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Fv. 25 Eik, Hortensveien

In document og trerekker i Vestfold Alleer (sider 123-130)

TØNSBERG KOMMUNE

3 Fv. 25 Eik, Hortensveien

Como se pôde observar, a crítica é compreendida por Lucien Febvre e Marc Bloch como um instrumento fundamental para o desenvolvimento da ciência histórica. Trata-se de uma significação que se revela não apenas na reflexão teórica, mas na própria produção acadêmica. No contexto desses textos, ressaltou-se também o lugar marcante da produção historiográfica de origem alemã contemporânea aos dois autores. Nesse terceiro e último tópico dedicado à relação entre crítica e ciências históricas alemãs em Febvre e Bloch, pretende-se analisar algumas de suas avaliações individuais, de alguns nomes que produziram suas obras entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Espera-se explorar a crítica àqueles que ocupavam o panteão das ciências históricas no começo do século e o atravessaram com expressivo reconhecimento. Analisar-se-ão as reflexões críticas sobre obras de Werner Sombart, Max Weber, Georg von Below, Ernst Kantorowicz, Karl Lamprecht e Friederich Meinecke.

Comparativamente à análise de perfil mais quantitativa apresentada na seção anterior, a análise construída aqui lança mão de um número relativamente pequeno de textos, o que possibilita uma análise individualizada. Como se demonstrou, um dos aspectos que essa pesquisa das fontes revelou é o fato de Lucien Febvre e Marc Bloch não dedicarem amplo espaço aos grandes autores. Ao contrário, esses comentários se diluem entre as inúmeras resenhas de autores de reconhecimento e atuação restrita. Nesse sentido, a análise desse conjunto de autores por meio de poucos textos não é aleatória, trata-se de uma seleção condicionada pela própria fonte. O lugar de destaque que atribuímos a esse conjunto é, portanto, fruto de seu aspecto qualitativo, da significação teórico-metodológica que os textos revelam.

A construção empreendida nas próximas linhas é fruto de uma leitura que privilegiou algumas características derivadas da forma, do estilo linguístico, outras que remetem ao contexto e ainda aquelas associadas ao conteúdo. Quanto às questões contextuais, contemplou-se especialmente a data, o suporte de publicação do texto, sua inserção no conjunto de outras críticas dirigidas ao mesmo tema e/ou autor, bem como seu diálogo com elas. No que se refere à forma e ao estilo, atentou-se para a apresentação do tamanho do texto, sua fluência, para o fato de ser uma linguagem rigorosa ou não, manter-se em um terreno relativamente neutro ou mobilizar um estilo combativo. O

conteúdo, por sua vez, ocupa o lugar central. Buscou-se apontar a trajetória de pesquisa dos autores citados, os temas aos quais os textos comentados se referem, a separação ou não entre crítica ao texto, crítica ao autor e crítica nacional, e a relação das pesquisas comentadas com as pesquisas dos próprios comentadores. Do conjunto desses fatores buscou-se ainda, sempre que possível, elaborar uma síntese que indicasse distanciamento ou aproximação, negação ou afirmação de Bloch ou Febvre em relação aos autores alemães.

Antes que se inicie efetivamente essa análise são necessários alguns esclarecimentos. O primeiro refere-se à utilização de fontes não apenas de Marc Bloch e Lucien Febvre, mas também de alguns historiadores e sociólogos que formam o que se

convencionou chamar de “círculo annaliste”39. Essa escolha é assentada na relevância dos

autores que aparecem nas críticas no contexto da academia alemã e no pequeno número de análises que dispomos feitas exclusivamente por Bloch e Febvre. Utilizam-se aqui

textos de historiadores que compunham o corpo editorial da revista Annales em sua

primeira década e que em alguns casos mantinham contatos tanto profissionais quanto pessoais com os diretores da revista. Nomes como André Sayous, Henri Hauser, Georges Lefebvre e Maurice Halbwachs.

Com esse procedimento não queremos resgatar a tese de que esses anos iniciais da

revista Annales conformam efetivamente uma escola ou um paradigma historiográfico.

Não se pretende afirmar tampouco que as críticas e apreensões de um comentador

podem ser livremente transpostas para outro. Há divergências no meio annaliste que não

podem ser desconsideradas, como claramente demonstram as cartas trocadas entre Bloch

e Febvre40. Contudo, insiste-se na construção de uma interpretação a partir da leitura do

grupo. Como se pretende demonstrar ao longo dessa exposição, há nessa perspectiva um potencial de enriquecimento e sofisticação da análise em história da historiografia.

A utilização da expressão “textos”, e não apenas “resenhas”, como procedemos na seção anterior, também demanda um esclarecimento. Toda a trajetória de nossa pesquisa se deu em torno de correspondências e principalmente de resenhas, de forma que a seleção dos autores se deu a partir desse último tipo. Contudo, a análise que construímos

39 Sobre o círculo annaliste, cf. seção Os contatos interpessoais.

40 Um importante exemplo dessas divergências, como se verá adiante, é a recepção da obra de Max Weber,

também dispõe de outras fontes como prefácios, apresentações da vida e da obra de determinados autores, e outras seções específicas de periódicos. Apesar dessa diversidade, trabalhamos aqui com formatos de textos que se aproximam das resenhas, que apesar de serem construídos em formatos distintos compartilham com elas dois de seus principais objetivos, ou seja, anunciar e avaliar criticamente a produção historiográfica.

O último esclarecimento refere-se à divisão dos autores alemães analisados em blocos. A divisão de quaisquer intelectuais expressivos em blocos, sua compartimentação, é certamente uma árdua tarefa para qualquer meio acadêmico. No caso da academia alemã entre os séculos XIX e XX essa dificuldade é ampliada, haja vista os vários temas e interesses a que se dedicava um só pesquisador. No entanto, algum tipo de classificação é fundamental para os objetivos de nossa análise, para que ela não se perca em descrições exaustivas feitas individualmente e, ao mesmo tempo, para que se permita certo grau de comparação e de generalização. A divisão que se estabelece aqui não é de todo arbitrária, ela parte da leitura dos próprios comentadores, parte do lugar em que estes colocavam as obras e autores que analisavam. Nesse sentido, não se espera propor alguma categorização geral, mas sim oferecer maior adequação ao objeto estudado.

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