• No results found

A orientação de compra é um conceito complexo e multidimensional e, portanto, de difícil

definição, principalmente devido a inúmeras variáveis inter-relacionadas (VISSER e PREEZ,

2001). Embora haja diversas perspectivas, algumas variáveis principais (ou conceitos) se

repetem possibilitando, assim, a realização deste levantamento teórico, que também abordará,

especificamente, estudos que estão relacionados com a orientação de compra de vestuário

feminino.

2.5.1 Definição de orientação de compra

Stone (1954) foi o primeiro pesquisador a introduzir o conceito de orientação de compra, cuja

definição se refere aos hábitos comerciais dos compradores, os quais derivam de determinadas

atividades relacionadas ao seu estilo de vida, sua classe social e ao seu estágio de ciclo de

vida familiar. Outros investigadores adicionaram a essa definição que o estilo de vida dos

compradores abrange atividades comerciais, interesses e opiniões, refletindo, assim, a visão

comercial como um complexo fenômeno pessoal, econômico, social e de entretenimento

(KWON, PAEK e ARZENI, 1991; SHIM e BICKLE, 1994; SHIM e KOTSIOPULOS, 1993,

MOYE e KINCADE, 2003).

Compradores com diferentes orientações comerciais revelam diferentes características de

consumo e, consequentemente, diferentes comportamentos de mercado, incluindo

necessidades e preferências distintas por fontes de informação, lojas e atributos (GUTMAN e

MILLS, 1982; LUMPKIN, 1985; SHIM e KOTSIOPULOS, 1992a e 1992b). Jarboe e

McDaniel (1987) enfatizam que as orientações de compra dos indivíduos se referem às suas

abordagens gerais para aquisição de bens e serviços derivadas das compras realizadas no

de questões não relacionadas diretamente à compra, motivos estes que podem ser

representados pela necessidade do sujeito por interação social, desvio de suas atividades

rotineiras, necessidade de estimulação sensorial e exercício de seu poder social

(BELLENGER e KORGAONKAR, 1980; KWON, PAEK e ARZENI, 1991).

Segundo Moye e Kincade (2003), as pesquisas de orientação de compra são úteis para

descrever e explicar o comportamento dos consumidores, auxiliando assim, pesquisadores,

varejistas, fabricantes de produtos e prestadores de serviços a responderem melhor às

necessidades e preferências específicas dos consumidores de vários grupos.

Conclui-se, portanto, que a orientação de compra é um conceito consistente com dimensões

pessoais (por exemplo, atividades, interesses, opiniões, motivos, necessidades e preferências)

e também com dimensões comportamentais na aquisição de bens e serviços, que indicam as

necessidades e preferências dos consumidores (VISSER e PREEZ, 2001), as quais são

baseadas em experiências passadas de compras e sistemas de valores pessoais (DARDEN e

DORSCH, 1990).

2.5.2 Orientação de compra e orientação às marcas

Uma das possíveis variações da orientação de compra é a orientação às marcas nas escolhas

feitas pelos consumidores. Vários estudos apontam que a intenção de recompra é

consequência do valor percebido na marca do produto (CHANG e WILDT, 1994; PETRICK,

2002; WOODRUFF, 1997). Assim, o branding e consideráveis esforços de comunicação têm

sido gerados em torno do reforço de percepções de valor de compra da marca, a fim de se

obterem comportamentos de recompras favoráveis (CURASI e KENNEDY, 2002; MUNGER

satisfatória para se enquadrar o construto que aqui se pretende medir: orientação à marca sob

a perspectiva do consumidor.

Como alternativa propõe-se, portanto, utilizar de forma análoga e adaptada o conceito de

orientação para marca por parte das organizações sugerido por Bridson e Evans (2004), em

que os autores afirmam que a orientação à marca pode ser definida como o grau em que as

empresas valorizam suas marcas e em que as suas práticas são orientadas para a construção da

capacitação da uma marca institucional. Essas capacidades incluem a utilização da marca

empresarial como um marco de distinção, como um meio de satisfazer as necessidades de

consumo funcionais envolvidas na compra, como uma fonte de valor agregado e como um

reflexo simbólico para seus consumidores.

Dessa forma, o construto orientação à marca por parte dos consumidores, será definido como

o grau em que os consumidores valorizam as marcas em suas escolhas de compra e em que

suas práticas de consumo são pautadas na busca de marcas que sejam capazes de prover

satisfação de necessidades funcionais, valores agregados provenientes da experiência de

compra e reflexos simbólicos a seus compradores

2.5.3 Orientação de compra no campo da moda

Estudos de segmentação no campo da moda geralmente categorizam os consumidores em

relação as suas orientações de compra, benefícios esperados e seus valores sociais. Shim e

Kotsiopulos (1993) classificaram as consumidoras de vestuário feminino usando a orientação

de compra e, posteriormente, levantaram os perfis mais desenvolvidos em cada grupo de

consumidoras, de acordo com as informações utilizadas: a importância dos atributos das lojas,

atividades relacionadas ao estilo de vida, comportamento de recompra e demografia. Durante

compradores de vestuário altamente envolvidos (46%); 2. compradores de vestuário apáticos

(34%); 3. compradores de vestuário em catálogos orientados à conveniência (20%). Esses três

grupos foram comparados em diversas características e os resultados indicam que as

orientações comerciais são uma base para segmentar compradores de vestuário do sexo

feminino e esses grupos são únicos em relação às suas características de compra. Tais

características incluem: 1. três fatores de fontes de informação (serviço de loja de moda e

promoções, publicações de moda e mídia de massa); 2. cinco fatores de importância dos

atributos de loja (pessoal de loja, imagem visual da loja, atendimento ao cliente, acesso fácil,

e marcas de moda); 3. dois fatores de estilo de vida (atividades culturais e cuidados com a

aparência); 4. outras variáveis (comportamento de preferência de loja, as despesas anuais com

roupas, ocupação, área de habitação e renda) (SHIM e KOTSIOPULOS, 1993).

Em outro estudo, o mercado de vestuário feminino foi segmentado de acordo com os

benefícios esperados pelos consumidores (SHIM e BICKLE, 1994). Os objetivos do estudo

foram: 1. segmentar o mercado de vestuário feminino com base em benefícios descritivos

procurados nas roupas pelo público feminino; 2. desenvolver um perfil de cada segmento de

acordo com aspectos psicográficos, orientações de compras, comportamento de recompra em

lojas específicas e demografia. Durante as análises foram identificados três grupos e rotulados

como: 1. usuárias de roupas simbólico/instrumentais; 2. usuárias de roupas

práticas/conservadoras; 3. usuárias apáticas de vestuário. As diferenças reveladas entre os três

segmentos foram classificadas em fatores: psicográficos, de benefícios, de orientação de

compras, de comportamento de recompra e fatores demográficos (SHIM E BICKLE, 1994). O

grupo simbólico/instrumental foi o maior grupo e o mais orientado à moda, gostava de fazer

compras e tendia a fazer compras em lojas de departamento de luxo e lojas especializadas. Os

outros dois grupos de consumidores não estavam particularmente empenhados em comprar e

lojas de departamento regulares e em lojas de desconto respectivamente (SHIM e BICKLE,

1994).

Goldsmith, Hetmeyer e Freiden (1991) associaram valores sociais e de liderança de moda

para explorarem em que grau os valores sociais poderiam ser usados para compreender as

motivações subjacentes nas compras de vestuário. Os autores relataram que os consumidores

detentores de valores elevados de prazer, diversão e emoção eram, de fato, ligados à moda.

Outra conclusão do estudo é que os líderes de opinião no campo da moda eram mais jovens,

tinham despesas mais elevadas com roupas e compravam com mais frequência quando

comparados aos não-líderes.

Haynes et al. (1994) produziram cinco perfis de consumidores de vestuário usando quatro

conjuntos de variáveis descritivas, incluindo: demografia, motivações de compra e

envolvimento, atitudes de compras (ou orientações de compras) e atributos desejados nos

varejistas. Os cinco perfis foram descritos como: 1. narrowers, que apresentaram

relativamente menos interesse no processo de compra; 2. compradores, que consideraram

cada um dos dez atributos de loja medidos como sendo importante para decidir quando e onde

comprar; 3. apáticos, formado por consumidores muito mais jovens que estiveram envolvidos

em compras de produtos de consumo. No entanto, os fatores econômicos e a falta de

conhecimento do produto foram possivelmente vistos como um obstáculo no seu processo de

compras; 4. leais, altamente envolvidos, mas com uma participação de mercado limitada e

interessando-se pela variedade de produtos e valor agregado; 5. Late Bloomers, que escolhiam

lojas com base na conveniência e no valor econômico devido ao seu pouco tempo e/ou

dinheiro para ser usado em compras de vestuário e que viam a atividade mais como uma

Moye e Kincade (2003), por sua vez, buscaram identificar a orientação de compras de

vestuário feminino de consumidoras nos EUA, provenientes das diferenças referentes ao

apadrinhamento de lojas de vestuário (lojas de departamento, lojas de desconto e lojas

especializadas), atitudes em relação ao ambiente de loja durante a compra de itens específicos

de vestuário (como vestidos, por exemplo) e suas características demográficas. Como

resultado, foram identificados quatro segmentos de compradoras definidos como: 1.

compradoras de vestuário decididas; 2. compradoras de vestuário confiantes/seguras; 3.

compradoras de vestuário altamente envolvidas com barganhas; 4. compradoras de vestuário

extremamente envolvidas em cuidar da aparência.

Devido a constantes mudanças sociais, culturais e econômicas, as orientações de compras

também mudam ao longo das diferentes gerações. Esse corte geracional apoia a abordagem de

segmentação de mercado (VISSER e PREEZ, 2001). Para se compreender o comportamento

de apadrinhamento por lojas de vestuário, os varejistas devem entender os determinantes da

orientação de compras dos consumidores, pois estas, quando diferentes, implicam também na

existência de comportamentos distintos por parte dos clientes (SHIM e KOTSIOPULOS,

3 DEFINIÇÕES DOS CONSTRUTOS, HIPÓTESES DE TRABALHO E O