2.2 Personopplysningslovens virkeområde
2.2.2 Geografisk virkeområde – popplyl. § 4
Após a planificação das atividades torna-se necessário pensar nos métodos e técnicas a usar com o grupo de trabalho. Estas devem ir ao encontro das necessidades e interesses do público-alvo, vendo respondidos os objetivos traçados à priori.
As atividades do projeto aqui apresentadas subdividiram-se em cinco temas: informática, educação para a saúde, educação ambiental, intergeracionalidade e momentos de lazer e aprendizagem e as atividades planeadas para trabalhar casa um dos temas apoiaram-se em diversos métodos e técnicas que auxiliaram todo o trabalho desenvolvido.
Grande parte das atividades, para além do seu caráter educativo e formativo, tinham, igualmente, uma vertente lúdica. Esta vertente lúdica foi uma forma de obter a atenção do idoso e levá- lo a interiorizar mais rapidamente a informação a transmitir. Desta forma, a animação foi (lúdica, artística, desportiva, …) uma técnica bastante importante para cativar a atenção dos mais velhos e, ao mesmo tempo, contribuir para o seu desenvolvimento. As atividades de animação estiveram muito relacionadas com trabalhos manuais, expressão plástica e dança. Ora, a animação é “[…] um suporte de comunicação dentro do qual o aspeto relacional é determinante […]” (Jacob, 2007, p. 22), preservando a autonomia dos utentes. A animação é uma via para uma vida mais ativa e criativa e para a estimulação das relações interpessoais (Jacob, 2007) e é, também, uma forma de atuar em todos os campos e dimensões da vida dos mais velhos.
Um outro método utilizado no decorrer da intervenção foi o método expositivo. Este foi utilizado, sempre que necessário e, sobretudo, nas atividades informativas e formativas. O objetivo da utilização deste método foi esclarecer o idoso sobre os assuntos abordados com o fim de eles adquirirem mais informações e conhecimento, de modo a optarem por hábitos de vida mais adequados
67
à sua realidade. Mas para que a ação não fosse aborrecida, este método foi complementado com outros que permitiram que a ação fosse mais dinâmica e esclarecedora.
Os momentos expositivos podem e devem ser uma opção pois, são importantes para clarificar conceitos, reformular conteúdos em caso de dificuldade por parte dos educandos e/ou apoiá-los (Carvalho & Ramoa, 2009). Mas,
“É necessário pois que se possa equacionar a utilização do método de forma a potencializar as mudanças, optimizando todo o processo de formação, fazendo do método expositivo um instrumento que, inserido numa concepção dinâmica e reconstrutivista do conhecimento, ultrapasse as concepções de aprendizagem positivistas e integre uma dimensão relativista e interactiva.” (Carvalho & Ramoa, 2009, p. 38)
Ora, este método deve ser coordenado com todos os outros para se poder fazer com que a ação seja dinâmica e atinja o seu objetivo, mas para tal cabe, igualmente, ao profissional fazer uma correta utilização do método expositivo e sabê-lo coordenar com os demais métodos utilizados.
As dinâmicas de grupo foram, também, utilizadas ao longo de todo o projeto, uma vez que estas propiciam uma maior comunicação e interação entre todos os membros e em simultâneo com o próprio educador. É importante referir que pessoa não se faz sozinha, ela está em constante interação com o outro. O indivíduo desenvolve-se em grupo e muitos dos seus saberes constroem-se em interação com o meio e com as pessoas que interage, possibilitando o crescimento harmonioso ao nível físico, social e psicológico. As dinâmicas de grupo fomentaram nos utentes a importância o trabalho em equipa e de como é importante ter em consideração a opinião e ideais de todos.
Em concordância com as dinâmicas de grupo, a discussão de grupo foi uma técnica, igualmente, utilizada. Ela dá a oportunidade de se discutir diferentes perspetivas em relação àquilo que estava a ser tratado (Vanoye, 1976) e permite que cada um se desenvolva e adquira competências sociais. Os indivíduos quando inseridos num grupo confrontam ideias, opiniões e experiências que os fazem refletir sobre aquilo que o rodeia (Gourgand, 1969). O importante é que as pessoas do grupo saibam gerir as contradições que surgem e, acima de tudo, saibam respeitar as ideias dos outros. A comunicação dentro de um grupo é fundamental: todos os elementos do grupo devem saber escutar e compreender, todos devem ter a oportunidade de se expressar e de sentir que fazem parte do grupo (Vanoye, 1976). Por outro lado, é importante compreender as diferentes relações e os papéis que se assumem para que todos tenham consciência da sua participação e da importância da mesma.
68
A exploração dos conhecimentos dos utentes foi, também, uma ferramenta importante para delinear e desenvolver um processo de formação estruturado e coerente. O levantamento de ideias tácitas permitiu averiguar o grau de conhecimento dos utentes em relação ao tema a ser tratado e a partir daí desenvolver a ação. O levantamento destas ideias e a sua consequente desconstrução levaram os utentes a refletirem e a produzirem um novo conhecimento mas, é importante salientar que esta desconstrução deve ser realizada de um forma coerente, pois as pessoas têm ideias pré- concebidas que são precisas ter em conta. É precisamente com estas ideias tácitas que é “[…] possível continuar a aprender, continuar a construir novos significados.” (Alves, 2005, p. 27). No entanto, sendo estas ideias o ponto de partida para a introdução de um novo tema, “[…] elas devem ser entendidas em sua profundidade e consistência, inclusive na sua justificação empírica, e enfrentadas nas atividades didáticas a serem planejadas.” (Paiva & Martins, s/d, s/p). O levantamento das ideias prévias é uma opção adequada permitindo ao educador estruturar a ação de acordo com os conhecimentos tácitos dos educandos.
O jogo foi também muito utilizado no decorrer de todo o estágio, uma vez que os utentes revelaram e revelam um grande gosto pelo jogo. Este é uma importante fonte de comunicação e desenvolvimento. Este pode influenciar o indivíduo a nível cognitivo, psicológico, axiológico, físico e social: “[…] o jogo ativa e desenvolve as estruturas cognitivas do cérebro, facilitando o desenvolvimento de novas habilidades como observar e identificar, comparar e classificar, conceituar, relacionar e inferir […]” (Haguenauer, Carvalho, Victorino, Lopes & Filho, 2007, p. 3), levando a que a pessoa consolide conceitos e, ainda, se crie um espaço de partilha de ideias entre os diferentes participantes. Favorece, ainda, o desenvolvimento da personalidade da pessoa, estimula a cooperação com os colegas de jogo e enriquece a interação grupal. Jogar significa estimular a imaginação, a criatividade, a inovação. O jogador é, por si só, um explorador de ideias, de movimentos e de ações. O jogo, na intervenção aqui exposta, potencializou a aprendizagem, a capacidade de tomada de decisão e desenvolveu a destreza de ação, a mobilidade e a adaptação, bem como, o espirito de equipa. Como verificamos, o jogo poderá levar ao crescimento integral da pessoa, poderá potencializar a participação ativa, a capacidade criativa e a aprendizagem. Confere, ainda, a possibilidade de recriar momentos, assumir diferentes papéis e explorar o mundo que nos rodeia (Haguenauer, Carvalho, Victorino, Lopes & Filho, 2007).
Um outro método utilizado nesta intervenção foi os círculos de estudo, que possibilita abordar diversos problemas e discutir as melhores soluções, descobrindo, dessa forma, novas realidades (Loureiro, Marques & Vallgarda, 1983). Ora, este método visa proporcionar “[…] a capacidade e a confiança indispensáveis para um processo autónomo de vida digna, aberta e colaborante
69
[…]”(Loureiro, Marques & Vallgarda, 1983, p. 12), que mostram aos utentes a importância de serem membros ativos e conscientes.
As visitas culturais foram, também, utilizadas. Estas proporcionam o contacto com outras culturas e outras realidades que suscitam no indivíduo curiosidade e vontade de saber mais conduzindo, desta forma, ao seu próprio desenvolvimento. As visitas culturais permitem incutir o interesse pelo cultural, promovendo o contacto com o património e promovendo, ao mesmo tempo, o convívio e a interação social. As visitas culturais, nesta intervenção, ocorreram na visita aos presépios de Garfe onde os utentes puderam conhecer os famosos presépios, bem como, puderam constatar a força de vontade daquela população e averiguar a criatividade e imaginação das pessoas que trabalham na criação dos presépios.
Em suma, todos os métodos e técnicas utilizadas permitiram a troca de experiências, saberes e histórias de vida entre os diferentes utentes. Facultou, igualmente, a promoção da reflexão e do sentido crítico e a importância do saber ouvir. A verdade é que não existem métodos e técnicas perfeitas, mas enquanto profissionais devemos saber optar pelas mais adequadas, de forma a potencializar no público-alvo as suas capacidades e motivações e a cativá-los a serem agentes ativos na intervenção, bem como, na comunidade de pertença.