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2. Teori

4.3 Opplevd grad av nytte etter deltakelse på IL Helse kurs

4.3.1 I hvilken grad opplevde du at Innsatsleder Helse kurset var nyttig for deg

Quanto à existência de um trabalho pedagógico voltado para as avaliações externas (Spaece, Prova Brasil), os diretores das escolas premiadas afirmaram:

A gente tem um plano de curso e, dentro desse plano de curso [...], tem a matriz de referência de habilidades, que é avaliada. Só que ali é um roteiro que os órgãos criam, são objetivos de aprendizagem; aqueles objetivos, aquelas habilidades estão inseridas nas diversas disciplinas. [...] Utilizamos a matriz do Spaece, os descritores, porque é o nosso norte. A gente vai fazer essa avaliação no fim do ano [...]; a gente não pode divergir daquilo que a gente busca. (DEP1).

Como estamos falando de 2º ano, o Spaece só avalia a Língua Portuguesa. Então, a gente faz o nosso plano de curso e contempla essas habilidades. Ao longo do ano, a gente prepara atividades, as apostilas extras, além dos livros didáticos. No livro didático, é um texto para uma semana, então as professoras acham muito repetitivo, aí elas vão trabalhando outros textos, aí é onde entra a escola com o material extra. [...] É claro que a gente tem outros complementos, né. A secretaria também disponibiliza outros materiais, como o da Liceu16 [...]. Com relação à Prova Brasil, eu faço a mesma coisa. Eu pesquiso junto ao MEC material de provas anteriores. A gente vai aplicando com os alunos. (DEP2).

É perceptível a existência de um plano escolar que objetiva alcançar os melhores rendimentos possíveis nas avaliações externas. Os gestores exemplificam que as professoras fazem uso de materiais diversos, como livros e apostilas com atividades extras, para desenvolverem as habilidades de leitura e de escrita, conforme os descritores aferidos no Spaece. Nota-se ainda que os diretores das escolas premiadas de Sobral realizam pesquisas em provas anteriores, no site do Ministério da Educação (MEC), em busca de montagem de materiais complementares, como ilustra a imagem a seguir:

Imagem 1 – Apostila de leitura complementar da EP1

Fonte: Arquivo da pesquisadora (2015).

Indagado sobre o uso da matriz do Spaece para definir o currículo escolar, o diretor da EP1, emitindo posicionamento similar ao da diretora da EP2, confirmou que:

Utiliza. O planejamento da escola é quinzenal. Uma vez por mês, os professores têm um dia inteiro de formação em Sobral, com todas as professoras do 2º ano; tem as formadoras. É onde elas estudam o programa, quando elas chegam nos planejamentos daqui, elas revisam e vão implementando de acordo com a realidade, porque a gente faz adequações. [...] O que a gente faz, a gente segue as orientações da secretaria, eles já passam para a gente o material que disponibilizam nas formações para os professores. É claro que para isso tem que seguir o currículo.

Dessa forma, compreende-se que a matriz do Spaece é estudada nas formações mensais, por intermédio dos formadores da Secretaria Municipal de Educação de Sobral (SMES), e nos planejamentos quinzenais das escolas. Os diretores admitem que as escolas nota dez de Sobral seguem as orientações da matriz do Spaece para selecionar o currículo escolar, mas também implementam os ajustes necessários à realidade da escola e às necessidades de aprendizagem das crianças.

Com relação à sistemática de avaliação escolar, a diretora da EP2 comentou que cada professora “[...] avalia de acordo com as necessidades, mas é assim: a coordenação faz mensalmente e as professoras, semanalmente. Só que tem semana que é só de escrita; na outra, é só de leitura. Às vezes, fazem-se as duas, depende muito do momento, do perfil da sala [...].”.

Além das avaliações de leitura e de escrita realizadas pelas educadoras, existem as provas produzidas pela coordenação, que contam com questões de múltipla escolha das disciplinas de Português, Matemática, Ciências e História. O diretor EP1 acrescenta também que “[...] as escolas sobralenses recebem apoio de uma assessoria, da Liceu. Eles produzem

essa avaliação e a gente aplica. Temos autonomia e liberdade para fazermos quantas a gente quiser e achar necessário.”.

Nessa perspectiva, as escolas premiadas avaliam seus alunos de várias maneiras, aferem a leitura, a produção textual, habilidades e competências de leitura e de escrita nas provas de múltipla escolha, além de aplicarem uma avaliação nos moldes do Spaece para diagnosticar o nível de proficiência estudantil.

Portanto, compreende-se que a avaliação externa, especificamente a prova estandardizada do Spaece, reorienta o planejamento escolar, define o conteúdo curricular e incide na forma como deve ser o trabalho docente nas escolas premiadas. Essa constatação reforça os pressupostos de Freitas (2014) e de Neto (2014), mencionados anteriormente, de que as avaliações externas tendem a reduzir o currículo e a moldar a matriz de referência dos testes, limitando, assim, o direito de aprender do educando ao básico para atender às exigências dos processos produtivos sociais.

No quesito quais os projetos desenvolvidos pelas escolas premiadas de Sobral, o diretor da EP1 assim se posicionou:

Aqui a gente aposta muito na ampliação da aula, com jornada de oito horas, porque em casa a gente percebe que, mesmo a professora fazendo a tarefa de casa parecida com a de classe, muitos não fazem. E, na escola, o aluno interage com alguém que sabe o que ele tem que aprender e por que ele tem que aprender. Alguns chamam reforço escolar, jornada ampliada. E nós estamos com alunos com mais dificuldades vindo no contraturno.

Destaca-se que essa prática de reforço escolar no contraturno ou na jornada ampliada vem sendo utilizada pelas escolas premiadas, a fim de fazer o acompanhamento individual daqueles discentes que apresentam dificuldades de aprendizagem e que não têm o devido suporte da família para a execução das tarefas domiciliares.

Outro projeto evidenciado pelos dois diretores das escolas premiadas foi o de leitura:

O nosso principal projeto aqui é o de leitura, em que a gente dá prêmio para as crianças. A cada seis meses, a gente faz esse projeto, começa em janeiro e vai até junho, aí de agosto a dezembro. O que a gente faz? Distribui paradidático para as crianças: a gente vai contando, através da ficha de acompanhamento, entrega o livro, o menino faz a leitura e devolve com a fichazinha de leitura. Aí, qual o prêmio? A cada seis meses, os melhores alunos, alunos leitores, recebem a premiação: primeiro lugar: um tablet; segundo lugar: um celular; e terceiro lugar: uma bicicleta. Esse é nosso principal projeto: voltado para a leitura. O aluno escolhe o que quer ler na biblioteca, não é uma imposição. (DEP1).

Então, os primeiros minutos são voltados para fluência. Eles vão ler, repetir, ver as palavras que eles não conhecem. Eles têm uma apostila que eles leem. A ação é a seguinte: no início do turno, eu, a coordenadora, a menina da biblioteca e a agente

de leitura, todo mundo pega a leitura, combinando que não vai interferir nas outras atividades até 7h20 [...]. (DEP2).

Os diretores mencionaram que o projeto de leitura acontece em sala de aula com a tomada de leitura individual dos alunos, bem como em parceria com a biblioteca através da ciranda do livro e do reconto das histórias lidas. O referido projeto mobiliza todos os estudantes do ensino fundamental a desenvolverem e a aprimorarem as habilidades leitoras, visto que as escolas premiadas designam diariamente tempo e atividade para esse fim.

Percebe-se que as escolas nota dez de Sobral valorizam bastante as atividades voltadas à leitura e à produção textual, oferecendo premiação para os aprendizes que mais leem e para os que produzem os melhores recontos, sendo isso uma condicionante que tende a estimular as crianças a participarem do projeto e, por conseguinte, a melhorarem sua formação leitora.

A premiação na EP2 também acontece com base na frequência da turma. Sobre essa temática, a diretora comenta: “No final do ano, a gente calcula para premiar. A gente tem a taça: a sala em que não faltou nenhum aluno fica com a taça na sala. A taça visita a sala que tem frequência e, ao final do ano, aquela sala que mais teve a visita da taça ganha medalha, tanto os alunos quanto a professora.”.

Observa-se que, na EP2, a frequência dos aprendizes é avaliada diariamente. Caso a maioria dos estudantes esteja presente, a turma é agraciada com a visita da taça em sala de aula. Assim, a cada dia, a(s) taça(s) decoram aquelas salas de aula com maior número de discentes frequentes; ao final do ano letivo, as turmas que mais tiveram as visitas das taças são condecoradas com medalhas e menções honrosas.

A emissão de prêmios escolares em decorrência da frequência e/ou do desempenho das habilidades de leitura e de escrita é um rito herdado do passado, das eras jesuítica e comeniana, período em que, segundo Franca (1952), existiam premiações para classes e estudantes conforme performance em provas de retórica, caligrafia, ortografia, etc., como também conforme conduta disciplinar do alunado. As premiações até hoje se fazem presentes nas escolas.