Na sede do Sport Clube estiveram reunidos, no dia 19 de novembro de de 1906, os representantes de varias associações esportivas com a finalidade de darem andamento a idéia da criação da Instituição denominada – ‘Pará Futebol Liga’, para disputa do campeonato de futebol deste estado.até aquela data já se achavam inscritos os seguintes Clubes: Pará Futebol Clube, Pará Clube, Esporte Futebol Time, Clube Recreativo, Brasil Clube, Clube Esportivo e Internacional Futebol Clube.(...)”222
“(...) primeiro jogo do campeonato de 1906
No domingo 16 de dezembro defrontaram-se no campo da praça Floriano Peixoto com a presença de numeroso público, avultando o comparecimento de senhoritas da sociedade paraense, o primeiro do jogo de campeonato disputado em Belém. Os contendores foram: Pará Futebol Clube – Belém Futebol Clube.(...)”223
“(...) campeonato Oficial do Pará
Estava marcado para o domingo 29 de junho, no campo da praça Floriano Peixoto, o jogo inaugural do campeonato de futebol do Pará naquele ano.
Em nome da Diretoria da Liga, o Sr. T.H. White convidou o Sr. Dr. Dionisio Bentes, Intendente de Belém, e o D. Enéas Martins, governador do Estado, e compareceram a cerimônia.
O jogo será arbitrado pelo Sr. José da Gama Malcher, ajudado pelos esportistas do Grupo do Remo Galdino Araújo e Aimée Feio. A partida inauguração oficial do campeonato de 1913 foi travada entre as equipes do
internacional e União Esportiva, que terminaram o jogo empatados em 2 X 2. O 2º Match do campeonato foi travado entre Norte Clube (camisa preta e calção branco) e Panther Clube (cores azul e branco).
Venceu o Norte Clube por 2 X 0. O Norte Clube era também chamado time Negro.(...)”224
As fontes descrevem a participação de personalidades importantes, como o prefeito de Belém, Dionísio Bentes e o governador do Estado, Enéas Martins à época, durante as partidas de futebol na cidade.
A ampliação dessa prática futebolística no Pará nos possibilita perceber que apesar das fontes descreverem a participação desses políticos no processo de popularização do
football, o objetivo para que tais sujeitos implantassem um campeonato no Pará, estava relacionado mais ao lazer e ao prestígio social dos grupos elitizados.
Na verdade, esses integrantes dos clubes de futebol eram prestigiados por praticarem um esporte tipicamente europeu, e menos pela participação de setores populares
222 Relato sobre a organização de um campeonato de futebol no nosso estado. CRUZ, Ernesto. História do Clube
do Remo. Idem. p. 33.
223 Relato do primeiro jogo do campeonato de futebol organizado em 1906, que foi disputado no largo de São Braz, na época tinha o nome de praça Floriano Peixoto. CRUZ, Ernesto. História do Clube do Remo. Ibidem p. 34. Ver também: CRUZ, Ernesto. Ruas de Belém. Belém: Conselho Estadual de Cultura, 1970. pp. 116, 122, 126.
224 Relato sobre o campeonato de 1913 que teve como colaboradores o prefeito de Belém Dionysio Bentes e o Governador do Estado Enéas Martins. CRUZ, Ernesto. História do Clube do Remo. Op. Cit. p. 55.
nesses jogos, principalmente, por estarem envolvidos em disputas políticas que envolviam o governo estadual e municipal muitas vezes.
Os sujeitos sociais que tomaram parte das ações que implantaram entidades esportivas baseadas nos modelos europeus, principalmente, os modelos de clubes relacionados aos campeonatos de futebol que ocorriam na Inglaterra, pertenciam a grupos sociais considerados abastados, como o caso dos políticos, que muitas vezes tinham formação acadêmica, muitos estudaram na Europa e Estados Unidos. E gozavam de um bom prestígio nas relações sociais da nossa capital.
Citado no relato anterior, o Senhor José Carneiro da Gama Malcher, pode ser mencionado como um desses sujeitos que participavam do futebol para demonstrar o seu conhecimento e prestigio social, o que era comum para os integrantes do “Bola-pé” em Belém, no início do século XX.
José da Gama Malcher225 foi político aliado de Lauro Sodré, sendo seu Secretário
de Fazenda, e durante os anos de 1930 participou dos conflitos que ocorreram na capital paraense na época da posse de Magalhães Barata, no qual, mais tarde se tornou Interventor do Estado do Pará dos anos de 1935 até 1943, durante um período de quase oito anos, englobando o período da decretação do Estado-Novo. Foi escolhido para o cargo pelo presidente Getúlio Vargas, principalmente por ter sido um dos fundadores do Partido Liberal no estado.
Essas atividades sociais e profissionais demonstram a influência deste senhor a época dos primeiros campeonatos de futebol em Belém. O que explica em parte o mesmo ter sido escolhido como árbitro da partida inaugural do campeonato de 1913. Na época ligado ao grupo político de Lauro Sodré (Lauristas). Já que, a escolha do juiz das partidas, de certa forma, era feita de modo a privilegiar as pessoas com prestígio na sociedade paraense.
Nessa situação, os relatos da Revista A Semana e do jornal A Folha do norte, citados anteriormente, nos proporcionam a entender o processo de difusão do futebol na sociedade local, na primeira metade do século XX, que fica evidenciado quando se destaca a fundação de agremiações esportivas como o Clube do Remo, Paysandú e a Tuna Luso Caixeiral, clubes que surgem no contexto dos chamados “Sportmen” conjuntamente com práticas esportivas como remo, ciclismo, dentre outros.
225 Relatos nas páginas do livro sobre a participação desse político no contexto conturbado da Política paraense
1.4 - Clubes, educação Physica, sports e a dinâmica do lazer
Nas primeiras décadas do século XX, corroborando com o aumento das práticas esportivas na cidade, nos seus espaços mais centrais, temos a fundação e o destaque nos jornais de vários clubes esportivos, principalmente, no ano de 1914 e 1915.226
Nesse período, pude catalogar cerca de 24 clubes fundados ou comentados nos jornais sobre suas atividades esportivas. Alguns não indicam data de fundação, somente o destaque esportivo em determinado periódico. Às vezes com o cruzamento das fontes dos estatutos do clubes, dos livros já citados no trabalho, é possível perceber qual clube estamos enfatizando e a sua data de fundação.
Quando não é possível perceber a data de fundação, buscamos utilizar a data mais antiga que é noticiada sobre o clube analisado no periódico, e em seguida colocamos na tabela no quadro corresponde ao ano de fundação, e explicamos que a primeira noticia daquele determinado clube ocorreu naquela data. Esse dado vai compor a somatória dos clubes em determinado período. Assim, podemos de maneira geral ter uma ideia da quantidade clubes que apareceram em determinado período histórico.
Assim foram criadas as tabelas com os clubes e endereços que estão no Apêndice e anexo deste trabalho. E as tabelas que correspondem aos clubes que não foi possível localizar os endereços na cidade. O objetivo dessas tabelas foi servir de base para mapearmos a cidade por períodos: o primeiro período de 1896-1920; o segundo período de 1921-1940; o terceiro período de 1941-1952.227 Todos esses períodos englobados pelo período geral que vai de
1896-1952. Essa construção dos mapas a partir desses períodos vai ser mais explicada e apresentada nos mapas, no capítulo II.
Um indício no mínimo intrigante, que se destaca na tabela sobre esses clubes, que aparecem no ano de 1914-1915 é a fundação do clube São Domingos, no bairro do Jurunas. A sua fundação em 1914, ocorre num contexto de fundação de muitos clubes nas áreas centrais da cidade e ligados aos setores mais elitizados da cidade.
No mesmo momento que clubes surgiam nas áreas centrais, surgiu esse clube São Domingos, no bairro considerado popular e sem a infraestrutura urbana que os bairros como Nazaré e Campina, por exemplo, possuíam. Essa fundação nos leva a pensar que
226 Tabela dos clubes fundados nos anos de 1914-1915. Apêndice e anexos.
227 Tabela dos Clubes com localização de bairros e Tabela dos clubes que não foram localizados os bairros, no apêndice e anexo deste trabalho.
possivelmente os setores populares ao longo dos anos participavam do processo de ressignificação das práticas esportivas que faziam parte do cotidiano do lazer da urbe belenense e não somente os setores mais abastados. No entanto, sobre esse clubes populares trataremos posteriormente.
Sobre esse contexto, na página seguinte, temos fotografias que apresentam vários atletas de Clubes da Remo considerados pela imprensa como “Sportmen”, pois, praticavam diversos esportes, dentre eles o Water pólo, o chamado pólo aquático, que também servia de lazer e símbolo da modernidade para alguns setores da elite paraense, que buscavam seguir o modelo cultural europeu de difusão do esporte, como um padrão de civilização.
Esses atletas, no âmbito esportivo, seguiam um modelo de vida baseado nos padrões europeus de cuidado com o corpo, pelo qual o esporte servia para identificar de forma simbólica os homens considerados “Sportmen”, que para além do lazer, demonstravam ao praticar os esportes de origem europeia um discurso de progresso e civilização.
É importante se salientar que a imagem que está sendo repassada na fotografia também busca essa percepção do leitor da Revista A Semana, no sentido do discurso civilizatório, higiene e cuidados com a forma física dos sujeitos.
Essas fotografias são indicações de uma realidade que estava muito fortalecida no âmbito do discurso dos sujeitos como forma de aproximação desse padrão europeu de práticas esportivas. A imagem tem muito ligação com os detalhes sobre atletas e as práticas esportivas que ocorriam na cidade de acordo com o olhar do fotógrafo.
Imagem 7: Fotografias dos “sócios-atletas” da Recreativa, Tuna Luso Comercial,
Clube do Remo e Yole Club.
Fonte: Revista A Semana, 26/04/1919.
Dessa maneira, a imagem captada pelo fotógrafo mostra os “sócios-atletas” de clubes da capital, tais como: Associação Recreativa, Tuna Luso Comercial, Clube do Remo e Yole Club com seus respectivos uniformes. A Recreativa e a Tuna Luso estavam posando antes ou após os jogos de “Tracção”228, realizado no domingo último, na festa do Yole Club. Os teams de Pólo Aquático do Clube do Remo e do Yole estavam posando para as câmeras fotográficas nos jogos que valiam pelo campeonato da modalidade esportiva no ano de 1919. Segundo a explicação do cronista, os atletas do “primeiro plano” pertenciam a Recreativa e a Tuna Luso Comercial, sendo que os “sócios” do Recreativa estavam com um uniforme mais escuro, camiseta e calça, com o símbolo do Clube no centro da camiseta, segurando a flâmula do clube, enquanto que a Tuna Luso estava de branco, com a cruz de malta como símbolo, no lado esquerdo do peito. Ambas as turmas de atletas eram formadas
228 Conhecido popurlamente como “cabo de guerra.” Competição em que duas equipes puxam em direções opostas as pontas de uma corda grossa, vencendo a que conseguir arrastar a outra. DICIONÁRIO BARSA DE LINGUA PORTUGUESA. São Paulo: Barsa Planeta, 2008. p. 164.
por dez jogadores que tiraram fotografia formando duas fileiras. Estes atletas tinham participado da disputa de “tracção” no festival do Yole Club.
No “segundo plano” temos os sócios-atletas do Clube do Remo, o primeiro e segundo time de Pólo aquático que disputaram o campeonato de 1919. Os uniformes das duas equipes estavam em tom escuro, lembrando o tom azul-marinho tradicional do Clube.
“Em baixo”, os primeiros e segundo times de Water Pólo do Yole Club que também disputavam o campeonato daquele ano. Os seus sócios-atletas também estavam com uniforme mais claro e posaram para a fotografia que foi publicada na Revista A Semana do período.
Em todas as fotografias se percebe uma preocupação do fotógrafo e do cronista em mostrar como os grupos sociais estavam interagindo em torno das práticas esportivas na cidade de Belém do Pará. No caso específico da prática de Pólo aquático e os atletas que participavam do campeonato daquele ano e seus respectivos uniformes.
Essa imagem dos atletas corrobora com o discurso da prática esportiva típica dos amadores. Como é possível perceber a partir do contexto da fundação do Yole Clube, ocorrida no dia 30 de novembro de 1917, objetiva-se “incentivar, estimular e desenvolver, para todos os meios ao seu alcance, o sport náutico n’este Estado concorrendo sempre que lhe for possível aos torneios promovidos pela Federação Paraense de Sports Náuticos”229.
O Yole Clube, cujo seu estatuto deixava transparecer o discurso civilizatório nos seus artigos, estava alicerçado nas disputas ligadas atividades esportivas nas águas dos rios na cidade. No entanto, sem descartar as práticas de outras modalidades esportivas, como afirma o art. 2º do seu Estatuto, no qual o referido clube e seus atletas poderiam encontrar em outros esportes “incremento para prosperidade”e no art. 3º cuja a ligação com as atividades militares navais para os sócios, chama a atenção, principalmente por ser uma determinação baseada no Decreto Federal nº 12088.230
Dessa forma, temos indícios que as práticas de pólo aquático, assim como, os jogos de futebol, que ocorriam na capital paraense, neste primeiro momento, estavam ligados a um contexto de valorização dos padrões culturais europeus pelos sujeitos que pertenciam ou circulavam nos meios sociais de uma elite heterogênea. No qual, a prática esportiva fazia parte do cotidiano de lazer na cidade e símbolo de uma valorização do discurso de higiene, civilização e progresso europeu.
229 YOLE CLUBE. Fundado em 30/11/1916. Estatuto dos Clubes, CMA/UFPA. CX 02, DOC. 44. 230 Art. 2º e 3º do Estatuto. Idem.
Esse discurso de civilização pode ser percebido nos fragmentos do Estatuto do Sport Club do Pará, quando ocorre o destaque para “educação Physica” abaixo:
“(...) Cap I – Do club e seus fins
Art. 1º - o Sport Club do Pará, com sede em Belém, Capital do Pará, fundado em 25 de setembro de 1896, com sociedade desportiva, tem por desenvolver a educação physica de seus associados, pelo cultivo dos desportos em geral.
(...) Cap II – Dos Sócios
Art. 4º - os sócios compreendem quatro categorias beneméritos, remidos, effetivos e honorários.
§ 1º - Beneméritos são os actuais sócios desta categoria já existentes.
§ 2º - Remidos são os que contribuírem de uma só vez com a quantia de um conto de réis.
§ 3º - Effectivos são os que concorrerem com jóias de cem mil réis no acto de sua admissão e a mensalidade de dez mil réis paga adeantadamente, no princípio de cada mez.
§4º - Honorários – são os actuaes sócios desta categoria, já existentes. (...)”231 Esse fragmento do Estatuto do Sport Club do Pará, nos mostra o discurso de “educação physica” para os associados do Clube, como o argumento que destaca a valorização do sports como padrão de vida prioritariamente segmentos abastados da sociedade local.
A ênfase está na forma de educar os seus sócios com o cultivo de várias atividades consideradas desportivas. Ao mesmo tempo, no próprio estatuto é possível perceber a contradição capitalista, que inclui e exclui os sujeitos na cidade. Fator que explica os motivos para o indivíduo ser sócio nesse Clube, considerado de elite, era preciso ter bastante dinheiro para pagar as “jóias”232, mensalidades, que variavam de 10 mil réis, 100 mil réis a 1 conto de réis de uma só vez.
Esta realidade financeira “eliminava” do grupo de sócios a maior parte dos sujeitos que trabalhavam nas ruas, no porto e moravam em outros locais na urbe. Por isso, a maior parte das pessoas que frequentavam como sócio os salões de festa, jogos e atividades esportivas do Sport Club pertenciam aos grupos mais abastados socialmente, ou circulavam entre eles e “desfrutavam” do discurso elitista de progresso e civilização.
No fragmento da revista A Semana do dia 25 de Julho de 1931, abaixo, podemos perceber à ideia de clube elegante que foi construída ao longo dos anos a partir da imagem do Sport Club.
231 Sport Club do Pará, fundação em 1896, Cartório de títulos e documentos, série estatutos, 1927, Cx 02, Doc 50. CMA/UFPA.
(...) O sport revivendo
Os associados e frequentadores do elegante e querido Sport Club apresentam-se para magnífica “soirée” dansante que este Grêmio com o bom gosto e a distribuição de sempre, vae proporcionar à nossa “haute gomme”. (...) 233
O uso do relato acima destaca aspectos importantes para a contextualização do período: primeiro a ideia é explicar os resquícios do discurso sobre a elegância dos frequentadores do clube. Segundo a fonte é dos anos de 1930. Nesse sentido, apresenta uma relação de continuidade com as ideias do início do século sobre o Sport Club. Não é uma fonte do período, mas, nos ajuda a pensar essa realidade. Por fim, as festas ou soirées no espaço do clube representavam outra forma de lazer que ocorria, além das práticas esportivas. Fato que indicava que as festas, os encontros nesse clube eram valorizadas pela imprensa no sentido dos setores abastados que frequentavam.
Assim, ao se resgatar a ideia de continuidade do discurso civilizatório do início do século XX, a partir da fonte dos anos de 1930, é possível perceber as festas e as atividades que ocorriam no Sport Club como práticas ligadas ao discurso das elites locais.
Essas práticas das elites locais no âmbito dos clubes também estavam pautadas no momento da transição do século XIX para o século XX, no qual, o avanço do capitalismo imperialista possibilitou um aumento populacional em Belém do Pará, proveniente da exploração do látex, que por gerar bastante riqueza fez com que imigrantes portugueses, italianos, alemães, franceses espanhóis, principalmente, e migrantes nordestinos circulassem pela urbe em plena transformação desigual, bem próximo do que acontecia nas grandes cidades brasileiras da época.
Abaixo, temos uma fotografia da sede do Sport Club do Pará, considerado pela imprensa esportiva como um clube das elites locais, na capital paraense.
233 Sport Club era como se conhecia à época o Sport Club of Pará na capital paraense. Um famoso Club aristocrático. Revista A Semana 25/07/1931, vol. 13, nº 676.
Imagem 8: Sede do Sport Club of Pará em Belém.
Fonte: Albúm Revista de Belém. Souza Cabral. Caixa postal nº 647. Pará. Sem data.
A fotografia destaca a fachada do conhecido Sport Club. Este local nos leva a pensar nas práticas esportivas que ocorriam nos seus espaços, e também como funcionava os bastidores da sede social retratada, onde haviam as festas e reuniões entre as elites locais que frequentavam o espaço do clube.
Além do Sport Club, segundo Ernesto Cruz, foi fundado na capital, no mesmo ano da criação do clube São Domingos (1915), o clube Assembléia Paraense. Este clube foi fundado na cidade no dia 27 de dezembro de 1915, e nasceu com o status de “mais alta expressão da vida aristocrática da cidade.”234Dessa forma, a Assembleia Paraense seguia o mesmo perfil de sócios estabelecido pelo Sport Club, que se relacionava a manter entre os seus sócios sujeitos dos setores sociais mais abastados e promover o discurso de civilização no seu ambiente esportivo.
234 Ernesto Cruz destaca na sua obra a criação da Assembleia Paraense como mais um clube esportivo e de lazer voltado para as elites locais, assim, como o Sport Club. CRUZ, Ernesto. História de Belém. 2º vol. Coleção José Veríssimo. Belém: UFPA, 1973. p. 427. Sobre a Assembleía Pararanse: Acessado no dia 14 de julho de 2013. Estatuto dos Clubes, CMA/UFPA; baile de carnaval, O Liberal – 12 02 52 – festas dos brotinhos – carnaval inferno verde.
Sobre a circulação de pessoas de variadas origens na cidade, Cristina Cancela afirma que dos anos de 1900 até 1920, a população da capital do Estado ultrapassou a marca de duzentos mil habitantes, sendo que em 1868, esta população era apenas de trinta mil.235
O estudo sobre os clubes esportivos, suas partidas de futebol e seus “homens- atletas”, nos proporciona a possibilidade de levantar indícios de um contexto histórico importante para os padrões das cidades amazônicas da época, como no caso específico de Belém do Pará, a partir do lazer e das relações de sociabilidade dos sujeitos em seus variados grupos sociais. Esta circulação de sujeitos e ideias nos leva a proximidade de um passado de uma cidade construída a partir de um cotidiano desses sujeitos, nos seus clubes, pertencentes