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6.2 Miljørisikovurdering

6.2.4 Geomekanisk vurdering

Bárdosi (1990), no guia bibliográfico que publica, refere na nota 1 que “Les différentes terminologies identifient ces unités sous différents termes”, o que desde logo prefigura a ausência de sistematicidade terminológica no guia da fraseologia. Este guia pretende reunir a bibliografia de fraseologia francesa publicada entre 1900 e 1990. Contém a referência a cerca de 550 publicações, tanto na perspetiva diacrónica como sincrónica, exclusiva da fraseologia do domínio do francês, mas publicada em várias línguas. O autor apresenta ainda um índice temático que facilita a consulta bibliográfica. A bibliografia sobre fraseologia de Pavel (1995)128 reúne os textos principais publicados entre 1905 e 1995. Apresenta um total de 666 referências que cobrem várias áreas científicas, como a lexicografia (bilingue), a sintaxe, a semântica, a terminologia e a tradução. As análises propostas cobrem diversos campos específicos. A leitura dos títulos permite-nos destacar os seguintes campos específicos: fraseologia, restrições fraseológicas e níveis de restrição, retórica, linguagem figurada, língua idiomática, pragmática, semântica lexical, polissemia, vocabulário, léxico, terminologia, língua de especialidade e estilística.

Como já foi referido, o campo da fraseologia é um campo heterogéneo. Os objetos que constituem a fraseologia são híbridos e multifacetados, como é visível nas bibliografias acimas referidas.

No guia bibliográfico de Bárdosi encontram-se 47 termos diferentes129. O levantamento, por nós elaborado, foi feito com base nos títulos das referências bibliográficas e organizado por ordem alfabética. A recolha é feita de forma ad hoc e não obedece a nenhuma organização específica. Responde a um critério de quantificação.

Uma leitura global da lista mostra a complexidade da terminologia. Para o objeto “expressão” encontram-se registados os seguintes termos:

expressão corrente, expressão familiar, expressão figurada, expressão fixa, expressão literária, expressão popular, expressão proverbial, expressão imagética, expressão idiomática.

128

Cf. Pavel (1995). Esta nova versão é uma revisão de La Bibliographie de la phraséologie (1905-1992) publicada pelo Rint (Module Canadien du Réseau international de néologie et de terminologie) em 1993.

129

113 O objeto “locução” apresenta também uma pluralidade de predicados:

locução familiar, locução figurada, locução figurada adverbial, locução fixa, locução idiomática, locução metalinguística, locução proverbial, locução verbal, locução verbal figurada e locução verbal fraseológica.

O número de termos recolhidos é, por si só, um denominador de uma grande imprecisão terminológica e sugere a necessidade de repensar essa terminologia.

Na bibliografia recolhida por Pavel (1995), a complexidade terminológica é muito semelhante. Foram recenseados 55 termos diferentes para designar os vários tipos de fraseologia.130 “Expressão” e “locução” representam, também aqui, os termos genéricos quantitativamente mais significativos.131

O extenso número de termos, sessenta e cinco termos diferentes utilizados nas duas bibliografias, corrobora a necessidade de repensar a fraseologia em termos epistemológicos. Esta variação de denominações mostra, e prova, que a mesma entidade (ou o mesmo objeto) é nomeada de forma diferente por autores diferentes, o que dificulta a delimitação das fronteiras dos objetos em análise e a sua aceitação enquanto objeto científico. Por outro lado, emperra a evolução da área científica da fraseologia.

Da fraseologia fazem parte as expressões lexicalizadas, que poderíamos definir como expressões polilexicais, total ou parcialmente fixas, do ponto de vista sintático e/ou semântico, não composicionais e que auferem um significado idiomático. Apresentam propriedades semânticas idênticas a um lexema individual, por exemplo, “atirar areia para os olhos” pode ser parafraseado por “enganar”. Os estudos desenvolvidos por M. Gross (1982), para o francês, ou Vietri (1985), para o italiano, mostraram a existência nas línguas de blocos fixos.

Uma expressão fixa pressupõe a existência de uma lexicalização, maior ou menor, e a refutação de possibilidades combinatórias ou transformacionais132. É uma sequência de pelo menos duas palavras que pode apresentar alguma opacidade semântica e cuja relação entre o predicado e os seus argumentos é não-composicional ou muito restrita.

130

Cf. Anexo 25.

131

Para a “expressão” temos expressão figurada, expressão fixa, expressão idiomática, expressão idiomática metafórica, expressão imagética, expressão lexicalizada e expressão literária. A “locução” utiliza as seguintes combinações: locução figurada, locução figurativa, locução fixa, locução idiomática, locução proverbial, locução sentenciosa, locução verbal.

132

Cf. Fraser (1970), e a gradação das operações transformacionais propostas pelo autor e já referidas: adjunção, inserção, permutação, extração, reconstituição e os seis critérios propostos por Svensson (2002: 2): memorização, contexto único, não-composicionalidade, sintaxe marcada, bloqueio e inflexibilidade.

114

A deslexicalização aparece quando existe violação consciente da unidade fraseológica (valor criativo) pela introdução de comutações livres (as variantes são exemplos de comutações). O discurso publicitário usa frequentemente o processo de desconstrução, mas também o humor e a ironia. A deslexicalização anula o efeito de banalidade, criando novos jogos de palavras e pressupondo, para estes novos jogos de palavras, uma leitura analítica, composicional e não idiomática.

Este processo pode ocorrer por intervenções na cadeia sintagmática ou por substituições paradigmáticas, rompendo, obrigatoriamente, com a interpretação idiomática inicial. Existe sempre uma alteração da lexicalização de partida, que pode ser sintática, lexical ou morfológica. Os parâmetros que abaixo enunciamos, apresentam alguns dos traços distintivos que se encontram na literatura sobre a fraseologia:

 o carácter unívoco do sentido;

 a singularidade da expressão;

 o congelamento sintático (na perspetiva diacrónica);

 um sentido novo que não se encontra na adição dos vários sentidos dos constituintes;

 a imagética (valores metafóricos das expressões);

 a coesão dos constituintes (relativa e absoluta);

 a marginalidade de certas expressões133. 1.4.2.3 Pletora terminológica

A existência de uma grande diversidade de termos para designar as fraseologias amplifica ainda mais a complexidade deste campo. Neste item enumeramos, por ordem alfabética os termos encontrados para denominar unidades fraseológicas. Pretende-se,

133

Este ponto de vista (a marginalidade das expressões) tende a ser recusado e criticado por uma grande parte de linguistas, que apontam para a inserção destas estruturas na língua em geral, contribuindo, deste modo, para um melhor conhecimento e descrição da língua, na medida em que alguns autores defendem, cf. M. Gross (1982) e Danlos (1981), que as EIs obedecem às mesmas regras de formação das outras frases da língua. A fraseologia deve ser tratada como parte integrante da língua. O carácter anacrónico, marginal, referido por alguns autores, Guiraud (1973), por exemplo, tende a ser ultrapassado e recusado por autores que trabalham no domínio da sintaxe, e sobretudo da sintaxe transformacional. Veja-se o léxico-gramática e os trabalhos de M. Gross (1982) e da sua equipa nesta área. Por outro lado, a existência de uma percentagem importante de estruturas lexicalizadas na língua mostra a importância deste tipo de estruturas para o desenvolvimento de uma língua natural.

115 assim, mostrar a diversidade de que falámos e a necessidade de repensar a terminologia existente tendo em vista um quadro conceptual mais homogéneo.

A ausência desta definição aumenta a complexidade desta área. Saussure (1972) resume a fraseologia a factos de língua, combinatórias sintagmáticas impostas pelo uso coletivo. Para Bally (1909-1951), a fraseologia pertence ao domínio da Lexicologia e o autor subdivide-a, como referimos anteriormente, em duas subáreas fundamentais: a fraseologia popular (expressões idiomáticas, provérbios, gírias...) e a fraseologia técnico-científica (terminologias).

Guilbert (1975: 249 e sgs)134 propõe o termo “unidades sintagmáticas” para as sequências de frases com valor denominativo (onde entra, por exemplo a composição) e para os “sintagmas verbais”. Mas nota, desde logo, uma dificuldade em diferenciar a estrutura sintática de enunciado e a estrutura sintática lexical (sintagma de frase e sintagma lexical). O estruturalismo chegou à definição de “unidades lexicais complexas”. Os “sintagmas lexicais” foram objeto de estudo na segunda metade do século XX. Bally (1909-1951) introduziu o termo “unidades fraseológicas” (onde inseria “les clichés, les locutions et les conglomérats”)135

. Greimas (1960: 50) retoma o termo “lexia”, definida segundo o autor através da frequência e comutabilidade com uma unidade simples. Martinet (1961: 4-17) propõe o termo “sintagma autónomo”, por oposição à palavra e a existência de duas variantes fundamentais para a sua distinção: a designação e a significação. Benveniste (1966) define as estruturas em termos hierárquicos, trazendo um fundamento linguístico ao sintagma lexical enquanto unidade de língua. O autor introduz o termo “synapsie” para designar toda e qualquer unidade fixa, sendo a noção de “sintagma” mais abrangente e construída através de meios sintáticos.

A enumeração que a seguir se apresenta configura a existência de uma diversidade terminológica e a necessidade de construção de um quadro teórico assente em bases científicas e homogéneas. A informação aqui resumida é retirada dos Anexos 26 e 27. Adágio Agrupamento Apophtegme Fraseologismo Grupo de palavras Idiom 134

Para o florilégio terminológico das unidades fraseológicas ver os anexos 25 e 26.

135

116 Citação Colocação Colocação fixa Dicton Enunciado fixo Enunciado fraseológico Enunciado paremiológico Estereótipos Expressão Expressão cristalizada Expressão fixa Expressão fraseológica Expressão idiomática Expressão idiomática fixa Expressão proverbial Expressão rígida Expressão semi-rígida Expressão verbal cristalizada Expressão verbal fixa

Frase feita Frase fixa

Frase idiomática fixa Frase proverbial Frasema completo Fraseolexemas Fraseologia Idiotismo Lexema idiomático Lexia Locução Locução fraseológica Locução proverbial Lugar comum Máxima Modismo Paradigma Parémia Provérbio Sentença Série fraseológica Série verbal

Série verbal de grupo fraseológico Sinapsia Sintema Solidariedade léxica Truísmo Unidade complexa Unidade fraseológica Unidade funcional

Unidade lexical complexa Unidade polilexical

Quadro nº 4 – Fraseologias – diversidade terminológica