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9. GEO-ECOLOGY

9.4 Geo-ecological potential

O método sociológico é realizado a partir do momento em que se vê o escritor concebendo a sua obra como reflexo da sociedade em que vive. Nesse método verifica-se o que há de comum entre o escritor e a sua experiência enquanto participante da sociedade, e assim estará representando o meio ao qual pertence. Desse ponto de vista, o escritor estaria reproduzindo “fielmente a realidade” (IMBERT, 1986, p.71). Como disse Raymundo Souza Dantas (anexo, p. 147) a respeito do romance Os habitantes, que foi

Minuciosa e pacientemente construído, com muita arte e igual dose de observação do social e do humano [...]. Ocupando lugar de destaque, notadamente pela feitura e escrita, desdobra Os habitantes a temática amazônica através da mais perfeita harmonia entre o documentário e o depoimento pessoal, possibilitando visão realística dos dramas da humanidade que povoa este avassalador universo.

Esta mesma opinião é compartilhada também na crítica sobre Chão dos lobos, (no anexo, p. 148 pelo mesmo crítico.

Ligado profundamente ao ambiente em que nasceu e passou a sua infância, Dalcídio Jurandir perpassa ao leitor toda a paisagem paraense, pois ele “se apega às descrições que a gente fica com a impressão de que ele não tem força de apartar-se do seu povo e, preso a ele, disseca fibra por fibra dos sentimentos” (Gilvan Lemos, anexo, p. 153–154). Gilvan Lemos realiza nesse artigo uma breve caracterização das personagens representadas nas obras dalcidianas.

O que importa para a crítica sociológica é mostrar até que ponto o social influencia na produção da obra, ou seja, nesse tipo de análise procura-se ver como se dá a relação entre a sociedade, que está representada na obra, com a própria obra. Nas palavras de Antonio Candido (2014, p. 19), os estudos sociológicos

(...) procuram verificar a medida em que as obras espelham ou representam a sociedade, descrevendo os seus vários aspectos. [...] Consistindo basicamente em estabelecer correlações entre os aspectos reais e os que aparecem no livro. Quando se fala em crítica sociológica, ou em sociologia da literatura, pensa-se geralmente nessa modalidade.

O romance de linha sociológica responderia à pergunta de RALLO (2005, p. 100) “que importância tem a obra literária na criação das imagens e das representações sociais, por exemplo?” e acredito que Antônio José (anexo, p. 100) responderia com bastante propriedade utilizando como exemplo a obra Chove nos campos de Cachoeira: “Social não poderia deixar de ser um romance que desenrola entre personagens perdidos na Amazônia: social é de resto

todo romance, já que no romance vivem homens, e o homem como dizia mestre Machado de Assis, é um produto das relações sociais”.

Entre os críticos que abordaram a obra de Dalcídio Jurandir sob a perspectiva sociológica percebe-se sempre o conceito de que a obra é um reflexo da sociedade em que o escritor está inserido, e assim seria a própria voz do romancista por meio de suas personagens. Mas o certo é que ele soube habilmente ver, sentir e descrever a realidade do meio, sem que o elemento humano se perdesse no painel da natureza; sem que se dissolvesse a ação do romance no puro descritivo da paisagem – física ou social. Há que se reconhecer em Dalcídio Jurandir o esforço que ele empregou no sentido de fixar uma atmosfera típica com a tonalidade precisa (Valdemar Cavalcanti, anexo, p. 107).

Há sempre uma comparação entre o romancista paraense e vários escritores contemporâneos seus, no sentido de que todos escreveram sobre a condição humana, sempre fazendo destaque a respeito da vivência paraense. Segundo esse ponto de vista, Dalcídio Jurandir descortina o ser humano e seus dramas, fazendo uma denúncia da realidade social marajoara, pintando um quadro onde se fundissem personagem e escritor, ajudando na (re)criação da realidade, do ambiente paraense, o que caracteriza sua denúncia:

Vejam, parece ele dizer, este homem também existe; está esquecido, é um trapo de homem, esmagado por forças enormes, mas é um homem e existe; e dentro dele, nos seus conflitos e nas suas histórias, há tanta grandeza e poesia, tanto esplendor e mistério e tanta graça também quanto nos outros homens (Moacir Werneck de Castro, anexo, p. 81–82).

E:

[Dalcídio Jurandir] constrói o romance com os valores polêmicos de quem encara a realidade social à luz de seus aspectos e problemas objetivos. [...] Três casas e um rio é o romance da maturidade de Dalcídio Jurandir. Chove nos campos de Cachoeira, seu primeiro livro, firmou estes dois pontos básicos da obra de Dalcídio: demarcou-lhe a geografia literária nos horizontes de sua terra natal e pôs em evidência a vocação do escritor para o romance social. Dalcídio é o grande romancista moderno da Amazônia, com a capacidade de fixar à terra e a gente, senão com um sopro épico, pelo menos com a intensidade do drama humano, que reflete o drama da terra (Josué Montello, anexo, p. 90).

Ressalte-se, ainda, que Josué Montello (anexo, p.112) produziu outra crítica, mas a respeito de Linha do parque, também de pensamento sociológico, destacando que o livro apresenta “o temperamento de ação política”, em que é relatada a falta de adaptação da sociedade diante dos problemas em que vive e a luta por uma vida melhor. Deste mesmo modo, falou J. Guimarães Menegale (anexo, p. 114–115), em sua crítica intitulada Romance

da inquietação social, sempre dando ênfase às diferenças de classes sociais, em que a categoria trabalhadora está cercada pela opressão causada pelas “classes favorecidas pelo dinheiro e pela política do Estado”, na opinião deste crítico Dalcídio Jurandir fez uma interrupção na sua obra de cunho regionalista, para tratar de assuntos que envolvem o social.

Verifica-se, então, que a crítica sociológica se refere a “fatos biográficos, políticos, econômicos, culturais [...], e [...] são meras condições da criação literária” (IMBERT, 1986, p. 34).Todos esses fatores entrelaçados contribuem de alguma forma no produto final da literatura, e sempre há se de tentar descobrir quais relações recíprocas existem entre um romance e a sociedade da qual ele surgiu. Com base nesses argumentos, Dalcídio Jurandir, então, ao retratar fielmente a realidade tal qual ele a vê, fixa

aspectos históricos, etnográficos e lendários das margens do rio Arari de mistura com as contradições da natureza humana. Em Três casas e um rio Dalcídio Jurandir “busca transmitir o que sabe das criaturas humanas, colocando-se dentro delas, servido por sua experiência de romancista e pelas múltiplas imagens com que interpreta o mundo e com que vem levantando, através da ficção, um panorama da vida social na Amazônia” (anexo, p.101, Um romance da vida amazônica, de autoria não identificada).

Para corroborar com essa ideia, Angélica Maria Santos Soares (1990, p. 110) afirma que

A obra literária não é o simples reflexo de uma consciência real e dada, mas a conscientização e concretização das tendências de um grupo social. A relação entre o pensamento coletivo e as criações artísticas não reside numa identidade de conteúdo, mas numa homologia de estruturas: o que se passa na sociedade é o que se passa no romance direta ou indiretamente.

Temos, então, mais um exemplo da crítica de pensamento sociológico do, também escritor, Jorge Amado (anexo, p.102–103) em que se vê que a perspectiva da criação literária pode surgir de fatos reais que aconteceram com o romancista; mesmo não tendo essa certeza, o crítico acredita que Dalcídio Jurandir criou o Linha do parque a partir da vivência no Rio Grande do Sul18:

[...] E isto porque vindo a conhecer essa nova área geográfica, sentiu decerto, de maneira imperiosa, a necessidade de transpor em termos de ficção o que ali presenciou e viveu. Não sabemos até onde subsiste algum conteúdo autobiográfico no romance. Mas Dalcídio Jurandir é desses romancistas que não inventam, limitando-se reconstruir artisticamente suas próprias experiências: Linha do parque possui, assim, um caráter documentário, sem que isto venha a colidir com o sentido artístico da obra. É um documentário do nosso tempo, vivo e humano.

18 Vale a pena lembrar que Dalcídio Jurandir viajou ao Rio Grande como repórter do jornal Imprensa Popular de

Alguns fatores, partindo do ponto de vista ainda de Enrique Anderson Imbert (1986, p. 34–35), podem contribuir para que a crítica sociológica considere em seu estudo, e analisará o papel que o escritor exerce dentro de seu meio social, que, de alguma forma, influenciará em sua escrita:

O prestígio do escritor; a sua posição ante o público. [...] Os hábitos de leitura segundo as classes, as profissões, os sexos, as idades; [...] o gosto e as modas; [...] os livros que maior influência exerceram sobre a evolução social. [...] O comportamento dos grupos literários; [...] instituições que intervêm nas atividades literárias, como academias, concursos literários. [...] As consequências que exercem sobre a literatura as alterações técnicas, económicas, políticas e religiosas. [...] Participação do escritor no poder político; os temas sociais – sexo, violência, corrupção – tal como os refletem os escritores [...].

Dalcídio Jurandir, então, será visto como um autor que está unindo sua vida à vida em sociedade, uma vez que ele sofrerá influências do contexto em que está inserido. Isto posto, as opiniões dos críticos valorizaram a utilização das descrições de ambientes, dos espaços físicos, como bem disse Guilherme Galliano (anexo, p. 97–98) que o escritor paraense escreve a partir de seu olhar da realidade, das suas experiências, e por isso reproduzia a “realidade mais crua”. Nelson Werneck Sodré (anexo, p. 85–86) disse mais:

O que distingue uma literatura, entretanto, não é apenas a língua, mas aquilo que as suas obras traduzem, e de que o idioma é mero instrumento, a vida, a terra, a gente, os seus problemas, os seus dramas, os seus anseios, as suas crenças, os seus sonhos e os seus tormentos. Marajó, em qualquer língua, é literatura brasileira. Mas não é apenas pela sua fidelidade ao ambiente que merece apreço; mas pela sua força descritiva, plena de verdade e de beleza, pela sua maneira de fazer viver a gente que povoa as suas páginas, pela realidade com que traduz os laços sociais que a dominam.

O escritor paroara descreverá de modo objetivo, tentando revelar tudo ao leitor. Heráclio Salles (anexo, p. 104–105) afirma em sua crítica sobre o romance Três casas e um rio que os símbolos surgem no livro de Dalcídio de forma natural da vida real dos habitantes de Cachoeira, descortinando para o leitor o “pequeno mundo” repleto de “sentimento humano”. Para esses críticos são detalhes de extrema importância que enriquecem os romances dalcidianos e classificam a obra como

um grande livro [referindo-se a Marajó], um grande romance que se insere entre os maiores da nossa atual literatura. Saudamos calorosamente nosso modesto Dalcídio, exemplo de incorruptível dignidade como intelectual, batalhador de primeira linha da causa da libertação do nosso povo, um artista de primeira grandeza e um mestre do romance brasileiro (Moacir Werneck de Castro, anexo, p. 81–82).

A obra, então, serviria para transformar a sociedade e não seria apenas um retrato desse meio, posto que de alguma maneira faria uma revolução na mente do leitor. O crítico, portanto, não deve fazer um julgamento dos objetivos do escritor, pois o olhar particular deste ficará em segundo plano, o que importa é a apresentação do momento em que a sociedade se enquadra. Por esse caminho, as críticas com base sociológica procuram “mostrar que o valor e o significado de uma obra dependiam de ela exprimir ou não certo aspecto da realidade (...), procurando-se mostrar que a matéria de uma obra é secundária, e que sua importância deriva das operações formais postas em jogo” (CANDIDO, 2014, p. 13). Logo, a interpretação de um romance deve levar em conta que o fator “externo” (a sociedade) influencia na constituição da obra, passando a ser um fator “interno”, isto é, a sociedade é elemento essencial para a feitura do romance.

As obras dalcidianas tratam de questões regionalistas e também da luta dos oprimidos contra seus opressores; dessa forma, o romancista paroara escreveu seus livros a partir de observações do mundo real, assim como fez, por exemplo, Jorge Amado. Dalcídio Jurandir observava a sociedade para depois, então, compor a sua obra, como se tivesse feito uma pesquisa, e retratasse também uma história de si mesmo e, assim, vemos os dramas vividos pelas personagens, numa constate luta pela sobrevivência, como uma autobiografia. Nas palavras de João Malato (anexo, p. 168–169): “Praticamente, toda a humanidade sofrida, estóica e viril que se agita ao longo do Arari [...], está dentro da obra de Dalcídio Jurandir, e intrinsecamente ligada ao seu próprio destino”. O autor sempre está realizando um exame detalhado da sociedade, com seus grandes entraves sociais e econômicos gerados da exploração da terra e consequente exploração da mão de obra trabalhadora:

A razão do êxito de Dalcídio Jurandir como romancista se explica desse modo: ele descreveu um ambiente que antes tinha vivido em todos os seus aspectos. Por isso é que encontramos em Chove nos campos de Cachoeira a vida com seus grandes dramas, seus casos de amor e seus conflitos econômicos e sociais. Isso tudo demonstra claramente que não é possível escrever-se um romance sem espírito de observação e análise dos caracteres humanos em função do meio e do ambiente em que vivem os personagens da história. [...]. Através da arte, Dalcídio Jurandir descreveu magnificamente a vida na ilha de Marajó. (Moacir Souto Mayor, anexo, p. 83–84).

O leitor é levado a perceber e fazer seus julgamentos sobre a opressão que aquela sociedade da região amazônica viveu, sobre hábitos, costumes e valores. “Região esquecida [...], grandiosa somente nas cartas geográficas”, e que tanto luta por uma “redenção tardia que

os liberte” (Bruno de Menezes, anexo p. 87–88). As descrições do sofrimento do povo são

animalizando o ser humano, a tal ponto de o homem valer menos que os animais irracionais. Esse tipo de pensamento também é compartilhado por Álvaro Augusto Lopes (em seu artigo, anexo, p. 96), ao afirmar que o romance de Dalcídio Jurandir foi escrito “com riqueza de pormenores inéditos, bem observados”.

Dalcídio Jurandir, porém, continua a se afirmar o romancista que recompõe esse mundo marajoara, para mostrar aos sociólogos, na sua bruteza e no seu pauperismo, homens, mulheres e crianças, nem mesmo irmanados aos animais, aos bichos ferozes, porque a sua condição é tão ínfima, que aqueles valem mais do que estes (Bruno de Menezes, anexo, p. 87–88).

Em várias críticas há sempre uma valorização da paisagem amazônica (a fauna e a flora), mas numa visão notadamente como algo diferente e estranho das outras regiões do Brasil e até mesmo com um olhar discriminatório, e dando a entender que o escritor paraense teve que se desligar de sua própria região de nascimento para que viesse a ser reconhecido. Notamos tudo isso no primeiro parágrafo do texto de Moacir Werneck de Castro, anexo, p. 81– 82:

O “friúme por dentro”, o tremor e a comoção do poeta nos invadem agora, quando pela mão do romancista Dalcídio Jurandir penetramos no mundo da ilha de Marajó, com sua atormentada humanidade, brasileira que nem nós. No entanto, não é a sensação do exótico, nem essa espécie de pavor infantil que nasce da ideia dos grandes rios negros ou lodosos, dos animais estranhos que vivem em matos diferentes dos nossos. É sim, o encontro do homem, desentranhado do cartão-postal amazônico que temos visto até agora, e que o autor nos lança em rosto com uma violência dramática.

Há a valorização da maneira como o escritor utiliza a linguagem e a emprega sempre muito bem trabalhada, e onde se nota que há uma tradução de beleza linguística que encanta os críticos e ao mesmo tempo sem excesso de vocabulário, o que poderia fazer com que o escritor parecesse pedante:

A frase arrebata com o seu poder verbal, a sua opulência e o gosto das imagens. Mas essa corrente é canalizada com tal arte que a última coisa que diríamos de Dalcídio Jurandir é que se trata de um escritor prolixo. [...]. Os achados verbais iluminam subitamente o romance, aqui e ali, com uma riqueza inesperada. [...]. E o diálogo é saboroso e vivo, refletindo particularmente o encanto das personagens femininas (Moacir Werneck de Castro, anexo, p. 81–82).

Portanto, o romancista será a voz representativa do grupo ao qual pertence, ele (o escritor) refletirá o comportamento do homem do seu tempo. “O escritor não é um gênio individual, mas o agente supra-individual que fala por todos os membros do seu grupo e reflecte a conduta dos homens na história da sociedade” (IMBERT, 1986, p. 73–74).

E ainda que o escritor sofra influências do seu meio social, e que revele manifestações daquilo que diz respeito à Amazônia e ao Pará não se pode negar “o crivo da individualidade criadora [de Dalcídio Jurandir]; e é essa individualidade criadora que interpreta, num registo predominantemente estético, uma visão do mundo colectivizada” (REIS, 1976, p. 91).

Sendo um romancista que trata de problemas que se passam na Amazônia, em meados do século XX, Dalcídio Jurandir relata temas universais, e é considerado por Josué Montello “o grande romancista moderno da Amazônia”.

Em todas as críticas é bem claro o reconhecimento, desde o seu primeiro romance, do grande potencial que ele tinha para se tornar um dos grandes escritores da literatura paraense e, consequentemente, da literatura brasileira. Na opinião de muitos, Dalcídio Jurandir não estaria (no futuro) entre os mestres de nossa Literatura, ele já se encontrava inserido desde o seu primeiro contato com o público em 1940.

3. 2 A crítica impressionista

Na linha de pensamento impressionista, vários críticos dizem que Dalcídio Jurandir descreve um passado de lutas e conquistas por meio da voz da personagem principal. Uma dessas comparações é feita por ocasião da entrevista que o romancista concedeu à revista Dom Casmurro, na época em que venceu seu primeiro concurso literário (Omer Mont`Alegre, anexo, página 68–69). Nesse artigo há a consideração de um olhar, de uma perspectiva de um leitor que admira os bons livros e de um olhar de quem também é um escritor. Há muito a valorização da paisagem paraense, o que reforça a ideia de romance regionalista.

O método de análise impressionista surgiu “no final do século XIX, numa perspectiva oposta à postura científica e objetiva” (SOARES, 1990, p. 94) e considera que toda a compreensão da obra depende, sobretudo, da subjetividade daquele que tece a crítica, o que intervém na obra é o prazer ou não que causa no leitor. Utilizando-nos das palavras de Enrique Anderson Imbert (1986, p. 147, 149), “Uma obra literária – dizem os críticos impressionistas – existe como experiência de um leitor [...]. A esta classe de crítica pertencem os que julgam que uma obra é estimável segundo o pranto ou as gargalhadas que produza em nós”. Em outras palavras, a análise de um texto será produzida a partir dos efeitos, das impressões que se fixarão no leitor/crítico.

A admiração, por exemplo, de Sérgio Milliet (anexo, p. 99) por Dalcídio Jurandir parte das descrições naturais e humanas, da região amazônica, que compõem os romances paraenses, e que lhe são totalmente “estranhas”. De acordo com sua crítica, Dalcídio descreve com minúcias de detalhes tudo o “que viu, ouviu ou viveu”. Três casas e um rio é um romance que se apresenta como “um panorama etnográfico e social da Amazônia, todo um levantamento dos seus traços culturais. É toda uma página de geografia humana”. Nada escapa à narrativa do romancista, o que certamente o torna, de certa maneira, um narrador verborrágico.

Maria R. Campos (anexo, p. 75–76) parte de uma visão sensivelmente particular e que é aguçada por seus sentimentos e diz que Dalcídio Jurandir escreve a partir do que vivenciou. A seguir, um trecho em que ela fala das personagens dalcidianas:

Porque os personagens desse livro, que é a descrição da vida real, sofrem. Uns mais outros menos. Os menos interessantes sofrem menos. Os que mais merecem nossa simpatia são os que mais sofrem. Eu sofro com os personagens. Sofro demais, certamente. E quando acabo de ler uma obra dessas, doe-me a alma e sinto-me mais fraca para enfrentar as dores reais, que a vida, cada vez mais me apresenta.

Assim também é o olhar de Renard Perez (anexo, p. 110–111), sua opinião é peculiar, própria de um leitor comum:

É um livro que se lê devagar, apaixonado pelos detalhes, pela linguagem limpa e a viva adjetivação, que completam a ideia de vigor, de primitivo, apesar de sua poesia e da mediocridade daquelas vidas. E é um livro, principalmente, que deixa uma impressão funda – daqueles que, ao encerrar-se continuam vibrando dentro de