Na literatura são vários os autores que ocupam-se em estudar as gerações tecnológicas da EaD, como por exemplo, Anderson e Elloumi (2004), Garrison (1985, citado em Gomes, 2004), Gomes (2008), Taylor (1995), entre outros. Contudo, percebemos que não há um consenso quanto ao número específico de gerações.
Anderson e Elloumi (2004) e Garrison (1985, citado em Gomes, 2004) afirmam a existência de 3 gerações. Taylor (1985) por sua vez, evidencia a ocorrência de 5 gerações e por fim, Gomes (2008) menciona em seus estudos a existência de 6 gerações. A concepção de Gomes (2008) reside no fato acerca de suas reflexões individuais, somada às inovações tecnológicas que, a seu ver, tem contribuído para perspetivar uma comunicação e colaboração suportada em rede, permitindo a publicação e compartilhamento de inúmeros recursos influenciando as práticas no contexto da EaD.
Afirmação esta, que corroboramos na íntegra e que pensamos justificar a nossa opção em adotá-la no presente estudo. Contudo, sempre que necessário buscaremos contributos de outros autores como forma de enriquecer a presente investigação.
De acordo com Gomes (2008), atualmente, a EaD é composta por 6 gerações tecnológicas a referir: i) Ensino por Correspondência; ii) Tele-Ensino; iii) Multimédia; iv) E-Learning; v) M-Learning e vi) Mundos virtuais, os quais discorremos sobre cada uma delas nos parágrafos que seguem.
i) Primeira geração – Ensino por Correspondência
Esta primeira geração tecnológica de EaD corresponde efetivamente aos primórdios da educação a distância. Essa é a geração do ensino por correspondência como anunciam diversos autores, dos quais destacamos Garrison (1985, citado em Gomes, 2004), Gomes (2003, 2008), Maia e Mattar (2007), Santos (2010), Torres e Fialho (2009), entre outros. Por sua vez, Nipper (1989, citado em Gomes, 2008) evidencia que a primeira geração, por correspondência, ocorreu ao final do século XIX com o desenvolvimento da imprensa e dos trilhos de ferro. Esta primeira geração da educação a distância foi caracterizada de mono-media (Gomes, 2008), onde a comunicação entre professores e alunos, e destes entre si, era realizada de modo bastante reduzido. Ocorrendo assim, neste modo de comunicação assíncrono, a questão de “um
grande desfasamento temporal entre o envio da mensagem e a recepção do feedback à mesma” (Gomes, 2008, p. 187).
ii) Segunda geração – Tele-Ensino
Surgiu por volta de 1960 e foi caracterizada pelo recurso a múltiplos media (ou seja multi-mediática) de representação dos conteúdos, recorrendo ao texto, som, imagem estática e imagem vídeo. Razão pela qual esta fase foi denominada como a geração de “múltiplos media”, sem no entanto fazer uso de computadores (Belloni, 2008; Gomes, 2003; Santos, 2010). Caracteriza-se pelo recurso às fitas de vídeo, fax, emissões radiofônicas e televisivas. O aparelho telefônico torna-se uma alternativa ante à comunicação via correio postal. Ainda nessa fase, deu-se o surgimento de instituições de ensino a distância, notadamente na Inglaterra e em diversos lugares do mundo (Nunes, 2009).
iii) Terceira geração – Multimédia
Segundo Belloni (2008), Maia e Mattar (2007), Santos (2010) e Gomes (2008), esta geração surgiu a partir de 1985 a 1995 e foi caracterizada pelo uso recorrente do correio eletrônico, papel impresso, DVD, computador, Internet, sessões de chat e videoconferência. Por sua vez, Torres e Fialho (2009) caracterizam esta geração de EaD constituída pelos ambientes virtuais de aprendizagem. Os referidos autores ratificam que esta geração foi ocasionada pelo desenvolvimento, “no final da década de 1990, da fibra ótica, usada nos sistemas de comunicação, que permitiu a transmissão interativa, em tempo real, com alta resolução de imagem e alta qualidade sonora” (Torres & Fialho, 2009, p.457), concluindo que o uso das TIC na EaD proporciona um “aprendizado colaborativo online”.
iv) Quarta geração – E- Learning
Também designada de geração da aprendizagem em rede, segundo a concepção de autores como Gomes (2003, 2008) e Lima e Capitão (2003). Inicialmente o e-learning “desenvolveu-se a partir de necessidades de empresas relacionadas com o treinamento de seus funcionários” (Almeida, 2003, p. 332), adotando competências através da interação e colaboração para com os alunos (Almeida, 2003; Lima & Capitão, 2003). Em contrapartida, Romiszowski (2009) sustenta que o e-learning refere-se como um marco
histórico mais extenso que esta própria denominação, sendo anteriormente denominado pelos estudiosos e programadores como comunicação mediada por computador – CMC.
Na opinião de Peres e Pimenta (2011) a aprendizagem mediada por computador denomina-se eletrônica ou a distância. Neste contexto, a Internet e os multimédias surgem como ferramentas importantes para auxiliar na disponibilização de recursos para a mediação do ensino e aprendizagem, sem delimitação de tempo, hora ou lugar. Por possibilitar trabalhar digitalmente, Clark e Mayer (2011, p.8) o definem “as instruction delivered on a digital device such as a computer or mobile device that is intended to support learning”. Assim, utilizam-se de múltiplas tecnologias, da Internet, Intranet, e também das aulas disponíveis no formato CD-ROM, sons e imagens para auxiliar a aprendizagem. Os autores afirmam que a tecnologia digital continua a evoluir de modo veloz, oferecendo-nos múltiplos recursos para o ensino e aprendizagem.
v) Quinta geração – M-Learning
Surgiu face ao uso recorrente dos dispositivos móveis (Gomes, 2008) e é caracterizada pelas tecnologias de comunicação, dos telemóveis e de computadores pessoais de tecnologia avançada. Esta autora destaca que, de modo progressivo “vamos assistindo ao aumento potencial das potencialidades técnicas e de serviços disponíveis nos telefones móveis, com o surgimento da geração de telefones móveis com WAP (Wireless Application Protocol)” (Gomes, 2008, p.193).
vi) Sexta geração – Mundos virtuais
Esta geração caracteriza-se pela existência de mundos virtuais e imersivos (Gomes, 2008), permitindo a digitalização do real, simulada no ciberespaço. Nesse ponto, cabe-nos citar Maia e Mattar (2007) que evidenciam o surgimento da Web 3.0 ou Web semântica, que agrega recursos de inteligência artificial, facilitando a busca, a organização e interpretação das informações. Contudo, Lévy (1999) já previa essas incomensuráveis transformações nas formas de comunicação e inovação à luz do ciberespaço.
Como forma de resumir as gerações de EaD referenciadas acima, apresentamos um quadro resumo (ver quadro 1) dos estudos de Gomes (2008), no qual apresenta as principais características das 6 gerações tecnológicas já discorridas nos parágrafos anteriores.
Quadro 1: Síntese das principais características das diferentes gerações de educação a distância (Gomes, 2008, p.198).