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Gjerningsmannsprofilering i Norge

Na locomoção entre o aeroporto e a aeronave os passageiros ressaltaram diversas restrições que se referem às condições para embarque, às informações e aos procedimentos operacionais. Tais restrições resultam de contradições ou descontinuidades entre os componentes do sistema de atividade, conforme representado na Figura 10.

Figura 10 – Restrições no embarque: Locomoção entre o aeroporto e a entrada da aeronave

Elaborado pela autora.

Nas entrevistas preliminares os participantes destacaram a falta de condições adequadas para locomoção entre o terminal e a aeronave como uma restrição à participação dos passageiros com deficiência física, usuários ou não de cadeira de rodas, e passageiros com deficiência visual. Além disso, salientaram a ausência de equipamentos para auxílio no embarque e o carregamento de passageiros. Estas restrições resultam de contradições entre o passageiro e o operador aeroportuário, o qual deveria assegurar as condições necessárias para locomoção com segurança e independência e, entre o objeto da atividade e os artefatos, uma vez que estes se mostram insuficientes ou inadequados.

É preciso um acompanhante para levar até o portão. Mas quando existem, há demora excessiva (E14).

O problema não é meu, o meu problema é de locomoção. O problema é da construtora dos aviões porque eles não fizeram pra atender todo mundo. O meio tem problema, não somos nós. A partir do momento em que as condições de locomoção me são dadas, eu posso ir onde todo mundo vai (E13).

Ponte de embarque Cadeira de rodas de embarque

Cadeira “lagarta” Ambulift

Escada Cadeira de rodas pessoal

Aeronave

Operador aeroportuário: deve disponibilizar equipamentos para

auxílio ao embarque. Companhia aérea: realizar embarque preferencialmente por

ponte de embarque; prestar assistência no deslocamento até a

aeronave e no embarque. Acompanhantes

Outros passageiros Atendentes da companhia aérea Prioridade de embarque. É vedado carregamento manual de passageiro. (Resolução nº280 ANAC) Passageiro com deficiência, idoso e/ou obeso Locomoção entre aeroporto e a entrada da aeronave Passageiro chega até a aeronave, mas nem sempre em condição de segurança e independência

Para entrar no avião a gente tem que ter paciência, porque estressar é pior. A gente foi no terminal 2 na Companhia B ai não tinha o ambulift, foi todo mundo na mão. Acho até que tinha o ambulift mas tava embarcando em outra aeronave. É ruim pro cara que pega, é ruim pro deficiente cadeirante. Tem gente que não gosta que pegue com medo de cair, de quebrar a cadeira, tem gente que é mais pesado. Um funcionário pode machucar a coluna porque não é pra fazer aquilo (E11).

Não sei onde foi que eu vi um dia desses eu vi um cadeirante entrando com uma empilhadeira. Chegou, levantou, colocou ele no nível da porta (E5).

Mesmo pra subir com aquela cadeira ela não é adequada para todas as deficiências, causa um transtorno. Ela dá bastante tranco. Então eu sempre peço pra subir na minha cadeira porque aquela cadeira [lagarta - sobe escadas] pra mim ela é horrível. Fora que você tem que transferir de uma pra outra pra depois transferir pro assento (E6).

Na medida em que o cara me puxa pela minha cadeira subindo degrau por degrau ele forçou o eixo. Então essa é uma coisa séria, já aconteceu do eixo meu na subida não quebrou, mas empenou, ai o cara falou “o que que eu posso fazer?”, e eu falei “você nada, agora o que eu posso fazer?, vou ter que usar essa cadeira” (E6). Quebrou o eixo da minha cadeira com eles me puxando degrau por degrau e eu fiquei na rua sem as pernas (E6).

O que acontece? Você tem um avião com três passageiros em cadeira de rodas e pára na remota. Porque que ele vai me levar para a remota? Quando você viaja daqui pra qualquer lugar eles já sabem que tá indo cadeirante. Ai quando chega lá o avião vai direto pra um lugar que não tem acesso pro deficiente. Não tem acessibilidade que dê conta disso (E6).

Outras restrições apontadas foram a falta de suporte informativo nos terminais e em diferentes formatos, e o desrespeito à prioridade no embarque.

Há excesso de ruídos e sons que sinceramente mal dá para a gente escutar o que estão falando no terminal, ninguém entende, fica todo mundo se perguntando. Não tem uma organização de comunicação, o som fica muito abafado, com ruído, com chiado, então não é claro.

Os que têm sérios problemas na questão de embarque são os visuais e os auditivos. Os auditivos porque não consegue perceber quando toca e avisa por microfone. Muita gente relata que perde o voo porque não consegue ter uma comunicação visual. Tá lá embarque no portão 10 e tá embarcando no portão 2. E eles tão avisando ali e o auditivo não consegue. E o visual tem que ter acompanhamento o tempo todo (E6).

Falta informação sonora que comunique, talvez um áudio-guia devesse ter. Falta independência para a pessoa. O voo tá atrasado, dependendo onde está ele não sabe. Eu acredito que seja um direito desassistido. É um direito que ele tem de informação (E8).

Há cegos que viajam sozinhos, outros só acompanhados. Mas o que acontece é que eles têm que parar e pedir, “por favor alguém me ajuda”, então cria uma série de constrangimentos (E7)

A companhia aérea C ignora o acesso prioritário né, o embarque prioritário, eu nunca consegui embarcar primeiro na C, eu sou sempre a última, nunca vi isso. Ai você chega, o avião já está lotado e cria todo aquele caos. [...] Então depois você é

carregado então tá tudo mundo, aquela plateia te olhando, você sendo carregado, colocado. Então é algo extremamente desconfortável, constrangedor (E6).

Quando você tá na remota, primeiro entra todos os passageiros, até porque você não está mais indo no mesmo transporte. Ai tem que esperar, quando não é um ambulift tem que esperar um ônibus que é adaptado, sempre vem por último, ai a gente espera (E6).

Mas a Companhia aérea C não respeita, eu nunca viajei de C e embarquei primeiro. Eu não embarco sozinha, eu fico sempre na salinha e vem um acompanhante da C me levar. Então se o cara chegou lá meia hora depois eu não posso fazer nada (E6). E o visual tem aquela mesma situação né que você fica naquela área reservada e dependendo de um único funcionário que é multitarefa, leva lá volta correndo, pega aqui. Ai você já embarca no final (E6)

Para entrar na aeronave, participantes das entrevistas ressaltaram as dificuldades decorrentes da incompatibilidade do espaço, especialmente, para embarcar utilizando cadeira de rodas ou a cadeira que sobe escada (“lagarta”), devido à divisória existente na entrada ou aos monumentos da cozinha da cabine.

A porta ser muito estreita em relação ao eixo da cadeira, raio de giro da cadeira. Então as incompatibilidades dimensionais nas áreas de movimentação ou nas entradas e saídas, eu diria que é meio básico mas que é uma das coisas específicas (E1).

Mas a questão de acessibilidade quando você entra que tem aquela divisória né, da área de serviços pros bancos, se aquilo fosse um pouquinho mais largo resolveria boa parte do problema do inconveniente de ter que pegar, transportar, aquela coisa toda. A entrada é a pior parte, isso é horrível (E6).

A gente teve esse problema num voo porque embarcamos com o ambulift pela porta de serviço e chegou num momento ali que tinha uma parte da cozinha que não dava pra passar, ai teve que voltar pro ambulift e fazer a transferência para a cadeira de bordo (E6).

Isso é realmente assim, você não consegue, por exemplo, entrar numa aeronave com a cadeira de rodas, não há espaço (E10).

Esta condição da entrada da aeronave gera restrições aos passageiros que são usuários de equipamentos para auxílio ao embarque, indicando contradições entre o passageiro, os artefatos mediadores e as regras, uma vez que frente a tal situação o passageiro precisa transferir-se para a cadeira de rodas de bordo ou acaba sendo carregado.

As principais restrições constatadas no questionário são apresentadas nos quadros 25 a 28 considerando as contradições entre os determinantes da atividade, e os componentes da acessibilidade espacial e atitudinal.

Quadro 25 – Restrições na locomoção entre o aeroporto e a aeronave: contradições e descontinuidades entre o passageiro e a companhia aérea

Elaborado pela autora.

cad

DMu

ob id id id-ob

Ob Componente da acessibilidade prejudicado: DESLOCAMENTO

Despachar a cadeira de rodas pessoal no check-in Ser transportada em cadeira de rodas de bordo no aeroporto Embarque realizado via cadeira que sobe escadas (cadeira lagarta)

Permanecer em salas de prioridade, impedido de circular pelo aeroporto

Ser carregado manualmente

Embarque remoto: ter que pegar ônibus ou vans Embarque remoto ou sem finger: subir escadas RESTRIÇÕES

Passageiro - Companhia aérea

Falta auxílio da companhia aérea

Pessoa com

deficiência física DMu

Pessoa com

deficiência múltipla Pessoa obesa

Pessoa obesa e

idosa id Idoso

Pessoa com nanismo

Pessoa com

deficiência visual Pessoa idosa cad

Usuário de

cadeira de rodas ob Obeso Participantes

Elaborado pela autora. cad DMu ob ob id id-ob Ob Fatores atitudinais

Qualidade ruim das informações/avisos sonoros

RESTRIÇÕES

Passageiro - Operador Aeroportuário

Faltam esteiras para locomoção nos terminais Longas distâncias percorridas nos aeroportos Desnível entre o finger e a porta do avião Falta acessibilidade entre o terminal e a aeronave

Falta de equipamentos adequados para embarque (ausência de ponte de embarque e ambulift )

Demora para chegada dos equipamentos para auxílio ao embarque, quando existentes

Falta informações ou elas são incorretas Localizar-se no aeroporto

Falta legenda nas telas de informação

Componente da acessibilidade espacial prejudicado: DESLOCAMENTO

Componente da acessibilidade espacial prejudicado: ORIENTAÇÃO ESPACIAL

Constrangimento ao passar pelo procedimento de segurança

Pessoa com deficiência física

Pessoa com

deficiência auditiva DMu

Pessoa com

deficiência múltipla Pessoa obesa id Idoso Pessoa com

nanismo

Pessoa com

deficiência visual Pessoa idosa

Pessoa obesa e idosa ob Obeso Participantes Usuário de cadeira de rodas cad

Quadro 27 – Restrições na locomoção entre o aeroporto e a aeronave: contradições e descontinuidades entre o passageiro e artefatos

Elaborado pela autora.

cad ob id-ob

Ob

Componente da acessibilidade prejudicado: USO

Ônibus utilizados para deslocamento até a aeronave não são acessíveis e faltam lugares para sentar.

Porta da aeronave é estreita e há pouco espaço na entrada do avião (divisória entre a porta e as poltronas)

Escadas da aeronave são estreitas e não são anti-derrapantes O corrimão da escada da aeronave não segue os padrões de acessibilidade (duas alturas)

Os degraus da escada da aeronave são muito altos

Entrar na aeronave

Quando existentes, equipamentos para auxílio ao embarque não proporcionam segurança, independência e conforto

Cadeiras de rodas de bordo não oferecem segurança, independência e conforto no uso

Perigo de acidentes durante a transferência da cadeira de rodas para a cadeira de rodas de bordo

A rampa para acesso ao ônibus utilizado no percurso até a aeronave é muito inclinada

Os degraus das vans e ônibus utilizados no percurso até a aeronave são muito altos

Componente da acessibilidade prejudicado: DESLOCAMENTO

Falta cadeira de rodas de bordo

Pontes de embarque às vezes são muito íngremes RESTRIÇÕES

Passageiro - Artefatos

Pessoa com deficiência física

Pessoa com

deficiência auditiva Pessoa obesa

Pessoa obesa e

idosa id Idoso

Pessoa com nanismo

Pessoa com

deficiência visual Pessoa idosa cad

Usuário de

cadeira de rodas ob Obeso

Quadro 28 – Restrições na locomoção entre o aeroporto e a aeronave: contradições e descontinuidades entre o passageiro e atendentes de aeroporto

Elaborado pela autora.

Além das restrições indicadas, passageiros com deficiência física e usuários de cadeira de rodas ressaltaram ainda a relação com os outros passageiros e sugeriram que falta cultura, educação e conscientização das pessoas quanto às necessidades das pessoas com deficiência.

Nas observações sistemáticas foram constatadas restrições relativas a falta de condição adequada para embarque/desembarque (ponte de embarque); orientação no terminal, principalmente devido a inadequação das fontes e ao posicionamento das placas de sinalização resultando em dificuldade para enxergar a informação (PF5, passageiro com baixa visão); despreparo dos funcionários das companhias aéreas para atendimento e condução dos passageiros com deficiência (PF4: passageiro com deficiência física e usuário de cadeira de rodas; PF7: passageira com deficiência física e usuário de cadeira de rodas e muletas; PF2: passageiro com deficiência física e usuário de prótese de membro inferior) e; degrau entre a junção da ponte de embarque com a porta da aeronave (PF4; PF7); altura restrita do vão para entrada na aeronave (PF8, passageiro obeso) e as dificuldades no uso da cadeira que sobe escada (“lagarta”) (PF7), restrições destacadas na fala da PF7 na entrevista de autoconfrontação.

cad ob id

Ob

Comunicar e pedir ajuda pois ninguém compreende/fala de LIBRAS; não há intérprete

Faltam pessoas qualificadas para atendimento dos passageiros com necessidade de assistência especial (despreparo, atendimento

Fatores operacionais

Componente da acessibilidade espacial prejudicado: COMUNICAÇÃO Fatores atitudinais

Tempo insuficiente para embarque prioritário Desrespeito às normas de prioridade no Embarque

Demora no atendimento das solicitações dos passageiros (cadeira de rodas, acompanhante)

RESTRIÇÕES

Passageiro - Atendente de aeroporto

Desorganização no embarque

Pessoa com deficiência física

Pessoa com

deficiência auditiva Pessoa obesa

Pessoa obesa e

idosa id Idoso

Pessoa com nanismo

Pessoa com

deficiência visual Pessoa idosa cad

Usuário de

cadeira de rodas ob Obeso

Sempre fica um degrau, mas dessa vez estava muito alto. Geralmente é menor e eu mesma consigo empinar a cadeira e entrar no avião. Mas esse eu precisei de ajuda totalmente porque estava muito alto. É ainda mais difícil quando saímos do solo, quando não tem ambulift. Degraus são ainda mais acentuados. Teriam que ser mais rentes, o degrau entre o finger [ponte de embarque/desembarque] e a porta. Dificulta por ter que empinar a cadeira. A cadeira de rodinhas que sobe escada às vezes dá medo e às vezes o funcionário não está preparado para manusear o equipamento. Usando esta cadeira já passei por uma situação na qual já machuquei o braço, depois disso não utilizei mais. Prefiro subir com apoio dos braços no corrimão da escada e pulando de degrau em degrau. Sinto-me mais segura assim do que com a cadeira que sobe escadas (PF7).

As restrições indicadas também foram verificadas nas observações do pesquisador como observador-total, que evidenciaram ainda as longas distâncias a serem percorridas no terminal (observações 21, 22, 40); a baixa qualidade do som nas informações e avisos sonoros; embarque remoto, o que requer subir escadas (observações 2, 6, 14, 23, 25, 28, 30, 35, 37); carregamento de passageiro para embarque (observações 6 e 14); cadeira de rodas de embarque estreita de modo que o apoio de braços fica levantado para caber o passageiro (observações 1, 5, 20); desrespeito a prioridade de embarque em caso de embarque remoto utilizando ônibus (observações 14 e 30) ou na organização das filas (observações 16; 19, 21-23; 25-27; 29-33; 36-37) ou ainda devido a necessidade de aguardar o acompanhante da companhia aérea (observação 26). Cabe salientar que há passageiros que não tem prioridade de embarque e que também desrespeitam esse direito garantido por lei (observações 11, 16, 19, 35, 38).

Na observação 2 o embarque foi realizado via escada da aeronave, a qual tinha degraus com cerca de 30cm de altura. Uma idosa foi conduzida na cadeira de rodas por um funcionário da companhia até a aeronave e para embarcar subiu a escada apoiando-se no corrimão. A passageira fazia mais de uma tentativa de flexão do joelho para conseguir colocar a perna no degrau superior. Quando conseguia também fazia esforço para impulsionar o corpo para subir. Nos últimos degraus o funcionário que estava apoiando começou a ajudar efetivamente segurando no tornozelo da idosa para ajudá-la na flexão do joelho, subindo cada degrau.