Overordnede vurderinger
7.5 Ansvarsplasseringen
7.5.3 Gjeldende rett – rederiet forstått som arbeidsgiverarbeidsgiver
Figura 4. Francesca Woodman Self-Deceit 5 (Roma).1977-78
A arquitectura assume um protagonismo notório na escrita do autor americano, albergando sentimentos e emoções que o entendimento “estratégico” procura conciliar. As descrições directas ou intermediais do espaço urbano ou rural direccionam o desenvolvimento das acções que as personagens são conduzidas a cumprir. Esta nota tipicamente romântica en- contra paralelismo na encenação fotográfica que Francesca Woodman legou. Prematura- mente desaparecida, ficou uma obra singular, eivada de uma assunção identitária sui generis e assegurando a intemporalidade da figura/personalidade do artista enquanto perseguido pelo paradoxo de si mesmo. Em finais da década de 70, Woodman revela-se, através de imbricadas construções visuais, de intrínseca valência performática.
Tua alma solitária se verá
Sombria, meditando num jazigo… Ninguém, da multidão, prescrutará Esse instante em que estás a sós contigo. Guarda silêncio nessa solidão,
Que não é um exílio – pois então Os espíritos dos mortos, que de frente Viste quando viviam, novamente Na morte te rodeiam…seus desejos Vêm obscurecer-te: oh, sê silente! A noite, embora clara, há-de cerrar-se, E o olhar dos astros não há-de inclinar-se Dos seus tronos no alto, celestiais… (Poe, obra 65)
110
Figura 5. Francesca Woodman Untitled. Boulder. Colorado, 1972-75
A artista-persona enreda-se em cenários naturais, trabalhados por recurso a trucagens, mon- tagens e demais procedimentos técnicos, assimilando-se e enfatizando a sua presença. De forma equívoca, a sua figura submerge entre arvoredos, ocultada sobre tecidos ou mais, recorrentemente, dissolve-se em paredes internas à casa. Numa fotografia emblemática o seu corpo (que é mais um vestígio do que uma afirmação) atravessa uma lápide – atraves- sando reinos inconciliáveis…aparentemente. Woodman movimenta-se entre mundos: diur- no e nocturno, consciência e inconsciência, vida e morte… Se atendendo à nomenclatura cinematográfica de André Gide em Orpheu, Woodman vive na Zone… Esse espaço onde a memória garante que se vivifica sempre e sempre, onde a realidade é a crença ansiada, onde a ilusão domina e confunde… espécie de caverna platónica…
Em House #4, a figura feminina atravessa-se entre a parede e o umbral de uma lareira, evo- cando um elemento primordial ausente – o fogo. Numa assunção simbólica complexa e po- tencializadora de intensa dualidade, o plano inclinado acentua a dramática prisão. O corpo tende sempre para uma dissolução visual, contrariando a impenetrabilidade dos materiais. Recorrendo a adereços do imaginário pessoal, quanto do colectivo, para acentuar a pseudo- -ocultação da sua pessoa, extravasa o “gosto” pelo gótico – campas, emparedamento, espe- lho-cego… voltando-se para dentro da parede como se de uma estrada de luz se tratara…
Figura 6. Francesca Woodman - House #4,
Providence, Rhode Island, 1976
Figura 7. Francesca Woodman - From Angel Series,
111
…Não há palavras – aí, para meu desgosto! – Que digam o encanto que é amar,
Nem poderia agora eu traçar A beleza suprema desse rosto Cujas linhas, em meu lembrar distante, São sombras vagas pelo vento errante: Assim também recordo já ter lido Dispersas folhas do saber de outrora Até que, para meu olho abstraído, Cederam suas letras seu sentido
A fantasias cujo senso ignoro. (Poe, obra 53)
Francesca Woodman transportou no Poem about 14 hands high, os reinos de fantasia e de realidade, cujos intermediários são as mãos (também as luvas), a pele da pele numa escrita de reverso.
i am apprehensive. it is like when/ i played the piano. first i learned to/ read music and then at one point i/ no longer needed to translate the notes:/ they went directly to my hands. after a/
while i stopped playing and when i started again i found i could not/ play. i could not play by/ instinct and i had forgotten how to read music.
O corpo é apresentado em distintas acepções ôntico-visuais:
a) corpo envolto em papel – Then at that point I did not need to translate the notes; they went
directly to my hands.(Francesca Woodman – Providence – 1976, texto e fotografia);
b) corpo que olha a sua silhueta carbonizada – Providence/Rhode Island, 1976 (fotografia); c) corpo enjaulado no aquário e no espelho – Space 2,1975-1978;
d) corpo diluído entre o papel de forrar a parede e a própria parede – almas, carboniza- ções…;
e) corpo desajustado de focagem com efectividade do espelho que reflecte paredes; mol- dura de espelho com dissipação da pessoa (etérea), espécie de alma;
f) elevação do corpo como anjo na moldura, no umbral de uma porta que é transição de mundos, passagem entre Eros e Thanatos; asas-lençol (sem corpo de anjo) cuja figura as ladeia…poética da (não)matéria…
112
Figura 8. Francesca Woodman - From Angel series. Rome. 1977
Figura 9. Francesca Woodman - Untitled.
Rome. 1977-78 Um anjo habita o alto firmamento,
“Que tem no peito fibras de alaúde”;
Ninguém canta com tal arrombo e alento (…) (Poe, obra 111)
Creio eu que os Anjos no Além,
Cantando uns com os outros, suspirosos, Não acham, entre os termos carinhosos,
Palavra mais piedosa do que “Mãe”. (…) (Poe, obra 185)
A coincidência trágica entre os conteúdos iconográficos das suas fotografias e as circunstân- cias biográficas converteram Woodman numa figura paradigmática, enfatizada em inúmeros
gender studies focados no seu caos particular. Cartografou a identidade pessoal num (não)
lugar onde a vida era morte e seu reverso. O corpo, porventura, um peso excessivo – uma carga imaginária “patológica,” metáfora pungente – corporaliza-se no desejo de aparição, cir- cunstância e condição de uma transitoriedade deliberada, demarcando-se do tempo/duração imposto e propugnando – em derradeira instância – o termo de vida que decidiu:
Eu não fui, desde a infância Como outros eram…não olhei O que outros viam…não busquei Na mesma fonte as minhas ânsias… Não foi do mesmo poço que tirei Minha amargura…meu coração Não entoou, em coro, hinos de louvor…