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2. Background 9

2.1.2. GPGPU Programming Model

O ser branco no imaginário social brasileiro é visto como padrão desejável, privilégios, poder, modelo ideal a ser seguido, concepção que se afirmou e se legitimou por meio da ideologia do branqueamento (SKIDMORE, 1976), como uma estratégia da “elite pensante” brasileira, adotada no Brasil no período pós-abolição, que pretendia a reformulação étnica da população brasileira. Nessa política se encontra a ideia de miscigenação, cujo cerne consistia em levar o Brasil a assistir ao surgimento de um novo tipo racial híbrido, longe de assemelhar-se ao negro. Negro Negro Desvalorizado Discriminado Maltratado Preconceito Ofensa Mestiçado Cidadão Normalidade Dignidade Luta Humano Gente Igual Riqueza Cultural Homo sapiens

A ideologia do branqueamento de forma nociva permanece viva na memória de brasileiros ao considerar o branco como melhor em detrimento do negro. Isso se evidencia no depoimento de professores do Ensino Fundamental. Para esses professores ser branco significa:

[...] ser branco no Brasil é ter hoje em dia alguns privilégios, sendo que nós como educadores estamos tentando transformar, estamos tentando mudar questão de o branco ter esse poder, de ter esse privilégio, mas sabemos que é muito difícil mudar até mesmo pela questão da colonização [...], mas ser branco no Brasil é pra gente hoje em dia ainda é ter vários privilégios, também ter o poder (Professor de História B. Grupo Focal/2008).

[...] ser branco [...] é normalmente um ser privilegiado, ou seja, ele

normalmente vai ter [...] privilégios que o negro normalmente não vai ter. Então, um branco ele é uma classe na nossa sociedade que normalmente se destaca, no sentido da cor, normalmente o negro vai ter preconceito em relação aos negros em relação à cor, e o branco normalmente hoje, infelizmente ainda há esse lado do preconceito devido a cor, e se percebe muito isso nas escolas, na busca de um emprego. Então [...] ser branco, hoje é uma [...] uma raça que tem os privilégios infelizmente devido também a questão do contexto histórico da colonização, sempre devido nós sermos colonizados diretamente pelos europeus, então há essa influência também no lado da nossa sociedade (Professor de Educação Artística. Grupo Focal/2008).

No primeiro argumento o professor de História B ressalta que ser branco representa ter: a) privilégios; b) poder. Justifica tal posicionamento em função da colonização do Brasil, mas ressalta a tentativa dos educadores para a transformação desse quadro. No segundo argumento o professor de Educação Artística também confirma que ser branco é ter: a) privilégios; b) classe que se destaca em função da cor. Também justifica tal superioridade em função do contexto histórico da colonização. Para Silva (2004, p.31 – grifo nosso):

[...] desde a chegada do negro ao Brasil, o colonizador tenta justificar a escravidão, a opressão e a marginalização a que é submetido o povo negro através da atribuição de uma pretensa inferioridade, e mesmo de uma não humanidade.

Esse discurso ideológico da elite brasileira procurou internalizar a noção de inferioridade “natural” do negro. Isso também se evidencia no terceiro argumento expresso abaixo:

[...] ser branco no Brasil acredito que [...] representa na realidade o poder, branco é aquele que está acima do negro, porque o negro na realidade é, [...] ele sempre foi desvalorizado no nosso país, [...] até porque o branco, o europeu é que mandou neste país desde que ele foi colonizado. Então até hoje a gente pode observar aí a questão do branco como é uma questão do senhor, é também a questão do proprietário. Desde que a gente conhece

aqui, que afinal de contas foi o branco que trouxe o negro pro Brasil, então desde a nossa colonização que o branco, ele manda no negro, vamos dizer assim, ele é o senhor e isso não mudou de lá pra cá, haja vista que os grandes empresários são brancos, e geralmente os empregados são negros. [...] mas o negro é sempre desvalorizado em detrimento do branco. Então, o branco sempre está no poder (Professora de Língua Portuguesa A. Grupo Focal/2008).

Outro aspecto que observamos foi a cor no Brasil tida como um marcador social, dando a alguns grupos privilégios em detrimento de outros. Para o professor de História A a crença em ser branco reside: a) marcador social; b) sinônimo de status no Brasil, como bem expressa em seu depoimento:

Olha, é inegável que a questão racial no Brasil ela ainda é um marcador social, [...] porque privilegia alguns grupos, [...] E a questão do branco [...] enquanto pigmentação, enquanto cor, não como uma questão racial, ela ainda é um sinônimo de status no Brasil. Então é um grupo que dirige os principais cargos [...]. Então, quando se tem um negro no poder, no cargo importante como foi o caso do ministro do Supremo Tribunal Federal, [...] se soltou foguete no Brasil quando ele assumiu aquele cargo, então parece assim que é algo de outro mundo quando o negro assume o poder, um cargo de influência, de importância, então a questão do branco ainda é sinônimo

de status (Professor de História A. Grupo Focal/2008)..

A cor no Brasil é fator de diferencial, conforme expressa o professor de História A. Lembremos da assertiva de Coelho (2009) quando ressalta a metáfora da cor no Brasil como aquele sujeito invisível, que faz parte da abertura introdutória deste estudo. Pressupomos que conforme a cor o sujeito pode ser visível ou invisível, parece que a visibilidade na concepção de professores perpassa pelo ideal de branqueamento, e a invisibilidade por aquele sujeito que é negro. Para Coelho (2009, p.163) “[...] um dos problemas para quem lida com a questão racial no Brasil é ultrapassar a problemática da cor”, quanto mais claro maior probabilidade de ser considerado branco, distanciando-se daquele que é negro. Identidades construídas no absoluto discurso ideológico que invade o imaginário social brasileiro e constrói representações negativas acerca do negro no Brasil.

Diagrama 4: Crenças acerca do ser branco no Brasil

O diagrama demonstra que a representação social de professores acerca do branco no Brasil reside em atributos de superioridade ao segmento étnico-racial branco, isso demonstra o pensamento racista baseado no ideal de branqueamento presente no imaginário social brasileiro. Essa suposta superioridade branca em fins do século XIX e início do século XX foi temática de efervescente discussão em torno da formação social do Brasil. Nesse debate residia a concepção Freyriana que retratava um ethos intensamente patriarcal, que resultou na falácia da democracia racial, além da política imigratória, cujo cerne habitava a mestiçagem por meio da imigração europeia, política que intenciona branquear a população negra que constituía o contingente populacional do Brasil.

O ideal de branqueamento que outrora se fez presente na mentalidade da elite brasileira se faz presente de forma nociva no pensamento do mundo contemporâneo. Esse pensamento reificado presente nas narrativas hegemônicas encontra-se também na escola brasileira, sobretudo nos currículos escolares que parecem não atender a multiplicidade de culturas existentes no interior das escolas.

Diante dessas considerações podemos inferir que o ideal de branqueamento (SKIDMORE, 1976; GUIMARÃES, 2002, GOMES, 1995; 2006, COELHO, 2009) presente nos depoimentos de professores reside no visível racismo e ideologias de inferiorização, dimensão subjetiva formulada no contexto das relações de poder e raciais no Brasil. Esse discurso racista, segregacionista, precisa ser desmistificado na escola, nos currículos que

Branco Privilégio Classe de destaque Poder Status Marcador social Colonizador Europeu

adentram a sala de aula, em uma perspectiva que reconheça e valorize a participação do povo negro na construção da cultura nacional.

2.2.3 Atitude: Racismo, discriminação e preconceito racial na representação social de