Análise descritiva
Conforme a Tabela 4, pode verificar-se que o número de empresas que não publica o relatório de sustentabilidade é superior ao número de empresas que publica tal relatório, seja ele autónomo ou integrado no Relatório e Conta, e em 2011 houve um pequeno decréscimo no número de empresas que não publicaram o relatório de sustentabilidade.
Tabela 4. Número e percentagem de empresas com e sem Relatório de Sustentabilidade Ano N.º Empresas com RS N.º Empresas sem RS
2008 22 27 2009 21 27 2010 20 27 2011 21 25 Total 84 106 RS: Relatório de Sustentabilidade.
A tabela 5 apresenta as estatísticas descritivas.
Tabela 5. Estatísticas Descritivas
Painel A: Variáveis Contínuas
Variável Observações Média Desvio Padrão Mínimo Máximo
T 189 20,72493 2,016071 16,84022 25,32853
R 189 -0,0073056 0,1114861 -0,9256363 0,3836581
E 189 0,8386954 0,5855471 0,4250282 7,675738
NPE 189 31,78836 61,06717 0 365
EA 189 -0,7207146 0,1825386 0,2875 0,9974
T: Tamanho; R: Rendibilidade; E: endividamento; NPE: Número de participadas estrangeiras; EA: Estrutura acionista.
Painel B: Variáveis Dummy
Proporção Std. Err. Intervalo de confiança (95%)
DRS 0 0,5555556 0,0362404 0,4840654 0,6270457 1 0,4444444 0,0362404 0,3729543 0,5159346 DSS 0 0,7037037 0,0333027 0,6380088 0,7693986 1 0,2962963 0,0333027 0,2306014 0,3619912 DMG 0 0,8095238 0,0286389 0,7530289 0,8660187 1 0,1904762 0,0286389 0,1339813 0,2469711 DTA 0 0,2592593 0,0319611 0,1962108 0,3223077 1 0,7407407 0,0319611 0,6776923 0,8037892 DRS: Dummy Relatório de Sustentabilidade; DSS: Setor ambiental e/ou socialmente sensível; DMG: Estrutura do modelo de governação societária; DTA: Tipo de auditor.
É possível verificar que 44,4% das observações da amostra atendem à publicação do relatório de sustentabilidade, mas apenas 30% pertencem aos setores ambientais e/ou socialmente sensíveis e 19% adotam o modelo de governação anglo-saxónico. No entanto, constata-se que a grande maioria das empresas cotadas opta por uma das Big 4 empresas de auditoria (74%).
Análise Bivariada
Após exclusão dos outliers (utilizando o comando handimvo do STATA), a amostra ficou reduzida a 170 observações. A Tabela 6 apresenta as correlações de Spearman na diagonal inferior, para a amostra final, não atendendo ao controlo para o ano.
Tabela 6. Correlações de Spearman (n=170) DRS T R DSS E DMG NPE DTA EA DRS 1 T 0,6199*** 1 R 0,3105*** 0,2645*** 1 DSS 0,0963 0,1341* 0,0373 1 E -0,1549** 0,0674 -0,5084*** -0,1634** 1 DMG 0,1431* 0,1924** 0,2167*** -0,1027 -0,0566 1 NPE 0,4995*** 0,6619*** 0,2971*** 0,2446*** -0,1382* 0,0804 1 DTA 0,2473*** 0,3745*** 0,2830*** -0,1502* -0,0869 0,3045*** 0,3219*** 1 EA -0,1834** -0,4403*** -0,2182*** -0,0463 -0,1182 -0,2714*** -0,3925*** -0,3734*** 1
DRS: Dummy Relatório de Sustentabilidade; T: Tamanho; R: Rendibilidade; DSS: Setor ambiental e/ou socialmente sensível; E: endividamento; DMG: Estrutura do modelo de governação societária; NPE: Número de participadas estrangeiras; DTA: Tipo de auditor; EA: Estrutura acionista.
*** Significativo a 1%. ** Significativo a 5%. * Significativo a 10%.
A Tabela 6 leva a concluir que há uma relação positiva e estatisticamente significante entre a divulgação do relatório de sustentabilidade e o tamanho, a rendibilidade, o número de participadas estrangeiras e o tipo de auditor para um nível de significância de 1%, e o modelo de governação societário para um nível de significância de 10%; e negativa e estatisticamente significante entre a divulgação do relatório de sustentabilidade e o endividamento e a estrutura acionista, para um nível de significância de 5%. No entanto, é de destacar os cuidados a ter nesta interpretação, face ao tipo de variável que se pretende explicar. Adicionalmente, não se verificam correlações elevadas entre as variáveis dependentes.
Análise Multivariada
Uma vez que a variável dependente é dicotómica, foram utilizados os modelos de regressão
logit e probit. Na prática, o modelo logit é o mais utilizado devido à sua especificação
Enquanto o modelo logit considera uma função de distribuição acumulada logística, o modelo
probit admite a função de distribuição normal (standard) para expressar a relação não linear
entre as probabilidades estimadas da variável dependente e as variáveis explicativas.
Modelo Logit
Considere-se a utilização do modelo logístico (logit), controlando os efeitos para o ano em questão. Os resultados da regressão do modelo são apresentados na Tabela 7.
Tabela 7. Resultados do Modelo de Regressão Logit sem Outliers (resultados robustos)
DRS Coeficientes Std. Err. z P>|z| Intervalo de confiança (95%)
T 0,8448285 0,1759636 4,80 0,000 0,4999461 1,189711 R 10,41465 9,228689 1,13 0,259 -7,673247 28,50255 DSS -0,5038209 0,5072281 -0,99 0,321 -1,49797 0,4903279 E -4,509346 1,454192 -3,10 0,002 -7,35951 -1,659183 DMG 0,9581737 0,6390325 1,50 0,134 -0,294307 2,210654 NPE 0,0403402 0,0110083 3,66 0,000 0,0187643 0,0619162 DTA -0,2748753 0,5881798 -0,47 0,640 -1,427686 0,877936 EA 1,991555 1,425329 1,40 0,162 -0,8020382 4,785148 Ano_2009 -0,4218182 0,6546716 -0,64 0,519 -1,704951 0,8613146 Ano_2010 -0,6945653 0,6117907 -1,14 0,256 -1,893653 0,5045225 Ano_2011 -0,3316675 0,6723385 -0,49 0,622 -1,649427 0,9860918 Constante -16,46914 3,709254 -4,44 0,000 -23,73915 -9,199138 Número de observações: 170 Wald chi2 (11): 87,92 Prob>chi2: 0 Log pseudolikelihood: -65,239305 Pseudo R2: 0,4352
Variável dependente: DRS: dummy relatório de sustentabilidade.
Variáveis independentes: T: Tamanho; R: Rendibilidade; DSS: Setor ambiental e/ou socialmente sensível; DSF: Setor Financeiro; E: endividamento; DMG: Estrutura do modelo de governação societária; NPE: Número de participadas estrangeiras; EA: Estrutura acionista.
Variável de controlo: ano.
Os resultados apresentados confirmam as hipóteses 1 [T], 4 [E] e 6 [NPE], para um nível de significância de 1%: as maiores empresas, menos endividadas e com maior número de participadas estrangeiras são as que mais tendem a publicar o relatório de sustentabilidade.
Ou seja, as maiores empresas recorrem à publicação destes relatórios para assim criar ou manter a sua reputação corporativa perante a sociedade. Diversos estudos chegaram a esta mesma conclusão, nomeadamente, Amran et al. (2009), Branco & Rodrigues (2008), Perego (2009) e Romero et al. (2010).
Por sua vez as empresas menos endividadas pretendem através da divulgação destes relatórios, mostrar o seu baixo nível de risco financeiro. Esta associação é confirmada por outros estudos (ver por exemplo, Ahmad et al., 2003; Branco & Rodrigues, 2008; Simnett et al., 2009).
Já a associação positiva entre o número de participadas estrangeiras e a publicação do relatório de sustentabilidade atende ao facto das empresas pretenderem seguir as melhores práticas internacionais, de forma a legitimarem-se. Tal também é confirmado pelo estudo de Costa et al. (2013), para o caso da publicação da carta do preseidente.
Os resultados evidenciam que a rendibilidade, a pertença a um setor ambiental e socialmente sensível, a estrutura do modelo de governação societária, o tipo de auditor e a estrutura acionista parecem não influenciar a opção de publicação do relatório de sustentabilidade.
Para a variável do rendimento, o estudo de Romero et al. (2010) também não encontrou qualquer associação com a publicação de relatórios de sustentabilidade, pois as empresas, ao avaliar o custo-benefício dessa publicação, consideram o custo superior, não publicando assim o relatório de sustentabilidade. Os resultados relativos à variável DSS também são consistentes com Branco & Rodrigues (2008), ou seja, os setores de atividade considerados mais sensíveis não estão relacionados com a publicação de relatórios de sustentabilidade/responsabilidade corporativa. Já no estudo de Costa et al. (2013), o modelo de governação societário e a estrutura acionista não se mostraram fatores determinantes da publicação de informação não financeira, como é a carta do presidente.
Modelo Probit
Considerou-se a utilização do modelo probit, controlando os efeitos para o ano. Esta função permite que a probabilidade de publicação do relatório de sustentabilidade permaneça entre 0 e 1. Os resultados da regressão do modelo são apresentados na Tabela 8.
Tabela 8. Resultados do Modelo de Regressão Probit sem Outliers (resultados robustos)
DRS Coeficientes Std. Err. z P>|z| Intervalo de confiança (95%)
T 0,5051889 0,0943709 5,35 0,000 0,3202253 0,6901525 R 6,1394 4,738373 1,30 0,195 -3,14764 15,42644 DSS -0,3396809 0,2857545 -1,19 0,235 -0,8997495 0,2203877 E -2,692392 0,8303402 -3,24 0,001 -4,319829 -1,064955 DMG 0,5707082 0,3389541 1,68 0,092 -0,0936295 1,235046 NPE 0,0243649 0,0061075 3,99 0,000 0,0123944 0,0363354 DTA -0,1591279 0,3226143 -0,49 0,622 -0,7914403 0,4731846 EA 1,133727 0,7884113 1,44 0,150 -0,4115305 2,678985 Ano_2009 -0,2398523 0,3595958 -0,67 0,505 -0,9446471 0,4649426 Ano_2010 -0,4034218 0,3452336 -1,17 0,243 -1,080067 0,2732237 Ano_2011 -0,1694492 0,3678784 -0,46 0,645 -0,8904777 0,5515792 Constante -9,812793 2,034858 -4,82 0,000 -13,80104 -5,824545 Número de observações: 170 Wald chi2 (11): 103,06 Prob>chi2: 0 Log pseudolikelihood: -64,499439 Pseudo R2: 0,4417
Variável dependente: DRS: dummy relatório de sustentabilidade.
Variáveis independentes: T: Tamanho; R: Rendibilidade; DSS: Setor ambiental e/ou socialmente sensível; E: endividamento; DMG: Estrutura do modelo de governação societária; NPE: Número de participadas estrangeiras; DTA: Tipo de auditor; EA: Estrutura acionista.
Variável de controlo: Ano.
Os coeficientes do modelo probit evidenciam que as hipóteses 1 [T], 4 [E] e 6 [NPE] são confirmadas para um nível de significância de 1%, à semelhança dos resultados do modelo
logit, e a hipótese 5 [DMG] para um nível de significância de apenas 10% (de destacar que
para esta variável o p-value constante da Tabela 7 é de 0,134). Por outro lado, à semelhança do modelo logit, os resultados não confirmam as hipóteses 2, 3, 7 e 8.
Neste caso, os resultados evidenciam que as maiores empresas, menos endividadas e com mais participadas estrangeiras no perímetro de consolidação (internacionalização), e em menor extensão as que adotam o modelo de governação anglo-saxónico, tendem a proceder à publicação do relatório de sustentabilidade.
Conclui-se que os resultados das estimações do modelo logit e probit são similares em termos de significância estatística, apesar dos valores dos coeficientes estimados não serem diretamente comparáveis.