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Falta de conhecimento específico em grande parte dos procedimentos estudados.

Tendo como pano de fundo o questionário realizado, pode observar-se uma falta de conhecimento relativamente à génese de cada um dos procedimentos. Esta questão acontece em grande parte, devido à inexistência de uma política escrita de Gestão e Desenvolvimento de Colecções. Existem muitas Bibliotecas que utilizam alguns procedimentos e negligenciam outros sem critério aparente. Não existe um processo organizado desde o conhecimento da comunidade até à avaliação da colecção. O processo é aleatório e desorganizado, perdendo- se os conhecimentos sobre os diversos procedimentos.

Grande parte das Bibliotecas que assumiu possuir uma Política de Gestão e Desenvolvimento de Colecções, não a tem na forma escrita.

Uma das razões para a falta de conhecimento específico relativamente aos procedimentos estudados, reside na inexistência, como foi atrás referido de uma política de Gestão e Desenvolvimento de Colecções. Embora muitas Bibliotecas assumam a existência de uma linha coerente de procedimentos, o verificado no contexto do questionário é a incoerência procedimental, já que algumas vezes utiliza-se o processo de selecção, mas não se conhece a comunidade, ou então o próprio processo de selecção se confunde com o processo de aquisição entre muitas outras incoerências que poderiam estar escritas num documento “constitucional” como a Política de Gestão e Desenvolvimento de Colecções na sua forma escrita.

A nível de selecção de documentos, existe pouca interacção entre elementos da Biblioteca e a comunidade.

Nos procedimentos relativos ao processo de selecção, verifica-se pela análise da pergunta sete e oito, pouco interesse em conhecer a comunidade que alimenta os serviços prestados pela comunidade. Embora tenham existido Bibliotecas que mencionaram nas observações, o facto de escutarem as comunidades na altura de seleccionar os materiais num futuro processo de aquisição, houve um elevado número de Bibliotecas que nunca realizou um estudo à sua comunidade. Embora se perceba as dificuldades da realização do mesmo, sobretudo a nível monetário e logístico, está na altura dos responsáveis das Bibliotecas de descobrirem

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maneiras de conhecer a comunidade com uma adaptação dos seus meios à realidade dos concelhos.

Desorganização no processo de aquisição de materiais.

Conforme se pode presenciar na análise da pergunta nove, são poucas as Bibliotecas a ter uma politica organizada sobre o processo de aquisição de materiais, isto porque conforme foi descrito anteriormente, existe uma confusão latente no próprio procedimento de aquisições, visto que elas são manipuladas pelos livreiros consoante as seus interesses, não respeitando os interesses da comunidade nem das Bibliotecas. As Bibliotecas não tem defesa perante tal assédio, porque não prepararam devidamente o processo de selecção de materiais para executar devidamente a resposta ao livreiro.

Ao nível das aquisições, persiste a inexistência de contactos com outras Bibliotecas (escolares e universitárias).

No seguimento do ponto fraco anterior, existe ainda uma desorganização latente entre as várias Bibliotecas concelhias na organização das suas missões. Embora tenham missões diferentes, as Bibliotecas podem complementar-se de forma a evitar duplicação de exemplares, por exemplo, reflectindo-se no exagero orçamental gasto em materiais duplicados, nos funcionários necessários para o registo, catalogação e arrumação desses materiais.

Baixo volume de aquisições, respeitando pouco os níveis exigidos pela DGLB, relativamente às tipologias.

Consoante os resultados obtidos na pergunta onze, a análise sobre as aquisições das Bibliotecas inquiridas demonstra níveis de aquisição baixos, não coincidindo muitas das vezes as taxas de aquisição com as tipologias das Bibliotecas (embora não seja estudado nesta investigação, pode ver-se através do nível de respostas sobre as tipologias das Bibliotecas e o relacionamento com os níveis de aquisição). Os custos financeiros relativos às aquisições são um dos factores impeditivos de maior volume de aquisições, justificando um processo de Gestão e Desenvolvimento de Colecções mais apurado no sentido de rentabilizar os meios financeiros disponíveis.

Fraco desempenho no que diz respeito à preservação dos materiais.

Na pergunta relativa à preservação dos materiais, pode observar-se um elevado número de Bibliotecas que não presta atenção aos processos de preservação dos materiais, não tendo realizado acções proactivas de prevenção da degradação física dos materiais consoante os resultados obtidos na pergunta catorze.

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Maioritariamente, inexistência de um critério para aceitar doações de materiais.

Este ponto fraco surge na observação dos dados obtidos na pergunta quinze, onde devido à inexistência de uma política escrita de Gestão e Desenvolvimento de Colecções, por vezes as Bibliotecas são, sobretudo devido a actos de diplomacia perante a comunidade, “obrigadas” a aceitar as doações. Muitas das vezes, as doações de materiais não correspondem às necessidades informacionais da comunidade e estão fora dos conteúdos da missão da Biblioteca.

Falta de critério no acesso às colecções digitais e à Internet.

Consoante os dados apresentados na pergunta dezassete, embora o acesso à Internet esteja normalizado e difundido nas Bibliotecas Públicas, o tratamento de informação da Internet dado pelas Bibliotecas Públicas portuguesas é bastante pequeno, existindo poucas Bibliotecas que realizam a escolha dos sites de referência nas mais diversas áreas e disponibilizam o seu acesso aos utilizadores. O panorama apresentado aos utilizadores, actualmente corresponde ao simples fornecimento do serviço sem qualquer tipo de organização, nem tratamento.

6.1.3. – Ameaças

Inexistência de investigação realizada na área, nomeadamente artigos escritos e investigação no campo.

Na pesquisa efectuada para a realização desta investigação, notou-se a falta de trabalhos de pesquisa realizados sobre este tema tão específico da Biblioteconomia. Pode ser explicado pelo contexto evolutivo das Bibliotecas em Portugal, pois embora as Bibliotecas em Portugal já tenham uma experiência de séculos, a sua adequação aos novos paradigmas começou há pouco tempo, pela adaptação a uma realidade onde as prioridades institucionais são outras ou simplesmente pelo interesse noutras áreas da biblioteconomia, as razões são muito variáveis. Este trabalho pretende também dar o pontapé de saída para uma visão diferente sobre a política escrita de Gestão e Desenvolvimento de Colecções.

Pouca receptividade por parte dos funcionários das Bibliotecas para participar num processo de Gestão e Desenvolvimento de Colecções.

Esta ameaça não foi confirmada pelo questionário, onde todos os bibliotecários ou responsáveis pelas Bibliotecas demonstraram uma grande abertura no que toca à elaboração de uma política escrita de Gestão e Desenvolvimento de Colecções. Mas devido à falta de formação e orientação nesta área, com tão poucos trabalhos escritos ou investigação de campo feita, a receptividade da criação de uma “constituição” para as respectivas colecções pode tornar-se uma tarefa hercúlea ou se for efectivamente feita pode não corresponder aos parâmetros qualitativos exigidos para maximizar a tarefa de gerir uma colecção.

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Resistência local perante certos procedimentos, nomeadamente a criação de colecções cooperativas.

Temos que admitir a existência de pequenas bolsas de resistência perante alguns procedimentos sugeridos, porque muitas das vezes a novidade traz problemas novos aos serviços e a perda da autonomia em relação a alguns procedimentos. Embora, a criação de uma colecção cooperativa traga vantagens em relação aos custos de possíveis duplicações de materiais, existe a necessidade de reorganização das colecções e dos serviços no sentido de proporcionar maiores vantagens às comunidades.

6.1.4. – Oportunidades

Possibilidade da criação de uma política de Gestão e Desenvolvimento de Colecções de qualidade.

Perante o panorama apresentado anteriormente, e observados os resultados do questionário enviado às Bibliotecas Públicas, pode deduzir-se da falta de organização existente na constituição de uma colecção e no seu tratamento. O que existe deriva do saber empírico e do bom senso dos bibliotecários e responsáveis das Bibliotecas. A oportunidade advém do aproveitamento desta situação e o inicio de um trabalho sistematizado, aproveitando também o facto de permanecerem ainda muitas Bibliotecas por inaugurar, podendo constituir o seu fundo documental através de um processo elaborado segundo as regras de organização propostas.

Criação de um plano de formação na área de Gestão e Desenvolvimento de Colecções, com criação de medidas uniformes, consoante a tipologia das Bibliotecas.

Esta oportunidade sucede pelo facto de se estar no inicio de um processo uniformizador de instituição das Bibliotecas Públicas em todos os concelhos do pais, podendo criar-se uma rede de formação entre eles, de forma a gerar medidas uniformes para a criação de uma Política de Gestão e Desenvolvimento de Colecções, podendo posteriormente ser adaptado à tipologia da Biblioteca construída e mais especificamente ao concelho.

Possibilidade da criação de pequenas redes de Bibliotecas cooperantes na construção de colecções cooperativas.

Pelo facto de todo este processo organizativo estar no inicio, é a altura certa para uma definição do conceito de rede, formando pequenas redes de Bibliotecas cooperantes que possam construir colecções cooperativas, optimizando os recursos disponíveis e começando já a criar hábitos de cooperação, criando uma noção de trabalho de equipa e de consórcio.

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Anexo

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