Traçar apenas análises instrumentais e sobre as práticas individuais envolvidas na criação e
na manutenção de um blogue seria ignorar o potencial conversacional que os blogues possuem e
também ignorar um lado muito relevante da natureza coletiva dos blogues e seu poder em agregar
comunidades ao redor de assuntos específicos.
Principal mediador da interação entre o autor e o leitor, os comentários “são elementos
significativos da cultura dos blogues, e que são, se não essenciais, muito importantes como
elementos de motivação para os blogueiros e fundamentais como ferramentas de interação social”
(RECUERO, 2009, p. 37). Além dos comentários, outras ferramentas, como o blogroll e os
trackbacks, ajudam a fomentar comunidades que têm características próprias em relação às outras
comunidades nascidas da mediação pelo computador, algo que também será explorado nesse
subcapítulo.
Para Lemos, a cibercultura se caracteriza por três leis fundadoras: “a liberação do polo da
emissão, o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas
sociais” (2005, p. 1). A liberação do polo de emissão explorado pelas ferramentas de blogues faz
com que blogues com comentários e trackbacks habilitados se tornem veículos para a agregação de
interagentes ao redor de uma mesma discussão, que leva à criação de um sistema informacional sem
limites de tamanho ou de participação. Isso faz com que as conversações possam ser encaradas, pela
definição de Morin (1991, p. 31), como “sistemas”, já que se tratam de “uma inter-relação de
elementos, constituindo uma entidade ou uma unidade global”.
A diferenciação entre sistemas fechados e abertos está na tensão entre o constante equilíbrio
mantido por poucos personagens, no primeiro, e, no segundo, o caos da inclusão de diferentes
relacionada a qualquer transformação por que passa um sistema vivo. Logo, a desordem diz respeito
à vida” (BRAMBILLA, 2006, p. 25). Não é à toa que Morin se inspirou em estudos de sistemas
biológicos, em que também podem ser observados comportamentos coletivos rizomáticos, para
compor sua tese sobre fenômenos de comunicação em ambientes abertos.
Antes da discussão, esclareçamos alguns conceitos que serão fundamentais ao debate neste
subcapítulo. Por comunidade, entendemos “uma rede de laços interpessoais que proporcionam
sociabilidade, apoio, informação, um senso de integração e identidade social”, segundo definição de
Wellman (2001, p. 1). O termo “interagente”, proposto por Primo, retrata com maior precisão e
fidelidade os propósitos dos “participantes da interação” online do que “usuário”, termo
amplamente usado pela indústria de tecnologia (do qual desenvolvedoras de plataformas de blogues
fazem parte). Ao descrever aquele que faz uso de determinado programa ou equipamento, “usuário”
reduz a capacidade dos pesquisadores de cibercultura em definir com maior precisão dois agentes
que interagem de qualquer forma pela mediação de computadores. “Posso falar que o diálogo
através desse sistema seja o intercâmbio entre 'usuários'. Se assim fosse, deveria-se perguntar 'quem
usa quem?'” (PRIMO, 2007, p. 12).
A análise dos blogues como ferramentas conversacionais parte do princípio de que cada
post, comentário, trackback e até mesmo contato por outras plataformas, motivado por um conteúdo
publicado em um blogue, constituem uma grande conversa interconectada que possui sua própria
dinâmica e estrutura, caracterizadas pela fragmentação, como defendem Efimova e De Moor (2003,
p.3). A definição de conversa da dupla é “uma troca de ideias, acontecendo na forma de um diálogo,
na qual a argumentação tem um papel chave no processo interativo […]”. Ao seguir essa definição,
esta dissertação, assim como o artigo etnográfico de ambas, reconhece a incidência de comentários
que não servem à argumentação racional, como spam em blogues (chamados de “splogs”) e flames,
comentários centrados em ofensas que conduzem a discussão a guerras verbais.
A análise das pesquisadoras parte da tipificação proposta por Jenkins (2003, online)39, para
39 http://chaquente.com/wp-content/uploads/2009/10/microdoc-news_-dynamics-of-a-blogosphere-story.pdf (acesso
quem a conversa entre blogues envolvendo trackbacks engloba quatro tipos diferentes de post: 1) o
opinativo, que define o tópico e, geralmente, instiga a participação alheia; 2) os votos, em que
blogueiros concordam ou discordam do post original; 3) reações, em que blogueiros constroem
posts mais complexos e argumentativos do que os votos, reiterando ou desafiando as colocações do
post original; e 4) sumarização do assunto, com a coletânea de links apontando para a cadeia de
comunicação iniciada pelo post original.
FIGURA 07: a dinâmica de uma conversação envolvendo diferentes blogues, segundo Jenkins (2003).40
A alternância entre os diferentes tipos de post, centrados em um mesmo assunto proposto
pelo post original, constitui o que Jenkins (2003, online) chamou de “histórias da blogosfera”.
Blogosfera é o termo usado por acadêmicos e usuários para designar o conjunto de blogues, posts,
blogueiros e interconexões de conteúdo publicados na plataforma. Uma “história da blogosfera”
pode ser seguida independentemente de onde o usuário comece a acompanhá-la, o que faz com que
o ambiente de interação entre blogueiros e interagentes (onde estão os comentários e os trackbacks)
seja uma espécie de janela para o desdobramento da conversa dentro do ciberespaço. Ali, é possível
acompanhar a “repercussão de uma determinada discussão em outros blogues, aumentando e
complexificando a rede hipertextual que um blogue pode proporcionar” (RECUERO e PRIMO,
40 Tradução da legenda para o português: opinião (retângulo vertical); voto (círculo);, reação (retângulo horizontal); e
2005, p.4), sem que o autor original precise gastar tempo apelando para buscadores de blogues ou
outras ferramentas de agregação. A afirmação é ainda mais verdadeira se tomarmos como exemplo
o post original, aquele chamado de opinativo por Jenkins e que foi o estopim para a discussão
fragmentada.
O registro dos caminhos da discussão pela blogosfera é possível por meio da combinação de
duas ferramentas técnicas das plataformas, debatidas no subcapítulo 1.1: o link permanente e o
trackback.
O primeiro define um link permanente (razão pela qual foi chamado de “permalink” quando
criado) a cada um dos conteúdos criados e publicados na organização retroativa da plataforma de
blogue. O permalink permite que o post, responsável por iniciar ou aprofundar uma conversação,
seja arquivado sob uma URL única, o que facilita seu acesso quando o fluxo de atualizações do
blogue retira o post de sua página inicial.
Traduzida livremente para o português como “rastreie de volta”, o trackback envia um alerta
ao responsável por um documento online de que outro usuário acaba de formatar um link para ele.
No caso de blogues, para os quais tal funcionalidade foi especificamente desenvolvida, o trackback
indica novos posts escritos na blogosfera que tenham trechos, concordem ou discordem de um
determinado post publicado pelo blogueiro. Em um blogue, trackbacks costumam aparecer
misturados aos comentários publicados (outros blogues têm uma área para comentário e outra para
FIGURA 08: exemplo de como o trackback registra no post original citações em outros blogues
A partir do momento em que a discussão se fragmenta em diferentes espaços virtuais e pode
ser acompanhada de maneira não linear pelas diferentes rotas nascidas do desenvolvimento da
discussão, o interagente se vê obrigado a assumir o papel de “leitor ativo” (LEAO, 1999) por meio
de uma navegação que é, ao mesmo tempo, labiríntica e guiada pelos trackbacks. Nessa função, ele
participa de “uma ação coletiva e construída de complexificação e transformação da rede
hipertextual” (PRIMO e RECUERO, 2003, p. 4), o que faz do interagente também o autor de uma
obra em andamento. A aproximação entre blogueiro e interagente força o primeiro, principalmente
aqueles acostumados com a disseminação de informações por mídias físicas, a aceitar seu trabalho
mais como uma versão do que como algo definitivo (BIRKERTS, 1994).
Para que possamos destacar as especificidades comunicacionais dos blogues, devemos
debater sobre o que diferencia uma comunicação face a face de uma comunicação mediada por
para quem interações orais dependem exclusivamente da espacialidade, a primeira diferença
fundamental que temos entre ambos os sistemas é a maneira como o tempo é explorado de modo
diferente. Um diálogo entre duas pessoas, estejam elas no mesmo espaço ou conectadas por uma
linha telefônica, depende da interação contínua entre ambas, com cortes no discurso e signos ou
gestos que complementam o conteúdo verbal (em conversas telefônicas, engasgos, pausas ou
problemas de dicção podem oferecer mais informações sobre o ambiente no qual se desenvolve a
conversa), o que fez com que Marcuschi também estudasse “os processos cooperativos na atividade
conversacional”, como “trocas de turnos, os silêncios e lacunas, as falas simultâneas, as regras
conversacionais, a coerência conversacional” (PRIMO e SMANIOTTO, 2005, p. 3).
A transição da conversação para um ambiente mediado por computadores sofre um abalo na
dependência do tempo: diálogos podem ser conduzidos entre duas pessoas ou para um grande grupo
a partir de um interlocutor sem depender necessariamente da interação imediata entre ambos.
Ferramentas de comunicação, como modos privativos em salas de bate-papo (chats),
comunicadores instantâneos ou softwares de vídeo em tempo real, ainda respeitam características
comunicacionais que remetem ao encontro face a face, principalmente no que diz respeito à
temporalidade, com turnos definidos na conversa. Blogues, chats, conteúdos no formato de vídeo
ou áudio, fóruns, listas de discussão e outras formas assíncronas de comunicação mediada pelo
computador já não dependem da contextualidade temporal para que ocorram, o que força a ascensão
de novos códigos e mecanismos de comunicação que seguem essa restrição.
Herring (1999) cita dois principais problemas no desenvolvimento dos diálogos dentro de
sistemas mediados por computadores tendo como base a comunicação face a face: a falta de
resposta simultânea causada pelas reduzidas “dicas” áudio-visuais (menos canais prejudicam a
transmissão fiel da mensagem) e a adjacência interrompida de turnos (a mensagem publicada em
um ambiente público de interação não é organizada segundo seu contexto, respondendo direto ao
conteúdo ao qual é voltado, mas sim sendo “empilhado” em uma interface baseada
A falta de “resposta simultânea”, na forma de indicações que o interlocutor interessado e se
preparando para responder (como é possível em ambientes em que a interface é dividida em duas e
a redação das mensagens é compartilhada com ambos os interagentes), faz com que o diálogo seja
descontínuo e truncado pela sucessão aleatória de turnos, assim como “ torna, de maneira geral,
mais difícil que os produtores da mensagem a moldem para responder os interesses e necessidades
de quem recebe” (HERRING, 1999, p.3).41
Por mais que a teoria indicasse uma potencial incoerência na interação de uma conversa
mediada por computador, Herring descobriu e detalhou algumas mudanças promovidas nas
comunicações no ciberespaço, como a prática dos “backchannels” (dados curtos e sem conteúdo de
relevância, que servem como incentivadores ou indicadores de atenção em diálogos por texto),
sinais de mudança de turno (instituir signos próprios para indicar ao outro interagente que seu
raciocínio não terminou, em uma espécie de pedido de paciência), referências cruzadas de turnos
(copiar trechos da mensagem original para que não haja dúvidas quanto ao conteúdo ao qual se
endereça a resposta) e organização por tópicos (organização de conversas por assunto em listas de
discussão).
A organização por tópicos pode ser registrada até mesmo de maneira sensorial por usuários
em outras ferramentas de comunicação mediada pelo computador que não listas de discussão, em
que interagentes “ignoram” mensagens que não tenham relação direta com o assunto proposto e
discutido, para dar continuidade ao diálogo, como explicita Primo em seu estudo da comunidade
brasileira de blogues Insanus (2006).
FIGURA 09: a classificação de sistema de comunicação mediada pelo PC, segundo Herring (2004, p.10)42
As diferentes especificidades comunicacionais no ciberespaço foram separadas pela
pesquisadora em três grupos, cujos diferenciais são a frequência de atualização, a simetria e o
suporte a conteúdo multimídia, como mostra a figura acima. Enquanto páginas convencionais
ocupam uma ponta da linha, com atualizações esparsas e transmissões assíncronas, ferramentas com
um fluxo maior de troca de mensagens, como fóruns e comunicadores instantâneos, aparecem no
canto oposto, com alto grau de atualização e trocas simétricas, muito embora uma sala de bate-papo
em que um usuário troque impressões com um conjunto de interagentes também pudesse figurar na
categoria. Entre as páginas e mensageiros, estão os blogues.
Papéis de autor e leitor nas páginas são altamente assimétricos, em contraste com o [processo] de dar e receber simétrico de fóruns de discussão não moderados/blogues permitem trocas limitadas (na forma de comentários), segundo os direitos de comunicação assimétricos entre leitores e autores - o autor tem o controle final sobre o conteúdo do blogue (HERRING, 2004, p. 10).
As características intermediárias dos blogues os tornam atraentes aos interagentes, segundo
a pesquisadora, para quem autores podem experimentar a interação social sem abrir mão do
controle do espaço comunicacional – ainda que haja um canal direto para se expressar em blogues
com comentários habilitados, o leitor não terá o mesmo poder de decisão que o autor daquele
espaço, em uma relação assumida de submissão que se inverte quando interagentes abrem e
estimulam o diálogo dentro de um espaço próprio.
42 Tradução da imagem: Páginas web padrão: raramente atualizadas, transmissão assimétrica e conteúdo multimídia;
Weblogs: atualizados frequentemente, troca assimétrica e multimídia limitada; Ferramentas assíncronas de
comunicação mediada pelo computador: atualizadas constantemente, troca simétrica e baseadas em texto. Os diários online se encontram entre as páginas web padrão e os weblogs, enquanto os blogues comunitários estão entre os weblogs e as ferramentas assíncronas de comunicação, segundo a pesquisadora.
Usando a estrutura proposta por Herring, Efimova e De Moor estudaram as especifidades
comunicacionais dos blogues que afloram da interação entre posts, links e comentários, e definem
conversas por blogues como “uma série de posts e comentários de weblogs inter-relacionados sobre
um tópico específico, geralmente não planejado, mas emergindo espontaneamente” (EFIMOVA e
DE MOOR, 2005, p. 1). Para a dupla, a conversação que se desenvolve dentro desse sistema
obedece a regras próprias que seguem o modelo de comunicação no ciberespaço, analisado por
Herring, mas ainda contam com características próprias em relação a outras ferramentas de
comunicação mediada pelo computador.
Pode-se observar como blogues guardam semelhanças com outras ferramentas de interação
online, como a maneira na qual os comentários em um post são dispostos em ordem cronológica, de
modo semelhante ao sistema de debates de um fórum de discussão, por exemplo. Ainda assim,
conversações pela mídia contam com um caráter viral não encontrado em outras ferramentas – os
diálogos se espalham e se ampliam por posts ou até mesmo comentários de outros blogues que não
aquele que propôs o tema da conversa, escorrendo (PRIMO, 2006) pelo ciberespaço. Em blogues, a
conversação não se concentra em apenas um espaço, mas se espalha de maneira viral por diversos
outros espaços semelhantes (posts e comentários de outros blogues).
Uma conversação de weblog emerge quando um post de um weblog desengatilha respostas
de outros, seja usando comentários no post original ou respostas em outros weblogs que tenham
links para o original. Enquanto o uso de comentários não é muito diferente de qualquer fórum de
discussão, a prática de responder em outro weblog cria certa complexidade, já que a conversação se
espalha por múltiplos blogues. Dado que cada weblog tem sua própria audiência, a conversação se
torna exposta a novos leitores, que geralmente não estão cientes da parte inicial da discussão e têm
uma habilidade limitada para rastreá-la (EFIMOVA e DE MOOR, 2005, p. 1).
A conversa “escorrendo” pelo ciberespaço faz com que as conversações por blogues
enfrentem problemas que outras ferramentas de comunicação mediada pelo computador não
espaços pessoais além daquele onde o argumento inicial foi proposto, pode ser considerado um
problema, dada as limitações técnicas impostas pelo uso de plataformas de blogues que não
suportam a tecnologia trackback, argumentam as pesquisadoras.
Outro problema está na falta de tecnologias de rastreamento além do trackback, que
apontem para o desenrolar da conversa no ciberespaço com precisão maior do que encontramos
hoje. As pesquisadoras aventam a possibilidade de uma ferramenta que explore o lado semântico da
discussão, apontando posts com argumentos relacionados à discussão (por meio de links), e não o
lado técnico usado atualmente por serviços como o buscador Technorati, que indica posts
classificados manualmente pelo autor por meio de tags.
Fóruns de discussão, salas de chat ou comunicadores instantâneos, restritos a apenas um
ambiente de conversação, não sofrem da incapacidade do autor rastrear e se relacionar com todos
aqueles que se propõem a participar da discussão, em que se pode observar um processo de
comunicação no qual a mensagem é enviada, entendida e processada a ponto de motivar respostas
fragmentadas, que não são captadas e, logo, compreendidas pelo emissor original. O “complexo
tecido social de relações” citado por Efimova e De Moor é, ao mesmo tempo, condutor e barreira
para a exploração social dos blogues, dada a pobreza em ferramentas disponíveis atualmente que
consigam lidar com o fluxo constante e crescente de interações de um sistema aberto.
Anteriormente, as pesquisadoras já haviam apontado características próprias da tecnologia,
que dificultavam a manutenção de diálogos nos blogues da mesma maneira como estamos
acostumados no diálogo face a face: blogues obedecem à sua própria temporalidade (a demora na
réplica a um comentário pode desestimular a comunidade e, portanto, sufocar a conversação) e suas
discussões podem extrapolar outros meios (como mensageiros instantâneos, e-mails ou uma
conversa física) que comprometem a medição precisa do impacto do diálogo entre posts e
comentários.
Ao analisar uma conversação fragmentada em diferentes blogues durante um período de oito
escritos 59 comentários (em inglês e alemão), a dupla apresentou uma tipificação de três
características próprias das conversações promovidas entre blogues: links como a “cola
conversacional”; conversações tangenciais; e conversação consigo mesmo versus conversação com
outros.
A natureza fragmentada da conversação por blogues exige que autores e leitores
desenvolvam a prática de criar links para outros pedaços da discussão, contextualizando o link
fornecido na maioria das vezes com o ponto de vista e o nome do blogueiro a quem citam
(EFIMOVA e DE MOOR, 2004, p. 6), como forma de “claramente distingui-los [outros pontos de
vista] da sua própria perspectiva”. As diferentes práticas empreendidas pelos interagentes que
compõem uma discussão (como fornecer links em citações, empregar trackbacks, criar resumos das
conversas ou responder comentários) foram definidas pelas pesquisadoras como “a cola que
mantém a conversação unida”, uma adaptação que a mídia sofreu em relação a outras ferramentas
de comunicação mediada pelo computador em que o diálogo é conduzido em um espaço público
compartilhado.
O desenvolvimento de discussões tangenciais àquela proposta pelo post original também é
um tipo de comportamento próprio nas conversações mantidas entre blogues. Ainda que muitos dos
posts e comentários partissem de argumentos relacionados à discussão original, as pesquisadoras
notaram como o diálogo direto de leitores nos comentários ou assuntos trazidos “localmente” por
um terceiro blogue que comenta o assunto fazem com que a discussão “siga múltiplos caminhos
simultaneamente, engajando e conectando audiências diferentes”, em um exemplo do que ambas
chamaram de “conversações hipertextuais” (EFIMOVA e DE MOOR, 2005, p. 8).
Por fim, a tensão entre o público e o privado, nascida da composição estrutural do blogue
como uma ferramenta de publicação pessoal acrescida de comentários, fez com que as
pesquisadoras percebessem que posts publicados na conversação mantinham diálogos com leitores,
mas também com o próprio autor, em um exercício coletivo de autorreflexão. A capacidade do autor
anteriores ou mesmo pensamentos esparsos, mostram como a ferramenta pode ser explorada para
que o autor se auto-organize. Ainda assim, posts que sintetizam perspectivas próprias podem servir
como veículo de socialização por comentários ou por outros posts captados pelo trackback. “Uma
grande complexidade dos blogues é que se trata de uma ferramenta usada para gerenciar tanto o
espaço pessoal como para se engajar em conversações com outros". (EFIMOVA e DE MOOR,