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3 ANALYSE AV KAI

3.2 MATERIALER OG METODE

3.2.7 RCT analyse

3.2.8.4 Gamle Storneskaia

Sobre as trajetórias dos professores, destacam-se com muita incidência dois elementos que marcaram as opções pelo trabalho de docente na educação superior: a experiência com docência ainda na Educação Básica e os processos de monitoria durante a graduação, mestrado ou doutorado. Esses dois “caminhos” aparecem na trajetória de 70% dos professores.

As experiências de docência ou apoio à docência ainda na Educação Básica correspondem a 36% dos relatos. São atividades como aulas de reforço, aulas de língua estrangeira, formação no magistério do ensino médio6 ou experiências com monitorias e

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Antigas escolas normais de ensino médio. As escolas Normais ofereciam formação de professores para a educação infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental.

estágios ainda em suas escolas ainda na condição de estudantes do ensino médio. Os relatos abaixo retratam este grupo de professores:

Sempre fui professora. No antigo 2º grau, fiz o profissionalizante, o curso normal. Com 20 anos comecei a trabalhar na rede pública de ensino, na cidade de Ceilândia. Foram 15 anos como professora na educação básica. Nesse período, atuei na educação infantil, alfabetizei crianças, jovens e adultos, fui coordenadora pedagógica e diretora de escola. Sendo assim, não me tornei professora universitária como 2ª atividade profissional, uma vez que, sempre fui professora. O mestrado em educação, propiciou a oportunidade de ser professora universitária.

Minha história com o magistério teve início ainda na infância, por volta dos 11 anos [...] o que me ligou à docência foi o gosto pela Matemática. Desde a quinta série gostei de ensinar aos colegas que tinham alguma dificuldade na disciplina. Como venho de uma família carente, vislumbrei na profissão de professor garantia de emprego. Acho que valeu a pena. Antes de concluir a graduação já estava em sala de aula. Passei por várias modalidades de ensino e trabalhei com estudantes de várias idades antes de ingressar no Ensino Superior. Trabalhei em turmas regulares de Ensino Fundamental e Médio em escolas particulares e da rede pública, com ensino supletivo, pré- vestibular e até preparatório para concursos. Em 1990 recebi um convite para trabalhar no curso de Matemática da Universidade. Fiquei até surpreso com o convite, pois ainda não havia ingresso em curso de pós-graduação. Acho que valeu a penamais uma vez, pois esse ingresso me jogou para a pós-graduação e hoje trabalho diretamente com a formação de professores para a Educação Básica.

Já o caminho das monitorias (na graduação ou pós-graduação) como experiência marcante para o início da atuação na docência da Educação Superior, corresponde a 34% dos relatos. Grande parte deles sinaliza que, antes da experiência da monitoria, a docência não era um caminho delineado como opção de trabalho.

Virei professor por ter participado de um ambiente forte em pesquisa e com docentes reconhecidos internacionalmente. Era um ambiente muito politizado. Fiz Matemática Pura, em um local cheio de figurões. Todos os meus colegas queriam ficar perto dessas pessoas. Assim que entrei na universidade fiz concurso para monitoria ao final do 1o. semestre. Foi uma experiência incrível, um moleque de 18 anos disputando uma vaga para monitor de Análise Matemática [...] A monitoria tinha um papel político entre os jovens, por ser muito concorrida, e um papel de investigação/motivação que extrapolava a sala de aula. Essa combinação era perfeita, pois as inquietações e sonhos se afloravam fora de sala. Daí em diante fiz vários concursos para monitorias de diversas áreas, com o intuito de aprender. Com isso me tornei professor. Dava aulas, corrigia trabalhos, promovia grupos de estudo...

Um terceiro grupo de professores aponta a presença de alguma pessoa na família como elemento marcante da opção profissional. A opção pela profissão dos pais, mães e

outros familiares apareceu como elemento marcante para decisão de 16% dos professores.

Eu sempre quis ser professora universitária, sabe como é filha de peixe... Meu pai e minha mãe foram meus professores na graduação, então sempre estive 'ligada', 'antenada' na minha formação e em oportunidades. Quando eu estava terminando o mestrado, a minha orientadora surgiu com uma oportunidade... lecionar no curso de pedagogia [...] estavam precisando de professor para a disciplina metodologia da alfabetização, como o meu mestrado foi na área de alfabetização de jovens e adultos, me candidatei, participei de uma banca e passei... cá estou!!! Desde pequena sabia que queria ser professora, fiz magistério, licenciatura em psicologia e quase conclui uma licenciatura em Educação física, fui professora alfabetizadora de crianças e de adultos durante 5 anos, até entrar na Universidade...

Outro relato demonstra o vínculo entre as relações familiares e a opção pela docência. Um professor, no final de sua primeira exposição no fórum sobre sua trajetória, expôs seus sentimentos quanto à docência e o sentido da docência, relembra do seu avô (que foi seu alfabetizador).

Ah, queria deixar aqui a presença inesquecível de meu avô: ele era autodidata, pastor de cabras, e foi quem me iniciou nas primeiras leituras, com muita paciência, com muito carinho sobre seu colo, aos 4 ou 5 anos me lendo todos os dias seu jornal. Obrigado Dom Maurício!!7

Ainda encontramos 9% dos docentes que sinalizam terem recebido um convite para atuar como professor já depois da formação superior, o que teria sido o fator relevante, ou seja, para estes, a questão da docência não estava apontada por uma decisão anterior ou ainda por uma experiência vivida na própria formação. Ainda encontramos 5% do grupo que aponta para motivos diversos.

Como um resultado das primeiras impressões, percebe-se que 52% dos professores apresentam em seus relatos, elementos de decisão pela docência já muito cedo em suas trajetórias, ou seja, por influência familiar direta ou ainda por experiências durante a Educação Básica.

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O professor explicou em outra oportunidade que seu avô era descendente de uma tribo indígena (Os Diaguitas, que ficam situados no nordeste da Argentina). Lá os avôs eram responsáveis pela educação dos “filhos de seus filhos”.

Se forem incluídos os professores que sinalizam como elemento marcante a experiência com a monitoria durante a graduação e pós-graduação, temos um subgrupo de 86% dentro do grupo dos professores pesquisados. É possível afirmar, ainda como fruto das primeiras impressões, que, para a maioria dos professores, a própria experiência com a educação (direta ou indireta) foi relevante na decisão pela atuação como docente.

Outro elemento, que será retomado no próximo capítulo sobre o contexto, é o significado de uma opção profissional a partir de um modelo construído em uma experiência anterior. Se a experiência escolar (direta ou indireta) pode ter sido marcante para opção pelo trabalho docente, podemos nos perguntar sobre a “força” dos modelos de docência experimentados durante a formação básica e superior para a futura prática pedagógica como professor. Esta questão será retomada na discussão sobre qualificação e formação continuada.

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