Nesta subcategoria, apresenta-se a visão das professoras em relação a sua autonomia, na busca do conhecimento matemático, e a busca da superação desta fragilidade. Durante a pesquisa, evidenciou-se que as professoras estavam sempre na expectativa de ampliar seus conhecimentos, bem como buscavam segurança e tranquilidade para desenvolver os conteúdos matemáticos. No depoimento da professora B observou-se essa busca: “Os encontros nos tornaram mais autônomos para buscar e ampliar nossos conhecimentos, unindo a teoria e a prática,
proporcionando, assim, um melhor conhecimento em relação à Matemática”;
mais à vontade para trabalhar determinados conceitos matemáticos que antes eu
encontrava dificuldade, me sinto com mais autonomia para buscar novas atividades”.
A autonomia do professor frente ao conhecimento matemático fica perceptível nestes depoimentos, pois, as professoras já demonstraram, durante as atividades, que estão abertas a toda esta construção, uma vez que, no processo de ensinar, a autonomia deve ser um procedimento em constante evolução.
O professor de Matemática e aquele que ensina Matemática se constituem o principal mediador entre os conhecimentos matemáticos, historicamente produzidos, e os estudantes; da mesma forma, se apresenta como “um dos grandes responsáveis por possíveis transformações tanto na escola, como na sociedade” (PEREZ, 1999, p. 269).
As formações ofertadas aos profissionais docentes, tanto a inicial, quanto a continuada, necessitam estar em constantes transformações com o objetivo de desenvolver nos docentes o desejo de ampliar seus conhecimentos, buscando sua autonomia profissional e o prazer de ensinar. Para Garcia (1999, p. 55), estas formações devem ser mais do que aperfeiçoamento e, sim, uma mudança de concepções, quando necessário:
[...] mais do que os termos aperfeiçoamento, reciclagem, formação em serviço, formação permanente, convém prestar uma atenção especial ao conceito de desenvolvimento profissional dos professores, por ser aquele que melhor se adapta à concepção atual do professor como profissional do ensino. A noção do desenvolvimento tem uma conotação de evolução e continuidade que nos parece superar a tradicional justaposição entre formação inicial e aperfeiçoamento dos professores.
Os depoimentos das professoras pesquisadas evidenciam que estão sempre na busca desta formação profissional, bem como de novas alternativas para tornar o conhecimento matemático mais de acordo com a realidade de seus estudantes.
Outro avanço importante na ação das professoras foi em relação ao entendimento sobre a importância de se trabalhar com atividades práticas nas aulas de Matemática. Durante os encontros, as atividades sugeridas despertaram nas professoras a criatividade para produzirem novas atividades, ou seja, elas passaram a desenvolver um planejamento com atividades mais diversificadas, tornando suas aulas “mais interessantes”. Isto pode ser constatado no depoimento da professora C: “Percebi que os alunos se interessaram mais pelas atividades práticas. Fizeram com
mais entusiasmo. Quanto à aprendizagem acho que o entendimento foi mais tranquilo”.
Também ficou perceptível nos depoimentos das professoras, o que pode ser considerado como um avanço, a importância do uso de materiais concretos no ensino da matemática. A professora D afirma que: “A Matemática deve ser ensinada usando meios concretos, para o aluno entender melhor o conteúdo” e a professora J reforça a ideia acrescentando “Além de ser ensinada a partir do concreto é necessário buscar a conexão existente entre o concreto e a teoria, pois isto é
fundamental para que a matemática apresente sentido e motivação aos educandos”.
Outro fator relevante evidenciado foi que, a cada encontro, as trocas de vivências de aprendizagens entre as professoras contribuíam para elas ampliarem seus conhecimentos matemáticos de forma natural. Essas vivências ocorriam de forma autônoma e, a cada encontro, a maioria colocava-se à disposição para compartilhar suas experiências. A maioria das professoras avaliou isto como um fator positivo para suas práticas em sala de aula, pois, todas as trocas de experiências fizeram com que refletissem sobre suas práticas e sobre o planejamento das aulas. Segundo os depoimentos, estes momentos propiciaram um crescimento em seus conhecimentos matemáticos que contribuíram para o desenvolvimento de suas competências como profissionais.
A importância de compartilhar vivências ficou manifestada nas falas das professoras. Segundo o relato das professoras, estas vivências são fundamentais no processo de ensino de Matemática. Para B: “Aqui estamos compartilhando nossas vivências de sala de aula, e isto é importante, pois, no meu caso estou ampliando
meus conhecimentos matemáticos e esclarecendo minhas dúvidas” e a professora
L, “as trocas estão sendo importantíssimas para o meu conhecimento matemático,
estou construindo uma nova visão do ensino. Estou entendendo conceitos que antes eu não compreendia”.
As vivências compartilhadas nos momentos de formação das oficinas deixaram as professoras mais reflexivas. A cada encontro, era possível perceber o quanto as docentes refletiam sobre sua ação na sala de aula. Para Alarcão (2011, p. 38) “[...] somente a reflexão e o diálogo vão fortalecer a concepção de educação como uma tarefa que exige a complementaridade de saberes, o respeito pelos conhecimentos do outro e o reconhecimento dos próprios limites [...]”. Nos depoimentos das professoras se percebe que o diálogo e a reflexão estavam
presentes na ação de suas ações, conforme Alarcão (2011) faz referência. “Tudo o que foi apresentado foi importante, trouxe outra nova visão a respeito da problematização de problemas, me fez refletir muito sobre minha prática. Adquiri uma nova concepção e passei a incluir mais nos meus planejamentos a matemática. O curso proporcionou novas possibilidades de planejamento” diz a professora H e a professora G também afirma: “Tenho refletido bastante sobre o meu planejamento e venho mudando gradativamente, a cada formação através de práticas interdisciplinares, atividades relacionadas aos projetos criando situações necessitam
dar continuidade para que ocorra assim uma aprendizagem significativa”.
Assim, a reflexão sobre a prática docente também contribuiu para ampliar o conhecimento matemático das professoras, já que conquistaram maior autonomia na busca de soluções para os problemas que surgiram ao longo do percurso.
A autonomia pelo planejamento na busca de ampliação dos conhecimentos matemáticos também pode ser apurado no decorrer da pesquisa. As professoras perceberam a possibilidade de construir planejamento, a partir das ideias desenvolvidas nos encontros, “abriu novos horizontes”, conforme as palavras da professora A. Ela ainda acrescentou: “a partir dos encontros meus planejamentos ficaram mais produtivos, construí atividades mais criativas que motivaram mais meus
alunos, além de ter ampliado nossos conhecimentos matemáticos”.
As professoras também relataram que, a partir dos encontros, passaram a se sentir mais tranquilas e seguras em relação ao conhecimento matemático, e isto possibilitou que elas passassem a buscar novas atividades. A professora I comentou: “Refletir sobre nossa prática nos permitiu começar a fazer diferente, propor atividades diferentes”.
Em síntese, na visão das professoras, a partir dos encontros de formação elas passaram a se sentir mais seguras, tranquilas em relação ao ensino da Matemática com seus estudantes. A segurança e a tranquilidade fizeram com que elas se tornassem mais autônomas para buscar novos conhecimentos, planejar com motivação e criatividade, além de tornarem-se mais reflexivas em relação à prática de sala aula.
4.2.2 O reconhecimento da importância da contextualização no ensino da