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Após a coleta de dados, sua validação e quantificação, ou seja, após o término do inventário de dados, passa-se à etapa de AICV. Nessa etapa, é calculado o

impacto ambiental gerado durante o ciclo de vida do produto ou processo em questão. Para isso, são selecionadas categorias de impacto em que se utilizam indicadores para quantificar emissões, uso de recursos e demais impactos de acordo com as categorias escolhidas. Os indicadores fornecem os potenciais impactos ambientais (HINZ, 2007).

Segundo Takeda (2008), durante a avaliação de impacto devem-se avaliar aspectos como consistência, completude e sensibilidade. A consistência envolve a capacidade dos dados coletados em englobar os aspectos estabelecidos durante a determinação do objetivo e escopo e também expressa o critério de qualidade. A completude envolve a representatividade dos dados, número de amostras e sua capacidade de representação da análise em questão. E a sensibilidade envolve incertezas de dados e a análise em si. Uma vez que, não raro, estudo de ACV apresenta análises qualitativas, o estabelecimento ou determinação da incerteza nos dados geralmente se apoia em conhecimentos de especialistas ou no bom senso.

Chehebe (1998) ressalta que a AICV é um processo de caráter tanto quantitativo quanto qualitativo, utilizado para determinar a grandeza e significado dos impactos ambientais a partir da análise de inventário. O objetivo e escopo do estudo é que determina a metodologia utilizada, o grau de detalhamento e a escolhas dos impactos avaliados.

A fase de avaliação dos impactos ambientais tem a função de determinar e quantificar o quão intensa é a ação dos aspectos ambientais no meio. Nessa avaliação os impactos são definidos como consequências geradas pelo fluxo de entrada e saída no sistema estudado. Essas consequências afetam a saúde humana, de animais ou plantas e até a disponibilidade futura de recursos naturais. Assim, deve ser realizada a classificação, caracterização e valoração dos dados coletados anteriormente (MOURAD et al., 20022 apud HINZ, 2007).

2 MOURAD, Ana Lúcia; GARCIA, Eloísa Elena; VILHENA, André. Avaliação do ciclo de vida:

Vários métodos de avaliação de impactos têm sido aplicados no uso da ferramenta ACV e isso tem gerado grandes discussões. Não há consenso quanto à aplicação de tais métodos. No entanto, a NBR ISO 14040 (2001) afirma que a avaliação de impacto deve conter, no mínimo, estas três etapas: seleção de categorias, classificação e caracterização.

• Seleção de categorias: na qual são indicadas categorias de impacto ambiental em que o estudo em questão deseja abordar, embora nem sempre seja possível fazê-lo. É importante que se definam quais níveis, entre as diversas cadeias de impactos, serão avaliados. As categorias são medidas a partir de objetivos propostos, baseado em conhecimento científico.

• Classificação: deve ser feita a alocação dos resultados da análise de inventário nas categorias de impacto, correlacionando os resultados do ICV a estas e, assim, os dados obtidos no inventário serão agrupados e classificados entre as categorias selecionadas na etapa anterior. Nessa fase, todas as entradas e saídas do inventário que contribuem para causar impacto sobre o ambiente são classificadas de acordo com o efeito para o qual contribuem.

• Caracterização: os dados atribuídos às categorias serão trabalhados de forma a indicar um valor numérico. Como exemplo, suponha-se que a categoria de impacto potencial de aquecimento global (PAG) seja medida em relação ao efeito de 1 kg de dióxido de carbono (CO2) ou o potencial de eutrofização, que é medido em relação a 1 kg de fosfato. Quando outra substância contribui para o mesmo impacto que a substância de referência, são determinados os parâmetros de equivalência para atribuição dos valores das mesmas (NIGRI, 2009).

Existem diversas categorias de impacto ambiental utilizadas em métodos de AICV e as principais são:

• Exaustão de recursos não renováveis: envolve a extração e utilização de minerais e combustíveis fósseis;

• aquecimento global: o aumento da radiação térmica junto à superfície do globo eleva sua temperatura, podendo trazer desequilíbrios ecológicos

como o derretimento das calotas polares e, consequentemente, a diminuição da área ocupada do planeta. Esse aumento de temperatura provém principalmente da crescente quantidade de CO2, óxido nitroso (N2O), metano (CH4), aerossóis e outros gases na atmosfera terrestre, os quais impedem a dispersão dos raios solares que atingem o planeta;

• depleção da camada de ozônio: o uso de aerossóis à base de haletos orgânicos, como o clorofluorcarbono e seus derivados, é o principal agente de depleção da camada de ozônio. A diminuição dessa camada eleva a quantidade de raios ultravioletas que atingem a superfície da Terra, podendo provocar danos diversos;

• toxicidade humana: contaminação por exposição a substâncias tóxicas liberadas em atividades antrópicas. O valor do potencial de toxicidade humana (PHT) para uma dada substância é medido como a massa do corpo humano que estaria exposta ao limite toxicológico aceitável por 1 kg de substância (CHEHEBE, 1998);

• ecotoxicidade: danos causados à fauna e à flora por substâncias tóxicas, em meio aquático ou terrestre;

• acidificação: aumento da acidez do solo ou da água devido à liberação de óxidos de nitrogênio e enxofre, podendo causar efeitos nocivos em plantas, seres humanos, animais e também em edificações;

• oxidação fotoquímica: segundo Kulay (2000), óxidos de nitrogênio reagem com substâncias voláteis pela ação de raios ultravioletas, gerando oxidantes fotoquímicos. Estes criam nevoeiros, reduzindo a taxa de luminescência solar e dificultando a fotossíntese;

• eutrofização: o aumento de nutrientes, principalmente em meios aquáticos, provoca o crescimento populacional de microrganismos e, por consequência, a diminuição da taxa de oxigênio necessária aos peixes e outros organismos vivos;

• uso da terra: refere-se ao impacto ambiental gerado pela retirada da biodiversidade do local e sua respectiva ocupação para atividades humanas;

• radiação: contaminação por partículas radioativas advindas da extração de recursos naturais como rocha fosfática, carvão mineral, petróleo e outros;

• respiração de partículas inorgânicas: substâncias inorgânicas como material particulado, óxidos, nitratos e outros ao serem inaladas pelo homem geram efeitos nocivos à sua saúde;

• respiração de partículas orgânicas: partículas que contêm carbono em sua estrutura e geram danos à saúde ao serem inaladas.

Existem ainda, na fase de avaliação de impacto do ciclo de vida, outros elementos que são opcionais: a normalização, a ponderação e o agrupamento (COLTRO, 2007).

A normalização procura estabelecer o quão intenso ou qual a magnitude dos resultados calculados em cada categoria de impacto em um valor de referência. Esse valor pode ser a relação entre a geração de determinado gás emitido pelo processo estudado e a quantidade nacional emitida (CHEHEBE, 1998).

Segundo Heijungs (1996 apud FERREIRA, 2004), a estrutura matemática da fase de normalização é a seguinte:

Nj = Sj / Aj Em que:

Nj - É o resultado normalizado de impacto ambiental na categoria de impacto J; Sj - É o resultado do impacto ambiental na categoria de impacto J;

Aj - É o fator de normalização que representa a extensão do impacto ambiental j num determinado espaço de tempo e local e pode ser calculado por:

Aj = Qji. i Em que:

Qji - É o fator de caracterização para a categoria de impacto ambiental j, devido à carga ambiental i;

i - É o fluxo de carga ambiental i em área e tempo determinados.

A ponderação atribui valor de peso a cada categoria de impacto, permitindo a comparação entre diferentes impactos ambientais gerados e, também, a atribuição de um único valor oriundo do estudo realizado (CHEHEBE, 1998).

Segundo Heijungs (1996 apud FERREIRA, 2004), a ponderação para valores normalizados pode ser calculada por:

X = j Wj.Nj Em que:

X - É o índice ambiental;

Wj - Fator de peso referente à categoria de impacto j; Nj - Resultado do impacto ambiental j normalizado.

O agrupamento estabelece correlação entre categorias de impacto de diferentes conjuntos de dados que apresentem semelhanças e também um grau de prioridade, que pode ser elevado, médio ou baixo (COLTRO, 2007).

Um dos fatores que tornam a normalização, a ponderação e o agrupamento em elementos opcionais é a não adequação do modelo aplicado à região em que o estudo é feito. E outro fator é que sua aplicação depende de levantamento de dados de inventário na região, país ou continente estudado (COLTRO, 2007).