2.4 Spørsmålsoversikt
2.4.14 Fysisk aktivitet
Que materiais subsistem a uma performance teatral, musical ou de dança? Esta é a primeira questão a que me proponho responder, enumerando e caracterizando alguns desses mesmos materiais.
Todavia, considero importante iniciar essa resposta com uma breve contextualização acerca desses materiais através da própria essência das artes performativas. Assim, e citando Umberto Eco: “o corpo humano, os artefactos, a
73 Gordon Craig (1872-1966), foi actor, cenógrafo, produtor e encenador inglês. 74 Alvarez, José Carlos (ed.), Op. Cit.,SIBMAS, 1994, p. 13.
34 música, as expressões literárias (…) estão em jogo ao mesmo tempo”75. Nesta citação, Umberto Eco alerta-nos para a articulação e diálogo de várias expressões artísticas quer seja num espectáculo teatral, musical ou de dança ou de junção entre os três, como a ópera ou um bailado. Para a realização destas artes, reúnem-se várias linguagens artísticas (literatura, música, coreografia, artes plásticas, arquitectura, etc.), aplicando-se diversas técnicas próprias destas artes (técnicas vocais e instrumentais, representação, coreográficas, interpretação) e técnicas de som, imagem, iluminação, cenografia, figurinos, entre outros. Assim, a origem deste património material é múltipla, tais como as suas tipologias e suportes.
Como já referi anteriormente, as artes performativas dão origem tanto a patrimónios materiais móveis como imóveis. No que diz respeito aos patrimónios materiais imóveis, estes englobam todos os edifícios que albergam este género de manifestações artísticas, ou seja, os Teatros, Clubes, Sociedades ou Galerias que nas suas instalações comportem uma sala de espectáculos construída expressamente ou adaptada para essa prática. Estes edifícios, os ainda existentes, são, igualmente, locais de recolha e preservação de patrimónios materiais móveis provenientes das artes performativas. A importância da preservação destes locais como património edificado, possibilita a quem se dedica ao estudo destas temáticas estabelecer as influências internacionais na conceção dos Teatros, a evolução da arquitetura em técnicas como a acústica, a dimensão do espaço necessário para albergar o público, o que nos ajuda a elaborar uma estimativa da assiduidade e quantidade de público, já para não mencionar, a sua importância a nível da história da arte, no estudo da sua concepção e decoração.
No que concerne aos patrimónios materiais móveis, podemos, aqui, referir as mais relevantes tipologias, não esquecendo que a criação de novas obras produz, também, novas tipologias de materiais. Assim sendo, alguns exemplos desse património são os instrumentos musicais, fonogramas, figurinos, material de cenografia (telões, maquetas, adereços de cena), trajes, maquinaria de cena, fotografia e documentos gráficos que abrangem partituras musicais, textos dramáticos, programas, cartazes, bilhetes, desenhos, recortes de jornais, tratados, carteiras profissionais, diplomas, postais ilustrados relativos a artistas, companhias, grupos e aos Teatros ou casas de espectáculo.
35 A nível de conservação destes tão abrangentes patrimónios, as questões dos suportes coloca-se. Podemos encontrar os mais distintos materiais de suportes, tanto sintéticos, orgânicos ou mistos, como tais: metal, madeira, pele, papel, têxteis, vinil ou plásticos.
No entanto, é preciso não esquecer a utilização das novas tecnologias de imagem e som na produção destas performances e, como tal, as tipologias patrimoniais, hoje em dia, já têm vindo a receber imensas alterações. Lisbet Grandjean76 alertava-nos, já, para esta problemática nos seus artigos: “there has been a change in the way in which you create a drama and also in the way in which you perform dramas or operas, ballets ou musicals. I think these alterations are going to change the documentation work on the theatre museums. […] We shall not in the next century have the same documentary material in your theatre museums as we have today and that it will be very difficult to set up exhibitions, which can give proper informations about the many different sorts of performances, we already produce nowadays”77. Ainda assim, qual a razão para preservar estes patrimónios? Qual a sua função?
Estes patrimónios são essenciais para o cumprimento das seguintes funções: conhecimento das práticas performativas, sejam as oriundas dessa mesma prática (texto, maquetas, trajes, partituras) ou que documentem essas práticas (gravuras, fotografia, programas, cartazes, recortes de imprensa); o conhecimento de aspectos inerentes a essas práticas performativas (diplomas, arquivos correntes, carteiras profissionais); fruição estética e artística bem como pontos de partida para a evolução técnica e a criação de novos paradigmas artísticos.
Apesar destes importantes contributos dados a partir destes patrimónios, André Veinstein78, lança uma premissa muito pertinente acerca dos patrimónios materiais oriundos das artes performativas, denominando-os de “vestígios”, ou seja, na sua concepção estes “vestígios” são concretizados por documentos e objectos produzidos para e a partir da performance artística e permitem aproximações ao que foi o
76Lisbet Grandjean: Directora do Teatermuseet (Copenhaga) entre 1982-2002. 77 Alvarez, José Carlos (ed.), Op. Cit., SIBMAS, 1994, p. 17-19.
78 André Veinstein: Teórico do teatro, foi professor universitário na Universidade de Sorbonne – Paris
VIII: Veinstein, André, La Mise en scène théâtrale et sa conddition esthétique, Paris, Libraire théâtrale, 1992.
36 espectáculo, mas que não podem pretender alcançar a reconstituição integral do mesmo79.
Assim, uma questão predomina: “Etait-il possible, à partir de ces éléments, de ce faire une idée assez realiste de ce qu’était, à l’epoque l’art de la scène et d’imaginer le déroulement d’une réprésentation?”80.
André Veinstein, apoiando-se na sua concepção acerca destes elementos, responde da seguinte forma: “Isso requereria, necessariamente, voz, gestos e reacções vivas, tanto dos artistas como do público, condições que se perdem imediatamente no final de cada apresentação.”81.
Com esta afirmação, estabelecemos a ponte para as questões em torno da dimensão imaterial deste género de manifestações artísticas.