2 STUDY BACKGROUND
3 GENALE GD-6 – PROJECT DESCRIPTION
3.10 Genale GD-6 - Electrical equipment Project drawings C01 to C06
Estudos anteriores (p. ex. LANE; KOKA; PATHAK, 2002; VAN DEN BOSCH; VAN WIJK; VOLBERDA, 2003) apontaram que os antecedentes da capacidade de absorção, entendidos como fatores que a influenciam, têm sido pouco estudados nas pesquisas sobre o tema, principalmente em pesquisas empíricas. Um dos estudos que fornece uma visão geral dos fatores que influenciam a capacidade de absorção é o trabalho de Daghfous (2004) que, com base nos trabalhos de Cohen e Levinthal (1989, 1990), categorizou-os em dois grupos: fatores internos e fatores externos (Figura 2).
FATORES INTERNOS ORGANIZACIONAIS
FATORES EXTERNOS
CAPACIDADE DE ABSORÇÃO
Figura 2 - Fatores que influenciam a capacidade de absorção. Fonte: elaboração própria (baseada em DAGHFOUS, 2004).
A seguir são apresentados alguns fatores que influenciam (positiva ou negativamente) a capacidade de absorção. Esses fatores foram identificados na literatura científica e classificados de acordo com as categorias de Daghfous (2004).
2.1.2.1 Os fatores internos
Os fatores internos listados neste trabalho e descritos a seguir, são: a base de conhecimento anterior a organização, o nível de educação dos empregados, a presença de gatekeepers, tamanho organizacional, idade da organização e investimentos em P&D.
a) Base de conhecimento anterior da organização:
Os trabalhos de Cohen e Levinthal (1989; 1990) assinalam que o estoque de conhecimento anterior da organização influencia a sua capacidade de absorção. Uma base de conhecimento anterior é composta por todos os conhecimentos acumulados ao longo do tempo pela organização (KIM, 1998). O conhecimento anterior de uma organização tem um efeito positivo sobre a sua capacidade de absorção, pois determina o nível de capacidade para realizar três atividades principais: reconhecer o valor do novo conhecimento, assimilá-lo e aplicá-lo para fins comerciais (Cohen e Levinthal, 1990). Além disso, Cohen e Levinthal (1990) argumentam que o conhecimento anterior, também chamado de conhecimento interno, é crucial no desenvolvimento e na aquisição de novos conhecimentos e, portanto, o nível de conhecimentos anteriores (tais como experiência de aprendizagem e linguagem comum) é considerado um importante que afeta a capacidade de absorção.
b) Nível de educação:
O nível de educação dos membros (funcionários) de uma organização é outro fator que influencia a capacidade de absorção. Quanto mais educação e treinamento as pessoas têm recebido, maior sua capacidade de assimilar e utilizar novos conhecimentos (VINDING, 2006). Como a capacidade de absorção de uma organização está associada aos seus membros organizacionais, o nível de educação e a formação desses indivíduos têm uma influência positiva sobre o nível da capacidade de absorção dessa organização (SCHMIDT, 2010). Além disso, Rothwell e Dodgson (1991) argumentam que para uma organização ter acesso adequado ao conhecimento de fora de suas fronteiras, um número suficiente de especialistas técnicos qualificados, cientistas e engenheiros é necessário. Além disso, as suas habilidades anteriores estimulam a criatividade por meio do desenvolvimento de novas ideias resultantes da combinação de conhecimentos novos e antigos (DAGHFOUS, 2004). Entre outras formas de mensurar esse fator estão o número de empregados com educação universitária (VEGA-JURADO, GUTIERREZ-GRACIA; FERNANDEZ-DE- LUCIO, 2008; GRIMPE; SOFKA, 2009) e a proporção de pessoal científico e técnico em relação ao número total de empregados (SPANOS; VOUDOURIS, 2009).
c) Presença de gatekeepers:
A presença dos chamados "gatekeepers"7 desempenha um papel
importante na determinação da capacidade de absorção. O principal papel dos gatekeepers é reduzir as lacunas de comunicação e desencontros entre os provedores e os usuários do conhecimento (DAGHFOUS, 2004). A criação de uma linguagem que pode ser entendida por todos os diferentes departamentos e as partes envolvidas pode beneficiar a capacidade de absorção de uma organização através do compartilhamento de conhecimento (VINDING, 2006).
Existem, pelo menos, dois tipos de gatekeepers (COHEN; LEVINTHAL, 1990): aquele que age como uma chave de fronteira dentro da organização e aquele que serve como uma interface entre a organização e o ambiente externo. Como chave de fronteira, as funções do gatekeeper ão quival n a um “ ran du or” do conh cim n o intra-organizacional, que converte o conhecimento disponível em uma formato mais acessível aos membros da organização e liga a organização com as fontes de externas (AFUAH, 2003). Gradwell (2003) argumenta que o papel do gatekeeper como uma interface é projetar o conhecimento relevante do ambiente externo e transformá-lo de modo que possa ser compreendido pelas pessoas da organização. Além de detectar o conhecimento e trazê-lo para dentro da organização, o gatekeeper como uma interface também pode enviar informações para o ambiente externo apresentando a organização com um olhar favorável. d) Tamanho e idade da organização:
O tamanho pode afetar a capacidade de absorção de uma organização (DAGHFOUS, 2004). Em seu estudo com organizações de alta tecnologia, Lee e Sung (2005) indicam que o tamanho, medido pelo número de funcionários, é significativamente relacionado com atividades de P&D, que é muitas vezes utilizado como um indicador para medir a capacidade de absorção de uma organização (COHEN; LEVINTHAL, 1990). No entanto, um estudo realizado por Liao, Welsch e Stoica (2003) sugere que em comparação com as grandes organizações, as organizações menores são mais capazes de responder às mudanças e à introdução de inovações, pois essas organizações são mais flexíveis e sua cultura de negócios é menos hierárquica.
7 A palavra gatekeeper pod r raduzida para Por uguê como “por iro” /
facilitador, entretanto para não limitar o seu significado foi decidido manter o termo original da língua inglesa.
Sørensen e Stuart (2000) estudaram organizações de alta tecnologia e afirmaram que a idade de uma organização estava positivamente correlacionada com a capacidade de absorção. Já o estudo de Lee e Sung (2005) mostrou que a idade tem um impacto negativo sobre a capacidade de absorção de uma organização.
e) Investimentos em P&D:
Os estudos iniciais sobre capacidade de absorção no nível organizacional (COHEN; LEVINTHAL, 1989, 1990) centram-se principalmente sobre o papel dos investimentos em P&D, e apontam o duplo papel de P&D no processo de inovação das organizações: realizar a capacidade de absorção e gerar novos conhecimentos e inovações. Alguns autores utilizam P&D para investigar a capacidade de absorção das organizações (p. ex. GEORGE et al., 2001; SPITHOVEN; CLARYSSE; KNOCKAERT, 2010). Daghfous (2004) argumenta que os investimentos em P&D têm sido repetidamente considerados devido ao seu papel fundamental na melhoria das habilidades dos empregados. A relação entre P&D e a capacidade de absorção parece ser bi-direcional (DAGHFOUS, 2004): a capacidade de absorção influencia a direção e a intensidade de P&D (VINDING, 2006), enquanto os investimentos em P&D, por sua vez, afetam a efetividade da capacidade de absorção (DAGHFOUS, 2004).
f) Outros fatores internos:
Alguns acontecimentos associados ao ambiente interno da organização também foram apontados na literatura como fatores que podem influenciar a capacidade de absorção de conhecimento. Um desses fatores são os eventos que incentivam ou obrigam a uma organização responder a estímulos internos, como por exemplo, crises organizacionais (devido à baixa de desempenho, por exemplo) ou eventos importantes que exigem a redefinição da estratégia da organização (por exemplo, fusões e aquisições) (ZAHRA; GEORGE, 2002). De acordo com Zahra e George (2002), quando esses fatores são amplos e constantes as organizações tendem a buscar por novos conhecimentos externos, por isso quando a intensidade de um desses fatores aumenta, as organizações tendem a alocar recursos adicionais necessários para desenvolver as capacidades de adquirir e assimilar o conhecimento gerado externamente.
2.1.2.2 Os fatores externos
Alguns dos fatores externos, apontados na literatura científica do campo de pesquisa em capacidade de absorção, são: o conhecimento externo e a interação com outras organizações.
a) Conhecimento externo:
O conhecimento externo é considerado outro fator que é crucial para a capacidade de absorção (DAGHFOUS, 2004). Uma vez que uma organização não existe sozinha, ela interage com o seu ambiente externo, como seus fornecedores e seus compradores, etc. (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). O conhecimento que vem de fora da organização pode, em parte, consistir em novos recursos para melhorar a capacidade de absorção da organização (DAGHFOUS, 2004). A este respeito, Waalkens (2006) sugere, a partir do resultado de um estudo realizado com organizações dos setores de arquitetura e engenharia na Holanda, que o conhecimento de seus fornecedores e seus concorrentes é particularmente importante para o processo de inovação daquelas organizações.
Depois de analisar 289 trabalhos sobre capacidade de absorção, Lane, Koka e Pathak (2006) distinguiram dois focos principais da capacidade de absorção de uma organização. O primeiro foco diz respeito às características do conhecimento externo, que afetam a sua absorção e assimilação pela organização. O segundo foco diz respeito às características diferentes dos conhecimentos existentes dentro da organização. Em outras palavras, as características do conhecimento "têm sido consideradas tanto como variáveis independentes como mediadora que afetam o reconhecimento, aquisição e assimilação do conhecimento" externo pela organização (LANE; KOKA; PATHAK, 2006, p. 846). As várias características do conhecimento que têm sido udada ão: 1) con údo d conh cim n o ou “know what”, 2) “tacitness” ou “know how” (LANE; KOKA; PATHAK, 2006). Lane, Koka e Pathak (2006) também argumentaram que o efeito das características do conhecimento (por exemplo, conteúdo e tipo) tem recebido relativamente pouca atenção.
b) Interação com outras organizações:
E udio o id n ificaram “in ração com ou ra organizaçõ ” como um dos fatores que influenciam a capacidade de absorção de uma
organização (LEVINSON; ASAHI, 1995; STEENSMA, 1996; YLI- RENKO; AUTIO; SAPIENZA, 2001). De acordo com Lane e Lubatkin (1998), a interação de uma organização com outra organização afeta a sua capacidade de reconhecer, valorizar e absorver conhecimento externo novo. Yli-Renko, Autio e Sapienza (2001) também apontaram que a interação repetida aumenta a capacidade de uma organização adquirir conhecimento de outras organizações e avaliar a sua relevância. Além disso, as conexões com fontes externas de natureza pública e privada podem contribuir positivamente para a capacidade de absorção de uma organização (COCKBURN; HENDERSON, 1998; POWELL; KOPUT; SMITH-DOERR, 1996). Waalkens (2006) identificou, em sua pesquisa com organizações do sector de construção da Holanda, que a interação face a face e a proximidade física entre as organizações estimulam o compartilhamento e o desenvolvimento de conhecimento para realizar inovação.
c) Outros fatores externos:
Alguns fatores associados ao ambiente no qual a organização está inserida também podem influenciar a sua capacidade de absorção. Esses fatores foram apontados como eventos que incentivam ou obrigam a uma organização responder a estímulos externos (ZAHRA; GEORGE, 2002). Kim (1998), por exemplo, sugeriu que uma crise, apesar de ser considerado um evento negativo, poderá intensificar os esforços da organização para alcançar e aprender novas habilidades e desenvolver novos conhecimentos, o que na visão de Zahra e George (2002), aumenta a sua capacidade de absorção. Crises ameaçam a existência da organização e possivelmente estimulam a aprendizagem (WINTER, 2000) levando-a a explorar, adquirir e internalizar conhecimento externo (KIM, 1998). Volberda, Foss e Lyles (2010, p.940) também apontaram “ urbulência ambi n ai ” como fa or con x ual qu pod af ar a capacidade de absorção.
No Quadro 3 são listados alguns dos fatores apresentados nos itens precedentes e o tipo de relação com a capacidade de absorção encontrada em pesquisas anteriores.
Fatores Efeitos sobre a capacidade de absorção Referências Fatores internos: Base de conhecimento
anterior Positivo Cohen e Levinthal (1990); Waalkens (2006) Nível de educação dos
empregados
Positivo Rothwell e Dodgson (1991); Vinding (2006)
Presença de gatekeepers Positivo Vinding (2006); Gradwell (2003) Tamanho e idade da
organização
Positivo / Negativo
Liao, Welsch e Stoica (2003); Sørensen e Stuart (2000); Avermaete et al. (2003); Lee e Sung (2005)
Investimentos em P&D Positivo Cohen e Levinthal (1990); Veuglers (1997); Vinding (2006) Fatores externos:
Conhecimento externo Positivo Lane et al. (2006); Waalkens (2006)
Interação com outras organizações
Positivo Levinson e Asahi (1995); Steensma (1996)
Quadro 3 - Fatores que influenciam a capacidade de absorção, conforme a
literatura científica.
Fonte: Adaptado de Daghfous (2004).
No próximo item é discutido como a capacidade de absorção tem sido estudada na literatura cientifica e como diferentes autores têm operacionalizado as suas dimensões8nas pesquisas empíricas.