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Matemático e filósofo, Otte, nasceu dia 27 de março de 1938 em Riga. Na Alemanha, concluiu seu mestrado em 1963, e defendeu dois doutorados em matemática, sendo, o segundo doutorado em 1972. Atuou em cinco países diferentes, como pesquisador e educador.
Na Alemanha, trabalhou na Universitaet Muenster (Westfaelische- Wilhelms) W.W.U.M, de 1967 a 1973, cuja dedicação era exclusiva, atuou como membro da diretoria do Instituto da Matemática, como professor de Matemática da Graduação e, em Educação Matemática na Pós-Graduação.
Em 1973, fundou um novo Instituto de Pesquisas em Didática Matemática (IDM), estabelecido na Universitaet Bielefeld, que se tornou referência mundial nesta área. Nesse mesmo período, Otte, trabalhou como diretor executivo.
Aposentou-se em abril de 2003, mas continuou a contribuir com sua experiência em Educação Matemática, no Brasil. Otte trabalhou na Universidade Estadual Paulista (UNESP) em Rio Claro, de 1990 a 1991, na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) em Cuiabá, de 1996 a 1999 e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) de 2002 a 2005 como professor pesquisador no Programa de Pós Graduação em Educação Matemática, atuando na linha de pesquisa da História, Epistemologia e Educação Matemática.
Atualmente, trabalha na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), no Instituto de Educação Programa de Pós-Graduação, cuja linha de pesquisa é Ensino de Ciências e Educação Matemática.
A carreira acadêmica de Otte está fundamentada em estudos importantes que muito contribuíram para a Educação da Matemática. Otte é considerado um dos fundadores da Educação Matemática na Alemanha.
A institucionalização da Educação Matemática ocorreu por volta dos anos 60 do século passado e, como uma disciplina, ampliou-se em larga escala. Houve
relevantes mudanças no papel e no lugar da ciência na sociedade, as universidades começaram a enfatizar problemas de pesquisa aplicados e básicos. O desenvolvimento da Educação Matemática tem início internacional.
Os trabalhos didáticos de matemáticos dos séculos XIX e XX, podem ser observados nos resultados dos trabalhos da Comissão Internacional em Instrução Matemática (ICMI), inspirada e comandada por Felix Klein (1849-1925), de 1908 até a década 20 do século passado, com uma pesquisa na qual compara a Educação Matemática com a de outros países. O objetivo desta Comissão Internacional foi tentar reformular e revolucionar a Educação Matemática.
Esse movimento iniciou-se em 1960 e de certo modo levou o espírito internacional das Comissões Internacionais, em especial a da ICMI. Muitos foram os colaboradores que atuaram nesse período.
A carreira acadêmica e científica de Michael Otte situou-se nesse momento histórico de desenvolvimento. Esse período representou a inauguração de pesquisas sistemáticas e, de uma nova imagem da disciplina da Educação Matemática. Também na Alemanha, iniciaram a institucionalização da pesquisa básica em Educação Matemática, nos departamentos das Universidades e Faculdades. A fundação Volkswagen propôs estabelecer um instituto central de pesquisa na Universidade de Bielefeld, o já mencionado IDM, objetivando alcançar uma compreensão científica mais profunda da desastrosa falha da nova Matemática nas escolas primárias alemãs.
Michael Otte foi indicado para ocupar uma das três cadeiras de diretor executivo fundador, dirigindo o IDM (Instituto de Pesquisas em Didática Matemática) na Universidade de Bielefeld por 30 anos.
Após o Instituto iniciar seus trabalhos, três dos mais importantes livros surgiram. O primeiro, “Mathematiker ueber die Mathematik” (Matemáticos sobre a Matemática) em 1974, “Mathematik die uns angeht” (A Matemática no que concerne a nós) em 1977 e “Text, Wissen, Taetigkeit” (Textos, Conhecimentos e
Atividade) em 1980. Otte escreveu, um artigo, que se encontra na publicação intitulada “New Trends in Mathematics Teaching” (Paris, 1979) da Unesco, a
resultados do III Congresso Internacional de Educação Matemática de 1976 em Karlsruhe. Estas obras discursavam sobre a Matemática e sua aprendizagem, além da epistemologia, história e ciência, cujos volumes foram frutos de um relevante esforço científico do autor.
Para Otte, a importância de seu trabalho está na conexão única de considerar a Educação Matemática como uma disciplina, incluindo, a ênfase na compreensão da natureza disciplinar e interdisciplinar.
Na tentativa de identificar as idéias centrais da Educação Matemática, guiando princípios e problemas essenciais, Otte criou uma perspectiva totalmente nova e pouco usual no campo da ciência e das relações que as disciplinas têm umas com as outras, e, com essas novas disciplinas da Educação Matemática que foram, então, estabelecidas. Ele defendeu que a Educação Matemática não poderia sobreviver sem relações vivamente conectadas com as disciplinas que ocupam o topo do conhecimento como, a epistemologia, a historia da Ciência e da Matemática, a filosofia, a semiótica, a sociologia, a psicologia, dentre outras. A sugestão interessante para fazer com que essas idéias funcionassem, foi sua utilização da noção de complementaridade8.
Para Otte, a complementaridade parece como uma metodologia heurística, que é igualmente conhecida como a dialética entre coexistência e co-corrência da contradição.
Recentemente, Michael Otte e seus colaboradores começaram a trabalhar em uma perspectiva de pesquisa que tenta compreender melhor o papel do sentido e das representações da atividade matemática e a comunicação a respeito da Matemática. Estas tentativas podem estar relacionadas à recente tentativa internacional que acaba de emergir para reformular os valores da Educação Matemática em termos semióticos, da “teoria do sentido”. A fundamentação semiótica da Educação Matemática pode ser uma possibilidade promissora.
8
C
A P Í T U L O
II
O MÉTODO AXIOMÁTICO E A
NOÇÃO DE COMPLEMENTARIDADE
Neste capítulo, apresentamos alguns elementos que expressam a problemática de diferentes usos do método axiomático em análise por Russell, referente à conceituação de número. Incluímos, também, neste capítulo, uma síntese do estudo de Otte sobre a noção de complementaridade, noção esta que possibilita o enfrentamento da dualidade conceitual de número. Nosso objetivo é referenciar as bases teóricas que sustentam esta pesquisa.