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The geographical distribution in phase D1 The relief brooches of phase D1 represent the following

4.2.2 Relief brooches

4.2.2.3 The geographical distribution in phase D1 The relief brooches of phase D1 represent the following

Ao longo desta dissertação, realizei um percurso que, a cada passo, evidenciava a comunicação como um processo que não se limita a qualquer interação social e, tampouco, ao uso de determinadas mídias. A “natureza comunicativa” que os objetos empíricos guardam em si revela a existência de inúmeras outras particularidades envolvidas na realização dos fenômenos sociais (França, 2001). A perspectiva da convergência cultural possibilita compreender melhor a dinâmica das sociedades contemporâneas, pois é difícil precisar até onde vão os contornos das interações sociais na atualidade.

Depois do exercício desta pesquisa, para mim, mais importante que perceber grandes processos interativos, usos inovadores das tecnologias, realidades únicas no mundo ou promover grandes contribuições para esta área científica, foi verificar que os processos comunicativos residem sobre as práticas cotidianas. Desta forma, insisto mais uma vez: comunicar não é simplesmente um processo de troca de informação entre indivíduos e tampouco se caracteriza por um tipo específico de uso de determinada tecnologia. Elas são apenas algumas dinâmicas que se inscrevem em uma atividade muito maior, que engloba processos de apropriação, táticas que ressignificam os produtos culturais, disputas de poder entre outros elementos.

Pode até parecer redundante, mas pela emergência cada vez maior de pesquisas que investiguem as práticas culturais das diferentes sociedades com um olhar mais pluralizado, é possível que se perceba cada vez mais a comunicação como um fenômeno complexo. E, neste sentido, as pesquisas em comunicação na Amazônia podem contribuir bastante para pluralizarmos as verdades sobre o campo e também sobre a região. No exercício de cartografar, ao participar das dinâmicas da Veneza do Marajó e de um contexto particular desse arquipélago, pude perceber como essas diferentes questões se articulam no cotidiano amazônico para que se realize o acontecimento da comunicação.

Como um grande acontecimento, Afuá se constitui por meio de suas palafitas, suas rádios, os smartphones, os tanques que improvisam uma distribuição de água encanada. Entre suas práticas sociais existe o festival do camarão, no mês de julho, o festival de pipas, a pizza de palmito, na praça da quadra, as festas da igreja católica. Estas particularidades e o movimento da história tornam singulares as dinâmicas de apropriação e os usos sociais das mídias, e permitem, na medida em que nossos olhos conseguem ver, perceber cada evento como parte do

119 acontecimento maior que se materializa no município: a convergência cultural nos usos das rádios e da web.

Por isso foi importante tentar descrever a minha experiência de contato com a cidade e evidenciar os caminhos que percorri fisicamente e também de maneira teórico-metodológica. Cada evento que observei e vivi traduz contextos específicos que particularizam o lugar onde acontecem. São esses contextos que possibilitam as práticas de apropriação das diferentes mídias que estão à disposição dos sujeitos, que tornam a experiência dos indivíduos e a experiência da comunidade um acontecimento único e singular.

A noção de micropoderes, de Foucault (2008), também é importante e extremamente fecunda para entender a “natureza comunicativa” das teias sociais. Ela permite entender que o envolvimento de cada sujeito nesse cenário e a maneira como cada um pode participar é diferente. Assim, exercem-se as práticas de dominação, que também são responsáveis por articular a comunicação em sociedade, e que não podem ser entendidas apenas como ações coercitivas, mas que se corporificam nas práticas do cotidiano, naquilo que é ordinário e comum a cada um de nós.

Nesse sentido, as “palafitas digitais” me permitiram sair de meu lugar e participar daquilo que é relevante para os moradores de Afuá. Pude desmistificar a internet, que existia idealizada no meu olhar, e enxergar a potencialidade técnica sem perder de vista as questões intrínsecas ao seu estabelecimento: os mecanismos de dominação, as táticas para ressignificar a realidade, as estratégias de subversão que existem como forma de resistência, as particularidades dos contextos de quem acessa e as diferentes formações individuais e tudo mais que possa circundar o poder em sociedade.

É o acontecimento da convergência cultural que me permitiu evidenciar a comunicação como um processo amplo, que deve levar em consideração outros aspectos além das interações sociais. E percebo isso nos inúmeros desdobramentos e reverberações do acontecimento, como é o caso dos protestos políticos que aconteceram em Afuá ou mesmo do investimento dos moradores, das lan houses e da administração pública no consumo das diferentes tecnologias de acesso à rede, que pluralizam as dinâmicas sociais entre as diferentes mídias da cidade. Todas essas dinâmicas singularizam as apropriações e os usos das TICs que os moradores fazem, de maneira individual e coletiva. Cada fenômeno está relacionado às experiências, aos trajetos históricos e sociais e às dinâmicas culturais que se estabelecem em sociedade.

Apesar de analisar um caso específico, com características particulares, as práticas comunicacionais na cidade de Afuá, essa compreensão me permite vislumbrar que essas

120 questões estão presentes na comunicação da sociedade contemporânea de maneira geral, em maior ou menor grau. Por meio desse acontecimento é possível generalizar o entendimento de que inúmeros elementos se articulam para o estabelecimento da comunicação. De qualquer forma, o importante foi a proposição de ultrapassar o limite que me cegava. Hoje, compreendo que este é o posicionamento que guiou e que deve me guiar em qualquer jornada acadêmica.

Em linhas gerais, realizar essa pesquisa foi um exercício de autoconhecimento, que me permitiu descobrir a comunicação de outra forma e enxergar novas perspectivas, novas formas de perceber e analisar o mundo. Esse caminho me fez compreender que somos, todos, homens ordinários, sujeitos comuns e do dia a dia. Cada um sempre estará participando desse mesmo processo de apropriação e de manutenção dos sistemas de poder e de dominação ideológica a partir das questões que formam nossos trajetos históricos pessoais e os contextos culturais de cada lugar.

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