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General Licence Conditions (GLCs) Included in Licence for IFE Kjeller, and Intended for Inclusion in other Licences under Nuclear Energy Act

L. Annexes

L.3. General Licence Conditions (GLCs) Included in Licence for IFE Kjeller, and Intended for Inclusion in other Licences under Nuclear Energy Act

R – Porque há necessidade de existir um local específico no apoio ao imigrante? E6 - Na minha opinião?

R – Sim.

E6 - Na minha opinião porque é que eu acho que é importante…ah…somente porque uma pessoa imigrante está, está longe da sua, das suas origens, não é, é importante existir pelo menos um local de referencia em que ele saiba que pode contar com este apoio e que se sinta apoiado muitas vezes o que pode acontecer é ele não estar informado acerca dos direitos e do suporte que pode ter nesse país e nós somos cidadãos do Mundo portanto, na minha opinião somos cidadãos do mundo portanto, cada sitio onde nós vamos, sei lá, saímos do nosso país sabemos que há um sitio onde podemos ter informação, ter apoio e vamos nos sentir em casa, acho que isso.. Sentirmo-nos acolhidos, acho que é no sentido de acolhimento num país diferente e que é estranho, acho que é muito importante haver um local, um sítio onde essas pessoas podem recorrer quando têm algum problema.

R – Qual é o perfil do utente da UAVIDRE?

E6 – Sou sincera, eu não tenho muito bem a noção. Um perfil em que aspecto? Só para me organizar…

R – Por exemplo na tua área…se existe um perfil…

E6 - Ah, ok pronto. Assim geral, não é. Pois eu ainda não fiz nenhum atendimento, porque motivos externos, exteriores não houve nenhuma oportunidade, portanto tinha duas pessoas para acompanhar, mas que depois faltavam. Ainda não surgiu ainda a oportunidade para eu acompanhar logo, se eu não tenho a experiência também não consigo pensar e reflectir sobre o perfil do utente neste caso no UAVIDRE. Acho que passa muito por aí também, porque apesar das coisas que eu posso ler e dos conhecimentos que possamos ter acho que se não passarmos, se não sentirmos na pele, se não passarmos pela experiência os conhecimentos não são nada, não valem nada, não se tornam sólidos. Portanto, eu essa pergunta não consigo ter uma res…essa pergunta não consigo ter uma resposta assim, pelo menos pela minha experiência que é um bocado limitada ainda.

R – E a nível de gabinete, de apoio emocional, acho que tens participado ao menos…assistes a atendimentos?

E6 – Assisto mas, mas assisti a poucos porque nos dias em que venho cá ou não há nada, não há nenhum atendimento para fazer, não aparece ninguém para ser apoiado, salvo erro já assisti só a três atendimentos, três, trêss…sim três, um dos quais não era uma senhora imigrante, era uma senhora de idade e dois…

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R – E qual é o papel do utente no processo de atendimento?

E6 – Papel do utente…ah…na minha opinião a pessoa que nos aparece à frente pelo facto de ter vindo ter connosco já mostra alguma actividade, já tem um papel activo, não é. Depois claro é muito difícil desmontar tudo aquilo que ela estava habituada, digamos assim por exemplo, caso das mulheres vítimas de violência doméstica. Sujeitaram-se anos e anos, não é e desmontar isso com ela é difícil porque é uma habituação, no fundo é uma habituação a que a pessoa esteve sujeita, então é, por mais que ela esteja a ser activa há sempre o outro lado, penso eu…e é o percurso que nós queremos que a mulher ou para a pessoa que é vítima sair.

R- Quais as características que um bom voluntário/ colaborador da UAVIDRE deve ter?

E6 – Primeiro eu acho que se deve sentir bem com ele mesmo, acho que isso é muito importante, sentir-se bem com ele mesmo.

R – Ter tolerância à frustração, nesse sentido?

E6 – No geral, no geral acho, no geral acho que qualquer voluntário, qualquer pessoa em qualquer situação tem que se sentir bem com ela mesma e…

R – Mas no sentido de ser equilibrada?

E6 – Sentir-se bem com a própria vida, pronto, (imperceptível) isso é como em tudo. Neste caso especificamente acho que é ser uma pessoa com a mente aberta e despida de preconceito, acho que é das coisas mais importantes e ser capaz de vestir várias peles e não estar ali a julgar a pessoa ou então conseguir ver para além de um quadrado, acho eu, acho que é muito importante isso, nós conseguirmos imaginar as linhas…

R – Então a formação tem um papel muito importante? E6 – A formação do voluntário?

R - A formação académica, a formação pessoal e a formação que a própria instituição dá ao voluntário.

E6 – Sim, sim a formação, as experiências de vida e acho que sim, as experiências de vida também são muito importantes, podem condicionar a forma como vemos a outra pessoa. Lá está, nós temos que despir um pouco dessas representações que nós temos para conseguir olhar para a pessoa como ela é e não contaminar, não sei se fui clara ou se há alguma coisa que não percebeste.

R – Qual é a tua formação académica, há quanto tempo acabaste o curso? Há quanto tempo trabalha na área da imigração e há quanto tempo trabalhas, colaboras com a UAVIDRE?

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E6 - Eu tirei o curso em Julho de 2009, a minha formação é psicologia clínica da área da saúde e da doença, ou seja, foge um bocadinho ao âmbito da intervenção social e comunitária apesar de essa área ser uma área que me fascina muito e eu gosto e na altura em que eu tive que optar fiquei muito indecisa entre psicologia sistémica, entre a área comunitária e esta área da saúde, mas pronto optei pela área da saúde porque achei que é uma das áreas mais frágeis do nosso país e para mim ia-me dar uma grande satisfação especialmente ajudar pessoas em fase de doença grave e doença crónica ou em fase terminal também, acho que é uma área que é muito, muito importante porque quando nos falta a saúde…falta muita coisa e costuma-se dizer que quando há saúde há tudo e é verdade, então as pessoas sentem-se muito desamparadas nos hospitais, nas instituições de saúde e quantas vezes nós não fomos ao hospital e sentimos que fomos maltratados por um médico, um enfermeiro que nos deu uma resposta mais torta, num momento em que a morte nos passa pela cabeça, ou porque temos um familiar no hospital que pode morrer e nós vamos sentir essa perda pronto, acho que era a área com a qual me identificava muito e depois a área social, quando fiz o meu estágio pude constatar que muitas daquelas pessoas, que vão às instituições públicas de saúde, tem graves carências sociais e não se pode dissociar uma coisa da outra, ou seja, se a pessoa vai lá, intervir, vamos intervir com a pessoa em termos, ou seja, a intervenção deve ser direccionada para aquela problemática especifica da doença, não nos podemos esquecer do resto porque as coisas têm que andar de mãos juntas digamos assim, temos que talvez para a pessoa saber lidar com a doença tem que também resolver outras, outras áreas da vida dela e em relação à área de intervenção social tive oportunidade de vir para a APAV através do estágio PEJENE em 2009, terminei o curso e vim logo para cá, mas só que tive no Centro de Formação, estive no Centro de Formação de Julho a Setembro, Outubro (uma semana depois, numa conversa informal soube que fez um género de trabalho administrativo no Centro de Formação) e depois surgiu a oportunidade de vir para a UAVIDRE e foi o meu primeiro contacto com a imigração, da imigração e pronto, mas como ainda não tenho assim tantos casos, não tenho nenhum caso aliás (risos), tenho assim poucas, poucos atendimentos porque pronto são as circunstâncias, sinto que ainda tenho que consolidar mais a experiência, mais os conhecimentos. Eu acho que tem sido um processo lento porque também só posso vir uma vez por semana e também me tem despoletado para aprofundar ainda mais as coisas.

R – Tens outra actividade paralela?

E6 – Sim, sim, apesar de ser um bocado precária, mas sim e é na área da intervenção social, quer dizer não é bem intervenção social, mas é em bairros sociais. Portanto, lá está eu tinha que voltar…aquele meu gosto pela área de intervenção social porque não conseguia só

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viver com a área da saúde e da doença, tinha que ser. E também fiz uma pós-graduação em mediação familiar e esse gosto pela mediação familiar também surgiu um pouco por estar aqui na APAV, pelas problemáticas porque nós não temos só vítimas de violência doméstica, vimos também coisas muito graves de coisas que acontecem, coisas muito graves com as crianças e a mediação familiar para mim faz muito sentido. Conseguir, eu conseguir ter este leque de componentes é um bocado por ai.

R – Qual é a importância que atribuis ao trabalho que desenvolves na UAVIDRE? E6 – É assim, como eu ainda não tenho muitos atendimentos…ainda não fiz muitas consultas e essa questão das consultas terem sido desmarcadas claro que sinto um bocado de frustração e não nego que desmotiva um bocado, é normal, eu acho que é normal a pessoa desmotivar e sentir-se um bocado frustrada, mas pá eu tenho tido calma e paciência porque sei que as coisas depois podem melhorar e também o facto de a minha vida estar muito instável, lá está a questão de eu dizer que nos devemos sentir bem connosco mesmos, com nós próprios aliás. Eu sentir-me muito instável na minha vida profissional, porque é sempre de um lado para o outro e não tenho nada assim ainda muito certo, claro que isso também acaba por…

R – Se reflectir.

E6 – Sim e…no momento eu andava a adiar também. Eu dizia S. não queres fazer este atendimento ou já te sentes preparada para começares o apoio? Ainda não! Ainda não! Acho que chega um momento que uma pessoa precisa dizer não! Agora vai ter que ser porque eu acho que eu estou é a resistir, estou a resistir e estou aqui a pôr as resistências se calhar o melhor é eu entrar de cabeça e não pensar muito, não é. Mas depois o que aconteceu as pessoas também faltaram, eu preparei-me…

R – Se a maior dificuldade que sentes no teu trabalho é… é assumires essa grande responsabilidade de fazer um atendimento sozinho?

E6 – Sim, mas faz parte tipo como as coisas têm andado assim um pouco instáveis, tenho andado sempre, como é que hei-de dizer, deixar andar, ver como as coisas correm talvez por ai.

R – Quais as dificuldades que achas que um TAV (Técnico de Apoio à Vítima) encontra, com a partilha com os colegas, as experiências. Quais são as principais dificuldades?

E6 – Talvez um TAV que não tenha tanta experiência assim possa ter alguma dificuldade em perceber no momento exacto o que, o que é vai fazer com aquela pessoa. Talvez possa ser isso, possa sentir que está com aquela pessoa e agora ok, bloqueei, o que é que vou fazer, o que é que vou dizer pronto, e acho que com a experiência isso acaba por

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dissipar e as pessoas que têm mais experiência estão no patamar em cima, não é, obviamente estão num nível em que a segurança é maior, imagino que as dificuldades possam ter a ver, sei lá com…mais com os problemas ao nível de, da relação já estabelecida, isso no caso da minha área de formação por exemplo, ou seja, eu sou inexperiente vou-me preocupa com mais com questões que tenham a ver com, aí eu não sei, eu ainda não sei muito bem isto, o conhecimento não está muito consolidado, não sei esta lei, não sei aquilo, como é que eu posso dar resposta, como é que posso fornecer informação á pessoa, o que é que eu posso dizer agora, se calhar uma pessoa que já esteja num nível superior possa deparar-se com as dificuldades do género, eu senti que esta pessoa não está a dizer a verdade, como é que eu vou lidar com isto, já são coisas dessa natureza, coisas assim mais complexas. Se calhar eu neste momento mais inexperiente vou sentir dificuldade em coisas mais básicas, é como em tudo, a pessoa tem que primeiro satisfazer aquelas necessidades mais básicas para depois conseguir subir ao nível superior, mas…

R – Que impacto achas que o trabalho da UAVIDRE tenha na vida do utente?

E6 – É assim, como, como eu ainda não tive, não fiz, não dei consultas não é, não fiz atendimentos não sei qual é o feedback das pessoas, mas pelo que pude observar dos atendimentos que assisti, que foram dois de pessoas imigrantes, nota-se pela cara das pessoas, não sei se sou eu que estou a interpretar ou não, ouvi coisas delas lindíssimas, nota-se pela cara das pessoas que elas se sentem compreendidas e que têm um sitio que elas sabem que podem contar e que não vão estar aqui a julga-las e que elas podem abrir o livro, claro que com as resistências normais, não é, mas pelo menos naquilo que elas quiserem falar elas podem falar e acho que tem, tem sido um pouco isso, elas podem entrar a chorar e conseguem sair a sorrir, acho que é isso.

R – Quais os projectos que se encontram em acção na UAVIDRE?

E6- Os projectos que tenho conhecimento e que eu assim me recorde tem a ver com o apoio ao turista, tem a ver também com a mutilação genital feminina, acho que esses são os dois….são… acho que são os dois grandes projectos, mas eu acho que havia mais outro, sei que é os turistas e a mutilação, depois havia a outro que não me recordo, mas porque tem sido estes que nós temos falado mais.

R - E qual é o papel dos técnicos nos projectos?

E6 – Ah…portanto…ah, pelo aquilo que percebi, tem portanto que se fazer portanto um projecto, com todas aquelas, com todas aquelas critérios, pronto e depois é indo falando com entidades que possam patrocinar ou que possam fazer parceria, basicamente é dar a cara pelo projecto e organizar as coisas da melhor maneira, não sei…

124 R – Conheces os principais parceiros?

E6 – Ah não, isso por acaso não sei.