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SAMSPILL MELLOM VOGN OG SPOR SAMT LASTEPROFILER Kinematisk lasteprofil

C.2. ALLMENN DEL

C.2.3. Generelle bemerkninger om metoden for å oppnå største konstruksjonsprofil for rullende materiell

Para ilustrar e fechar a questão, gostaríamos de tecer algumas considerações sobre El

Libro Total, um livro digital publicado na Colômbia em 2007. Trata-se de um projeto

desenvolvido por engenheiros de uma editora ligada ao ramo da informática e alguns profissionais de letras. Pretenderam publicar A Divina Comédia de Dante em livro digital, agregando a este as suas versões para o inglês, árabe, castelhano e outros idiomas. Também entraria na versão digital tudo o que se referisse à obra: críticas, resenhas, ensaios, fotografias, gravuras, e toda uma iconografia dos quatro cantos do planeta. Desde 2007 vêm-se acrescentando páginas ao livro, que no momento atual consta de 1.679.352 páginas.

A relação comercial do livro é tema de debate em foros virtuais e congressos sobre direitos autorais. O livro é gratuito, pode-se acessá-lo de qualquer país. Mas também não se pode levá-lo para lugar nenhum como objeto. As dificuldades para acessá-lo aumentam na medida em que se acrescentam mais páginas. Uma vez acessada a página do livro, o sistema exige uma tela com resolução mínima de 1024 x 768 pixels para poder visualizá-lo. O computador também precisa ter o programa flash Power 10 para rodar o livro.

Figura 23 – El Libro Total aberto na tela.

Uma vez cumpridas as necessidades tecnológicas para abrir e acessar as páginas do livro, o leitor terá instruções de como navegar pelo livro através de um áudio. São semelhantes às instruções do narrador de Cortázar no “tablero de dirección” de Rayuela. Além da possibilidade de ouvir o áudio da página caso o leitor queira, clicando com o cursor em cima do símbolo de áudio, o livro não oferece grandes alterações quanto aos percursos de

leitura em relação a Rayuela. O livro permite navegar no sentido de direita para a esquerda, ou de esquerda para a direita e, às vezes, de cima para baixo ou de baixo para cima. A limitação consiste no fato de que o leitor precisa clicar em outros ícones para acessar outro conteúdo do todo, mas com a obrigação de abandonar sempre a página que estava antes. Para abrir uma nova página precisamos fechar a que estamos, e essa passagem faz com que a navegação seja de alguma forma linear, por mais que se façamos atalhos. A cidade da editora do livro criou um espaço chamado Casa del Libro Total, para onde vão artistas, cantores,

instrumentistas gravarem suas performances. O material que vai sendo produzido passa por uma seleção para integrar El Livro Total. Trata-se de uma vontade, de um apetite barroco; não sabemos aonde vai chegar esse working in progress. É um novo formato, mas que, na proposta narrativa até o momento atual, não oferece praticamente nada que o livro impresso não haja oferecido antes. Vide os romances caleidoscópicos latino-americanos.

CONCLUSÃO

As relações entre o jornal e o livro no Brasil e na América Latina criaram textos e objetos concretos que desafiam a definição e a catalogação. A tendência para criar textos ambíguos e polifônicos vinha já na constituição barroca do continente, antes da imprensa se instalar e o jornal se consolidar. Vimos como as cartas dos descobrimentos têm gerado polêmica ao longo do período historiográfico. Ora foram consideradas como documento de fundação de um território, ora como literatura de informação, sem valor artístico, e mais recentemente vêm sendo reconhecidas como escritura dotada de elementos artísticos que funda também a literatura latino-americana. Vimos com Mário Chamie (2002), no primeiro capítulo, como Caminha instaurou as instâncias da alegria, da ingenuidade, do humor, e incorporou a voz do outro no seu discurso. Características que aproximamos à carta de Bartolomé de Las Casas e, comparando, vimos que elas também habitam ali. Frei Las Casas também legou importantes elementos da narrativa através de sua crônica para a cultura da América Hispânica. Mais dura, relatando batalhas e genocídios, vimos como a carta de Cortez instaura um tipo de realismo que será desdobrado como estilo dos folhetinistas da revolução mexicana. As crônicas dos descobrimentos são ambíguas porque são tudo ao mesmo tempo: documento de achamento de um território, documento de informação, literatura de informação e texto literário. Delas saíram elementos como a subjetividade e o registro do circunstancial, características importantes que deram especificidade à crônica jornalística. Um texto que captura momentos da vida mundana e liga o que está fora com o que está dentro.

A necessidade ocidental de mapear, definir, catalogar e historiar encontrou dificuldades enormes na América Latina. Uma delas é o problema da periodização do qual vimos dois exemplos: o da periodização da imprensa e o da periodização literária. Na periodização literária as crônicas escritas em línguas pré-colombianas oferecem problemas. Como considerar a produção do México ou do Peru que não esteja em castelhano para contar a história da imprensa desses países? No caso da Argentina a crônica de Ulrico Schmidel

Viaje al Río de la Plata (1534-1554), que conta a experiência de 20 anos percorrendo a

região, descrevendo as tribos, os costumes, a flora e a fauna, não serve para a historiografia porque foi escrita e publicada em alemão. Durante a pesquisa a imprensa do Paraguai revelou- se digna de maiores investigações. O problema já não se limita à periodização, mas ao de descobrir como ela realmente era. Segundo Josefina Plá (1975) ainda não se sabe se nas

Missões existia uma máquina de prensa ou se havia várias, uma em cada Missão. As publicações de folhetos e livros da época mostram tipos diferentes para impressões em cada região, tanto que se chegou a formular a hipótese de que haveria uma prensa ambulante, e cada grupo de índios tipógrafos construiriam os seus tipos. A constituição dessa imprensa ainda vive cercada de mistérios:

Esta prensa fue organizada y construída in situ, con materiales casi todos de la tierra. Del país las maderas para los bancos, cajas, tórculos: del país piedra para las platinas. De hierro beneficiado en las Misiones las indispensables piezas de metal. Acerca del material de que fueron fabricados los tipos hay muchos pareceres. Viriato Diaz Pérez sostuvo que fueron de madera; Currea, que de cobre; Mulhall que de bronce; en opinión de Furlong “de un amálgama (sic) de estaño y plomo”. Otros datos señalan que fueron de estaño (PLÁ, 1975, p. 160-161).

Esta situação inaugural da imprensa paraguaia, ligada com a imprensa argentina pelo vínculo geopolítico, é emblemática sobre a produção cultural de toda América Latina. Referimo-nos ao processo de adaptação às máquinas, à construção de novas ferramentas e produção artesanal contínua e concomitante com as novas tecnologias. Mitre, nas suas investigaçõe chegou a afirmar que

La aparición de la imprenta en el Río de la Plata es un hecho singular en la historia de la tipografía después de Gutemberg. No fue importada; fue una creación original. Nació o renació, en medio de las selvas vírgenes, como una Minerva indígena, armada con todas sus piezas, con tipos de su fabricación, manejados por indios salvajes, recién incorporados a la vida civilizada; con nuevos tipos fonéticos de su invención, hablando una lengua desconocida en el Viejo Mundo; un misterio envuelve su principio y su fin. (MITRE apud PLÁ, 1975, p. 159).

O trabalho dos índios tipógrafos ou dos gravadores das primeiras Gazetas do México aos quais nos referimos são demonstrações de que não as ferramentas, mas principalmente, o uso que se faz delas constrói sistemas latino-americanos de tecnologia. Nesse sentido, os conceitos de sistema e tecnologia são entendidos como os concebeu Sloterdijk, para quem “a tecnologia é o sistema, não é um conjunto de ferramentas” (SLOTERDIJK, 2000).

Já na periodização da literatura, na qual o problema é muito mais discutido, vimos como se pensou em desvalorizar tudo o que foi produzido no começo pela vinculação com o período político colonial. A literatura nacional dos países latino-americanos começaria com o momento da independência dos Impérios de Espanha e Portugal. A historiografia não considerou a possibilidade de a literatura ser constituída de obras autônomas, que se

relacionam com o ambiente externo no qual foram geradas, que por sua vez se relaciona com elas, independentemente da situação política em que se encontrava o país.

O romance-folhetim foi um fenômeno de transformação de um modelo francês em algo particular para cada país. Logo após a chegada do folhetim francês aos jornais do continente, os escritores ou aspirantes a escritores se lançaram à experimentação. O resultado foi a produção de uma escritura, uma maneira de narrar que se ligou com a cultura popular de cada região, projetando a prosa para o futuro. A cultura gauchesca da Argentina, que já vinha sendo cantado pela poesia, ganhou sua difusão pelos meios de comunicação de massa: o jornal que levava pessoas a amanhecer na porta do La Patria Argentina para receber o folhetim de Eduardo Gutiérrez. A vida urbana e a fala dos brasileiros começam a aparecer nas páginas dos jornais em forma de ficção de rodapé. O gênero se desdobrou e criou as bases do romance brasileiro. A revolução mexicana forneceu matéria narrativa para os folhetinistas fazerem “o México inteiro desfilar” nas páginas de seus folhetins. Verificamos que os países onde a crônica jornalística e o romance-folhetim mais se desenvolveram foram também os que mais desenvolveram a radionovela e telenovela. Caso da Argentina, do Brasil, do México etc. Deveríamos acrescentar também a Colômbia; segundo Martín-Barbero (2010) ali eram feitas telenovelas de alta qualidade no começo, tendo decaído tempos depois quando se deixou de sistematizar o espaço e o tempo nesse tipo de teledramaturgia. Histórias nas quais o espectador não sabe em que tempo está se passando a trama, nem em que lugar, fizeram com que as telenovelas colombianas se tornassem primárias. Acreditamos que nessa etapa de produção mais voltada às necessidades comerciais, ela tenha perdido muito da herança dos folhetins.

Haveria mais aspectos interessantes para pesquisar sobre o romance-folhetim, tentando estabelecer uma conexão entre o Brasil e os demais países latino-americanos. Um deles, que poderá ser desdobrado em outro momento, será a produção das mulheres escritoras de folhetim. No Brasil houve várias mulheres escritoras de folhetim como mostra (MEYER, 2005). No Peru, descobrimos mulheres que não só escreviam folhetins, mas fundavam e dirigiam jornais nos quais os publicavam. É o caso de Clorinda Matto de Turner, escritora de Cuzco, autora do romance-folhetim Aves sin nido. Clorinda acabou vindo exilada morar no Rio de Janeiro após ser perseguida pelo governo e ter o seu jornal fechado. Bustamante (2005) mostra como os críticos que a acusaram de ter muitos defeitos em seu romance, não entendiam que ela usava expedientes técnicos das narrativas folhetinescas para se comunicar com as classes mais populares do país. Um estilo jornalístico/literário que lhe garantiu o êxito.

A modernização da narrativa mexicana pela mediação do jornal com seus folhetins e crônicas também pode ser melhor investigada em desdobramentos futuros da pesquisa. Vimos como os primeiros anos de cinema no México podem ser reconstituídos através das crônicas de cinema publicadas entre 1894 e 1900, momento de grandes transformações, no qual encontramos os cronistas em plena atividade.

A investigação sobre o folhetim na Argentina e sua contribuição para a fundação do teatro argentino ao se unir com o circo criollo nos fez deparar com o sainete, essa forma de

peça teatral curta, de apenas um ato que já vinha unida ao melodrama quando chegou na América Latina. Descobrimos que Arthur de Azevedo escrevia sainetes que eram representados nos teatros do Rio de Janeiro. Machado de Assis, quando era mais jovem, escrevia folhetos poéticos para serem apresentados no teatro, os quais podem ser considerados como uma forma de sainete. Um deles, escrito em forma de verso, foi inspirado no folhetim

Os mistérios de Paris, de Eugène Sue. Um músico de prestígio, amigo de Machado, o

musicou e o levou em forma de ópera ao teatro do Rio de Janeiro. O poema ou a música não agradaram aos ouvidos do público exigente, que preferia as óperas italianas. Machado teria abandonado a escritura desses folhetos depois que se consagra como romancista e se retira da coluna do jornal, onde será substituído por Olavo Bilac. A comparação entre os dois países suscitou-nos a seguinte hipótese. Teria o sainete brasileiro escrito por Machado, Arthur de Azevedo e outros se desdobrado em alguma outra forma de drama? Teria fracassado porque era levado ao teatro frequentado por uma elite mais interessada na cultura europeia de exportação do momento, ao passo que na Argentina o sainete encontrou seu público no circo, onde se mesclou com o folhetim: gaúchos e imigrantes pobres, migrando depois do circo para o rádio e criando o radioteatro? Este é mais um percurso de pesquisa cuja entrada o nosso trabalho apenas vislumbra, mas que, se percorrido, poderá revelar muitas coisas sobre os desdobramentos do sainete. Principalmente no teatro de revista de Arthur de Azevedo haveremos de encontrar algum desdobramento do sainete. A crítica genética, ou a crítica de processo, como propõe Salles (2009), ofecerece-nos um caminho de investigação que nos levaria à busca e à análise dos folhetos do dramaturgo que não tiveram êxito, que não fazem parte da sua biografia. A análise do processo de construção dessa dramaturgia, vendo aquelas mínimas partes que ficaram nas bordas, como propões Jerusa Pires (2010) nos revelará muito dessa conjunção de códigos, linguagens e materiais.

Vimos como na América Latina o processo de migração de um gênero para o outro resulta, quase sempre, numa combinação de elementos do velho e do novo. Um dos exemplos mais notáveis que pudemos encontrar é o conto breve. A América Latina não inventou o

conto, mas criou – ou recriou – uma forma de narrar com tensão e carga poética concentrada. Na metáfora do boxe usada por Cortázar (1993) para o efeito literário, o romance ganha do leitor por pontos, enquanto um conto breve ganha sempre por Nok-out, quando é bem elaborado. A Europa não desenvolveu o conto breve porque não manteve a mesma relação com a imprensa que os latino-americanos mantiveram, tanto escritores como leitores de jornais. A Europa teria conservado o livro como destino da alta literatura e relegado a escritura da imprensa jornalística ao plano de ordem menor, descartável, sem valor artístico, realizada por escritores assalariados etc.

A crônica e o conto breve publicados no jornal encontraram na América Latina um ambiente favorável para a sua recepção e interação. A América Latina não se opôs ao livro, mas o jornal favoreceu a circulação desses textos mais entre os leitores. Como mostra Pinheiro o jornal impresso “situa-se num espaço concreto de relações culturais e por ser portátil, maleável, tátil às exigências do dedo e do corpo” encontrou no continente um ambiente propício à sua implantação e circulação, “afora congregar sistemas de idéias e de poder” (PINHEIRO, 2004, p. 17 ).

A análise dos desdobramentos dos gêneros com a aglutinação de novos códigos e linguagens, incidindo em novos objetos e novos suportes, nos levou à consideração dos romances caleidoscópicos latino-americanos e sua relação com o corpo-gráfico dos jornais. Fato constatado é que todos os escritores desses romances tiveram uma relação muito intensa com a imprensa jornalística. Todos eles foram jornalistas escritores ou escritores jornalistas, ou colaboradores de jornal em alguma etapa da vida deles. Os romances caleidoscópicos se inserem na veia neobarroca do continente e podemos dizer que são obras não clássicas, aquelas que se voltam para fora, que se relacionam, religam o ambiente externo circundante com o interior da obra, como vimos no quarto capítulo. O mais difícil de entender é que essas obras não são anticlássicas por serem não clássicas. O mundo clássico também aparece nelas, mas em forma de montagem na qual se fricciona com o popular. A crônica jornalística, o conto breve nascido no jornal, o livro fragmento que põe em dúvida não só o gênero romance, mas o próprio objeto livro, o jornal que funda uma literatura são práticas de um pensamento em constantes conexões, nas palavras de Boaventura de Sousa Santos são experiências desperdiçadas:

Proponho uma racionalidade cosmopolita que, nesta fase de transição, terá de seguir a trajetória inversa: expandir o presente e contrair o futuro. Só assim será possível criar o espaço-tempo necessário para conhecer e valorizar a inesgotável experiência social que está em curso no mundo de hoje. Por outras palavras, só assim será possível evitar o gigantesco

desperdício da experiência de que sofremos hoje em dia. Para expandir o presente, proponho uma sociologia das ausência; para construir o futuro, uma sociologia das emergências.Dado que, como propõe Prigogine (1977) e Wallerstein (1999), as sociedades vivem uma situação de bifurcação, a imersa diversidade de experiências sociais reveladas por estes processos não pode ser explicada adequadamente por uma teoria geral. Em vez de uma teoria geral, proponho o trabalho de tradução, um procedimento capaz de criar uma inteligibilidade mútua entre experiências possíveis e disponíveis sem destruir a sua identidade (SANTOS, 2006, 95).

Vemos como Sousa Santos – que propõe ideias tão interessantes para o convívio a partir da tradução, práticas comuns das comunidades mestiças – termina um bom parágrafo recaindo na ideia de preservação de identidade. Terminamos com a sensação que ele nos oferece a metade de um caminho.

Ao planejarmos o percurso de pesquisa sobre as práticas e as experiências, no princípio pensamos em abordar somente a relação do jornal com o livro, a diagramação dos jornais migrando para a diagramação das páginas dos livros. Interessava-nos as muitas vozes que falam nos jornais e nesses livros, mas encontramos situações nas quais a presença icônica não tinha apenas a função de ilustrar, indo muito além disso. Uma coisa é um livro ilustrado, outra é um livro onde as imagens estão a serviço de sequências narrativas não verbais, que devem fazer jogo de interação com sequências verbais, como ocorre em Tres tristes tigres e Libro de Manuel ou Último round, por exemplo. O desdobramento das pesquisas referente a

esse capítulo nos levou a considerar que não apenas o jornal foi trazido para dentro desses livros, como também outros elementos tais como o music hall, a canção popular, o rádio, o folhetim, o melodrama, o telégrafo, a fotografia, a pintura, o cinema etc., o que nos permitiu perceber que eles promoveram ou promovem uma aglutinação e uma ampliação dos ambientes midiáticos.

No quinto e último capítulo nos propusemos a fazer apenas uma menção aos textos digitais para demonstrar como a composição em mosaico do hipertexto já estava dada nos livros impressos como os romances caleidoscópicos latino-americanos. A experimentação narrativa em Rayuela já trazia a proposta de navegação que fazemos hoje nas páginas da

internet. Para exemplificar com uma produção digital, escolhemos El Libro Total, pela

possibilidade de comparações que oferece com a composição em mosaico dos livros impressos mais experimentais, com outras possibilidades, não sendo tátil e nem portátil como é um volume impresso.

A mobilidade em mosaico do jornalismo impresso, a montagem dos romances caleidoscópicos foram possibilitadas pela tendência à montagem cubista que predomina na forma de produzir cultura da América Latina. Como diz Pinheiro (2004, p. 17) “este

continente possui uma sorte de montagem sintática” e, adaptando Zumtor (2004), própria das “culturas em ritmo rápido”, que torna as suas comunidades “aptas para incorporar os agregados metonímicos provenientes dos mais diversos códigos e linguagens” (PINHEIRO, 2004, p. 17).

O espaço geográfico denominado América Latina congrega países diferentes entre si quanto aos sistemas políticos, ao tamanho geográfico, à economia etc. Mas vemos como possuem comunidades muito semelhantes quanto à atitude incorporadora de materiais, códigos e linguagens, simples ou complexos, oriundos de todas as culturas com as quais se entra em contato, que são ressignificados no processo de montagem, e remontagem. Por isso foi possível a transformação do jornal em livro e do livro em jornal, criando objetos híbridos de ambos. Dadas as características dessas comunidades mestiças, nômades, solares, e do aberto, foi possível que o jornal mediasse a literatura. E que uma literatura de cunho popular