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R os an a L uz ia E lz a D an i R ob er ta D ei se E st el a T s E st er C ar la E lis a N at ál ia R it a M ar ia M ir a Jo an a

A mãe dava importância muito grande x x x x x x

Primordial, integrado ao afetivo x x x x

É um termômetro do relacionamento x

Faz parte de uma relação saudável x x

“Tudo se resolve na cama...” x

Já foi mais importante x x x

Achava que a mãe não dava importância, mas soube que antes o sexo era diário

x É ligação muito forte, há cumplicidade,

apóia a expressão do amor

x

“É importante, sem atração não dá...” x

“Fundamental, sem sexo não dá...” x

Foi da repressão total para o prazer total x

Foi motivo da separação x

Transa quando tem vontade, sem ser promíscua, sempre cuidada.

x x

Pilar muito importante x

Não consegue responder – só fala generalidades

x

“é tudo uma coisa só” – com respeito e de acordo com o casal

x

“O casal fica junto, cuidando de uma coisa que é difícil”

x

Super importante: o contato físico e a relação não podem ser vulgarizados – com respeito

x

A mulher não pode ser usada como objeto de desejo

x É uma expressão de amor, precisa ser

delicada

x

QUADRO 9 – Significado dado à sexualidade

Uma das mães, Estela, partiu da repressão total em relação ao sexo para o prazer total. Quando se deu conta das limitações sexuais em seu casamento, ela acabou rompendo seu contrato matrimonial, em busca de novas descobertas: “...comecei a tomar contato que

podiam ter outras formas de relacionamento sexual, por exemplo, jamais eu achei que tinha oral, anal e sei lá mais o quê... E que pudesse ser prazeroso... e que mulher não era ser só algumas coisas, mas era muito mais e abrir que você tinha pé, mão e qualquer parte (do

corpo) podia ser sensual ou sexual e que você podia valorizar... e que você podia ter sentimentos quanto a isso...”.

Também, de forma diferente do padrão estereotipado anterior, no qual as infidelidades eram secretas ou quando descobertas resultavam necessariamente em separações, a infidelidade pôde ser abordada e discutida na relação do casal (Elisa), sem que houvesse uma ruptura do contrato do matrimônio: “...e aí aconteceu de um lado, aconteceu do outro, aí no

fim a gente acabou fazendo terapia... e tratamos do assunto...”. Em outro momento de vida, duas mães, Elisa e Rita, referiram que a importância dada à sexualidade se reduziu com o passar do tempo, tendo sido desenvolvidos outros aspectos da relação com seus maridos. Entretanto, as duas se referiram ao desejo de reativar este aspecto do relacionamento.

Apenas duas jovens, Taís e Carla, se referiram ao sexo com maior liberdade, não tão conectado com a relação afetiva, mas como a expressão mais pura de um desejo, pelo prazer. Uma delas, Taís, recebeu a orientação: “aproveite o que você puder, sem magoar ninguém,

sem desrespeitar, ...posso ficar com mais de um ao mesmo tempo, mas sem humilhar o outro...”; enquanto que Carla contou que: “...eu sempre fui uma pessoa assim de que você tem que seguir seus desejos, a vida é agora, você tem que curtir o momento. Então nunca fiquei muito preocupada em relação a só transar com namorado, só transar quando eu amo, casar virgem, essas coisas... mas, acho que todos os sexos que eu tive... foram muito bem cuidados, nunca fui promíscua..., nunca transei bêbada, sempre tive noção do que eu estava fazendo...”.

Uma das jovens, Natália, que apresentou maior dificuldade para conversar sobre o assunto, quando se perguntou sobre a importância atribuída à sexualidade, respondeu com estereótipos: “... ah, nós mulheres, acho que a gente é muito sentimentalista, assim

preocupada...”.

Entre as ortodoxas, observa-se que o casal faz, desde o início do casamento, acordos internos, na área da sexualidade, observando os diversos níveis a cumprir pelas regras da religião, o que pode servir para ajudar a preparar o casal para outros acordos. Maria descreveu esta situação da seguinte forma: “... é o casal junto cuidando de uma coisa que é difícil...

porque são mil detalhes, mas depende do casal se esforçar para cada detalhe ser melhor... são muitos detalhes que ninguém vai ver, ninguém vai saber, são só entre nós e Deus, ...então é uma atmosfera que você põe em casa para cuidar das coisas com cuidado...”. Também a

sexualidade apareceu totalmente vinculada ao afeto, ao respeito, ainda na fala de Maria:

“...minha mãe sempre falou que isso é uma coisa só... do jeito que o casal se respeita...é super importante, tem que dar valor, mas que para o sexo ser bom, muita coisa tem que acontecer, porque você fazer a relação e acabou, ou você pode fazer com amor...”. A

sexualidade também foi vista como forma de espiritualidade, no discurso de Rita: “...o mundo

faz do sexo uma coisa suja, uma coisa que tem em qualquer esquina... é a coisa mais santa que tem na Bíblia... tanto para ter filhos, para criar um futuro, uma família, como pelo prazer físico...”.

Mira, em outras palavras, trouxe conceitos parecidos: “... eu acho a sexualidade super

importante, mas acho que em momento nenhum isso pode virar uma coisa vulgarizada, nem banalizada e nem se sentir um objeto... a mulher não pode ser uma coisa que é usada, desusada, e usada de novo e só serve para isso... ela tem que ser usada por uma pessoa que a respeita em tudo... a obrigação dela é dar a parte dela também, que é a parte do corpo dela... eu também gosto e eu gosto de estar com ele... e eu acho que une, completa o casamento...”.

Com esta fala ela também apresenta o estereótipo da mulher ser usada, como um objeto.

9.3.5. Vivências atuais da sexualidade

Quando as entrevistadas se referiram às suas vivências atuais da sexualidade (Quadro 10), pôde-se observar uma manutenção do mesmo tipo de padrão de comportamento entre mães e filhas, mesmo para aquelas que não mantinham um diálogo atualizado sobre suas atividades sexuais.

Na primeira dupla, Rosana e Luzia, houve um olhar atento para a manutenção da sexualidade no casal, como componente principal do relacionamento.

Na segunda dupla, Elza e Dani, que já foram as que mostraram a maior dificuldade de comunicação entre elas, a mãe se referiu a uma atividade satisfatória, mas não essencial. Chama a atenção que Dani, uma mãe jovem, com filho pequeno disse ter suas atividades sexuais suspensas no momento, apesar de saber de sua importância, atribuindo sua falta de desejo a uma possível disfunção hormonal. Parece que toda sua energia estava voltada para o filho e para seu trabalho: “... e apesar do meu marido não cobrar, o que eu acho ótimo, eu

estou começando a me cobrar em função dele, não por mim, por ele... para mim, esta parte da minha vida, zero...”.

Roberta, da terceira dupla, em outro momento de vida, aos 50 anos, envolvida com as questões da menopausa, começou a questionar seu próprio prazer, ao invés de ficar apenas submissa ao prazer ou necessidade do marido: “... o que eu gostaria de fazer, que eu chegasse

estando sem namorado na ocasião da entrevista, estava sem atividades sexuais naquele momento, mantendo o padrão de só ter relacionamentos que incluam o envolvimento afetivo.

VIVÊNCIA ATUAL DA