• No results found

As FAerotransp eram habitualmente empregues como uma parte de um esforço combinado e as suas operações normalmente tinham de ser realizadas em estreita coordenação com outras forças terrestres e navais, por serem forças organizadas para cumprir missões específicas, não devendo ser empregues em missões que podiam ser rapidamente e economicamente realizadas por outras forças, assim como, não deviam ser usadas se o seu emprego não fosse estritamente necessário para cumprir a missão128. As FAerotransp tinham capacidade para ser empregues até três dias, sem apoio das forças terrestres ou navais, sob pena de colocar a integridade da força em causa. Não tinham apoio de fogos, excepto aéreo, até o contacto ser feito com outras forças amigas, pelo que, assim que possível e depois da chegada das forças terrestres, deviam ser retiradas para as

124

Segundo Rottman (2006 a, p.24), “Os principais influenciadores da tática e da técnica americana foram os Alemães, onde as suas táticas aerotransportadas foram estudadas e muitas vezes provaram terem sido decisivas, especialmente quando usavam forças reduzidas e as operações eram completadas rapidamente. Várias vezes as campanhas foram prolongadas devido ao atraso das forças terrestres convencionais que batiam no seu caminho posições inimigas e demoravam mais tempo, que o planeado, para chegar ao ponto de junção com as FAerotransp”, isto criava problemas quer táticos quer de reabastecimento pois as FAerotransp careciam muito de meios de ApSvc. Esta influência é patente nos estudos detalhados que os americanos tinham na sua posse de onde se destaca o documento “Enemy Airborne Forces” (MIS, 1942).

125

Como referido no Capítulo 2 e no Anexo B.2 - Creta 1941: Operação Mercúrio.

126 Segundo Cornett (1945, p.26) “Creta foi o nosso campo experimental, apesar do trabalho ter sido feito

pelo inimigo, de lá proveem muitos dos princípios táticos e doutrinários aceites hoje em dia. Aí teve lugar a primeira demonstração prática da viabilidade da arma em questão, e não se tratava de uma brincadeira ou exercício para impressionar autoridades visitantes, mas de uma operação de guerra”.

127

Em particular a doutrina das Un de planadores, que no caso dos EUA ainda nem tinham planadores desenvolvidos à data da Operação Mercúrio (Rottman, 2006 a).

128

A inacessibilidade a um objetivo pelas forças terrestres devido à sua localização geográfica será o maior fator a ter em consideração para o emprego de FAerotransp (Training Circular No.113, 1943).

Capítulo 4 - Doutrina Aeroterrestre dos EUA

suas bases, a fim de se recomporem organicamente, quer em pessoal quer em material, treinar e de se preparar para a sua próxima missão. Os treinos eram imprescindíveis, pois cada elemento tinha de saber exatamente qual e a sua tarefa no terreno, para além das várias coordenações entre todas as forças intervenientes na operação (Training Circular No.113, 1943) e (Rottman, 2012 a).

Os princípios das FAerotransp são guiados pelos princípios básicos da guerra129, a surpresa é fulcral para o sucesso de uma operação aerotransportada, isto significa grande secretismo durante o planeamento, o treino e a adaptação ao TO130; outro princípio de relevo é o da massa, pois o volume de forças deve ser rapidamente lançado sobre uma área pequena para concentrar esforços131; a superioridade aérea é fundamental132, pois é ela que dita quando será lançada a operação e ainda se poderá ser diurna ou terá de ser a coberto da noite133; a simplicidade de planeamento, pois os planos devem ser simples e flexíveis dando alguma liberdade de ação às forças uma vez no terreno e ainda todos os princípios da ação ofensiva e defensiva aplicados à Inf são igualmente aplicados às FAerotransp134 (Training Circular No.113, 1943) e (FM 71-30, 1947).

129

Segundo o PDE 3-00 (2012), os princípios básicos da guerra são Objetivo, Ofensiva, Massa, Economia de Forças, Manobra, Unidade de Comando, Simplicidade, Segurança e Surpresa.

130 Segundo Rottman (2006 a, p.25) “mesmo que o inimigo espere que as FAerotransp serão empregues na

sua área de operações, a surpresa tática pode ser alcançada pela seleção das localizações do ataque e como, quando e exatamente onde as forças vão ser empregues”

131 De acordo com Swenson (1946, p.46) “(…) um elemento importante, a massa, sem o qual todas as

operações de tropas aerotransportadas tornar-se-iam precárias (…)”

132 Segundo Buchalet (1946, p.102) “é necessário varrer dos céus todo o inimigo, não apenas durante o

transporte e o desembarque, como ainda durante as horas e os minutos críticos do reagrupamento no solo”.

133

As FAerotransp estão preparadas para operar à luz do dia ou a coberto da noite, no entanto hà que considerar que, se não existir pelo menos um quarto de lua e o céu estiver encoberto uma operação noturna causará grandes dispersões no momento da aterragem, por isso é preferível ser executado numa semana de lua cheia, por outro lado um lançamento durante o dia trará vantagens no momento da aterragem, pois será mais fácil reunir todo o pessoal e material e se for executado com a ajuda de fumos trará algumas vantagens de um lançamento noturno (Training Circular No.113, 1943) e (FM71-30, 1947).

Um lançamento noturno trará as seguintes vantagens, a probabilidade de surpresa será bastante aumentada, porque a zona de aterragem e o tamanho da força empregue não poderão ser rapidamente determinadas pelo inimigo, o ataque pela força aérea inimiga durante a aproximação das forças amigas será menos provável, o inimigo não conseguirá fazer fogo antiaéreo ajustado às aeronaves e planadores e os preparativos finais para a descolagem das aeronaves podem ser escondidas do inimigo, no entanto terá como desvantagens, dificuldades operacionais na aterragem, uma taxa de entrada em combate mais lenta, dificuldades de reunião de pessoal e material e recuperar o comando e controlo rapidamente após a aterragem e exige muito mais treino quer dos pilotos das aeronaves e planadores quer das FAerotransp (Trainnig Circular No.113, 1943).

134 Segundo Bols (1946, p.128) “A respeito das tropas aerotransportadas não há magia negra. Uma vez em

terra passam a ser Divisões normais” (…) “Todo o oficial ou soldado aerotransportado qualquer que seja o seu posto, arma ou serviço, precisa ser bom infante, pois nisso, nem mais nem menos, consiste o valor de cada indivíduo, no início de um assalto vertical. Daí o nosso lema «Ad Unum Omnes»”.

Capítulo 4 - Doutrina Aeroterrestre dos EUA