3. Results and discussion
3.1 General information on measurements
O aumento populacional afeta os recursos e o meio ambiente de muitas maneiras significativas, inclusive intensificando a demanda por assistência a saúde. Nesse sentido, o desafio crítico para o Governo é imaginar planos de ação política que mitiguem efeitos do crescimento populacional sobre os recursos disponíveis, e que também desencorajem uma desaceleração da taxa desse crescimento. Claramente, o crescimento econômico global está em colisão com tendências populacionais e ambientais (HENDERSON, 1996).
Conforme Fuchs (2006), os recursos disponíveis à saúde são limitados em relação às necessidades requeridas pela população, que demandam muito mais serviços de saúde do que o sistema pode oferecer. Mesmo frente à escassez dos recursos disponíveis, percebe-se a ineficiência da utilização desses recursos, a qual, afirma-se, não poder ser negada.
Para o mesmo autor, possivelmente, um modelo que poderia trazer resultados positivos à área da saúde seria a busca de melhoria na condição de saúde da população, visando a reduzir o uso dos recursos disponíveis. Para tanto, seria essencial que as três dimensões analisadas neste estudo estivessem em equilíbrio e convergentes na busca de uma melhor consciência entre eles. Atualmente, vive-se em um ambiente de saúde em que a inflação médica supera em muito a inflação média. Nesse sentido, a crise atual desse setor seria também uma crise financeira, e a introdução de novas tecnologias é um dos principais fatores que tem contribuído para essa crise.
Assim, segundo o referido autor, a tecnologia tem causado impacto de forma relevante nas contas da saúde, que acabam por não substituir tecnologias passadas, ou seja, agem de forma cumulativa e ainda são utilizadas com pouca consistência na aplicação dos tratamentos. A mesma relevância é vista nos medicamentos: diferentemente dos itens de consumo, o preço das prescrições médicas tende a manter-se constante ao longo do tempo.
O mesmo autor afirma que isso ocorre em razão das novas tecnologias trazidas ao mercado pelos laboratórios farmacêuticos, que investem pesadamente em descobertas de novos princípios ativos, que quando são inseridos no mercado, apresentam preços bem acima daqueles medicamentos substituídos. Embora nenhuma nação seja rica o suficiente para conter todas as mortes evitáveis, os recursos disponíveis à saúde precisam ser utilizados da forma mais eficiente possível.
Atualmente, as decisões impostas pelos agentes patrocinadores da saúde são concentradas em comparar o benefício marginal com o custo marginal, com uma grande tendência de que prevaleça sempre a questão econômica sob o argumento do recurso finito. Dessa forma, pode-se afirmar que se trata do produto de uma sociedade de gestores que busca racionalizar todas as esferas da vida social. De acordo com Chanlat (2000, p.39), “o social subordina-se à eficácia”.
No entanto, na visão de Capra (2006), o que lastreia os custos da saúde é o julgamento médico, e sem o trabalho de parceria, que nesse caso, seria essencial, é impossível uma redução nos custos que crescem a passos largos. Nesse sentido, a contenção dos custos na saúde estaria bem mais relacionada a uma reforma da prática médica do que a uma
regulação do ambiente. O fato é que “embora os médicos disponham de considerável poder para influenciar o sistema de assistência a saúde, eles também estão muito condicionados por esse sistema” (p.151).
Nessa esfera econômica, a questão do conflito entre os agentes é tão acentuada que, na opinião clínica, o uso abusivo de drogas é relacionado aos efeitos negativos na saúde, enquanto na opinião econômica, esse uso abusivo ocorre quando o benefício gerado não condiz com o dispêndio realizado.
Os medicamentos, que estão entre os vilões desse ambiente, poderiam se tornar um ponto forte na economia da saúde, haja vista que as dispensações adequadas contribuem no controle de doenças crônicas e agem na prevenção de muitas outras. Há autores que defendem a taxa de dispensação como uma remuneração do setor de distribuição farmacêutica e como forma de cobrir os gastos com logística e dispensações, sem guardar relação com o custo dos medicamentos. Contudo, é uma prática embrionária e que carece de muitas negociações e amadurecimento entre os atores desse mercado.
De qualquer forma, somente alternativas não é suficiente, seria necessário mais conhecimento dos médicos e pacientes a respeito das drogas prescritas. A ineficiência já destacada na área de saúde é bem evidente nos medicamentos. Entre as razões de seus altos custos, está o deficiente sistema de distribuição, que também não guarda qualquer conexão entre o ponto de venda e a prática médica.
Na verdade, os já destacados avanços populacionais e tecnológicos são muito maiores do que capacidade de gestão e de organização social, que se traduz em uma incompetência de se transformar esses avanços em qualidade de vida. Vive-se em um ambiente de saúde em que o tempo perdido da população não é considerado um custo do sistema, mas sim uma improdutividade social, sem ainda tomar como premissa que as oportunidades sociais facilitam as participações econômicas. Talvez isso ocorra porque seria mais cômodo adaptar o paciente ao sistema, em vez de modificá-lo.
O ponto chave é que esse ambiente deveria tratar a economia como meio e não como fim, com os atores respondendo às necessidades requeridas. Nesse sentido, Dowbor (2002, p. 47) relata que “o capitalismo responde à capacidade de compra, não às necessidades”.
Porém, no segmento de saúde, não basta o avanço, é essencial que se saiba para onde ir, pois o crescimento não implica necessariamente progresso social, clínico ou econômico. O PIB e o crescimento não medem o bem-estar, pois seus parâmetros de constituição não são preparados para isso. O trabalho voluntário, por exemplo, não é medido nas atividades de
saúde, mas contribui bravamente para o bem-estar. Conforme Gadrey e Jany-Catrice (2006, p. 41), “a contribuição dos serviços de saúde para o crescimento é mensurado pelo volume de consultas, de internações nos hospitais, de tratamentos, e não pela contribuição desses serviços para a melhoria da saúde e das condições de vida”.
O enfoque na qualidade de vida, e não apenas na renda e nas riquezas, configura hoje um afastamento das tradições estabelecidas pela economia (SEM, 2007). O crescimento econômico medido pelo PIB não leva em consideração os custos sociais para a contribuição às gerações futuras e para os efeitos imprevistos de conhecimento crescente da sociedade. Ademais, as tecnologias criadas, aparentemente, ultrapassam as capacidades adaptativas, sejam elas psicológicas, sociais, organizacionais ou políticas (HENDERSON, 1996).