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4.1 Resultatdiskusjon 15

4.1.3 Fysisk kontakt forebygger stress

A criação de bovinos, como atividade rural em escala industrial, tem origem na metade do século XIX e está estreitamente associada tanto ao excedente da produção de grãos, particularmente o milho e o trigo, quanto ao crescimento urbano e aumento de poder aquisitivo dessa população que, progressivamente, tornou-se capaz de pagar um preço mais elevado que o dos cereais, Boutonnet & Simier (1995) .

O produtor rural é o primeiro agente da cadeia da carne bovina e o responsável pela produção da matéria-prima. Sua atuação é determinante para todo o comportamento da cadeia, face ao longo ciclo de obtenção e nível de disponibilidade dessa matéria-prima, bem como pelo impacto de sua atuação na sanidade, rastreabilidade, padronização e propriedades organolépticas dos produtos dela obtidos.

As principais raças produzidas atualmente no Brasil são:

Angus-Brangus (Aberdeen Angus ou Polled Angus); Blonde Daquitaine; Bradford; Canchin; Caracu; Chianina; Gir; Gir Leiteiro; Girolando; Guzerá; Hereford; Holandês; Jersey; Limousin; Marchigiana; Nelore; Pardo suíço; Santa Gertrudes; Simbrasil; Simental .

Conforme Bracarense Costa (1996), a composição do rebanho brasileiro tem alto nível de participação zebuína, cerca de 80 a 85% do contingente nacional. De acordo com Ferreira Lemos (2002):

“...[]...a prática mais comum é a do uso de raças européias em cruzamentos com vacas zebus ou azebuadas. Os mestiços daí derivados exibem crescimento mais rápido, maior precocidade, melhor eficiência reprodutiva e produzem carcaças mais pesadas e de melhor rendimento”, (Ferreira Lemos, 2002).

Ainda de acordo com esse autor, entre os objetivos dos cruzamentos de raças estão o aumento da resistência, vigor e adaptabilidade. Assim tem-se:

ƒ formação de novas raças; no Brasil as mais conhecidas e comercialmente usadas são as seguintes: Canchim (5/8 Charôles + 3/8 zebu), Ibáge (5/8 Angus + 3/8 Nelore), Santa Gertrudis (5/8 Shorthorn + 3/8 Brahman), Pitangueiras (5/8 Red Poll + 3/8 Guzerá). ƒ complementação entre raças; as européias transmitem genes

que as zebuínas transferem genes que são responsáveis por tolerância e maior adaptabilidade às condições ambientes mais diversas da exploração.

A produção de bovinos é dividida em três fases técnicas denominadas cria, recria e engorda, conforme figura 4.2.

Figura 4.2 Fases da produção pecuária bovina

Fonte: Elaborada pelo autor

Segundo Boutomet & Simier (1995):

“....[]...a carne é o resultado de sistemas extremamente variados que podem se agrupar, do ponto de vista de seu funcionamento, em três modelos diferentes: criação familiar, criação extensiva ou criação em ambiente especializado intensivo”, (Boutomet & Simier, 1995, p.18).

Ainda segundo esses autores, a criação familiar é baseada na produção bovina com pequena escala em cada unidade. Os animais são criados em regime de compartilhamento da mão-de-obra com o trato de outros animais e compartilhamento de área também com a produção vegetal. É um sistema que tem por objetivo a geração de produtos diversificados para a venda ou consumo próprio. A alimentação animal é constituída por uma combinação de restos agrícolas e domésticos, forragens cultivadas

RECRIA

24 meses Bezerros selecionados como

reprodutores

venda Reprodutores antigos

Reprodutores novos

ENGORDA

Idade para reprodução Primeiro parto Zebuínos – 30 a 36 meses Européias – 24 a 27 meses Idade na recria 12 a 36 meses t Monta 150 dias CRIA Gestação 275 a 293 dias verão primavera desmame 6 a 8 meses de idade Reprodutores mantidos engorda Bezerros nascidos e

selecionáveis Reprodutores antigos

descartáveis Bezerros nascidos para

engorda e descarte Descarte

ou compradas e de pequenas superfícies de pastagem. A criação familiar é um modelo de produção que, como parte de uma cadeia coordenada com agentes industriais, só ganha importância dentro de sistemas associativos de produtores, capazes de atender as exigências de volume, sanidade, rastreabilidade e periodicidade das indústrias.

A criação extensiva é baseada no uso de pastagens naturais, necessitando, portanto, de grandes áreas de produção. As fases técnicas de reprodução, nascimento e criação são, em geral, exercidas na mesma unidade. Entretanto, na maior parte das vezes, os animais são vendidos ainda magros, antes da engorda, que passa a ser feita em regiões mais favoráveis. É um modelo de produção que pode ser adequado às exigências de uma cadeia coordenada, com agentes industriais, se dispuser do controle necessário ao atendimento das demandas de sanidade, padronização e rastreabilidade das indústrias e do mercado consumidor.

Ainda conforme Boutomet et al. (1995), a criação em ambiente especializado intensivo é adequada sob condições de grande número de animais e disponibilidade de cereais a baixos preços. Funciona a base de um forte consumo de forragens compradas, de uma forte intervenção das aquisições técnico científicas, e de uma separação das fases técnicas da produção (seleção, reprodução, criação e engorda) efetuadas em unidades geralmente distintas, com tamanhos diferentes.

Nesse modelo, os animais são confinados em piquetes ou currais com área restrita e os alimentos e água necessários são fornecidos em cochos. O gado é mantido em cada piquete por períodos máximos de 3 dias, para não ocorrer degradação e pisoteio excessivo da pastagem e para manter o ganho de peso dos animais.

O sistema de confinamento é mais apropriado para a utilização na fase de engorda, ou seja, imediatamente anterior ao abate e, portanto, na fase de acabamento das carcaças dos animais a serem comercializados, quando se procura promover a acumulação de gordura nos tecidos do animal tornando sua carne mais macia.

Segundo Bracarense Costa (2004):

“....[]...Este é um modelo de produção bastante adequado as exigências de uma cadeia coordenada, com agentes industriais, tanto por dispor do controle necessário ao atendimento das demandas do mercado, quanto por permitir a oferta de um produto mais homogêneo e qualificado, em ciclos de produção mais curtos”,(Bracarense Costa, 2004).

Os empreendimentos que se dedicam ao confinamento, em sua maioria, vendem seus animais para frigoríficos exportadores, grandes compradores de bovinos na entre safra. Poucos são os confinamentos que vendem para apenas uma empresa. Os frigoríficos mais citados de acordo com pesquisa realizada entre os 50 maiores confinamentos brasileiros foram: Bertin - 36%, Friboi - 34%, Marfrig - 30%, Minerva - 20% e Margen 12%, (Cavalcanti et al., 2004).

Entretanto, nenhum dos três modelos, isto é, familiar, extensivo e intensivo é integralmente adotado por qualquer país em seu modo puro, seja por razões sociais, seja como função do descarte do rebanho leiteiro, seja por razões de ordem econômica. Os sistemas coexistem funcionando paralela e complementarmente, caso em que uma fase técnica é exercida sob um modelo e a seguinte sob outro ou ainda de forma híbrida, quando algumas práticas de um modelo são adaptadas ao contexto de outro. Assim, a cria geralmente ocupa as áreas de campo nativo ou pastagens permanentes; a recria ocupa as áreas cultivadas ou melhoradas e; a engorda ocupa as áreas cultivadas mais velhas e com suplementação alimentar, quando necessário.

De acordo com Da Silva, & Batalha, (1999):

“...[]...De forma simplificada pode-se reconhecer pelo menos dois sistemas de produção: um sistema tradicional e um sistema melhorado...[]... No sistema tradicional, predomina a pecuária extensiva, dependente basicamente do suprimento de nutrientes pelos pastos, restringindo-se a suplementação alimentar ao fornecimento de sal comum aos animais....[]... No sistema melhorado, é crescente a preocupação com a manutenção e melhoria da qualidade das pastagens, verificando-se maior emprego de fertilizantes, utilização de rotação das pastagem/culturas e implantação de culturas forrageiras anuais de inverno e verão” (Da Silva, & Batalha, 1999, p.31).

4.3.2 Processo de produção rural