3 Litteratursøk og funn
4.2 Gjennomføringsfasen
Autoeficácia e qualidade de vida de pessoas com úlcera venosa Self-efficacy and quality of life of people with venous ulcers
Resumo
Objetivo: analisar a correlação entre autoeficácia e qualidade de vida de pessoas com úlcera venosa na atenção primária à saúde.
Métodos: estudo analítico, transversal, quantitativo, realizado entre fevereiro e setembro/2014, com amostra por conveniência (n=101 pessoas). Utilizou-se formulário de caracterização sociodemográfica, clínica e de saúde, escala de autoeficácia para dor crônica e Charing Cross Venous Ulcer Questionnaire. Empregou-se estatística descritiva e correlação de Spearman.
Resultados: houve comprometimento da autoeficácia e da qualidade de vida, sendo o domínio estética o mais comprometido (média 57,6 + 24,0). Observou- se correlações fracas a moderadas entre autoeficácia para controle da dor e para funcionalidade e qualidade de vida. As correlações foram significativas, exceto para o domínio estética. Interação social e atividades domésticas apresentaram as mais elevadas correlações com autoeficácia para funcionalidade.
Conclusão: a crença de autoeficácia apresentou correlação com a qualidade de vida em pessoas com úlcera venosa acompanhadas na atenção primária à saúde.
Descritores: Úlcera varicosa; Autoeficácia; Qualidade de vida; Enfermagem.
Abstract
Objective: analyze the correlation between self-efficacy and quality of life of people with venous ulcers in primary health care.
Methods: analytical, cross-sectional study, quantitative, conducted between February and September/2014, with a simple random sample (n=101 persons). It was used of sociodemographic, clinical and health characteristics questionnaire, Chronic Pain Self-Efficacy Scale and Charing Cross Venous
Ulcer Questionnaire. Descriptive statistics and Spearman correlation were employed.
Results: there was impairment in self-efficacy and quality of life, and the aesthetics domain the most affected (mean 57,6 + 24,0). There was weak to moderate correlations between self-efficacy for pain control and functionality and quality of life. The correlations were significant, except for the aesthetic domain. Social interaction and housework showed highest correlations.
Conclusion: the belief of self-efficacy correlated to the quality of life in venous ulcers patients in primary health care.
Keywords: Varicose ulcer; Self efficacy; Quality of life; Nursing.
Introdução
O conceito de autoeficácia se originou da teoria social cognitiva. Segundo esta teoria, a crença de eficácia pessoal é fundamental na motivação humana para mudança, que só ocorre quando a pessoa sente que pode produzir o efeito desejado a partir de suas ações, apesar das dificuldades.(1)
A crença de autoeficácia é medida contra os desafios para a atividade ser bem sucedida.(1) Pessoas com baixa autoeficácia tendem a desistir facilmente quando não obtém sucesso em determinada tarefa, ao passo que o inverso é observado em indivíduos mais persistentes.(2)
Quanto melhor a percepção de autoeficácia, maior o compromisso com os objetivos estabelecidos. Essa crença afeta também os comportamentos de saúde. A autoeficácia para controle da dor representa o quanto a pessoa se sente capaz de controlar a sua dor, e realizar suas atividades, apesar da dor. A percepção da habilidade de realizar determinadas tarefas do dia a dia, apesar da dor, representa a autoeficácia para funcionalidade.(3)
A úlcera venosa (UV) é um tipo de lesão decorrente da insuficiência venosa crônica.(4) É a úlcera mais comum em membros inferiores, causando a perda de tecidos. (4) Essas feridas afetam pessoas em idade produtiva e podem retirá-las de suas atividades normais.(5)
Nesse âmbito, a preocupação com o atendimento integral ao paciente, retirando o foco da doença para a reintegração à sociedade da melhor forma possível reflete o interesse na qualidade de vida (QV). Dessa maneira, a
avaliação da QV possibilita observar qual a ação da UV nos aspectos sociais e psicológicos do indivíduo.(5)
O impacto dos fatores psicossociais nas atividades de autocuidado em pessoas com UV ainda não tem sido bem avaliado por meio de medidas validadas.(6) Entretanto, reforçar a autoeficácia pode ser uma boa estratégia para melhorar a qualidade de vida relacionada à saúde em pessoas com doença crônica.(7)
Em relação ao ambiente de cuidado à pessoa com UV, o predomínio de atendimento acontece na rede ambulatorial.(8) Porém, a atenção primária à saúde é o melhor espaço para promoção da saúde de pessoas com doenças crônicas, pelo vínculo e possibilidade de acompanhamento que propicia.(8)
A crença de autoeficácia e sua relação com a QV em doenças crônicas tem sido tema de pesquisas internacionais(3,7,9), entretanto, diante de ampla busca em bases de dados observou-se que a nível nacional ainda são escassas, e quando se trata de UV esse número diminui ainda mais. Diante desse contexto questiona-se: existe correlação entre a crença de autoeficácia e qualidade de vida de pessoas com UV atendidas na atenção primária à saúde?
Assim, este estudo objetivou analisar a correlação entre autoeficácia e qualidade de vida de pessoas com úlcera venosa na atenção primária à saúde. Métodos
Estudo, analítico, transversal, com abordagem quantitativa, realizado na atenção primária à saúde de Natal, Rio Grande do Norte (RN), Brasil. De acordo com a secretaria municipal de saúde de Natal existem 37 unidades de saúde da família (USF) e cinco unidades mistas em toda a cidade, sendo todas incluídas nesse estudo.
A população se compôs de todas as pessoas com UV atendidas na atenção primária à saúde. A amostra foi por conveniência e tentou abranger toda a população, totalizando 101 indivíduos. Como critérios de inclusão elegeram-se: apresentar UV ativa no momento da coleta, ter mais de 18 anos de idade e possuir capacidade de comunicação verbal.
Foram excluídas pessoas com úlcera completamente cicatrizada ou de origem mista e indivíduos que pertenciam a áreas de abrangência de equipes
de saúde da família as quais os enfermeiros responsáveis estavam de licença ou férias no período da coleta, devido à dificuldade de localizá-los sem a ajuda desses profissionais.
Foram empregados três instrumentos na coleta de dados. O primeiro de caracterização sociodemográfica, clínica e de saúde.(10) O segundo instrumento refere-se à escala de Autoeficácia para Dor Crônica (AEDC), composta por três domínios (controle da dor, funcionalidade e outros sintomas), que variam de 10 a 100, cada; e quanto mais próximo de 100, melhor a autoeficácia. O domínio de autoeficácia para outros sintomas não se mostrou relevante para uso em pessoas com UV e foi excluído da pesquisa.
O terceiro instrumento utilizado foi o Charing Cross Venous Ulcer Questionnaire (CCVUQ), que avalia a qualidade de vida em pessoas com úlcera venosa. Instrumento composto por quatro domínios: interação social, atividades domésticas, estética e estado emocional. A sua pontuação varia de zero a 100, de modo que quanto maior o escore, pior a qualidade de vida.
A coleta foi realizada entre fevereiro e setembro de 2014, nas unidades de saúde ou no domicílio dos entrevistados, por enfermeiros e acadêmicos de enfermagem, previamente treinados. Houve pausa de três meses (maio a julho) na coleta, devido greve no sistema municipal de saúde, que impossibilitou o contato com os profissionais das unidades de saúde e consequentemente com as pessoas com UV.
Os dados foram organizados em tabelas do Microsoft Excel e exportados para software estatístico, no qual foi realizada estatística descritiva e inferencial. Utilizou-se frequências relativa e absoluta e correlação de Spearman. Adotou-se como nível de significância p-valor < 0,05 e como parâmetros de correlação a seguinte classificação: r = até -0,39 (fraca); r = - 0,40 até 0,69 (moderada); r = -0,70 até 1 (forte).(11)
O desenvolvimento do estudo atendeu as normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos. Os potenciais participantes receberam informações sobre os objetivos do estudo. Houve apenas duas recusas e os que aceitaram participar assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Além disso, também se obteve
autorização da secretaria municipal de saúde por meio de carta de anuência emitida pela mesma.
Resultados
Foram entrevistadas 101 pessoas com UV, das quais 66,3% do sexo feminino e 61,4% com 60 anos ou mais. Predominaram pessoas casadas ou em união estável (63,4%), com escolaridade até o ensino fundamental (85,1%), sem profissão (75,2%) e renda per capta de até um salário mínimo (90,1%).
O perfil clínico e de saúde mostrou que 60,4% apresentavam outras doenças crônicas associadas, 82,2% tinham seis ou mais horas de sono por dia, 85,1% negavam tabagismo e 87,1% negavam etilismo, 73,3% tinham mais de seis meses de lesão e 76,2% apresentavam dor moderada à intensa.
Os resultados da avaliação da autoeficácia para controle da dor e para funcionalidade e a qualidade de vida são apresentados na Tabela 1. Doze pessoas relataram não sentir dor, e por isso foram excluídas da aplicação da escala de autoeficácia para controle da dor.
Tabela 1. Autoeficácia para controle da dor e para funcionalidade, CCVUQ e seus domínios. Natal/RN, 2014.
Mediana Média DP Mínimo Máximo
AUTOEFICÁCIA Controle da dor 74,0 67,3 26,6 10,0 100,0 Funcionalidade 58,9 59,4 25,9 11,0 100,0 CCVUQ Atividades domésticas 40,9 46,3 23,3 16,8 84,2 Interação Social 41,8 48,4 21,4 18,0 86,3 Estado Emocional 55,5 57,0 25,7 20,7 100,0 Estética 54,1 57,6 24,0 20,7 100,0 Total 50,2 52,1 16,6 19,8 90,1
DP- desvio padrão; CCVUQ - Charing Cross Venous Ulcer Questionnaire
A Tabela 2 representa os coeficientes de correlação de Spearman entre as escalas de autoeficácia para controle da dor e para funcionalidade e o
escore total do CCVUQ e seus domínios. Verificaram-se correlações negativas, de fracas a moderadas e significativas, com exceção do domínio estética. Tabela 2. Correlação entre autoeficácia para controle da dor e para funcionalidade e escore total e domínios do CCVUQ. Natal/RN, 2014.
Correlação de Pearson. CCVUQ - Charing Cross Venous Ulcer Questionnaire.
Discussão
Este estudo apresentou como limitação o longo período de coleta de dados causado devido a greve no sistema municipal de saúde. Além disso, pelo seu próprio método, não foi possível fazer um acompanhamento dos entrevistados. Apesar das limitações, esta pesquisa contribui para estimular o atendimento integral da enfermagem a partir da avaliação da autoeficácia e da QV de pessoas com UV.
Em relação à autoeficácia, houve comprometimento da mesma para controle da dor (média 67,3 e DP 26,6) e para funcionalidade (média 59,4 e DP 25,9), com as respectivas médias concentradas no tercil médio da escala, denotando um comprometimento moderado, sendo este maior na autoeficácia para funcionalidade.
Há poucas evidências na literatura sobre autoeficácia e úlceras de pernas recorrentes.(2) Um estudo realizado na Austrália que avaliou a relação entre atividades preventivas, fatores psicossociais e recorrência de UV constatou que as pessoas que tiveram pontuações entre o tercil mais baixo da
CCVUQ
AUTOEFICÁCIA
Controle da dor Funcionalidade
R p-valor R p-valor Interação Social -0,278 0,008 -0,553 <0,001 Atividades domésticas -0,285 0,007 -0,594 <0,001 Estado Emocional -0,247 0,019 -0,259 0,009 Estética -0,155 0,147 -0,189 0,058 Total -0,324 0,001 -0,553 <0,001
escala tiveram úlcera recorrente em 12 semanas, em comparação com 21 semanas para o tercil médio e 48 semanas para o tercil superior.(2) Outra pesquisa observou associação significativa entre o uso da terapia de compressão e autoeficácia mais elevada.(6)
A cronicidade de lesões, como as UV, leva os indivíduos à desmotivação, desesperança e apatia. As monótonas rotinas de cuidado com a lesão acabam por induzir à acomodação e perda da crença de cura. Os tratamentos são realizados como obrigação rotineira e, dessa maneira, as estratégias de enfrentamentos tornam-se prejudicadas.(12-13)
Situações crônicas, como as UV exigem cuidados permanentes. Dessa forma, é necessário que se crie o hábito do autocuidado. A pessoa com doença crônica é corresponsável pela sua saúde.(14) A percepção de autoeficácia relaciona-se com o autocuidado, pois por meio do reconhecimento da capacidade para realizar determinadas tarefas é possível o exercício do autocuidado.
A falta de conhecimento sobre sua condição de saúde é um fator que dificulta o autocuidado e a prevenção de complicações.(15-16) O predomínio da baixa escolaridade (85,1%) entre os entrevistados nesta pesquisa pode ter influenciado nas respostas negativas em relação ao reconhecimento da sua capacidade funcional e de controle da dor.
Assim como uma menor compreensão do estado de saúde, experimentar graves consequências da doença crônica também colabora com o comprometimento da autoeficácia.(15) No caso da insuficiência venosa crônica (IVC), a ocorrência da UV pode ser considerada uma consequência grave dessa doença. Graves estados de saúde podem dar origem à desesperança e inutilidade, desvirtuando as crenças de autoeficácia.(15)
A autoeficácia para controle da dor obteve escores melhores que a autoeficácia para funcionalidade e doze indivíduos não tiveram queixa álgica. Sabe-se que a dor crônica dificulta o enfrentamento e pode levar a incapacidade física.(17) Entretanto, apesar de dor e capacidade funcional estarem relacionados, um indivíduo pode se adaptar bem a sua dor crônica, mas manter-se incapacitado fisicamente.(17)
A dor tende a ser menor nos estágios mais graves da doença venosa crônica, que é quando se instala a lesão.(5) Entretanto, capacidade funcional e limitações físicas foram os domínios mais afetados em pesquisas.(18-19)
Nas respostas dos pesquisados em relação à autoeficácia para o controle da dor, muitos daqueles que disseram conseguir controlar sua dor, o faziam com o uso indiscriminado de analgésicos por automedicação. Situação semelhante foi encontrada em estudo com mulheres com lesões crônicas.(16) A automedicação de analgésicos é bastante comum e aponta para o tratamento inadequado da dor.(16)
Aliado a dor surge a incapacidade física e diminuição da QV, como evidenciado em pesquisas em Natal/RN.(20-22) As pessoas com UV precisam ser esclarecidas quanto às adaptações possíveis em suas vidas, como alternativas às restrições ocasionadas pela lesão.(23)
Pesquisa sobre QV com pessoas com IVC encontrou que dor, aspectos físicos, sociais e emocionais, vitalidade, saúde mental e capacidade funcional mostraram-se significativamente mais afetados em indivíduos com estágio mais avançado da doença, ou seja, quando a UV se faz presente.(5)
Na avaliação da QV, o valor total (média 52,1 e DP 16,6) e os domínios do CCVUQ obtiveram médias próximas à mediana da escala, que é de 50 pontos. O domínio estética foi o mais comprometido (média 57,6 e DP 24,0), seguido do estado emocional (média 57,0 e DP 25,7), interação social (média 48,4 e DP 21,4) e atividades domésticas (média 46,3 e DP 23,3).
Observou-se correlações significativas entre a autoeficácia para controle da dor e para funcionalidade e a QV, exceto com o domínio estética. Todas as correlações foram negativas, visto que a escalas de autoeficácia crescem positivamente e o CCVUQ cresce negativamente.
O escore total do CCVUQ apresentou correlações entre fracas e moderadas e significativas com as escalas de autoeficácia, exceto o domínio estética. A relação da autoeficácia com a QV de pessoas com UV ainda é pouco estudada. Todavia, este tema já vem sendo abordado em outras doenças crônicas. Em pesquisa realizada com pessoas com fibromialgia crônica foi constatado que aqueles que apresentavam maior autoeficácia tinham melhor QV.(24)
Sabe-se que a dor pode interferir na QV de pessoas com feridas crônicas. Assim, na promoção da QV, a identificação das consequências da dor no comportamento e no funcionamento biológico e emocional do indivíduo, e dos fatores que contribuem para sua melhora são essenciais.(20)
A avaliação da capacidade funcional, do apoio social, da autoeficácia para funcionalidade também pode ajudar a melhorar a QV. Quando um indivíduo com UV não se adapta às suas limitações e não se sente capaz para enfrenta-las no dia a dia, a QV torna-se comprometida.(22)
Quando se trata do domínio estética, observou-se a presença de correlações negativas, porém fracas entre esse e a autoeficácia para controle da dor (r = -0,135; p= 0,206) e para funcionalidade (r= -0,183; p= 0,068). Ambas as correlações não mostraram significância estatística, fato que pode ter acontecido devido às escalas de autoeficácia utilizadas não tratarem de questões relacionadas à estética.
Foi muito citado durante as entrevistas o incômodo em não poder utilizar sapatos de salto ou fechados, denotando insatisfação com a aparência física. A insatisfação em relação às sensações corporais aponta para uma diminuição da autovalorização e esse sentimento pode diminuir a crença para enfrentamento da dor e limitações funcionais.(22)
O domínio estado emocional foi o segundo mais comprometido. Apresentou correlações negativas, fracas, porém significativas com autoeficácia para controle da dor (r: -0,219; p=0,039) e para funcionalidade (r: - 0,260; p= 0,009). Ressalta-se que o sofrimento crônico que uma UV pode causar favorece a depressão, ansiedade e piora da qualidade de vida.(19) Ao mesmo tempo, dor, funcionalidade e estado emocional influenciam-se mutuamente.
Em depoimentos de pessoas com lesões, percebeu-se que a dor estava associada a sentimento de negatividade, sofrimento, angústia, martírio, esgotamento.(12) Além disso, o impacto no estado emocional causado nas pessoas com UV provoca isolamento, afastamento de responsabilidades, de amizades, de atividades físicas.(13,21)
Para se evitar os distúrbios psicossociais que podem decorrer da UV são necessários mecanismos de suporte que promovam o enfrentamento dos
sentimentos e emoções abaladas.(23) Entretanto, sabe-se que nem sempre os profissionais investigam o impacto emocional como forma de agir na QV, autoestima, autoeficácia e autoimagem da pessoa com UV.(23)
Os domínios interação social e atividades domésticas foram os que apresentaram maior correlação com a autoeficácia, especialmente para funcionalidade. O domínio interação social apresentou correlações negativas, fraca a moderadas, e significativas com a autoeficácia para controle da dor (r:- 0,339; p=0,001) e para funcionalidade (r:-0,604; p< 0,001). As correlações do domínio atividades domésticas mostraram o mesmo comportamento com a autoeficácia para controle da dor (r: -0.314; p=0,003) e para funcionalidade (r: - 0,647; p<0,001).
A correlação da autoeficácia para funcionalidade com os domínios interação social e atividades domésticas foram as mais significativas, visto que as temáticas são próximas uma da outra. O formulário de autoeficácia para funcionalidade utilizado traz mais de uma questão relacionadas aos domínios do CCVUQ.
O enfrentamento da convivência com a UV é melhorado quando as pessoas são ativas e determinadas, driblando suas limitações.(22) A existência de uma ferida crônica causa transformações que levam as pessoas a viverem em função do ferimento, abstendo-se das atividades que gostavam e desempenhavam.(12) Em avaliação da QV de pessoas com lesões crônicas em membro inferiores pelo instrumento The World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-bref), o domínio mais afetado foi o de relações pessoais.(20)
O sofrimento causado pelas dores crônicas altera o convívio social e favorece a ansiedade e depressão, comprometendo a QV das pessoas com UV.(20) A dor leva a incapacitação, que provoca o impacto na vida social, sensação de incapacidade e inutilidade.(21)
A baixa autoeficácia causa o afastamento de atividades de vida diária, sociais e de lazer.(3) Os fatores biopsicossociais e crenças são importantes no surgimento de incapacidades.(3) Em pesquisa qualitativa realizada com pessoas com IVC identificou-se que, para os entrevistados, ter QV é possuir capacidade funcional para realizar as atividades de vida diárias.(21)
De maneira semelhante, outro estudo mostrou que 52% das pessoas com UV apresentaram alteração do papel laboral e 34% nas atividades domésticas.(22) Em pesquisa na Bahia, mulheres com feridas crônicas relataram que a presença da dor ocasiona limitações das atividades diárias, o que as leva a se sentirem inúteis e sem valor, contribuindo para diminuição da autoestima.(16)
O cuidado à pessoa com UV é um desafio cotidiano para os profissionais de saúde, pacientes e cuidadores/familiares.(23) Os profissionais necessitam identificar a capacidade das pessoas com UV ou de seus cuidadores/familiares em realizar os cuidados domiciliares, prepara-los, encorajá-los a participarem no seu tratamento, exercendo o autocuidado e autogestão de sua doença.(15,25) Conclusão
A autoeficácia para funcionalidade mostrou-se mais comprometida que a autoeficácia para controle da dor, porém, ambas apresentaram médias entre o tercil médio da escala, o que denota moderada autoeficácia. A qualidade de vida também apresentou média próxima à mediana de escala e o domínio mais afetado foi o de estética, seguido de estado emocional, interação social e atividades domésticas.
Houve correlações de fracas a moderadas entre a autoeficácia para controle da dor e para funcionalidade e o escore total do CCVUQ e seus domínios, sendo essas correlações significativas, exceto no domínio estética. Interação social e atividades domésticas foram os domínios que apresentaram maiores correlações com as escalas de autoeficácia aplicadas.
A baixa escolaridade dos pesquisados mostrou-se como uma dificuldade do estudo, pois dificultou o entendimento dos instrumentos, em especial a escala de certeza utilizada para medir autoeficácia. São necessários mais estudos nessa temática, que ainda está emergindo no cenário nacional, principalmente na população de pessoas com úlcera venosa.
Referências
1- Bandura A. [Health Promotion by Social Cognitive Means]. Health Educ Behav [Internet]. 2004 [cited 2014 Oct 06]; 31(2): 143-64. Available from: http://www.uky.edu/~eushe2/Bandura/Bandura2004HEB.pdf
2- Finlayson K, Edwards H, Courtney M. [Relationships between preventive activities, psychosocial factors and recurrence of venous leg ulcers: a
prospective study]. J Adv Nurs [Internet]. 2011 [cited 2014 Oct 06]; 67(10): 2180-90. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21517938