3. TEORI
3.5 Collective Mindfulness
3.5.1 Generelt om de fem kjennetegn
Toda empresa possui, implícita ou explicitamente, códigos de ética ou de conduta, que expressam o comportamento, ou atitude, que se espera de seus empregados, comportamento esse que coopere para a consecução dos objetivos da empresa. A qualidade do relacionamento empregado-empresa deve refletir, idealmente, o que está expresso nos códigos de ética ou de conduta. Integridade, moralidade e decoro, honradez, dignidade e elevada conduta profissional são quesitos que se encontram na maioria dos códigos das empresas. O resultado das empresas, fruto de suas atividades, provém da soma dos esforços da totalidade de seus membros. Desvios do comportamento esperado, conforme estabelecido nos códigos de conduta, podem significar perturbações na estrutura das atividades, o que irá se refletir negativamente nos resultados da empresa.
As empresas, enquanto pessoas jurídicas, podem ser descritas como entidades ideais, por meio de seus estatutos e códigos. Seus membros, porém, enquanto pessoas físicas, possuem todas as qualidades, e fraquezas, características dos seres humanos. Qualquer sentimento de injustiça, provocado pelos mais diversos motivos, pode desencadear desvios de conduta, com os conseqüentes reflexos nos resultados da organização. Questões como remuneração, reconhecimento, insatisfação quanto à atividade e desconforto no ambiente de trabalho podem dar origem a sentimentos de injustiça por parte dos empregados. Tais questionamentos foram observados durante discussões em salas de aula com alunos de graduação do curso de Administração de Empresas de uma Universidade do Vale do Paraíba, SP. Diversos destes alunos são empregados em empresas industriais desta região, os quais participaram com suas observações e experiências originadas em seus ambientes de trabalho. Discutiu-se a respeito de que atos poderiam desencadear sentimentos de injustiça, que efeitos tais sentimentos poderiam determinar sobre o desempenho dos trabalhadores, e que atitudes, como conseqüência, os empregados poderiam desenvolver.
Alguns problemas éticos, entre os trabalhadores, foram identificados, tais como usar o tempo na empresa para tratar assuntos pessoais e realizar tarefas alheias à organização, fazer uso de materiais da empresa em proveito próprio, procrastinação, e outros. Identificou-se, também, que estes problemas de ordem ética, entre os trabalhadores, estão geralmente relacionados com a percepção que têm de questões como remuneração, transparência da organização, condições do ambiente de trabalho, e também por fatores de ordem pessoal, como auto-estima, sentimento de injustiça, de exploração, entre outros. Questionou-se, ainda,
a respeito dos prejuízos que afetam ambas as partes, trabalhadores e empresas, advindos dos problemas éticos discutidos.
A partir das observações e discussões nos grupos focais foi possível organizar o roteiro para as entrevistas com empregados de empresas da região, o que possibilitou entender os significados e representações destes participantes sobre o desvio de conduta e, também, o direcionamento para a construção de um questionário, a ser utilizado em pesquisa de campo, que abrangesse a questão do desvio de conduta, de forma a entender os elementos característicos deste processo entre os trabalhadores da região.
Assim, a problemática da conduta ética abordada no referencial teórico, e os insights surgidos nas discussões com os grupos focais, permitiram o enunciado de duas proposições:
I Há trabalhadores que praticam atividades consideradas desvio de conduta e antiéticas.
II Os desvios são motivados por questões de ordem financeira, por percepções adversas em relação ao ambiente de trabalho, e por fatores de ordem pessoal.
As proposições acima se constituíram na base que permitiu, por meio da indução, a formulação da diretriz de trabalho que promoveu a organização da pesquisa e a identificação das informações relevantes, e a delimitação da análise e a interpretação dos dados (OLIVEIRA, 2001). Anuncia-se dessa forma a diretriz norteadora deste estudo:
Uma parcela de empregados nas organizações pratica atividades consideradas desvio de conduta e antiéticas, relacionadas a clima ético e organizacional e fatores subjetivos, mas também por fatores econômicos direcionados a suprir o orçamento doméstico.
Distinguiram-se duas atividades que sugerem a diretriz de trabalho: há empregados que fazem trabalhos extras, fora do expediente normal de trabalho, o que pode se constituir em conflitos de interesse; há empregados que realizam atividades de seu próprio interesse durante o expediente normal de trabalho.
As discussões levaram ao planejamento de uma pesquisa, resultado do apoio conjunto do CENE-FGV-EAESP – Centro de Estudos de Ética nas Organizações da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas e do ECA-UNITAU – Departamento de Economia, Contabilidade e Administração da Universidade de Taubaté, com a participação de professores e estudantes de graduação das duas instituições.
Para realizar a pesquisa de campoempírica, foi selecionada como espaço de análise a região do Vale do Paraíba, escolhida por dois motivos básicos: possui uma população predominantemente de trabalhadores da indústria e apresenta uma significativa variedade de estabelecimentos industriais.
O Médio Vale do Paraíba é formado pelas cidades de Guararema, Jacareí, Santa Isabel, Igaratá, São José dos Campos, Monteiro Lobato, Caçapava, Taubaté, Tremembé, Pindamonhangaba, Roseira, Aparecida, Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira Paulista, Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz. A industrialização do Vale do Paraíba intensificou-se a partir de 1950, e trouxe novas possibilidades de desenvolvimento econômico, social e cultural para a região.
Houve, em conseqüência, a retomada do crescimento populacional e a revitalização dos centros urbanos localizados no eixo de circulação do Médio Vale do Paraíba, onde se concentraram as indústrias e centros tecnológicos propulsores desse desenvolvimento. Entre os municípios mais populosos e representativos das atividades industriais do Médio Vale do Paraíba, destacam-se São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Lorena, Cruzeiro e Caçapava.