga horária das disciplinas, a cada semestre os horários
de atendimento no Hospital do Câncer e no consultório tinham que se adaptar à grade de disciplinas. Sofri em algumas matérias mais rigorosas, mas acredito ter dado conta do recado. Fiz ótimos amigos, sem eles talvez tivesse desistido no meio do caminho. A experiência de interagir com profissionais de diferentes formações com um leque enorme de ideias e projetos é fascinante, inclusive ter alunos de mestrado e doutorado na mesma sala torna tudo ainda mais interessante. Acredito que é para os iniciantes um estímulo e para os que já estão mais à frente um desafio.
Espero que o estudo possa sensibilizar alguns colegas ginecologistas para realizarem coletas de lâminas anais, bem como para os citopatologistas analisarem os esfregaços, pois só praticando podemos atingir uma melhor acurácia no diagnóstico.
Hoje colho frutos das minhas aulas do mestrado, procuro pôr em prática com os meus alunos o que aprendi, de vez em quando ouço de alguns a pergunta por que não estou na sala de aula e respondo: quem sabe no futuro? Cada etapa que concluímos nos faz pensar no que está por vir, o doutorado é uma possibilidade, uma ideia surgida na defesa muito me agradou: trabalhar para implantar um protocolo de citologia anal no serviço. Acredito que esse possa ser o nosso próximo passo.
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