5.3 Gjeldsproblematikk
5.3.2 Gjeld og asymmetrisk finanspolitisk respons
A Psicologia é comumente definida como a ciência interessada pela investigação de questões relacionadas ao comportamento humano e processos mentais (SHAUGHNESSY et al., 2012, p. 20). Uma aproximação desta definição com a área musical permite compreender os estudos sobre Psicologia da Música como uma disciplina cujo interesse se concentra na investigação do pensamento e comportamento musical a partir de uma perspectiva científica. O emprego de diferentes ferramentas ou procedimentos metodológicos da Psicologia tem contribuído para o estudo sobre diferentes tópicos, tais como: a percepção de fenômenos
73 Em seu estudo, a pesquisadora Olga Pombo (2005, p. 3-9) relaciona o termo interdisciplinaridade, tanto a um
meio de investigação quanto a uma prática possível de ser adotada no processo de ensino-aprendizagem. Para a pesquisadora, o surgimento da interdisciplinaridade (como uma possibilidade investigativa) correspondeu a uma reação de pesquisadores pertencentes a diferentes áreas do conhecimento, diante da crescente especialização das ciências. Desta maneira, a autora relaciona o conceito a um meio investigativo, caracterizado pela transferência de conceitos, problemas e metodologias de uma disciplina para outra. Afirma que o cruzamento de hipóteses e resultados de disciplinas com hipótese e resultados de outras disciplinas tem colaborado para o avanço da ciência, permitindo a determinadas áreas do conhecimento "aceder a camadas mais profundas da realidade que se quer estudar" (POMBO, 2005, p. 9).
acústicos, a performance, a criatividade, a memorização, a escuta e as atividades de ensino e aprendizagem de habilidades musicais (DEUTSCH, 2001, p. 527).
Dentre as diferentes habilidades musicais que têm sido objeto de investigação e desenvolvimento de estudos empíricos, a percepção de fenômenos sonoros é apresentada por especialistas como uma daquelas que mais têm atraído a atenção de investigadores. A inves- tigação de aspectos relacionados à percepção sonora sempre atraiu a atenção de pesqui- sadores em diferentes momentos da história. Por isso, pode-se afirmar que os estudos em- píricos vinculados à investigação de fenômenos acústicos e da percepção sonora são an- teriores ao surgimento dos estudos modernos em Psicologia da Música (DEUTSCH, 2001, p. 527; RINK, 2009, p. 61). Tal assunto é abordado por Deutsch (2001, p. 528) ao tratar sobre as realizações dos primeiros estudos empíricos interessados pela investigação da percepção de fenômenos acústicos, tais como o reconhecimento de alturas, timbres e ritmos.
Quanto ao surgimento da Psicologia da Música como uma disciplina da Musi- cologia Sistemática74, pode-se afirmar que sua origem ocorreu paralelamente à consolidação da Psicologia como ciência75. De acordo com Lehmann, Sloboda e Woody (2007, p. 14), o surgimento dos estudos modernos em Psicologia da Música ocorreu durante a segunda metade do século XIX, centrados principalmente na investigação e estudo sobre a percepção de fenômenos acústicos. Como exemplo de tais investigações encontra-se as pesquisas sobre a percepção de alturas, desenvolvidas por Hermann von Helmholtz76 (1821-1894), e pesquisas voltadas para a investigação sobre o reconhecimento de timbres por músicos, como as desen- volvidas por Carl Stumpf 77 (1848-1936) (GABRIELSSON, 2001, p. 528-529). Embora, os exemplos anteriores permitam reconhecer o foco dos primeiros estudos em Psicologia da Música na investigação de habilidades relacionadas à percepção auditiva, o estudo sobre
74 Baseado na proposta de sistematização dos estudos musicológicos, elaborada por Adler, Parncutt (2012, p.
151) define a Musicologia Sistemática como um dos ramos da Musicologia o qual abrange diversas disciplinas, tais como a Psicologia Empírica, a Sociologia, a Acústica, a Fisiologia, a Neurociência, as Ciências Cognitivas, a Computação e a Tecnologia. O autor observa que tais disciplinas têm se caracterizado pelo emprego de proce- dimentos metodológicos das chamadas Ciências Duras.
75 Alguns estudiosos têm apresentado o ano de 1879 - quando Wilhelm Wundt implantou o primeiro laboratório
formal de Psicologia na cidade de Leipzig, na Alemanha - como o início oficial da Psicologia como ciência (SHAUGNESSY et al., 2012, p. 23). Desde a primeira proposta de sistematização dos estudos musicológicos, oferecida por Adler, em 1885, pode-se reconhecer a Psicologia como uma disciplina pertencente ao ramo Sistemático da Musicologia (RINK, 2009, p. 61).
76 Cientista alemão, nascido em Berlim, o qual se dedicou ao estudo da anatomia do ouvido e dos fenômenos da
dissonância e consonância. Através de seus trabalhos sobre o ouvido, fundou a atual teoria da audição (SADIE, 1994, p. 422).
77 Filósofo e músico alemão, considerado um dos fundadores da Musicologia Comparada. Seus estudos sobre a
percepção musical resultaram na elaboração da obra intitulada Tonpsychologie [Psicologia do som] (1883-90). Argumentando contra as teorias de Helmholtz, propôs a denominada teoria da "fusão" sonora (DEUTSCH, 2001, p. 529).
aspectos da performance musical, vinculada à atuação de músicos instrumentistas, também começou a atrair o interesse das primeiras investigações desenvolvidas pela área da Psicologia da Música.
Desenvolvidas por Carl Seashore (1866-1949), as primeiras pesquisas sobre aspectos relacionados à atividade da performance musical, vinculada à atuação de músicos instrumen- tistas, caracterizaram-se pela ênfase em abordagens quantitativas. A fim de observar o trata- tratamento conferido por pianistas profissionais aos parâmetros intensidade e altura, durante performances de obras de Chopin, Seashore (1967, p. 235) fez uso de um sistema de câmara acoplado ao piano com propósito de registrar os movimentos dos martelos, abafadores de um piano, bem como o emprego da pedalização pelos instrumentistas. O emprego do equipamen- to permitiu ao pesquisador realizar a medição de ambos os parâmetros, favorecendo a observação de diferentes aspectos interpretativos, tais como a dinâmica, o andamento, o fraseado e a qualidade sonora das execuções realizadas pelos pianistas. Através de gráficos representativos dos dados captados pelo equipamento, procurou ilustrar a consistência entre várias interpretações de uma mesma obra, realizadas por um mesmo instrumentista, assim como a presença de assincronização durante a execução de acordes (SEASHORE, 1967, p. 239-247). Tanto nesta pesquisa quanto em outros estudos, caracterizados pelo emprego de equipamentos voltados para a gravação e a medição, o pesquisador procurou demonstrar a presença de numerosos "desvios" dos intérpretes em relação às designações apresentadas pela notação musical (SEASHORE, 1967).
Embora, tais estudos tenham ocorrido já em início do século XX, o desenvolvimento de pesquisas em Psicologia da Performance tornou-se mais intenso apenas após meados do século XX. Tanto o crescimento de pesquisas em Cognição quanto à inserção de músicos em equipes multidisciplinares, interessadas pela realização de investigações sobre o desempenho de performers, colaboraram para o desenvolvimento e crescimento de pesquisas da disci- plina (KAMINSKY; RAY, 2012, p. 2463). Atualmente, a disciplina Psicologia da Perfor- mance é definida como uma área de estudos interessada pela investigação de diversas habili- dades cognitivas e motoras relacionadas à performance musical (CLARKE, 2001, p. 546). A ampla variedade de habilidades musicais envolvidas no processo de preparação e realização da performance musical (atuação do músico instrumentista) tem atraído a atenção de psicó- logos, professores de diferentes instrumentos musicais e performers para o desenvolvimento de pesquisas em Psicologia da Performance. Com base em estudos elaborados por diversos especialistas da disciplina Psicologia da Performance, tais como Clarke (2011), Williamon e Thompson (2004), Rink (2009), e Sloboda (2008) apresentamos a seguir, um breve esquema
com exemplos de habilidades e sub-habilidades que têm atraído a atenção de pesquisadores. As sub-habilidades apresentadas foram retiradas de pesquisas que tiveram a performance de músicos em nível de expertise78 como principal objeto de estudo. Outros exemplos de sub- habilidades, basearam-se em estudos que tiveram as performances de estudantes de nível avançado como objeto de investigação. Diversas pesquisas sobre Psicologia da Performance têm se concentrado na investigação das seguintes habilidades:
Habilidades técnicas e motoras. Exemplos:
- execução de sequência rápida de movimentos por ambas as mãos, durante a performance pianística, envolvendo diferentes padrões de movimento para cada uma das mãos (SHAFFER, 1981, p. 357);
- eficiência motora demonstrada durante a ação pianística mediante o controle da força de impulso, da consciência da trajetória (movimento a ser executado) e do controle do impacto sobre o teclado (ANDRADE; PÓVOAS, 2010, p. 153); Habilidades expressivas. Exemplos:
- capacidade de selecionar movimentos adequados em função da intenção ex- pressiva (transmissão de emoções) durante a ação pianística (DAVIDSON, 2007, p. 399);
- emprego de estratégias por estudantes em nível avançado para a elaboração de performances expressivas (VAN ZIJL; SLOBODA, 2010, p. 214);
- emprego de guias79 expressivos por uma pianista em nível de expertise (CHAF- FIN, 2002, p. 197);
Habilidades cognitivas80. Exemplos:
- excelente desempenho de pianistas na realização de leitura à primeira vista durante estudo experimental (ERICSSON; LEHMANN, 1996, p. 25);
- alto desempenho de pianistas demonstrado em atividade para a recuperação da memória musical, proporcionado pelo conhecimento da estrutura musical, a qual
78 Sloboda define o expert como o profissional que consegue demonstrar sem falhas, ao mesmo tempo, uma
série de sub-habilidades durante a atividade da performance, subordinando-as à estrutura de uma composição musical (SLOBODA, 2008, p. 121).
79 Em seu livro, Chaffin define os guias de execução como as características da música selecionadas pelo perfor-
mer durante a elaboração da performance musical. Para o psicólogo, os guias de execução funcionam como pis- tas que podem ser utilizadas pelo performer para o resgate da memória musical no desenrolar de uma perfor- mance (CHAFFIN, 2002, p. 7).
80 A Psicologia Cognitiva é definida por Sternberg (2008, p. 39) como "o estudo de como as pessoas percebem,
aprendem, lembram e pensam a informação". Com base neste conceito, podemos definir as habilidades cog- nitivas como a capacidade relacionada aos processos de reconhecimento, elaboração e memorização das informações.
serviu como "pista" para o resgate de informações (WILLIAMON; EGNER, 2004, p. 43);
- emprego de diversas habilidades metacognitivas81 por músicos em nível de expertise, durante o processo de elaboração da performance musical (HALLAM, 2000, p. 9);
- alto desempenho durante a atividade de memorização musical demonstrado por pianista profissional, favorecido pelo emprego de estratégias para a recuperação da memória musical (CHAFFIN, 2012, p. 216);
Habilidades interpretativas. Exemplos:
- extraordinário controle do tempo e da dinâmica demonstrado por pianista em nível de expertise durante execução de obra de Chopin (SHAFFER, 1981, p. 344- 357);
- seleção de diferentes tipos de guias interpretativos por pianista profissional, ou seja, o estabelecimento de decisões relacionadas à execução de fraseado, dinâmi- ca, andamento e utilizações do pedal (CHAFFIN, 2012, p. 197);
- emprego de variadas estratégias voltadas ao tratamento do parâmetro tempo, durante a performance musical82, demonstradas por meio da análise de gravações de pianistas renomados (REPP, 1997, p. 265);
Manejo de tensões psicológicas durante a performance em público (CLARKE, 2011, p. 80).
As razões que têm colaborado para o interesse de pesquisadores pela investigação de tais habilidades musicais nos estudos psicológicos são bastante diversas. O assunto é tratado por Palmer (1997) em seu estudo sobre a produção de pesquisas em performance musical com foco nas habilidades interpretativas, motoras e relacionadas ao planejamento da performance. Ao abordar os principais objetivos dos estudos psicológicos, afirma que estes têm se voltado para diferentes propósitos. Como exemplo, destaca o interesse de psicólogos pela formulação de teorias sobre os mecanismos envolvidos na atividade da performance musical (PALMER,
81 Em seu livro sobre Psicologia Cognitiva, Sternberg (2008, p. 315) define a metacognição como o conhecimen-
to e controle da própria cognição. O emprego de habilidades metacognitivas, na construção da performance mu- sical foi discutido por Hallam (2000). Tal autora associa as habilidades metacognitivas, como a capacidade de gerenciamento do próprio aprendizado e desempenho durante a performance musical.
82 Repp (1997, p. 257) emprega o termo "timing strategies" para referir-se às diversas estratégias voltadas para o
tratamento temporal conferido por intérpretes, durante performances de obras de Debussy. Em seu estudo, o autor compara o andamento e as modificações de andamento empregadas por pianistas experts e estudantes em nível avançado (REPP, 1997, p. 263).
1997, p. 116). A autora demonstra como o estudo baseado no comportamento de pianistas de alto de padrão tem servido para a formulação de teorias que tratam do controle motor, do processo de construção da performance musical, da relação entre a estrutura musical e a expressividade em performance e do controle temporal durante a atividade da performance (PALMER, 1997, p. 117-131). A busca por explicações para as ambiguidades existentes entre as escolhas realizadas por performers e a investigação sobre a relação entre performance e percepção musicais (a maneira como os ouvintes podem ser influenciados por aspectos da performance), também são apresentados por Palmer (1997, p. 116) como objetivos dos estu- dos psicológicos relacionados à performance musical.
Além da formulação de teorias por psicólogos, o desenvolvimento de estudos psico- lógicos também tem se voltado para o interesse didático de pesquisadores, geralmente profes- sores de instrumento musical, como possibilidade de avaliar a efetividade de estratégias para a otimização de habilidades. Tal exemplo tem aparecido em diversas pesquisas experimentais as quais têm sido empregadas com propósitos de verificar a melhora no desempenho de habilidades a partir de tratamentos ou emprego de estratégias metodológicas ministradas a um grupo de participantes (PIKE; CARTER, 2010; ANDRADE; PÓVOAS, 2010). Alguns especialistas da área ressaltam ainda uma função didática dos estudos psicológicos relacio- nados à atividade da performance musical. Em seu artigo, Miklaszewski (2004, p. 30) afirma que o acesso de professores de instrumento a determinados estudos psicológicos pode trazer implicações positivas para a atividade didática instrumental. Na visão do pesquisador, tais estudos podem permitir aos professores de instrumento o conhecimento sobre as estratégias empregadas por músicos expert e que podem ser aplicadas pelos estudantes. Outro potencial dos estudos psicológicos apontados por Miklaszewski (2004, p. 31) refere-se à possibilidade de conhecimento sobre habilidades fundamentais para a atividade da performance musical. Outros especialistas, também têm ressaltado a relevância da pesquisa sobre aspectos psico- lógicos vinculados à performance: Lehmann, Sloboda e Woody (2007, p. 5) afirmam que tais estudos podem oferecer vários pontos de referência para músicos em suas atividades como professores ou performers. Sendo assim, alguns pesquisadores têm reconhecido o potencial dos estudos psicológicos como uma valiosa fonte de informação para professores de ins- trumentos os quais podem empregá-los para o desenvolvimento de estratégias didáticas direcionadas à otimização de habilidades musicais.
Outra razão que tem favorecido o crescimento de estudos na disciplina está dire- tamente vinculada aos interesses de performers no desenvolvimento de pesquisas voltadas para a própria otimização de habilidades. De acordo com Ray (2005, p. 47) o aspecto psi-
cológico pode ser considerado um fator indispensável a ser considerado pelo performer durante as etapas de preparação, execução e auto-avaliação do desempenho. A autora afirma: "A estrutura emocional de um músico precisa ser trabalhada tanto quanto suas habilidades motoras e aprofundadas juntamente com o crescimento do contexto musical das obras que ele executa" (RAY, 2005, p. 47). Em sua visão, todos os elementos da performance musical, ou seja, as diferentes habilidades necessárias para a realização da performance, tais como os aspectos anato-fisiológicos, conhecimento do conteúdo, aspectos técnicos, psicológicos e neurológicos devem ser trabalhados conjuntamente durante o período de preparação da performance musical (RAY, 2005, p. 41). A atenção dada à investigação dos aspectos psi- cológicos por parte da produção relacionada à performance pianística, objeto de estudo da presente dissertação, será abordada mais adiante. A importância de tais aspectos para a ati- vidade da performance, conforme salientada por Ray (2005), permite compreender parcial- mente algumas das possíveis razões que têm colaborado para o aparecimento de produções relacionadas à disciplina Psicologia da Performance nas áreas/linhas de pesquisa em Práticas Interpretativas e Performance Musical.
A partir das considerações apresentadas e com base em pesquisas desenvolvidas por especialistas da disciplina Psicologia da Performance, podemos afirmar que o estudo das di- versas habilidades musicais aqui abordadas tem se baseado, principalmente, no emprego de procedimentos metodológicos característicos da Psicologia, corroborando a presença da inter- disciplinaridade em estudos desenvolvidos pela subárea Performance Musical. Desta maneira, o subtópico a seguir tem como propósito apresentar uma visão sobre os principais pro- cedimentos metodológicos que têm caracterizado boa parte das pesquisas relacionadas à Psi- cologia da Performance.
3.2 PRINCIPAIS MÉTODOS E PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS