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FV65 Standal – Festøy

6. Vurdering av sikringstiltak

6.4. FV65 Standal – Festøy

Os homens são criaturas que agem e falam através dos seus atos e palavras, os indivíduos vão construindo uma história pessoal, exclusiva e intransferível, que é revelada a partir da sua identidade. (CRITELLI, pg. 57, 2013).

Ainda segundo a autora acima: o fenômeno que chamamos de “eu” está espalhado ao longo da nossa existência, aparecemos no mundo através do nascimento como indivíduos únicos absolutamente diferentes de todos que nos antecederam e nos sucederam, portanto nesse espaço entre testemunhos, gestos, palavras, vão sendo construídos indivíduos ganhando sua própria identidade pessoal (CRITELLI , 57, 2013).

Finalizando com Critelli (2013) temos: “ há uma diferença importante a ser observada entre os atos e as palavras, pois apenas as palavras têm a capacidade de revelar o sentido de um gesto e distinguir o sujeito dos atos dos outro agentes. A identidade de um individuo esta tramada inexoravelmente com os outros com os quais com quem convive e com o mundo em que habita.

A seguir serão transcritas entrevistas , que expressaram a noção de identidade e desejo no processo de institucionalização

Estas entrevistas que têm como foco principal a escuta tem como instrumento mais significativo a fala que é gravada. Umas das facilidades encontradas na hora de realizar as entrevistas e que as entrevistadas gostam de conversar.

A pesquisa proposta pode ser caracterizada como qualitativa. A escolha da abordagem qualitativa deve-se ao fato de querer entender a identidade do idosos dentro da instituição de longa permanência e como a mesma se relaciona com o desejo. A abordagem qualitativa ajuda nas respostas de temas particulares e questões especificas. Minayo (2012),destaca que o foco de pesquisas qualitativas é explorar as opiniões e representações sociais sobre o tema que se busca investigar. Para essa autora, a pesquisa qualitativa aborda um nível de realidade que não pode ser quantificado.

Pretende-se utilizar como instrumento de pesquisa a entrevista aberta . Segundo Duarte (2005), para haver uma boa pesquisa, deve-se utilizar fontes capazes de ajudar a responder ao problema proposto.

A seleção de pessoas entrevistadas se deu de forma intencional pela pesquisadora. Devido à experiência profissional que tenho atualmente tendo possibilidade de conhecer as pessoas e selecioná-las de acordo com o objetivo proposto nesta pesquisa.

Entre as qualidades da metodologia proposta destaca-se a flexibilidade, pois permite ao entrevistador definir os termos de respostas e ao pesquisador ajustar livremente as perguntas.

De acordo ainda com Duarte (2005, p. 62), “a entrevista é um recurso metodológico que busca, com base em teorias e pressupostos definidos pelo investigador, recolher respostas a partir da experiência subjetiva de uma fonte, selecionada por deter informações que se deseja conhecer”.

Duarte (2005), citam que os dados coletados serão interpretados e reconstruídos pelo pesquisador. As perguntas permitem explorar um assunto ou aprofundá-lo, compreender o passado, analisar, discutir e estabelecer perspectivas. Possibilita ainda identificar problemas e detalhes, obter valores e interpretações e caracterizar a riqueza do tema.

Na entrevista não se busca quantificação ou representação estatística. Não se procura saber algo como “quantas” ou “qual a proporção” de pessoas.

O interesse não é definir amplitude ou quantidade de um fenômeno, mas saber como é percebido pelo conjunto de pessoas entrevistadas, fornecendo subsídios para a compreensão de uma situação.

Duarte (2005), ressalta que estabelecidas as limitações e condições, a entrevista é uma ferramenta bastante útil para lidar com problemas complexos ao permitir uma construção baseada em relatos da interpretação e experiência, assumindo-se que não será obtida uma visão objetiva do tema da pesquisa.

Pretende-se gravar as entrevistas para se ter dados mais fidedignos por meio dos registros das falas dos informantes (DUARTE, 2005).

As entrevistas são complementadas por anotações que possam ser úteis, como dúvidas, aspectos e idéias que não tenham sido verbalizados (DUARTE, 2005).

Sujeitos da Pesquisa

Idosos moradores da ILPI, foram entrevistadas 06 idosas entre 75 e 95 anos. Critérios de inclusão

- Idosos que residem na ILPI.

- Idosos que aceitarem participar da pesquisa e/ou familiares que autorizarem a participação do idoso na pesquisa.

- Idosos que assinarem o TCLE.

Assim, a partir do que foi explicado temos como objetivo geral entender quais ações possibilitam ganhos no sentido social para os idosos se vivenciarem nas ILPI’s novos sujeitos.

Os objetivos específicos se limitam a levantar ações que explicitem os desejos dos sujeitos; classificar ações; identificar critérios positivos e negativos das ações implantadas.

Para a seleção dos idosos levou-se em conta o critério de lucidez, não podendo ter diagnostico de seqüela neurológica.

As entrevistas transcorreram tranquilamente, as entrevistadas entenderam as perguntas formuladas.

As entrevistadas na presente pesquisa passaram a ter o nome mudado para siglas não identificando quem são. Abaixo apresentamos as siglas e a idade, estado civil, escolaridade, número de filhos e a quanto tempo está na instituição.

1. A.M – 95 anos, Viúva, primário, três filhos, tempo de instituição 2 anos. 2. A.D – 75 anos, Viúva, 4ª serie, seis filhas, tempo de instituição 4 anos. 3. E.D – 94 anos, Viúva, primário, três filhos, tempo de instituição 5 anos 4. R.A – 81 anos, Solteira, ginásio, sem filhos, tempo de instituição 5

anos

5. R.E – 77 anos, Viúva, ensino superior, um filho,., tempo de instituição 5 anos

6. A.N – 89 anos, Viúva, primário, sem filhos, tempo de instituição 2 meses.

Todas responderam sem dificuldade o tempo que residem na instituição. Quanto ao número de filhos, ter filho não é uma garantia de cuidado, pois percebemos nestas entrevistas a diferença do número de filhos entre elas. No entanto existem fatores que interferem na permanência dessas idosas junto de seus familiares idosos, como saída dos membros da família para o mercado de trabalho (ALCÂNTARA, 2009).

Roteiro de entrevistas

1) Qual o seu nome? 2) Qual a sua idade? 3) Qual o seu estado civil? 4) Qual a sua escolaridade?

5) Possui filhos? ( ) Não ( ) Sim. Quantos: 6) Há quanto tempo reside nesta instituição? 7) O que o levou a escolher a instituição?

8) Qual atividade gosta de fazer no dia a dia?

9) Qual atividade fazia e que hoje, com a idade, já não consegue mais fazer?

10) Em seu ponto de vista, o que é envelhecer? 11) Quais os seus desejos neste momento? 12) O que é desejo para você?

A partir da sétima questão presente no roteiro de entrevista, temos as interpretações das entrevistadas.

Sétima questão: O que levou a escolher a instituição?

¨ 1. A.M- Eu achei melhor, porque ficar sozinha lá não dava, eu gosto

daqui, devia ter vindo antes, eu gastei muito lá com as empregadas, e aqui estou bem graças a Deus. Fica mais barato aqui do que em casa e o melhor é que aqui tenho companhia lá não tinha era só eu.

2. E.D - Tive um acidente. Quebrei o fêmur.

3. E.M- Ai bem, a verdade não fui eu que escolhi foi o filho que facilitou pra eles três. Eu ter um filho médico mais perto de mim se eu precisasse de alguma coisa, ai então fiquei, vim, me senti bem, e fiquei.

4. R.A - Não fui eu que escolhi, foi minha sobrinha, ela falou que eu não podia ficar sozinha, eu queria ficar com ela, mas ela disse que não podia porque ela precisa sair.

5. R.E - Foi ele que escolheu .(filho)

6. A.N A – Eu estava com dificuldades para fazer a comida, estava difícil para mim, não estava mais agüentando, eu nem sai de casa quase não saia, então achei que não tinha mais condição, já cai muitas vezes, foi então que me indicaram aqui, achei que não tinha mais condição de viver sozinha, o único meio foi esse.¨

As entrevistadas A.M e A.N escolheram por vontade própria irem para a instituição, sem interferência de qualquer pessoa da família. Assim percebe-se a independência da escolha claramente colocada no seu depoimento.

As demais entrevistadas a escolha para as idosas residentes na ILPI foi feita pelos filhas filhos e sobrinhos.

As razões, como estas idosas chegaram a instituição vão de encontro com os estudos gerontológicos, que apontam questões monetárias , fragilização , incapacidade assistencial , morte do cônjuge, falta de filho (a) ou pessoas para cuidar, e assim as relações sociais e institucionais naturalmente protegem contra o desamparo e a falta de proteção.

Quem atinge a velhice sem tomar as diversas providências necessárias para a sua sobrevivência no resto de sua vida, estará submetido à vontade de outras pessoas.(CÔRTE, 2006).

Oitava questão: Qual atividade gosta de fazer no dia a dia?

¨1.A.M - Aqui eu aprendi o que não sabia, pintura eu não sabia quando eu entrei aqui, eu não sabia jogar dominó, não sabia montar quebra cabeça, eu gosto de tudo isso.

2 A.D- Ler uma revista,pensar em namorar e bater um papo com amigas.

3 E.D- Ah eu gosto, eu gosto de ler, eu faço tricô e mexo no computador e assim o dia passa.

4 R.A- Eu não sei porque não gosto fazer atividade, é ruim ser assim, eu gosto de assistir programa religioso, assistir a missa, ai eu gosto.

5 R.E - De tocar teclado e de pintar. 6 A.N – Ler e aprendi aqui a tocar violão.

De acordo com a realidade que encontra-se o idoso independente, é possível realizar inúmeras atividades, desde que o mesmo queira , observa-se nas entrevistadas, A.M, A.D E.D, R.E e A.N a vontade da realização de atividades propostas no dia a dia.

Em relação a R.A ,a mesma não gosta e não quer realizar qualquer tipo de atividade, passo então que a mesma até faz mas estimulada pelos profissionais, contudo fica claro que a vontade dela não é participar das atividades.

Busca–se na ILPI fomentar novas possibilidades elas são fontes de prazer, alegria e novos descobrimentos como é da entrevista A.N que esta aprendendo a tocar violão .

Nona questão: Qual atividade fazia e que hoje com a idade já não consegue mais fazer?

¨1. A.M- Ser dona de casa, principalmente fazer limpeza, agora não dá mais.

2. A.D- Dançar e namorar.

3. E.D - Quando eu era dona de casa, cuidava de tudo sozinha mas com a idade a coisa foi ficando difícil, mas até os setenta anos eu ainda tomei conta da minha casa, eu e meu marido. Eu nunca fui de muita coisa assim, sempre fui muito tranqüila, sempre bordei um pouco, sempre fiz tricô, mexia na máquina, fazia roupinha pras crianças quando eles eram pequenos, depois como era tudo homem não tinha muito o que enfeitar, tinha que comprar roupa de homem naquela época era

mais difícil.

4. R.A- Há quando eu morava com minha irmã- surda muda, ela não gostava de fazer serviço de casa. Então eu fazia o serviço de casa, fazia comida, lavava roupa, passava, porque ela não gostava de fazer serviço de casa, eu tinha que fazer. Não fazia passeio só à missa no domingo não perdia, quando estava na cidade. Quando Estava no sitio não dava.

5.R.E- Tocar teclado como antes e pintar quadros.

6. A.N – De passear .¨

Observa-se durante a entrevista e na própria fala das idosas o sentimento de perda da funcionalidade, pois fica claro o fazer manual do dia e também a perda da habilidade física em geral.

É importante lembrar que as pessoas idosas sofrem perdas e que seus sentimentos ficam mais aguçados com avançar da idade.

Para passear, pintar, tocar, dançar são necessários controle e funcionalidade motora e o sentimento de que se da na resposta é a falta destes componentes (funcionalidade e controle)

O rompimento com o trabalho anterior é visto como sendo uma mudança brusca na vida das entrevistadas. Por ser associado a autonomia, ao acesso a bens e ser vinculado a idéia de ser útil e capaz, ele legitima a inserção do individuo na sociedade, sua ausência geralmente causa redução nos relacionamentos e diminuição da auto-estima (ALCÂNTARA, pag. 110, 2009).

Atividade ou fazer humano é essencial ao equilíbrio físico, psicoemocional e social do idoso, na medida em que favorece o continuar vivendo, mesmo que fatos negativos possam interpor ao processo de envelhecimento. Estimula ou a continuar fazer planos, estabelece os contatos sociais tornando ativo, participante de sua comunidade, autônomo aos olhos da sociedade, um velho sem estigma de velho (XIMENES, pag. 138 2006).

Décima questão: Em seu ponto de vista o que envelhecer?

1. ¨A.M- É triste, muito ruim, não devia ser assim. Eu estava acostumada a trabalhar. A vida que eu tinha e ver agora. Muito triste. 2. A.D É não enxergar mais, é enxergar pela metade,não comer direito. 3. E.D É o passar dos anos não tem o que porque, passando os anos a

gente pode até fazer plástica, mas os órgãos internos vão ficando comprometidos para mim não adianta correr atrás de nada.

4. R.A Ah! eu não sei dizer. Sei que quando a gente é nova tem

disposição para fazer as coisas, e quando a gente já é idosa não tem Eu sou assim, mas a gente tem que lutar contra a gente.

5. R.E É perder as atividades físicas e intelectuais. 6. A.N. São os dias passando.¨

Em geral as interpretações apontam para um sentimento forte de tristeza pelas perdas verificadas na saúde. Questões relativas a uma visão contrastiva entre o que se podia fazer e viver na juventude e agora na velhice não se pode mais. Percebe-se na hora da entrevista que há uma associação das perdas físicas com a idade.

Em geral a vida não esta ligada apenas ao biológico, mas ao temporalidade, possibilitando a partir de uma consciência entender o passado e planejar um futuro.

LOPES (2013) apud FREUD (1929, p.85) diz que o sofrimento nos ameaça a partir de três direções: de nosso próprio corpo, condenado à decadência e à dissolução, e que nem mesmo pode dispensar o sofrimento e a ansiedade como sinais de advertência; do mundo externo, que pode voltar-se contra nós com forças de destruição esmagadoras e impiedosas; e finalmente, de nossos relacionamentos com os outros homens. O sofrimento que provém dessa última fonte talvez nos seja mais penoso do que qualquer outro.”

Décima primeira questão- Quais os seus desejos neste momento?

¨1.A.M - Não tenho desejo, estou contente aqui, e melhor que na minha casa, lá eu sofria muito.

2. A.D Casar de novo

3. E.D Não tenho assim grandes desejos, eu fico bem aqui meus filhos vem sempre me visita então não tenho aquele desejo, nem de sair, passear , viajar, foi muito meu sonho, mas agora eu não tenho mais. De nada. A idade vai acabando com a força da gente e o que sinto não é nem doença é a idade mesmo que não me dá muito animo para fazer

muita coisa. Não. Eu prefiro ficar aqui no meu canto. Agora não desejo ter isso ou aquilo, passou, passei da idade, agora tudo que vier é lucro. 4. R.A Eu acho que não tenho desejo... eu gostava de morar com a sobrinha, mas a sobrinha eu reconheço que não pode ela é casada.É o marido que manda nela não é nem bem ela.

5.R.E - Me reerguer e melhorar. 6 A.N – Cantar e Tocar violão .¨

Observa-se na entrevistada A.D a dependência do outro, precisar de um companheiro para se estar feliz, que temos uma situação que limita o desejo. No caso aqui temos um limite que parece ser dado pela ILPI.

Esta percepção de querer, desejar mostra que há uma vontade de buscar novos aprendizados, devemos assegurar uma vida saudável e minimizar as perdas.

A partir das interpretações das entrevistadas percebe-se que estão bem na ILPI. Pode se entender que na medida em que apontaram que tinham vontade de casar, namorar, viver com outros da própria família e que isso não ocorreu. No entanto viver na ILPI e se sentirem bem na mesma, houve uma analise por parte das residentes como algo que trouxe situações novas e o desenvolvimento de experiências adaptativas ao novo local de residência (ILPI) com as conseqüências também adaptativas de viver com outras pessoas.

Não há como criar sem vontade, sem desejo, impor regras não é indicado, pois deve surgir a vontade no individuo e a partir daí traçar expectativas que possam ser trabalhadas e direcionadas com a realidade individual, tornando-se possível a realização de algo prazeroso.

Décima segunda questão : O que é desejo para você?

¨1.A.M – Há desejo é tudo pra mim, quando você vê uma coisa e você tem , há é tudo na vida da gente.

2. A.D- É ver minhas filhas bem, amar minhas filhas e vê-las bem. 3.E.D - E a vontade de fazer qualquer coisa

4.R.A - Num sei direito, acho que quando a gente quer alguma coisa. 5.R.E - Aquilo que a gente mais quer.

6. A.N- Vontade de realizar algo.¨

Há na interpretação das entrevistadas, idéias amplas do que significa desejo. A amplitude da idéia não significa falta de clareza por parte das entrevistadas. Pode-se aqui levar em conta a resposta dada a questão anterior onde vão se sentirem infelizes na ILPI, como local de moradia, de novos relacionamentos. Assim entendemos que desejo e o entendimento lúcido atual das entrevistadas, indicam não a morte do desejo mas a possibilidades atuais de viver a vida.

Estar aberto ao aprendizado, assim como desejar também são fatores fundamentais para a felicidade. Uma forma de superar o sofrimento da velhice – associada à proximidade da morte e ao sentimento de que o corpo é cada vez mais um fardo – é ampliar o leque de fontes de satisfação, de libido, de felicidade, de serenidade e de energia, o que é possibilitado também pelas relações sociais (GOLDFARB, 2002).explicita a respeito da felicidade.