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Mesmo enquanto estava envolvido com a produção de filmes da Sincrocinex, Luiz de Barros realizou trabalhos pontuais como cenógrafo em companhias teatrais e dirigiu espetáculos de variedades em São Paulo. Em agosto de 1931 o realizador decidiu montar uma nova companhia teatral, a qual nomeou de Conjunto de Fantasias Modernas Via Láctea. A proposta da Via Láctea é explicada em nota:

Não será uma companhia de revistas, nem de comédias. Realização moderna. Inspirada no que Luiz de Barros tem visto de interessante nos palcos europeus e norte-americanos, ou através do cinema, “Via Láctea” tem mais de cinema do que de teatro.

Tudo quanto o cinema falado tem apresentado de lindo desfilará pela “boite” da rua Boa Vista, sob temas inéditos, com muita coisa local para interessar o público de S. Paulo... (Diário Nacional, 20 ago 1931, p. 2).

Luiz de Barros utilizava o sucesso dos filmes musicais que chegavam aos cinemas paulistas para idealizar um tipo de espetáculo focado nas fantasias, no cenário colorido e nas

girls, e que tinha como alvo um público familiar (Diário Nacional, 3 set 1931, p. 2).

A peça de estreia, Sorrisos de mulher (Luiz de Barros), foi apresentada pela primeira vez no teatro Boa Vista, em 5 de setembro, e era dividida em quadros. O elenco contava com Otília Amorim e Nino Nello, ator que interpretava o tipo italiano em diversas peças e revistas paulistas, entre outros artistas.

A segunda peça da Via Láctea foi Settas de cupido, apresentada em novo local, o Cassino Antarctica, também em São Paulo. A peça possui um enredo de romance, em que um poeta quer se suicidar por amor. Seu tio, que é um coronel, e um boticário, vindos do interior, tentam impedir que o rapaz se mate, e o levam para a roça. O coronel apresenta o rapaz a Maria e os dois acabam se apaixonando. Em meio a esse “fio condutor” são apresentados esquetes sem nenhuma relação, canções e bailados, ensaiados por Nemanoff30.

Às vésperas da estreia de Golfinho, em 28 de setembro, a companhia desaparece dos jornais. Luiz de Barros conta que a Via Láctea foi encerrada por que o empresário responsável pela companhia foi preso por conta de outros negócios (BARROS, 1978, p. 111).

No início de 1932, Luiz de Barros volta ao Rio de Janeiro para ser o gerente do Alhambra Diversões, novo empreendimento ainda em construção de Francisco Serrador na Cinelândia, que contaria com espetáculos de cinema e teatro, rinque de patinação, entre outros tipos de entretenimento. Os primeiros grandes eventos do Alhambra foram bailes de carnaval com decoração e organização de Luiz de Barros, o primeiro deles em 6 de fevereiro de 1932. A abertura da casa ocorreu no dia 4 de fevereiro com o rinque de patinação, porém os bailes de carnaval foram divulgados pela imprensa como sendo a inauguração do Alhambra Diversões. A inauguração como cineteatro e as primeiras exibições de filmes, porém, ocorrem apenas em 29 de abril de 1932. Luiz de Barros permanece como gerente do Alhambra pelo menos até junho de 1932 (Diário da Noite, 7 jun 1932, p. 4).

Em setembro de 1932, o empresário teatral Manoel Pinto inaugurava o Moinho Vermelho no Teatro República. Nas palavras de Delson Antunes os moinhos “eram casas em que se apresentavam revuettes - pequenos espetáculos de variedades, rápidos, fugazes, intercalados por números licenciosos, que contagiaram as plateias populares do Rio de Janeiro”, cujo “principal atrativo era o show de strip-tease” (ANTUNES, 2002, p. 83), apesar de contar também com bons atores cômicos, como Manuelino Teixeira. Luiz de Barros

desempenhou a função de diretor artístico do Moinho Vermelho. A peça de estreia foi

Amorzinho, uma “revista brejeira” de Gordo e Magro, pseudônimos dos autores. Seguiram-se

peças com títulos como: Tira...vira, Frango assado, Pega aqui e Nu e cru. Em dezembro do mesmo ano a Companhia vai para São Paulo, apresentando-se inicialmente em espetáculos não impróprios para menores, sob o nome de Grande Companhia Internacional de Revistas Brejeiras Montparnasse, no Teatro Sant‟Anna; e, a partir de 26 de dezembro, no Teatro Recreio de São Paulo, como Moinho Vermelho e com espetáculos somente para maiores. Luiz de Barros permanece como diretor até o fim da temporada em São Paulo, em 16 de janeiro de 1933. Uma curiosidade da passagem por São Paulo é a revista Arrasta a sandália, onde seriam “lançados os sambas de maior sucesso agora no Rio” (Folha da Manhã, 15 jan 1933, p. 21).

Novamente no Rio de Janeiro, Luiz de Barros rapidamente se organiza para montar uma nova companhia teatral: a Uiara. Anunciada como uma companhia de “estilização do folclore”, a Uiara pretendia, “em uma sucessão de quadros altamente artísticos, fazer desfilar, em ambientes estilizados em sedas e lamês, todas as nossas canções, as nossas lendas e os nossos costumes” (Diário da Noite, 21 mar 1933, p. 5). Luiz de Barros era o diretor artístico. A peça de estreia foi encenada pela primeira vez no Teatro Cassino, em 30 de março de 1933.

Felicidade é quase nada, de Gilberto de Andrade, trazia no elenco Manuelino Teixeira, Laura

Suarez, Roberto Vilmar, Zezé Fonseca, entre outros. Depois de três peças (as duas seguintes de autoria de Luiz de Barros e Gilberto de Andrade), provavelmente sem sucesso, como afirma o jornal Diário da Noite (18 maio 1933, p. 5), a companhia muda de gênero e apresenta a “revista-fantasia” Linda morena, de Carlos Bittencourt e Nelson Abreu, em 17 de maio. A revista conta também com o reforço de alguns artistas conhecidos em espetáculos do gênero, como Grijó Sobrinho. A orquestra era comandada por Lamartine Babo e apresentava algumas de suas músicas. Entretanto, poucos dias depois a companhia foi dissolvida (Diário

da Noite, 23 maio 1933, p. 5).

A “Companhia de Revistas Parisienses” foi montada em setembro de 1933, pela Empresa Luiz Galvão, no teatro Rialto. A direção artística foi entregue a Luiz de Barros, que se encarregou da revista de estreia Mossoró, minha nega, de Marques Porto e Ary Barroso, com Mesquitinha e Alda Garrido liderando o elenco, além dos números de dança com Alice Spletzer e suas girls. A segunda peça da Companhia foi Cavando ouro (Gilberto de Andrade e R. Magalhães), estreada em 29 de setembro de 1933, cujo destaque foi a parte cômica, característica da companhia (Correio da Manhã, 30 set 1933, p. 5). Em 26 de outubro do mesmo ano a Companhia de Revistas Parisienses interrompe suas apresentações e se prepara

para uma temporada em Minas Gerais (Diário da Noite, 26 out 1933, p. 7). Provavelmente Luiz de Barros não acompanhou a Companhia, pois logo seu nome apareceria envolvido em outro trabalho, como veremos a seguir.