Capítulo 2. GASTO Y FINANCIACIÓN SANITARIA
2.5 GASTO EN SALUD BALEAR (SECTOR PÚBLICO / SECTOR PRIVADO)
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uitas das atitudes que con sideramos "naturais", por- que obedecem às idéias e con- dutas relativas ao cuidado e à atenção ao corpo, ou a um su- posto "bom senso", têm história. No que diz respeito ao corpo, as experiências corporais, a cultura corporal de um povo, como mu- lheres e homens se movem, o que vêem e ouvem, os odores que atingem suas narinas, onde co- mem, seus hábitos de vestir, de banhar se, e de se divertir são diferentes.Os sincretismos culturais também estão presentes na cultura cor- poral, surgem de cada aspecto da contemporaneidade, negam os
evolucionismos unilineares e pro- gressivos e eles ocorrem porque as pessoas não aceitam automa- ticamente os novos elementos; elas selecionam, modificam e recombinam elementos no encon- tro cultural. O sincretismo pene- tra e se dissemina por meio das colagens, das montagens e pela etnicidade. Ele significa a coe- xistência ou justaposição de ele- mentos considerados incompatí- veis.
A indústria da beleza, a mídia, a indústria farmacêutica, a socie- dade de consumo, a tecnologia e a cultura narcísica, individua- lista e competitiva determinam decisivamente para a prolifera- ção de apelos voltados para a atividade física, de um lado. De outro, as comunidades carentes de informação, conhecimento e acesso ao serviço constituem caminhos "alternativos" e ainda pouco visíveis, relativos ao cui- dado e à atenção ao corpo, com base em valores que não os pre- dominantes em contextos soci- ais como o nosso. No que se re- fere ao simbólico, as pessoas e os coletivos atribuem às práti- cas corporais sentidos e signifi- cados também diversos que nos chamam a atenção para a impor- tância de um tema ainda pouco explorado não só na pesquisa, mas também na formação do pro- fissional da saúde.
Com base no pressuposto de que o "homem contemporâneo perdeu a harmonia entre ele e o ambien- te onde vive, e superar essa de- sarmonia é uma tarefa árdua" (Calvino, 1994, p. 141), ao longo
dos últimos anos temos investi- gado no sentido de entender de que modo as pessoas superam ou não essa dissonância indivíduo e ambiente a que se remete Calvino. A expressão os cuida- dos com o corpo é compreendida como referência por meio da qual as relações sociais são construídas e por meio da qual ganham sentido na vida cotidia- na. Assim, no espaço da cidade, por exemplo, lugar de multiplicidade, diversidade, integração e exclusão há elemen- tos mais do que suficientes para pensar a questão.
O cuidado com o corpo fala de nós mesmos, do nosso modo de viver e dos nossos conflitos. As- sim, pode revelar, na dimensão do gesto, do vestuário, da pala- vra, do estético, da expressão e do movimento, o quanto somos tolhidos e mutilados no dia a-dia e, ao mesmo tempo, os caminhos que encontramos para fazer a vida melhor diante da degrada- ção da qualidade de vida da mai- oria da população brasileira. A atual cultura do bem-estar, do consumo e da mídia é o tripé de uma época, muitas vezes, polari- zada na atenção ao corpo com uma visão volatilizada da pessoa. O corpo tem sido instrumentalizado como produto que precisa ser de- sejado. Nesse contexto, o consu- mo de atividade física tem cresci- do bastante também pelo apelo estético. No entanto, pesquisas mais recentes - que se fundamen- tam nas ciências sociais e huma- nas - têm demonstrado que as práticas corporais possibilitam a
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construção de caminhos que con- trastam com esses valores predo- minantes e essas atitudes imediatistas e utilitaristas da vida contemporânea.
Mapear e apoiar ações de práti- cas corporais - práticas lúdicas e de lazer - voltadas para toda a comunidade nas Unidades Bási- cas de Saúde e induzir nos ser- viços em que ainda não existam; formar e educar os profissionais de saúde com conteúdos de pro-
Bibliografia
CALVINO, I. Marcovaldo ou As estações na cidade. São Paulo: Companhia das Le- tras, 1994.
VIGARELLO, G. Les Corps Redressé. Paris, Jean Pierre Delarge, 1978
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moção por meio das práticas, in- cluindo a avaliação como parte do processo; e, estimular a pactuação entre gestores, pro- fissionais e população no sentido de estimular e oferecer acesso à diversidade das práticas nos es- paços públicos são metas a se- rem atingidas pela Política Naci- onal de Promoção da Saúde. Entretanto, da mesma forma que o conceito de práticas corporais "inova" ao atribuir sentidos e sig-
nificados ao homem em movimen- to, é preciso inovar também na atenção primária, ressignificando o atendimento e o gerenciamento de recursos (financeiros e huma- nos). Verifica-se ainda que a ori- entação dos gestores é de resul- tado, apostando os recursos em assistência médica, mesmo que existam ações dirigidas para a pro- moção, com as práticas corporais. Estas, por sua vez, vivem na tenção da corda bamba - mantidas por voluntários (sejam agentes de saúde, líderes comunitários, ou pro- fissionais de saúde), como ações isoladas e dependentes de repas- ses de verbas que podem termi- nar a qualquer momento, derru- bando o malabarista.
Diante das diversidades todas, se- ria desejável que a ênfase sobre o termo práticas corporais não significasse uma renomeação do que já existe no que se refere à cultura corporal do nosso povo, mas que apontasse para um novo entendimento e, conseqüente- mente para uma mudança das orientações no campo das políti- cas públicas dirigidas para a pro- dução de saúde no país: mais dis- tribuídas e mais sintonizadas com os interesses, necessidades e desejos da população.
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