Para terminar esta seção, vamos expor alguns apontamentos sobre a GC no Brasil. Para Duarte, Lira e Lira (2014), a GC também cresceu exponencialmente no Brasil e ganhou espaço no contexto organizacional a partir da obra de Angeloni (2002). Uma comprovação do que falam as autoras está no gráfico abaixo que relata sobre uma parcela das publicações sobe GC nos últimos 10 anos. Pela análise do gráfico, trabalhada por amostragem, é possível compreender linhas de evolução e crescimento da GC no Brasil.
Gráfico 3: Linha de evolução sobre publicações referentes a GI e GC em revistas da área de CI nos últimos dez anos
Fonte: Desenvolvido pela autora, 2015.
O que se pode constatar com o gráfico acima é que a quantidade de publicações em GC oscilou durante os dez anos estudados. Entre 2004 e 2010, o ano com maior número de publicações é o de 2008, com 21 e as revistas que mais publicaram na área foram a Datagramazero, com 25 e a Ciência da Informação, com 22.
A partir de 2011, a revista Perspectiva em Gestão do Conhecimento surge como a especialista na área e publica quantidade considerável de artigos sobre GC: 8 em 2011, 17 em 2012, 15 em 2013 e 12 em 2014. Este fato, além de fazer com que os anos de 2012, 2013 imperassem em números de publicações, enfatiza a importância do tema para a sociedade científica brasileira, ao vincular tal revista como especializada na área (assim como o surgimento de outras revistas com os mesmos objetivos).
Em relação aos conteúdos destas publicações, seguimos para sua análise à classificação do que Esteban Navarro e Navarro Bonilla (2003) apresentam sobre as abordagens que se pode realizar à GC. Entre as múltiplas e variadas aproximações, os conceitos se classificam por três características comuns:
[…] la convicción de la existencia de información y conocimiento en las organizaciones que se deben identificar y procesar; la incidencia en su carácter dinámico (relación con otros procesos) y utilitario (mejora de procesos); y la consideración del conocimiento como un factor estratégico clave en una organización para el logro de sus objetivos, de modo que una gestión eficaz lo convierte en un activo que aumenta el valor de la empresa (ESTEBAN NAVARRO; NAVARRO BONILLA, 2003, p. 271).
Para ilustrar essas características e classificar os conceitos, trazemos aqui uma elucidação importante que se encontra em nosso trabalho de análise dos artigos da pesquisa de referência sobre as publicações em CI e GC, no período de 2004 a 2014. Neste caso, nos centramos naqueles que tratam da GC. Deste feito, pudemos classificar os conceitos conforme as características estabelecidas pelos autores acima citados:
Tabela 1: Características sobre definições e conceitos
REVISTAS
Características sobre conceitos e definições de GC Identificação e processamento da informação e conhecimento Incidência e caráter dinâmico e utilitário da GC
Conhecimento como ativo e fator estratégico chave para cumprimento de objetivos Total de abordagens por revistas científicas Biblionline - 1 1 2 Ciência da Informação 3 5 4 12 Em Questão 1 - - 1 Datagramazero 3 2 2 7 Encontros Bibli 2 - 3 5 Ibero-americana de Ciência da Informação - 1 - 1 Informação e Sociedade: Estudos 6 6 2 14 Transinformação 2 2 - 4 Perspectivas em Gestão do Conhecimento 14 24 14 52 TOTAL 17 41 26 98
Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) baseado em Esteban Navarroe Navarro Bonilla (2003)
a) Identificação e processamento da informação e conhecimento – A determinação de requisitos de informação e conhecimento e sua relação com os conceitos relacionados com a informação e conhecimento, procuram estabelecer os conceitos e fazer as relações entre eles. Dos artigos estudados, os autores que seguem se encaixam nesta abordagem: Alves e Barbosa (2010), Botelho e Monteiro; Valls (2007), Silva (2004), Alvares, Baptista e Araújo Júnior (2010), Carneiro e Almeida (2013), Bufrem (2004), Sousa (2006), Dziekaniak (2010), Bernett e Varvakis (2010), Souza, Dias e Nassif (2011); Duarte (2011), Barbosa, Sepúlveda e Costa (2009), Barradas e Campos Filho
(2008); Silva (2008), Madeira, Vick e Nagano (2013), Leite (2007), Capurro (2011), Leonardi, Bastos e Nassor (2011), Rodrigues e Blattmann (2011), Avelar, Vieira e Santos (2011), Duarte (2012), Ferreira e Duarte (2012), Paula (2012), Múnera Torres (2012), Mattos e Goulart (2012), Liberatore, Chaves e Guimarães (2012), Gorbea Portal (2013), Paula (2013a), Nassif (2013), Rodriguez e Graenl (2013).
b) Incidência e caráter dinâmico e utilitário da GC – Nesta abordagem, procuramos analisar o caráter prático da GC com inclusão de práticas, atividades, planejamento, determinação de recursos e ferramentas, métodos e técnicas de aplicabilidade e processos avaliativos voltados para a GC. Os autores que, ao nosso olhar, definem a GC dentro desta abordagem, são: Almeida e Duarte (2011), Gonzalez, Martins e Toledo (2009), Capuano (2008), Souto (2007), Leite e Costa (2007), Silva e Rozenfeld (2007); Corsatto e Hoffmann (2013), Barrancos e Duarte (2013), Canongia, Pereira e Antunes (2006), Brito, Galvão e Oliveira (2013), Lousada, Lopes, Fujita e Valentim (2011), Silva (2009), Schons (2008), Miranda et al. (2008), Duarte, Silva e Costa (2007); Fujihara (2009), Pimenta (2009), Belluzo (2014), Fialho (2014), Gomes e Costa (2014), Santos e Valentim (2014b), Oliveira, Oshiro, Souza e Dandolini (2014), Cardoso, Santos, Rezende, Bello e Franzoni (2014), Bezerra e Lima (2011), Favoretto (2012), Rodrígues Quesado, Aibar Gusmán e Lima Rodrígues (2012), Barbosa, Monteiro e Freitas (2012), Druzianni, Kern e Catapan (2012), Obregon, Dziekaniak e Vanzin (2012), Barbosa e Nassif (2012), Gozzi (2012), Bento de Sá, Reis Bento e Ferreira (2013), Paula (2013b), Oliveira, Souza e Duarte (2013), Silveira Neto e Ivan (2013), Araújo e Paula (2013), Pastor Seller, Torralba Planes, Lopez Lopez, Martinez Gallardo e Romera Canovas (2013), Prado, Nobre, Ferneda, Nehme e Hedler (2013), Nathansohn (2013), Costa e Gomez (2014), Stefano, Casarotto Filho, Freitas e Martinez (2014).
c) Conhecimento como ativo e fator estratégico chave para cumprimento de objetivos – As tendências temáticas que embasam as pesquisas em GC, entre os textos estudados, concentram-se nos aspectos humanos e culturais, tecnológicos, estruturais e de relacionamentos nos ambientes internos e externos, cujo conhecimento é o cerne organizacional para cumprimento de seus objetivos e metas. Dos textos estudados na pesquisa de referência, os autores que definiram a GC nesta tendência, são: Rodrigues e Duarte (2006), Zangiski, Lima e Costa (2009), Capuano, Casaes e Costa (2009), Rossetti, Pacheco, Salles, Garcia e Santos (2008), Cruz e Domínguez (2007), Pereira (2005), Dávila, Leocádio e Varvakis (2008), Barreto (2012); Santos (2011), Valentim
e Gelinski (2005), Duarte, Silva e Zago (2004); Duarte e Santos (2011), Andrade, Barti Júnor, Tomaél e Gorgosinha (2011), Alvarenga Neto e Vieira (2011), Rabelo, Ferenhof, Rados e Selig (2012), Carvalho (2012), Santos (2012), Bettencourt e Cianconi (2012), Pires, Lopes e Valls (2013), Bezerra, Barboza, Bertolocci e Espejo (2013), Filippim e Lima (2014), Dalcol, Siluk, Neuenfeld Júnior e Soliman (2014), Santos e Valentim (2014a), Araújo e Castilho Júnior (2014).
É importante salientar que, dentre as revistas estudadas, a intitulada “Perspectivas em Gestão e Conhecimento” leva consigo maior número de artigos referentes à GC, porque se caracteriza como revista especializada da área.
Ainda no contexto sobre a GC em âmbito brasileiro, temos que enfatizar as normas legais que têm surgido no Brasil referente à GC. De todas as práticas e modelos voltados a este processo, imaginamos que sua implantação deve se constituir através de subsídios legais que incentivem sua efetivação em quaisquer organizações. Com o intuito de refletir sobre essa questão, partimos de uma pesquisa bibliográfica na internet, que pudesse evidenciar leis, decretos, normas ou projetos de alcance nacional, favoráveis à GC, vigentes no Brasil.
Sobre isso, nossa avaliação se concreta na ausência de política pública dobre GC e na presença de medidas isoladas junto a algumas atividades ou objetivos públicos. Algumas dessas medidas são citadas a seguir:
Lei de acesso à informação (LAI) – O acesso à informação proporcionado pela Lei nº. 12.527/2011, que entrou em vigor dia 16 de maio, proporciona o livre e amplo acesso às informações e a documentos públicos.
DECRETO Nº 53.963, DE 21 DE JANEIRO DE 2009 – Institui, no âmbito da Administração Pública Estadual, a Política de Gestão do Conhecimento e Inovação e dá providências correlatas.
DECRETO Nº 21.863, 30 DE JANEIRO DE 2014 – Institui o Sistema Eletrônico de informações (SEI) como sistema oficial e único de processo eletrônico administrativo e gestão do conhecimento no âmbito do município Joinville - SC, e dá outras providências. Considera a necessidade de implementar processos que organizem e sistematizem a capacidade do Município de gerar, analisar, compartilhar e fornecer conhecimento de maneira rápida e precisa, incorporar recursos da tecnologia da informação aos trâmites processuais administrativos, objetivando maior eficiência na gestão pública, observando os requisitos de segurança e autenticidade dos documentos administrativos em meios eletrônicos, assim como a necessidade de regulamentar e padronizar a tramitação eletrônica de procedimentos e processos por meio do Sistema Eletrônico de Informações
– SEI, no âmbito da administração direta e indireta do Município de Joinville. Especificamente seu Artigo 2º, sobre as diretrizes do SEI, parágrafo III, enfatiza a GC visando a facilidade e agilidade na obtenção de informações gerenciais e de caráter estratégico, relativas a documentos e processos, bens e serviços administrativos.
Resolução Normativa - RN Nº 165, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2007 – Dispõe sobre o Comitê Permanente de Gestão do Conhecimento da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS e revoga a Resolução Normativa - RN nº 111, de 19 de setembro de 2005. Em seu artigo 1º, dispõe sobre o Comitê Permanente de Gestão do Conhecimento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que tem a finalidade de coordenar e articular as iniciativas de produção e a divulgação do conhecimento sobre saúde suplementar.
Lei Delegada n. 180, de 20 de janeiro de 2011, do art. 90 da Constituição do Estado de Minas Gerais – Decreta o Núcleo de Inovação e Gestão do Conhecimento, em seu art. 14, que tem por finalidade fomentar, coordenar e realizar estudos e pesquisas para a promoção da inovação tanto dos processos quanto dos produtos.
Apresentadas as leis, normas, decretos, visualizados pela pesquisa bibliográfica, acreditamos ter conseguido, nesta seção, alcançar os objetivos de refletir sobre a GC e os conceitos e aportações relacionadas a ela. Nesse sentido, figuramos a egressão do labirinto que possui uma rede de significados imbricados sobre a GC.