• No results found

General laws and specific ll, ational conditions

In document The demise of the Brezhnev doctrine (sider 23-26)

A E4 referiu que o Projeto de Aprendizagem Cooperativa tinha como

principal objetivo o sucesso dos alunos, porém frisou que se pretendia igualmente “…a melhoria da qualidade do ensino, (…) o combate ao abandono escolar, ao

absentismo e também (…) implementar outras estratégias que (…) conduzam

precisamente a esse sucesso dos alunos e, também, do grupo docente.” Com esta sua

última observação fez recair a ênfase na necessidade do professor experimentar novas metodologias renovando, assim, a sua prática docente.

O projeto de Aprendizagem Cooperativa, como já foi referido anteriormente, surgiu enquadrado pelo regime jurídico da autonomia de escolas que fomenta a implementação de projetos (ver anexo 5 - Decreto-Lei nº 43-89 de 3 de fevereiro), tendo a Escola do 2.º e 3.º Ciclos do Caniço que apresentar à SRE resultados que justifiquem o investimento que é feito pela tutela e pela própria escola para manter o projeto em funcionamento.

O projeto foi inicialmente implementado no 3.º ciclo e após esta experiência que “(…) funcionou muito bem (…)”, a escola optou por implementá-lo, também, no 2.º ciclo para verificar a evolução dos alunos que estavam integrados no projeto ao longo dos 5 anos da escolaridade básica. Para que esta análise se tornasse possível ao longo dos anos seguintes, a escola foi formando novas equipas pedagógicas no 3.º ciclo de modo a assegurar que os alunos do 2.º ciclo, aquando da transição para o 3.º ciclo, fossem sempre integrados numa equipa com a mesma metodologia de trabalho, passando o projeto a estar contemplado continuamente no 7.º, 8.º e 9.º anos. Essa continuidade não se verifica no 2.º ciclo, uma vez que a equipa de professores que inicia o projeto no 5.º ano acompanha

os alunos quando transitam para o 6.º ano, não havendo nenhuma outra equipa do PAC que possa receber os novos alunos de 5.º ano.

Quanto à formação de novas equipas, verifica-se que no 2.º ciclo foi formada

apenas uma equipa, porém, no 3.º ciclo foram formadas 3 equipas de PAC. A

entrevistada explicou que foi uma opção da escola que se prendeu com a escolha de alguns dos docentes do 2.º ciclo que se demonstraram disponíveis e com perfil, reunindo um conjunto de características que seriam benéficas ao desenvolvimento do projeto e que se demonstraram predispostos para adotar uma metodologia de trabalho diferente. A entrevistada referiu que as alterações feitas ao funcionamento do projeto, resultantes

da Revisão Curricular de 2012 alteraram os procedimentos a nível de gestão do projeto e vieram condicionar o espaço e a forma de atuação dos professores que tiveram alguma dificuldade em se adaptar às novas condições de trabalho, razões

pelas quais a instituição em questão optou por manter apenas esta equipa no 2.º ciclo composta por um grupo base de professores alargado, desde a sua formação inicial.

A partir da Revisão Curricular de 2012 consagrada no Decreto-Lei n.º 139/2012 (ver anexo 4) que veio a extinguir as áreas curriculares não disciplinares de FC, AP e AE, os docentes das disciplinas com menor carga horária e que até então tinham trabalhado apenas na mesma equipa pedagógica passaram a lecionar a turmas de outras equipas pedagógicas, tendo a articulação do trabalho ficado um pouco comprometida uma vez que nem sempre estavam presentes nas reuniões semanais destinadas à planificação do trabalho. Os responsáveis da escola, cientes desta situação, aumentaram o número de turmas de 4 para 5 turmas por equipa pedagógica, uma das estratégias usadas para manter as equipas docentes coesas e sem grande mobilidade de docentes entre equipas. Assim, pretendiam prevenir alguns problemas como a quebra do espírito de equipa que de acordo com esta entrevistada é “(…) um fator predominante no sucesso das equipas.”

Relativamente à formação profissional docente necessária para integrar o projeto, a entrevistada referiu, tal como a E1 que a equipa inicial fez formação e que depois, “(…) houve pessoas que não tiveram formação específica, embora tenha havido muita formação, por parte dos sindicatos, disponível.” A entrevistada explicou que por questões financeiras nem sempre foi possível à escola fornecer formação aos docentes tendo recorrido aos docentes que já trabalhavam com a Aprendizagem Cooperativa como formadores, o que na sua opinião “(…) foi perfeitamente suficiente.”

De acordo com a entrevistada, à data da realização desta entrevista, o Projeto de

implementado e pela sua viabilidade graças à organização da escola em equipas pedagógicas. De outra forma seria impossível a sua exequibilidade como também

corroborou a E1 ao referir que “(...) seria impensável entrar para um projeto de Aprendizagem Cooperativa sem (…) um conjunto de professores que estivesse preparado e sintonizado numa mesma metodologia (…)”. A E4 acrescentou que “(…) a organização por equipas pedagógicas (…) facilita imenso a comunicação (…)” e as reuniões permitem a reflexão acerca do trabalho desenvolvido.

Quando questionada sobre o impacto do Projeto de Aprendizagem Cooperativa junto da comunidade educativa, a entrevistada deixou claro que no início foi muito positivo pois era notória a evolução dos alunos que transitavam para o 10.º ano e davam contas do seu à vontade e do seu desenvolvimento quando voltavam à escola após terem integrado o Ensino Secundário.

Quanto à opinião dos docentes, a entrevistada mencionou que era muito boa antes das alterações curriculares introduzidas em 2012, porém, mais uma vez, deixou claro que as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 139/2012, acrescidas da exigência do trabalho tanto para os alunos como para os docentes do PAC, da inconstância das equipas pedagógicas e da necessidade do cumprimento dos programas e das metas curriculares, a opinião dos docentes relativamente ao projeto mudou como se pode inferir quando a entrevistada referiu que “(…) esta alteração de 2012 dificultou muito, tudo isto, porque não basta a boa vontade; é preciso haver espaço, condições para isso. E eu vou, outra vez falar, da extensão dos programas, mas é uma realidade (…) E, claro, é impossível conciliar tudo isto, temos de ser realistas! (…) as pessoas tinham uma grande admiração [pelo PAC] e toda a gente queria [trabalhar no projeto], só que depois, também com estas limitações, as pessoas sentiram que já não era a mesma coisa. (...) É um trabalho exigente e as pessoas têm de estar preparadas (colegas, pais) que os resultados, para serem diferentes, requerem muito trabalho.”

Ao referir a pressão para o cumprimento dos programas curriculares que os docentes sentem, aproximou-se da opinião das entrevistadas 2, 3 e 4 que também a identificaram como uma desvantagem para o sucesso da implementação de metodologias de trabalho diferentes que poderão necessitar de mais tempo para a realização de uma certa tarefa do que o ensino expositivo. A entrevistada salientou a necessidade do docente que faz parte deste projeto acreditar que o trabalho desenvolvido no PAC traz benefícios para os alunos e para os professores, para além de ser necessário ter espírito aberto para querer implementar novas estratégias e ter disponibilidade para se dedicar e responder às

especificidades do projeto alterando “… a maneira de estar na classe docente (…)”. Como frisou a entrevistada, indo ao encontro do que referiu a E4, a Aprendizagem Cooperativa constitui uma forma de quebrar com a rotina que se instala após alguns anos de docência e satisfazer os docentes que gostam de experimentar novas formas de trabalho e de desafios pois, como salientou também a E3, nenhum ano é igual ao outro e em todos os anos se apresentam reptos diferentes.

Quanto ao método de seleção dos docentes, a entrevistada salientou a importância das relações interpessoais no sucesso de uma equipa e referiu que depois de escolhida a pessoa que vai coordenar o projeto, o Conselho Executivo e a coordenadora encetam um processo de escolha baseado na confiança, nas relações que as pessoas estabelecem entre si e no reconhecimento do trabalho dos docentes. Destacou, no entanto, que depois da Revisão Curricular de 2012 e com o aumento de docentes por equipa pedagógica, nem

sempre foi possível fazer essa seleção e a lecionação a turmas do PAC surge, então, no

horário dos docentes por questões de gestão de serviço. A direção da escola, está

consciente que esta atribuição de serviço aleatória poderá não ser um fator abonatório para o sucesso do projeto.

Ao falar das características profissionais dos docentes que integram este projeto, a entrevistada ressaltou a disponibilidade mental e afetiva, bem como dedicar tempo ao projeto, pois o professor do PAC não pode pensar que o seu trabalho na escola se restringe às 22 horas semanais. É imperativo que o docente tenha espírito aberto e que não receie partilhar as experiências menos positivas com os seus colegas de equipa, uma vez que eles exercem a sua função de supervisão, não no sentido de crítica como esclareceu a entrevistada, mas sim no sentido de partilha, de planificação conjunta, de considerar as melhores estratégias de modo a adequá-las a cada grupo de alunos e que segundo a entrevistada, possuem autonomia para tal.

Relativamente à estabilidade das equipas pedagógicas a entrevistada referiu que apenas sofriam alterações de acordo com a colocação dos professores na escola. Quanto à dimensão das equipas é sabido que eram maiores no 3.º ciclo do que no 2.º ciclo porque os alunos tinham mais disciplinas no currículo. A entrevistada tinha consciência de que “…quanto maior é a equipa mais difícil é reunir todos no mesmo espírito” não sendo possível a presença de todos os docentes nas reuniões semanais por questões de gestão dos horários letivos e de gestão das horas do crédito de escola. A entrevistada referiu que tinha noção das limitações desta decisão em termos de envolvimento dos docentes no projeto através das conversas que mantinha com as coordenadoras.

Quanto à formação das turmas, a entrevistada deixou bem explícito que não havia critérios de seleção dos alunos para integrarem o Projeto de Aprendizagem Cooperativa pois o princípio de formação de turmas é só um para toda a escola: a heterogeneidade das turmas. No entanto, acrescentou que a escola tentava atender aos pedidos dos encarregados de educação quando estes solicitavam para que os seus filhos fossem integrados no PAC.

Relativamente ao desenvolvimento do trabalho ou projetos, a entrevistada mencionou que era em AE cuja carga semanal é diferente no 2.º ciclo (90 minutos) e no 3.º ciclo (45 minutos) que se desenvolvia o trabalho por projeto e embora as estratégias e a metodologia de trabalho inerentes à Aprendizagem Cooperativa se replicassem pelas disciplinas, reconheceu que não havia espaço para desenvolverem o trabalho por projeto como outrora fora desenvolvido, pois o tempo que os professores e alunos disponham para tal não era suficiente.

No que concerne à coordenação do projeto, as professoras responsáveis foram

nomeadas pelo Conselho Executivo com base na confiança e no reconhecimento

profissional tendo a entrevistada expressado a sua satisfação e confiança relativamente ao trabalho das coordenadoras. Acrescentou que não se preocupava muito porque sabia de antemão que as coordenadoras conseguiam resolver os problemas que surgiam.

Quando questionada sobre as características que norteavam a escolha das

coordenadoras, a entrevistada referiu a dedicação, o profissionalismo, o espírito aberto, o espírito de equipa, o bom senso e o gosto pela profissão. As coordenadoras,

de acordo com a perspetiva da entrevistada, são gestores que têm de reunir “(…) os colegas (…) todos têm de comungar da mesma filosofia. A partir do momento em que as pessoas acreditam que é possível fazer diferente, o coordenador tem é de gerir tudo isto: orientar, gerir, planificar o trabalho semanal ou quinzenal ou mensal (…)” Salientou de seguida a importância das relações e a importância de se partilhar as mesmas crenças, sem ser pela sua imposição a outrem. Fez notar que as coordenadoras têm de ser capazes de identificar e “… aproveitar as características e qualidades de cada um para bem do projeto comum.” Para si, a ação das coordenadoras junto dos outros professores é importante porque são líderes que orientam e motivam, que escutam verdadeiramente e que estabelecem uma relação dialógica com os colegas.

Quando questionada sobre se as características pessoais das coordenadoras se refletiam na gestão do projeto, a entrevistada reconheceu que sim, mas teve alguma dificuldade em identificar essas características. Referiu que as coordenadoras tinham

metodologias de trabalho, formas de organização e de condução das reuniões diferentes, porém, deixou claro que todas tinham em comum a motivação, o profissionalismo e que faziam o projeto funcionar. Concluiu que as diferenças entre as coordenadoras não influenciavam os resultados das equipas pedagógicas do PAC nem eram determinantes na qualidade do trabalho apresentado.

In document The demise of the Brezhnev doctrine (sider 23-26)