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Histórico e Definição da Neurossífilis

A neurossíilis é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria chamada Treponema pallidum, bactéria do grupo das espi- roquetas, capaz de causar lesão do SNC por meio do acometimento vascular e parenquimatoso do cérebro e da medula espinhal.3

Já conhecida há vários séculos, a síilis apresenta hoje uma dis- tribuição mundial. Depois de um aumento da sua incidência desde os anos 70, devido principalmente a diferentes comportamentos sexuais adquiridos pela sociedade em geral, a doença tornou-se mais controla- da com a descoberta da penicilina como forma de tratamento em 1943.

Modos de Transmissão e Evolução da Neurossífilis

A síilis pode ser contraída por meio do contato sexual com abrasões, via de transmissão mais comum. Além disso, pode ser transmitida por via transplacentária, por transfusão sanguínea ou por punção com instrumentos infectados.3 O seu contágio resulta, nor- malmente, em uma lesão inicial ulcerosa conhecida como cancro.

Caracteriza-se por ser transmissível durante sua fase precoce, quando nas fases primária e secundária, levando a uma possibilidade de transmissão de cerca de 30%.3

De acordo com a sua evolução, a síilis pode ser dividida em fases sintomáticas e assintomáticas. Há 3 fases sintomáticas (primá- ria, secundária e terciária), e duas assintomáticas (latente/precoce – até um ano – e tardia – após um ano).

Quanto à manifestação da doença, normalmente ela segue uma sequência. Primeiramente, há o surgimento da síilis primária, gerando em 50% dos casos uma lesão de pele ou das mucosas, segui- da pela secundária, que precedem um período de latência.

Quando atinge o sistema nervoso central, a doença apresenta um desenvolvimento dividido em duas fases. Na fase inicial da doen- ça, o mecanismo patológico ocorre devido à invasão de células decor- rentes do processo inlamatório dos vasos, resultando em trombose, enquanto na fase tardia, depois da infecção primária, o acometimento é levado ao parênquima, resultando na gliose e no prejuízo neuronal.3

Classificação da Neurossífilis

A classiicação de neurossíilis é complicada por diversos fa- tores, como o estudo do tecido e o envolvimento de regiões anatô- micas. Além disso, a doença tem muitos sinais e sintomas comuns de outras doenças do SNC, diicultando o diagnóstico etiológico.3

Geralmente, podemos classiicá-la em assintomática, menín- gea, parenquimatosa e gomatosa. De forma geral, o acometimento da doença se divide nas áreas cerebral e espinhal. Iremos dar ênfase ao acometimento medular, particularmente na tabes dorsalis.

Tabes Dorsalis

DEFINIÇÃO

Apesar de existirem outras formas de acometimento medular, a que chama mais atenção, de fato, é a tabes dorsalis. É, atualmente,

uma raridade, sendo mais frequentemente diagnosticada em homens que em mulheres.

A doença caracteriza-se por ser um tipo de afecção parenqui- matosa da medula que pode ser resultado, de forma geral, de uma síilis não tratada após 20 ou 25 anos da infecção inicial.3 É causada pelo acometimento das colunas posteriores e desmielinização, ou das raízes posteriores, por meio de um processo inlamatório com ibrose. A lesão causada pela doença tipicamente causa paresia. A

tabes dorsalis envolve, de forma geral, a região lombossacral e torá-

cica da medula espinhal.14 QUADRO CLÍNICO

Quanto ao quadro clínico, as manifestações se resumem em parestesias, disestesias, perda progressiva das sensibilidades pro- prioceptiva e vibratória, perda permanente da sensibilidade doloro- sa e hiporrelexia, sobretudo nos membros inferiores. Um sintoma precoce é a dor lancinante, que classicamente ocorre de forma re- pentina, espalhando-se rapidamente e, logo depois, desaparecendo. Há hipóteses de que essa dor resultasse do tratamento com metais pesados, comum da terapêutica em épocas passadas.3 As crises dolo- rosas se desenvolvem após o estresse, tendo como exemplo as crises viscerais.23 Além dessas manifestações, podem surgir as chamadas juntas de Charcot, as quais resultam da perda da sensibilidade das articulações, com deformação gradual; e as úlceras tróicas (mal per- furante), que se desenvolvem ao longo da evolução da doença.23

A tabes dorsalis apresenta três fases: a pré-ataxia, a ataxia e a paralisia.23 Essa sequência ocorre devido à perda de informações sensitivas necessárias para o controle motor. Destaca-se marcha com base bem alargada (atáxica), progressiva.

Pode ocorrer, ainda, um quadro de pupilas de Argyll-Robert- son, ou seja, de pupilas mióticas que preservam a capacidade de contrair no relexo de acomodação, mas que perderam a capacida- de reativa com estímulo luminoso direto. Juntamente a esse quadro, pode haver a disfunção esincteriana.3 É importante citar também o

quadro de incontinência urinária, sendo consequência da lesão das vias descendentes.

Caso a lesão se expanda a ponto de atingir as porções anterio- res da medula, é possível se observar enfraquecimento e atroia dos músculos.14

Em geral os estudos de condução nervosa motora são normais (pode haver comprometimento nas fases mais tardias), mas os re- lexos H estão ausentes, e os potenciais evocados somato-sensitivos dos nervos tibiais estão comprometidos, indicando envolvimento dos gânglios da raiz dorsal e colunas dorsais. O diagnóstico, entre- tanto, é diicultado devido ao fato de a doença muitas vezes mimeti- zar várias outras doenças neurológicas (grande imitador).14

Tratamento

O tratamento com penicilina muitas vezes não é capaz de re- verter os sintomas. Tratamento sintomático para dor, neuropatia, é importante. Também é importante a isioterapia e a reabilitação para controle do quadro clínico de fraqueza e atroia muscular.

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