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Fysiske utfordringer

In document Pasientens opplevelse av KOLS (sider 20-23)

A apresentação da tipologia da visibilidade serve como complemento adicional ao esclarecimento da pedagogia da visão e da estrutura de argumentação da constatação da visão. A análise de apenas seis aparecimentos, segundo a cronologia dos fatos e através das unidades simples (parágrafos), tem por objetivo ressaltar as instâncias educativas e demonstrativas vinculadas às condições de visibilidade (e de invisibilidade) segundo a hierarquia de valor: da recusa do invisível, passando pela crítica da visibilidade não-discursiva explícita (o visível audível ou inaudível) e da visibilidade discursiva horizontal (explícita, direta, imediata, consciente, intencional), até a defesa da visibilidade discursiva vertical (prática, imanente, anônima). Neste sentido, a descrição da tipologia da visibilidade também é um complemento ao entendimento das relações entre audição e visão de acordo com os contatos entre invisível e inaudível, invisível e audível, visível e inaudível e visível e audível segundo o modelo de inteligibilidade da axiologia da hierarquia e da estratégia de guerra acompanhado da análise da especificidade de cada exemplo184.

O primeiro aparecimento da tipologia da visibilidade está localizado no décimo- segundo parágrafo do terceiro capítulo, “A formação dos objetos”, da segunda parte, “As regularidades discursivas”, de A arqueologia do saber. Seu contexto é a apresentação da distinção entre relações primárias ou reais, secundárias ou reflexivas e discursivas (ver AS, p. 52).

As relações primárias são aquelas estabelecidas entre instituições, técnicas, formas sociais, etc. São exteriores ao discurso (e independentes deste) e representam a visibilidade não-discursiva explícita:

(...) elas nem sempre podem ser sobrepostas às relações que são formadoras de objetos: as relações de dependência que podem ser assinaladas nesse nível

184 Ver supra, no “Capítulo 1 – Epistemologia da percepção: relação entre os sentidos”, especialmente

primário não se exprimem, forçosamente, no relacionamento que torna possíveis objetos de discurso. (AS, p. 52)

Distintas destas dependências reais, as relações secundárias são internas ao discurso, mas não reproduzem “... o jogo das relações que tornam possíveis e sustentam os objetos do discurso...” (AS, p. 52) Representam a visibilidade discursiva explícita. As relações discursivas são distintas das duas outras, anteriores, já que representam a visibilidade discursiva prática:

Assim se abre todo um espaço articulado de descrições possíveis: sistema das relações primárias ou reais, sistema das relações secundárias ou reflexivas, e sistema das relações que podem ser chamadas propriamente de discursivas. O problema é fazer com que apareça a especificidade dessas últimas e seu jogo com as outras duas. (AS, p. 52)

O segundo aparecimento da tipologia da visibilidade está situado no décimo-sexto parágrafo do terceiro capítulo, “A formação dos objetos”, da segunda parte, “As regularidades discursivas”, de A arqueologia do saber. Seu contexto é a descrição da avaliação do projeto inicial de procura da unidade do discurso junto à multiplicidade dos objetos (ver AS, p. 53-4).

A análise do exemplo da psicopatologia, extraído de História da loucura, permite distinguir a visibilidade discursiva explícita da visibilidade discursiva imanente:

(...) tínhamos usado, a título de marco, uma “unidade” como a psicopatologia: se tivéssemos querido fixar-lhe uma data de nascimento e um domínio preciso, teria sido necessário, sem dúvida, reencontrar o aparecimento da palavra, definir a que estilo de análise ela poderia aplicar-se e como se estabeleceria sua separação, por um lado, da neurologia e, por outro, da psicologia. O que se descobriu foi uma unidade de um outro tipo, que não tem provavelmente as mesmas datas, nem a mesma superfície, nem as mesmas articulações, mas que pode dar conta de um conjunto de objetos para os quais o termo psicopatologia não passava de uma rubrica reflexiva, secundária e classificatória. (AS, p. 53)

Para a pedagogia da visão, a aparência (visibilidade discursiva explícita, referente às relações secundárias ou reflexivas) é uma ilusão que remete à visão diferente (visibilidade discursiva imanente, referente às relações propriamente discursivas) como necessidade de ver mais.

O terceiro aparecimento da tipologia da visibilidade está presente no primeiro parágrafo do quinto capítulo, “A formação dos conceitos”, da segunda parte, “As regularidades discursivas”, de A arqueologia do saber. Seu contexto é a apresentação da busca de uma lei de emergência sucessiva ou simultânea de conceitos discordantes (que não seja uma sistematicidade lógica) – ver AS, p. 63.

A busca de uma lei de emergência sucessiva ou simultânea de conceitos discordantes é uma alternativa ao abandono da sistematicidade lógica dos conceitos que não seja uma entrega à aparência de desordem dos conceitos. A sistematicidade lógica é a visibilidade discursiva explícita comandada pela invisibilidade da virtualidade dedutiva, e a emergência,

sucessiva ou simultânea, de conceitos discordantes é a visibilidade discursiva imanente (do aparecimento):

Não se poderia encontrar uma lei que desse conta da emergência sucessiva ou simultânea de conceitos discordantes? Não se pode encontrar entre eles um sistema de ocorrência que não seja uma sistematicidade lógica? Antes de querer repor os conceitos em um edifício dedutivo virtual, seria necessário descrever a organização do campo de enunciados em que aparecem e circulam. (AS, p. 63, grifo nosso)

O quarto aparecimento da tipologia da visibilidade está localizado no sexto parágrafo do quinto capítulo, “A formação dos conceitos”, da segunda parte, “As regularidades discursivas”, de A arqueologia do saber. Seu contexto é a crítica à construção interna dos conceitos para a descrição do sistema de sua formação como pré-conceitual (ver AS, p. 66-7).

A descrição do sistema de formação conceitual é uma crítica à visibilidade discursiva explícita (direta e imediata, manifesta): “A descrição de semelhante sistema [de formação conceitual] não poderia valer por uma descrição direta e imediata dos próprios conceitos.” (AS, p. 66, grifo nosso) E um apelo à visibilidade discursiva imanente (anônima):

Colocamo-nos na retaguarda em relação a esse jogo conceitual manifesto; e tentamos determinar segundo que esquemas (de seriação, de grupamentos simultâneos, de modificação linear ou recíproca) os enunciados podem estar ligados uns aos outros em um tipo de discurso (...). Esses esquemas permitem descrever – não as leis de construção interna dos conceitos, não sua gênese progressiva e individual no espírito de um homem – mas sua dispersão anônima através de textos, livros e obras (...) (AS, p. 66-7, grifo nosso)

Notemos que a visibilidade discursiva explícita (interna) é consciente, intencional e progressiva; já a visibilidade discursiva imanente é anônima e impessoal. Esta visibilidade discursiva imanente (anônima) é o pré-conceitual: “Tal análise refere-se (...) em um nível de certa forma pré-conceitual, ao campo em que os enunciados podem coexistir e às regras às quais esse campo está submetido.” (AS, p. 67) Para a pedagogia da visão, existe a passagem da aparência como ilusão (visibilidade discursiva explícita, manifesta, direta e imediata) à visão diferente como necessidade de ver mais e com maior minúcia (visibilidade discursiva imanente e anônima).

O quinto aparecimento da tipologia da visibilidade está situado no sétimo parágrafo do quinto capítulo, “A formação dos conceitos”, da segunda parte, “As regularidades discursivas”, de A arqueologia do saber. Seu contexto é a análise do exemplo da gramática geral para o entendimento do pré-conceitual (ver AS, p. 67).

A análise dos quatro esquemas teóricos que caracterizam a gramática geral nos séculos XVII e XVIII, estudados em As palavras e as coisas, indica a recusa do modelo de passagem da aparência como ilusão (visibilidade discursiva manifesta) à invisibilidade:

Esses quatro esquemas – atribuição, articulação, designação e derivação – não designam conceitos efetivamente utilizados por gramáticos clássicos; não permitem tampouco reconstituir, acima de diferentes obras de gramática, uma espécie de sistema mais geral, mais abstrato, mais pobre, mas que descobriria, por isso mesmo, a compatibilidade profunda desses sistemas aparentemente opostos. (AS, p. 67, grifo nosso)

Para a pedagogia da visão, a passagem da aparência como ilusão (visibilidade discursiva manifesta, consciente: conceitos efetivamente utilizados) não é uma remissão à invisibilidade ou à generalidade através da abstração (reconstituição, acima da visibilidade discursiva manifesta, de sistema mais geral, mais abstrato, que descobriria a compatibilidade profunda), mas sim a busca da visão diferente (visibilidade discursiva imanente, anônima) mediante minúcia e especificidade.

O sexto aparecimento da tipologia da visibilidade está presente no terceiro parágrafo do sétimo capítulo, “Observações e consequências”, da segunda parte, “As regularidades discursivas”, de A arqueologia do saber. Seu contexto é o questionamento da eficácia descritiva das formações discursivas para a definição de unidades (ver AS, p. 79).

Os distintos discursos comportam uma dispersão de elementos:

(...) essa própria dispersão (...) pode ser descrita, em sua singularidade, se formos capazes de determinar as regras específicas segundo as quais foram formados objetos, enunciações, conceitos, opções teóricas: se há unidade, ela não está na coerência visível e horizontal dos elementos formados; reside, muito antes, no sistema que torna possível e rege sua formação. (AS, p. 79, grifo nosso)

Existe crítica da visibilidade horizontal (que é a visibilidade discursiva manifesta, explícita) e defesa da visibilidade vertical (que é a visibilidade discursiva imanente, anônima – do sistema regular de formação). Sobre a oposição entre visibilidade horizontal e vertical, ver supra comparativa e complementarmente o nono aparecimento da estrutura de argumentação da constatação da visão.

Discurso da visão: reciprocidade entre processo pedagógico e constatação

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