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The good society and the good citizen

2. Polities, citizens and social structures

2.4 The good society and the good citizen

De acordo com Hall e Mitchel (2003:62) “como resultado de uma falta de investigação na área do turismo gastronómico, existem muito poucos dados sobre as características demográficas do turista gastronómico21”.

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Esta lacuna só recentemente tem vindo a ser colmatada, podendo-se citar alguns bons exemplos, sendo um deles o estudo levado a cabo no âmbito do planeamento turístico do estado de Ontario no Canada, que pretende implementar uma estratégia para o turismo gastronómico e para o enoturismo.

Este estudo, realizado em 2004, abrangeu o mercado potencial dos Estados Unidos e do Canadá, e do ponto de vista demográfico caracteriza os potenciais turistas gastronómicos como:

 Jovens casais, na faixa dos 18-35 anos, sem filhos;

 Casais maduros, na faixa dos 36-65 anos, sem filhos a viver em casa;

 Grau de escolaridade elevado, ao nível da Universidade;

 Rendimento disponível elevado.

Na Austrália, o Research Department Tourism Queensland22 (2003), atendendo ao desenvolvimento do turismo gastronómico, efectuou um estudo para melhor entender o fenómeno, em particular para perceber qual o perfil do turista que é atraído pela gastronomia. Do ponto de vista demográfico, foi possível retirar algumas conclusões que levam a traçar o perfil base deste turista:

 Grande parte dos turistas gastronómicos (44%) estão compreendidos na faixa etária dos 25 aos 44 anos;

 Não há uma prevalência clara quanto ao sexo;

 69% dos turistas gastronómicos são casados ou vivem em união de facto;

 Do ponto de vista de agregado familiar, há uma incidência em casais sem filhos ou com filhos pequenos;

 No que se refere à actividade profissional 70% está empregada, 29% são estudantes ou reformados, sendo que apenas 1% da amostra está desempregada;

 Do ponto de vista de rendimento 46% situa-se na classe alta ou média-alta. Apenas 17% situa-se na classe baixa ou média-baixa.

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Um dos estados Australianos, situado no Nordeste do território e que tem vindo a apostar bastante no turismo.

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Outro estudo de interesse foi levado a cabo no estado de Iowa23 nos Estados Unidos por Lankford e Çela em 2005. De acordo com este estudo, o turista gastronómico na região, do ponto de vista demográfico:

 É, com ligeira predominância (53%), masculino;

 Encontra-se, em 56%, na faixa etária dos 26 aos 45 anos;

 Detém, em 73% dos casos, licenciatura ou um grau de habilitações superior;

 Predomina a classe média-alta e alta.

Cruzando os três estudos apresentados, podemos inferir que o turista gastronómico, tipicamente:

 Possui entre os 18 a 45 anos;

 Tanto pode ser homem como mulher;

 Insere-se, maioritariamente, num casal, com ou sem filhos;

 Possui habilitações literárias elevadas;

 Insere-se na classe média-alta ou alta.

No entanto, há outros aspectos que interessam que não apenas os demográficos. De acordo com Bernier (2003), alguns investigadores na área do turismo gastronómico demonstraram que existem 3 pontos essenciais, em que concordam, relativos aos turistas associados a este tipo de turismo nomeadamente:

 Estes turistas têm gastos médios elevados, bastante acima dos que apresentam os turistas “genéricos”, reflectindo geralmente o seu elevado nível de vida. Normalmente os turistas gastronómicos são pouco sensíveis ao preço, o que os torna excelentes clientes da restauração, pois não olham a despesas para provarem uma iguaria;

 Quem viaja por motivos gastronómicos é por norma bastante exigente e importa-se com a qualidade e autenticidade da gastronomia que lhe é apresentada. Esta é uma consequência lógica, pois se a motivação

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principal é a gastronomia, o turista não aceitará ser defraudado. Enquanto que um turista mais generalista poderá deixar passar em claro uma refeição com menos qualidade, o “turista gastronómico” não o fará e manifestará o seu desagrado;

 Estes turistas manifestam um grande interesse na oferta gastronómica e por diversas vezes são estes que procuram a informação, quer em guias (o “Guia American Express” ou o “Guia Verde Michelin” são bons exemplos), jornais, recorrendo à Internet e a outros meios de informação. Por isso, a promoção efectuada é diferente da promoção levada a cabo para públicos mais generalistas. Muitas vezes, a promoção nem tem de ser muito intensa, devido ao facto evidenciado por Alfredo Saramago (2002), que considera estes turistas, os que “procuram comida”, como os “verdadeiros gastrónomos” e realça que este grupo destaca-se bem do dito “turista convencional”.

Embora grande parte dos estudos apresente o turista gastronómico com um perfil diferente do enoturista, como por exemplo demonstra o “Plano de Estratégia e Acção para 2005-2015, para o Turismo Gastronómico em Ontario”, da responsabilidade do Ministério do Turismo de Ontario (2005), outros há em que o perfil destes consumidores aparece como uma única tipologia.

Um exemplo em concreto é o estudo da THR para o Turismo de Portugal (2004), que apresenta como uma única tipologia o turista de gastronomia e vinho24. No referido estudo, este turista, ao nível sócio-demografico, é identificado como um turista entre os 35 e os 60 anos, na maioria homens, com um alto nível sociocultural e auferindo de um rendimento elevado.

De acordo com o estudo da THR, estes turistas obtêm informação para as suas viagens preferencialmente via internet, através de amigos, de revistas especializadas ou ainda recorrendo a clubes de gastronomia ou de enoturismo.

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Por norma reservam as suas viagens em portais especializados ou agências de viagem igualmente dedicadas, fazem viagens de 5 a 7 dias, em especial na Primavera e Outono, viajam em casal ou pequenos grupos, e ao nível do alojamento privilegiam a qualidade em detrimento do preço.

Nos locais de destino, as actividades mais realizadas são (THR, 2004):

 Degustações;

 Compra de produtos típicos;

 Visitas a museus e exposições;

 Actividades de saúde;

 Relaxar;

 Prova de iguarias;

 Visita a atracções turísticas;

 Espectáculos;

 Passeios.

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