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Garantiordningenes regnskap (fondsregnskap)

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VI. Årsregnskap

VI.2. Garantiordningenes regnskap (fondsregnskap)

O Centro de Saúde estudado – CSSJ - pertence ao Distrito Sanitário Oeste, possui uma área de abrangência de 22 Km, com uma população de 17.000 mil habitantes. A população do Centro de Saúde que tem cobertura do PSF é de aproximadamente 55%, sendo que os outros 45% não têm cobertura, porque são de áreas de baixo risco, cujos habitantes vão formar parte da demanda espontânea - que também procuram o atendimento do Centro de Saúde em diferentes situações.

Para atender à necessidade de saúde dessa população, o CSSJ conta com o seguinte quadro de pessoal:

QUADRO 2

Trabalhadores do CSSJ de acordo com o sexo, jun. 2006

Função Fem. Mas. Total

Agente Comunitário de Saúde 12 0 12

Assistente Social 1 0 1 Auxiliar Administrativo 1 0 1 Auxiliar de Enfermagem 8 0 8 Dentista 1 1 2 Enfermeiro 4 0 4 Estagiário Informática 1 1 2 Gerente 1 0 1 Médico PSF 2 1 3 Médico de Apoio 4 0 4 Porteiro 0 2 2 Psicólogo 2 0 2 Servente 1 0 1 TOTAL 39 5 44

Fonte: Centro de Saúde São João, 2006

Como se pode verificar, há uma visível predominância do sexo feminino na distribuição dos trabalhadores do CSSJ, uma realidade que se assemelha aos demais serviços da área da saúde.

O Centro de Saúde funciona de segunda a sexta-feira, das 7 às 19 h. Visando atender à demanda, foram formadas três Equipes de Saúde da Família completas: Equipe 1, 2 e 3, como são chamadas, compostas, cada uma, por uma médica generalista, uma enfermeira, duas auxiliares de enfermagem e 5 ou 6 ACS (em duas das equipes está faltando um ACS), com uma jornada de trabalho de 40 h semanais. O serviço conta com mais quatro médicas que dão suporte ao atendimento do PSF: uma médica generalista, uma ginecologista, uma pediatra e uma psiquiatra, chamadas ‘médicas de apoio’, com contratos de 20 h semanais e mais uma enfermeira para cobrir o horário de 15 às 19 h.

As características da população atendida pelas ESF variam, de modo que, a Equipe 1 possui maior número de famílias, com um trabalho considerado mais ‘pesado’ em relação a quantidade e qualidade do atendimento, pois abrange as micro-áreas onde as condições de vida de seus moradores são mais precárias e consideradas de elevado risco. Somente uma pequena parte é de médio risco, o que leva a quase totalidade de sua população a ser dependente apenas dos serviços públicos de saúde.

A Equipe 2 também atende uma demanda significativa, porém menor que a da Equipe 1; sua área abrange elevado e médio risco em proporções semelhantes. Já a Equipe 3 é responsável pela população de uma área de médio e baixo risco e tem uma demanda de trabalho considerada ‘mais leve’ em relação às outras, pois embora sua população seja extensa, o número de famílias Sus- dependente é bem menor. Também o perfil de morbi-mortalidade19 dos usuários da Equipe 3 difere dos demais, por se tratar de indivíduos, de modo geral, em melhores condições de vida e moradia.

É importante notar que, durante o período de realização da pesquisa, a gerência discutia junto à Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA), as formas viáveis para uma divisão mais igualitária dos territórios de abrangência, propondo passar algumas micro-áreas da Equipe 1 para a responsabilidade da Equipe 3, o que se concretizou ao final da coleta de dados.

As ESF organizam seus trabalhos atendendo às normas gerais estabelecidas pela SMSA, a partir das proposições do PSF. Assim, no CSSJ, pela manhã, as enfermeiras das três equipes realizam o acolhimento20 e, mediante a escuta da demanda trazida pelo usuário, definem o encaminhamento a ser dado de acordo com a avaliação do caso, conforme mostra a figura 3, de um fluxograma do atendimento - que é a reprodução de um cartaz grande, afixado na parede da recepção do CSSJ:

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Em epidemiologia morbidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação aos indivíduos sãos, mortalidade é a taxa de óbitos em relação ao número de habitantes de uma população, em determinado local e período. (BEAGLEHOLE, R. et al. Epidemiologia básica. 2. São Paulo: Santos, 2003.)

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Acolhimento é uma forma de organizar os serviços, de modo a possibilitar a escuta das demandas de todos os usuários que chegam ao CS e dar as respostas adequadas às suas necessidades. Mais detalhes ver: MATUMOTO, S. Acolhimento: um estudo sobre seus componentes e sua produção. Ribeirão Preto: EERP/USP, 1998. 216 p. Dissertação (Mestrado em Enfermagem).

Consulta médico generalista

Consulta enfermagem

Psicologia Saúde mental Psiquiatria

Assistente Social

Entrada Acolhimento

Encaminhamentos Grupo Hipertensos Diabéticos

Pediatria Curativo

Ginecologia

Outra Unidade Básica UPA

FIGURA 3 - Fluxograma do atendimento dos usuários no CSSJ

Fonte: Centro de Saúde São João, 2006

As atividades desenvolvidas na parte da tarde pelos membros das equipes são planejadas de acordo com o perfil da população e as necessidades específicas apresentadas pelos usuários. Neste período, são realizados os grupos operativos, consultas de pré-natal, consultas agendadas (incluindo retornos e puericultura), visitas domiciliares, reunião da equipe, dentre outras.

A marcação de consultas e exames especializados é feita pela auxiliar administrativa, mediante solicitação médica. Após a marcação, as consultas ou exames são comunicados aos usuários por telefone ou pessoalmente pelo ACS da equipe à qual pertencem. Essas consultas consistem num dos maiores nós críticos do Programa, como será descrito adiante.

O atendimento odontológico é agendado diretamente na recepção, contudo, os usuários encaminhados pela médica ou enfermeira da equipe têm prioridade para a avaliação. O serviço de psicologia e o atendimento psiquiátrico são agendados somente com encaminhamento da médica da equipe. O serviço de zoonose cumpre com as determinações da vigilância sanitária, seguindo as orientações do Distrito.

Boa parte dos cuidados prestados à população do Centro de Saúde é da responsabilidade das auxiliares de enfermagem que realizam a vacinação de crianças e adultos e as campanhas, de acordo com calendário vacinal estabelecido pelo Ministério da Saúde; aferição da pressão arterial; curativos e outros. A administração de medicamentos é realizada mediante prescrição médica e em alguns casos, da enfermeira.

A dispensação de medicamentos e a recepção do Centro de Saúde, embora sejam atribuições das auxiliares de enfermagem, têm sido consideradas por muitos como um desvio de função, existindo, já há algum tempo, a solicitação de um farmacêutico para responder pela farmácia e de um auxiliar administrativo para a recepção. Contudo, sabemos que não se trata de uma resolução a curto ou médio prazo, pois envolve múltiplos fatores, inclusive a mudança do quadro de pessoal da SMSA, o que não é algo fácil no âmbito dos serviços públicos. Vale notar, ainda, que as auxiliares de enfermagem são, também, responsáveis pela manutenção da infra- estrutura de atendimento do Centro de Saúde, como a organização dos prontuários, dos ambientes de atendimento; limpeza, acondicionamento e encaminhamento do instrumental para a esterilização, dentre outros.

Já o ACS permanece quase todo período fora do Centro de Saúde, cumprindo com a lista de visitas pré-estabelecidas ou definidas, na semana, pela equipe. Ele verifica as condições de saúde e as intercorrências junto às famílias de sua área de abrangência. Os usuários são orientados quanto aos serviços oferecidos pelo Centro de Saúde. Essa forma de atendimento, por meio desses contatos, é, portanto, o elo entre a comunidade e o serviço.

A organização das atividades que acontecem diariamente no CSSJ, sua dinâmica, a comunicação entre os diversos profissionais na forma de palavra, gestos ou olhares configura, na prática, uma sincronia no trabalho. Em diferentes situações,

um trabalhador aqui, outro lá, recorre ao auxílio do colega para uma informação ou uma opinião para a tomada de decisão. O ritmo frenético do trabalho, em uma manhã, no CSSJ, pode ser acompanhado por meio do Diário de observação do trabalho na recepção do dia 21/07/2006 (Apêndice D).

Esse relato nos reporta à descrição de Cunha (2006b, p. 13) sobre a temporalidade ergológica nas situações de aprendizagens:

O tempo da tarefa prescrita esquadrinha os gestos individuais e coletivos e demanda ajustamentos permanentes entre tempos profissionais e privados. No fluir do tempo esquadrinhado da tarefa, muitas equipes de trabalho constroem, através da sincronia e coordenação de seus gestos, códigos e regras do viver junto, formas de partilhar aprendizagens e valores em comum no trabalho, de transmitir saberes. Sem esse tempo carregado de aprendizagens em comum, de partilhas, de freqüentação mútua no esquadrinhamento do tempo a ser compartilhado, não pode haver trabalho cooperativo.

Como pesquisadora e trabalhadora da área da saúde, consigo acompanhar e mesmo compreender toda demanda e atenção que se processa nesse espaço, como algo já naturalizado. Contudo, buscando um afastamento dessa posição, verifico a grandeza de atitudes e a diversidade de sentimentos que afloram em diferentes situações. Confirma-se assim, que a disposição para a cooperação é muito pessoal, não tem como ser pensada a priori, pois é gerada nos campos da ética e da confiança mútua (CLOT, 2006).

In document Administrerende direktørs forord (sider 61-96)