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Devido às suas características o RNP é um cliente em potencial à internação na Unidade de Cuidado Intensivo Neonatal que, devido ao número elevado de pessoas e equipamentos, é considerado um ambiente altamente ruidoso e de risco em relação ao ambiente intra-uterino (ICHISATO, 2004).

Um ambiente hospitalar com níveis aceitáveis de ruído favorece a recuperação mais rápida do paciente e pode beneficiar a equipe que lhe presta cuidados, diminuindo o estresse, o cansaço e otimizando a sua capacidade laborativa (KAKEHASHI et al., 2007).

Durante o desenvolvimento do recém-nascido no útero, ele se encontra dormindo na maior parte do tempo, sendo esse sono raramente interrompido. O mesmo não ocorre com o recém-nascido dormindo numa Unidade de Cuidado Intensivo neonatal, pois, seu sono é interrompido, em média, 132 vezes em 86400 s (24 horas) (LEVY, et al., 2003).

A maioria dos recém-nascidos apresenta sensibilidade ao ambiente da Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal; respostas adversas à luz, ao ruído, e ao manuseio de rotina foram bem documentadas. Os cuidados de apoio dos pais, para os recém-nascidos, são de fundamental importância para otimizar o seu desenvolvimento. A iluminação individual de cabeceira é preferível à iluminação forte sobre a cabeça. O nível de ruído pode ser reduzido criando-se um espaço para admissões e procedimentos especiais, abafando-se os sons de equipamentos como telefones e alarmes de monitor e orientando-se a equipe clínica e os visitantes sobre as respostas do recém-nascido aos altos níveis de ruído (CLOHERTY & STARK, 2000).

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ruídos que são produzidos por ventiladores, IN, monitores, alarmes, aspiradores de secreção, saídas de oxigênio e ar comprimido, telefones, diálogos estabelecidos entre os profissionais e familiares que podem comprometer o bem-estar do recém-nascido e prejudicar seu desenvolvimento. São considerados ruídos, os sons desorganizados e em freqüências fisiologicamente incompatíveis com o ouvido humano, que podem produzir lesões físicas, alterações psíquicas e comportamentais. Os ruídos ambientais normalmente são incidentais, não escolhidos e existe sem o controle de volume, duração, localização ou das relações causa/efeito (KAKEHASHI et al., 2007). O RNP exposto a altos níveis de ruído pode sofrer dano sensório neural, estresse e distúrbios de linguagem ou auditivos (AVERY, 1999).

Os RNP na Unidade de Cuidado Intensivo neonatal são expostos, freqüentemente, ao ruído alto contínuo. Esta estimulação auditiva adicional gera respostas fisiológicas negativas, tais como, aumento das freqüências cardíacas e respiratórias e diminuição da saturação de oxigênio. Mudanças na Unidade de Cuidado Intensivo neonatal para reduzir níveis de ruído proporcionará um ambiente mais favorável à maturação e a recuperação às doenças. As intervenções incluem instalar os materiais absorventes do som e minimizar conversações da equipe de funcionários (BREMMER et al., 2003).

O excesso de ruído provoca danos severos e mudanças no comportamento e no status psicológico dos recém-nascidos (ABRIL et al., 2007). A Academia Americana de Pediatria sugere que os níveis de ruído dentro das IN não devem exceder 45 dBA (BELLIENE et al., 2003).

A Associação Americana de Pediatria (1997) recomenda que o nível de ruído em Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal deve ser de 55 dBA durante o dia e de 35 dBA durante a noite. Na realidade esses níveis estão entre 50 dBA e 88 dBA, equivalente ao ruído de um motor de ônibus. Os níveis de ruído entre 70 dBA e 80 dBA podem causar problemas como apnéia, bradicardia e hipertensão. Podem provocar, também, alterações psicológicas como irritabilidade, sono e estresse (MANOEL, 2000).

As atividades normais na Unidade de Cuidado Intensivo neonatal incluindo os alarmes que soam, as portas da IN que abrem e que se fecham, as pessoas que batem nas IN e, as cadeiras que arrastam nos assoalhos geram níveis de ruído de 65 a 90 dB, enquanto, os motores da IN operando geram ruídos que variam de 74,2 dB a 79,9 dB (LEVY, et al., 2003).

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fechado onde ocorrem os fenômenos de vibração, reverberação e amplificação devido ao motor, a pouca absorvência do material de que é constituída e ao longo período de internação dos recém-nascidos (DIAS & AFONSO, 2000).

Portanto, o aumento das freqüências cardíacas e respiratórias gera aumento do consumo de oxigênio e exigências calóricas, de forma que, um recém-nascido doente que experimente freqüentemente o estresse ambiental terá poucas calorias disponíveis para o crescimento. Se a estimulação ao estresse continuar sem interrupções, o aumento inicial das freqüências cardíacas e respiratórias cessará e o recém-nascido tornar-se-á apnéico e bradicardíaco (BREMMER et al., 2003).

Cada ano, aproximadamente 1 milhão de recém-nascidos em desenvolvimento no mundo morrem devido às complicações da prematuridade. Estas mortes são devidas à perda de calor e à desidratação podendo ser evitadas por meio de uma IN (LOKUGE et al., 2002).

Os RNP de muito baixo peso de nascimento requerem um ambiente aquecido para sobreviver devido a uma combinação de perdas de calor aumentadas, e da produção térmica reduzida (WEINTRAUB et al., 2007). Para a sobrevivência do RNP são fatores fundamentais a prevenção da perda de calor e a promoção da estabilidade térmica (NARENDRAN & HOATH,1999).

A partir de estudos realizados por Silverman et al., (1964) constatou-se a importância da temperatura e da umidade relativa do ar na IN como fatores que favorecem o aumento da taxa de sobrevivência do recém-nascido. Concluíram que RNP tratados em IN com altos índices de umidade relativa possuíam maiores taxas de sobrevivência que aqueles tratados em IN com baixos índices de umidade relativa. Esses resultados foram obtidos para diferentes temperaturas (FANAROFF & KLAUS, 1995).

Quando a temperatura do corpo do recém-nascido é mantida constante, as mudanças na umidade do ar não modificam o estado do sono, a mobilidade do corpo e as freqüências cardíacas e respiratórias dos recém-nascidos. Para a temperatura do ar da IN constante, o aumento na umidade do ar reduz a diferença de pressão parcial do vapor de água entre a pele e o ar (TELLIEZ et al., 2001).

As perdas de água pelos recém-nascidos, com 25 semanas de gestação, tratados em ambiente com umidade relativa em 20%, excedem 2x10-4m3/kg/dia (200 ml/kg/dia) (DUCKER & MARSHALL, 1995). O aumento da umidade relativa no interior da IN reduziu a perda de água pela pele do recém-nascido com menos de 30 semanas de gestação

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e contribuiu para a manutenção da sua temperatura corporal (HARPIN & RUTTER, 1985). As condições clínicas dos RNP requerem atenção especial em decorrência das suas dificuldades para sobreviver, exigindo assim, cuidados intensivos. O alto índice de mortalidade entre eles se tornou um grave problema para a saúde pública e, ainda, são graves as conseqüências sociais associadas ao risco de abandono provocado pelo longo tempo de afastamento entre mãe e filho e o elevado custo financeiro para os cuidados com a saúde desses pacientes. Esses recém-nascidos devem ser mantidos em ambiente termoneutro, no qual, consomem o mínimo de calorias e oxigênio, apresentando uma menor taxa metabólica para manter a temperatura corporal estável (OLIVEIRA, 2007; BRASIL, 2002b).