Os pais e crianças inquiridos compreendem e concordam, na sua maioria, com as mensagens veiculadas nos excertos do Zig Zag e Ilha das Cores. Quando questionadas sobre o porquê de concordarem com as ideias dos vídeos, as crianças apresentam justificações onde se distingue o peso da influência de terceiros e da faixa etária de cada uma. Denota-se no discurso das crianças mais novas as ideias e expressões-chave transmitidas pelos educadores no dia a dia juntamente com a tentativa de exprimir um raciocínio lógico, mesmo não tendo a certeza do significado das palavras “é bom para o ambiente, para ele não ficar poluído” (filha Inês) e “a
Elaboração própria. Dados do MMW de audiência live de 01/06/2013 a 01/06/2016: base de respondentes: 2653 mil indivíduos.
* 9 Pay TV infantis: Disney Channel, Canal Panda, Disney Júnior, Cartoon Network Portugal, Panda Biggs, SIC K, Nicklodeon,
mãe diz que tenho de dar as minhas coisas à mana e a mana tem de dar as dela a mim. E na escola também fazemos isso com os outros meninos” (filha Fernanda). As crianças mais velhas
adotam um discurso mais pessoal e com maior clareza de raciocínio, justificando as suas escolhas com base no que lhes fora ensinado e de acordo com o que acham correto “porque são
as coisas acertadas e é o que se tem de fazer” (filho Bruno).
Mais de metade das crianças inquiridas afirma saber que não se deve deixar os carregadores e aparelhos elétricos ligados nas tomadas quando não estão a ser usados, embora muitas não saibam explicar o porquê. A justificação apresentada resume-se a ter sido uma instrução ou uma regra imposta pelos pais e outros educadores. A estima e cuidado com os brinquedos ou outros objetos é outro ensinamento transmitido desde cedo às crianças que o entendem como uma necessidade de preservar algo para usufruto próprio ou de outros “alguns dos (brinquedos) mais
antigos os meus pais deram e outros o meu irmão mais novo ainda brinca” (filha Madalena).
As crianças têm uma forte consciência daquilo que se deve ou não fazer no dia a dia relativamente às questões ambientais, sociais e económicas. No gráfico 13 constata-se a coerência entre as atitudes das crianças, através do indicador “deve-se fazer” (linha azul) e os comportamentos através da frequência das ações sugeridas. As crianças referem que se deve reciclar, guardar o dinheiro, partilhar os brinquedos, brincar, fazer companhia e ajudar os colegas, estimar as coisas e respeitar os outros, e afirmam faze-lo sempre ou muitas vezes. Plantar árvores é a exceção, embora haja uma forte predisposição em faze-lo “se não houvesse
árvores nós não respirávamos. Eu ajudo o meu tio a plantar árvores e plantas” (filha Beatriz)
é uma ação difícil para uma criança sem o acompanhamento de alguém mais velho. A dependência de outrem justifica o elevado número de crianças a afirmarem que se deve plantar árvores e a pouca ou nenhuma frequência com que o fazem.
As ações que as crianças identificaram como as que não se deve fazer estão relacionadas com o desperdício e o consumo exacerbado de recursos. As respostas dadas tanto nos questionários como nas entrevistas evidenciam uma clara concordância entre aquilo que as crianças consideram que não se deve fazer e a frequência com que o fazem, pois raramente ou nunca pedem guloseimas ou roupa nova aos pais quando a antiga ainda está boa, desperdiçam água, ou deixam ligados os eletrodomésticos e a luz sem necessidade, ou deitam comida para o lixo quando não querem comer mais.
Gráfico 13 -Relação entre Atitudes e Comportamentos das Crianças
Tendo o gráfico 14 como referência, mais de 90% dos pais inquiridos afirmam ter ensinado os seus filhos a estimar as coisas, respeitar os outros, partilhar os brinquedos, fazer companhia, brincar e ajudar os colegas, guardar o dinheiro para mais tarde gastar e não desperdiçar comida. Na opinião dos pais, grande parte das crianças põe muito frequentemente em prática estes ensinamentos. Cerca de 15% dos pais declara não ensinar o seu filho a reciclar porque em casa não têm esse hábito e reconhecem que é um tema constantemente abordado na escola e presente no dia a dia das crianças. Esses pais consideram importante reciclar, porém não o fazem recorrentemente por diversos motivos: “A minha cozinha é muito pequenina, nem tenho espaço
para ter balde do lixo…” (mãe Ana) “Quando vou reciclar, não o faço sempre, mas tenho em atenção em transmitir-lhe (ao filho) isso e ele próprio às vezes até me chama a atenção porque aprendeu na escola” (pai Manuel). Constatando o gráfico, apenas 10% dos pais afirma que as
crianças raramente reciclam.
Plantar árvores também é uma ação que é considerada importante pelos pais, porém apenas metade deles a ensina aos filhos devido à sua complexa exequibilidade (especialmente para famílias que vivem em apartamentos) e por ser ensinada e praticada nas escolas. Posto isto,
entende-se que os pais tenham a perceção de que 60% das crianças nunca ou raramente plantou árvores.
Deitar o lixo para o chão, desperdiçar água e eletricidade, pedir guloseimas e roupa nova enquanto a antiga ainda está boa, são as ações do gráfico 10 que os pais identificam como aquelas que as crianças não devem fazer por serem prejudiciais para o ambiente, saúde e situação financeira das famílias. Segundo o testemunho de alguns dos pais entrevistados, é quase diária a recomendação sobre o não desperdício da água, luz e eletricidade, embora não sejam sempre postas em prática pelas crianças: “a tomar banho digo: filho despacha-te estás a
gastar água, ou quando vamos às compras ele diz: oh pai compra-me isto. E eu digo que não dá porque não se pode comprar tudo” (pai José)
Gráfico 14 - Relação dos ensinamentos dos pais com os comportamentos das crianças
É curioso verificar pequenas diferenças na perceção dos pais e filhos sobre os comportamentos quotidianos das crianças. Tendo como base as seis últimas ações dos gráficos 9 e 10 verifica- se que 70% a 90% das crianças afirmam nunca ou raramente praticar as ações em causa, embora na opinião dos pais seja em menor percentagem (entre 50% a 70%), exceto deitar o lixo para o
chão. A plantação de árvores é outro dado com uma pequena discrepância de opinião entre pais e filhos: quase 60% das crianças afirma plantar árvores enquanto os pais predizem apenas 40%.