4.5 Faktorer ved fôret
4.5.8 Substitusjonseffekt
Esta tese tem como objetivo o desenvolvimento de um sistema de métricas de competitividade nacional. Sua motivação foi o desenvolvimento de um projeto junto à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), para a Federação Global dos Conselhos de Competitividade (GFCC). Visando prover a seus membros um instrumento capaz de mensurar as condicionantes da competitividade nacional, a GFCC propôs o desenvolvimento de projeto de pesquisa para a formulação de um sistema de métricas, que não seja somente um ranking, que dê suporte a análises mais completas e qualitativas da condição da competitividade nacional. Dessa forma a ABDI e a USP propõem o projeto que desemboca nessa tese.
Para atingir o objetivo aqui proposto, esta tese foi dividida em três momentos. Um primeiro momento consiste em uma pesquisa bibliográfica que visa situar seu desenvolvimento no debate teórico corrente sobre o tema. De fato, buscou-se identificar a pertinência do conceito de competitividade quando aplicado para nações e conceituar o termo a ser medido apropriadamente. Esse é um debate acadêmico que a muito vem sendo desenvolvido, e defendeu-se que o conceito é útil e fundamental para a avaliação do processo de desenvolvimento econômico dos países, sobretudo aqueles em estágio mais atrasado de desenvolvimento. Entretanto, foi identificado que as concepções diferentes de competitividade, ou a falta de robustez na conceituação do que se entende pelo tema, pode gerar indicadores que pouco contribuem para a análise do fenômeno. Uma análise crítica foi feita aos principais indicadores de competitividade nacional utilizados no mundo e identificam-se lacunas teóricas e metodológicas que se relacionam ao processo de construção de suas métricas, às escolhas teóricas do que se mensurar e de como o fazer.
Essa tese se insere na literatura de economia industrial, evolucionária e de gestão, baseada nas teses da RBV, que preconizam que o elemento central para a competitividade são as competências disponíveis aos países e empresas em seu processo concorrencial. Dessa forma, nessa tese considerou-se como competitividade nacional, a capacidade de um país gerar competências que induzirão a emergência de vantagens competitivas dinâmicas.
Com base nesse conceito do que se entende por competitividade nacional, em um segundo momento dessa tese foi desenvolvido um modelo conceitual da
estrutura do sistema de métricas de competitividade aqui desenvolvido. Para isso partiu- se de uma metodologia consagrada para a construção de indicadores sociais (JANNUZZI, 2005) e foram elencadas seis dimensões de fatores que induzem a criação de competências para a competividade nacional. A lógica desse modelo conceitual é que a existência de estruturas relacionadas às seis dimensões de fatores possibilita aos países terem maior probabilidade de sucesso na geração de competências para a competitividade nacional.
O terceiro momento foi a construção do sistema de métricas propriamente dito. Para isso foi constituída uma base de dados sob uma metodologia que contou com a participação de especialistas nacionais e de outros países em um processo adaptado da metodologia Delphi. Com isso chegou-se a uma base de dados composta por indicadores produzidos por aparelhos de estatísticas oficiais e de organismos multilaterais. Essa base de dados serviu para a construção das métricas de competitividade nacional. Métodos de análise estatística multivariadas foram utilizados para a construção de indicadores que permitem a comparação internacional dos países. Esses são fatores que mensuram a posição relativa dos países analisados em cada dimensão de fatores relacionados à emergência de competências para a competitividade nacional.
Por fim, em um último capítulo foram feitas aplicações da metodologia com o objetivo de demonstrar e testar sua pertinência para a literatura sobre o tema. Foi feito uma análise de agrupamentos para compreender a dispersão dos países em relação à suas similaridades em cada dimensão. Esse exercício permite compreender como os países se distribuem e como podem ser comparados em relação a cada dimensão.
A análise dos fatores desenvolvidos, feita no segundo tópico desse último capítulo, permitiu a comparação entre os resultados analíticos possíveis quando comparado aos oriundos do GCI. Dessa forma, buscamos demonstrar que a avaliação dos fatores relacionados à emergência de competências para a competitividade nacional traz elementos concretos e administráveis pelos formuladores de estratégias para a competitividade, e não se restringem a análises subjetivas, de difícil intervenção através de políticas públicas ou empresariais, oriunda das pesquisas de opinião de agentes interessados na remuneração de seu capital. Assim, espera-se contribuir para o processo de desenvolvimento de competências nos países que os habilitarão a ingressarem com suas empresas de forma mais qualificada no mercado internacional.
A análise de correlações canônicas nos permitiu argumentar que existe uma relação estatisticamente relevante entre os indicadores de competitividade desenvolvidos e os resultados da competitividade nacional conforme estabelecido teoricamente nos capítulos teóricos deste trabalho. Com isso é possível avaliar a robustez desse sistema de métricas e apontar sua aplicabilidade como instrumento de planejamento estratégico e acompanhamento do processo concorrencial.
Considera-se que esta tese traz como inovação ao tema da análise da competitividade nacional a construção de um sistema de métricas robusto teoricamente, baseado em conceitos não explorados pelos indicadores tradicionais e relacionados à dinâmica da concorrência em um sistema capitalista, de acordo com os preceitos teóricos explorados. Também contribui ao introduzir metodologias estatísticas que ainda pouco tem sido utilizadas para a mensuração dos fenômenos complexos relacionados ao processo da concorrência e geração de competências para a competitividade nacional.
Existem lacunas à metodologia desenvolvida nessa tese. Podemos destacar ao menos quatro delas, que significam também possibilidades de desenvolvimento futuro. A primeira lacuna trata-se da aplicabilidade do sistema quando comparado a um ranking gerado por um índice sintético. É sabido que estatísticas como os rankings de competitividade dos países são métricas que possuem apelo ao público, de fácil absorção e difusão das informações contidas neles. Trata-se de mais que uma escolha entre o empobrecimento de uma análise e a busca por completude nos dados. Entretanto, avanços nas consideradas “Data Science” permitem avançar no entendimento de dados complexos através de novas formas de apresentação dos resultados e metodologias estatísticas que permitam simplificar sua interpretação. Essa é uma lacuna nessa tese, que poderá ser desenvolvida em pesquisas futuras.
Uma segunda lacuna relaciona-se a questões mais fundamentais da teoria. O desenvolvimento do sistema de métricas, baseado em indicadores produzidos por aparelhos de estatísticas oficiais, os considerados “hard datas”, não permite captar dimensões de elementos considerados importantes para a competitividade nacional. Fatores relacionados às instituições nacionais, das mais formais às informais, dificilmente são mensuráveis através desse tipo de indicador. Apesar de buscarmos captar seus efeitos de forma indireta, uma vez que o arranjo nacional do país interfere no desenvolvimento dos indicadores relacionados a formação de talento, inovação,
infraestrutura, dentre os outros, não há como mensurá-los diretamente através da metodologia proposta. Assim como elementos relacionados às estratégias empresariais e padrões de investimentos das empresas dos países analisados, a geração de valor através de inovação, estrutura produtiva nacional, dentre outros são também difíceis se mensurar através dessa metodologia proposta, o que representa uma lacuna a ser superar pela literatura do tema.
A terceira lacuna identificada nessa tese se relaciona a segunda. A opção metodológica de se utilizar os indicadores “hard data” de aparelhos de estatística oficiais e organismos multilaterais implica em uma escolha por dados ainda em um nível macroeconômico. Essa lacuna implica na dificuldade da metodologia proposta apresentada no parágrafo anterior. Para suprir essa lacuna, pesquisas em microdados seriam necessárias para construir um sistema de métricas ainda mais robusto e capaz de absorver outro conjunto de elementos não relacionados nas dimensões de fatores apresentadas. Da mesma forma é reconhecido que empresas em setores diferentes encontram desafios diferentes e o peso das estruturas nacionais para a geração de competências é diferente para cada setor. A consideração do elemento setorial é importante para qualquer análise de competitividade nacional, e dessa forma, incluir dados microeconômicos e microdados seria um passo importante para suprir uma lacuna de indicadores internacionalmente comparáveis sobre competividade nacional neste nível de análise.
Por fim, a quarta lacuna identificada refere-se à própria dinâmica da geração de vantagens competitivas pelas empresas e países. Reconhece-se que a metodologia desenvolvida ainda é uma metodologia estática, apesar de estruturalista. E incorporar elementos da dinâmica da concorrência e da geração de competências seria um passo importante para suprir a lacuna teórica de indicadores que sejam capazes de não somente mensurar elementos associados ao processo de geração de competências, mas de também mensurar características desse processo, avançando em técnicas de simulações dinâmicas evolucionarias por exemplo.
Com essa tese buscou-se desenvolver um sistema útil para a mensuração de um fenômeno de grande importância para o processo de desenvolvimento econômico dos países, sobretudo para aqueles em processo de desenvolvimento, como o Brasil. Trata-se de uma tese motivada por uma questão concreta, e ao mesmo tempo teórica, que se desenvolveu em um processo participativo de pesquisa. A competitividade das
economias nacionais é fator fundamental para a superação das restrições externas enfrentadas pelos países em desenvolvimento. Com os avanços aqui apresentados pela metodologia desenvolvida esperamos ter sido capazes de contribuir para avanço da ciência em direção a uma maior compreensão dos elementos constitutivos desse fenômeno, e permitido, sobretudo, o desenvolvimento de uma ferramenta útil para os tomadores de decisão que enfrentarão os problemas da competitividade nesses países. Espera-se assim, contribuir não só com o conhecimento científico, mas também contribuir para o próprio processo de desenvolvimento econômico dos países.