IV.1.1. Caracterização das turmas
Visto tratarem-se de duas turmas com quem o trabalho desenvolvido foi menos frequente, decidiu-se juntar as duas num mesmo subtema. Ainda assim, a sua caracterização será feita separadamente, pois apresentam perfis distintos.
IV.1.1.1. O 9ºB24
Embora originalmente contasse com um aluno com Necessidades Educativas Especiais (NEE), a dimensão desta turma não era reduzida: constituída por 28 alunos, eram sete os repetentes de 9º ano que integravam a sua formação inicial. No entanto, o facto de muitos preencherem já os pré-requisitos para a sua integração em turmas de CEF, o desejo manifesto desses alunos de se transferirem para lá, incluindo do aluno
24 A informação aqui disponibilizada foi retirada das actas dos Conselhos de Turma disponíveis no dossiê de Direcção de Turma.
44 NEE, levou à redução do número de alunos. Assim, eram 26 os alunos matriculados na turma ao final do 1º período, já contando com um novo aluno chegado em Novembro, passando a 25 com a saída de uma aluna a meio do 2º. Aliás, a aluna não frequentou qualquer aula durante o 2º período.
Os problemas de indisciplina nesta turma são uma constante, mesmo após a redução da sua dimensão. Isto reflecte-se nos resultados alcançados pelos alunos nas disciplinas em geral: 11 dos 25 alunos terminaram o 2º período com, pelo menos, 3 negativas, dos quais quatro têm 6 ou mais disciplinas sem aproveitamento. Somente 9 alunos alcançaram níveis positivos a todas as disciplinas (cf. Anexo 28)
Por outro lado, os níveis de produtividade do 9ºB são muito baixos, tornando o trabalho em grupo muito difícil. Os hábitos de trabalho fora da sala de aula escasseiam, o que contribui igualmente para os resultados apresentados.
IV.1.1.2. O 9ºC25
O 9ºC é constituído, desde o princípio do ano, por 28 alunos, dos quais 3 repetentes. Não se registaram saídas nem entradas na turma ao longo do ano lectivo. O facto de figurar na sua lista um aluno NEE não foi determinante para a redução da turma.
Embora a disciplina não seja um problema no 9ºC visto que se trata de uma turma no geral atenta onde as conversas paralelas são raras, o pouco empenho e a desmotivação generalizados resultam em classificações baixas. Tal como no 9ºB a percentagem de alunos com negativas supera os 50%. Os alunos levam, no geral, muito tempo a realizar as actividades, muitas das vezes mesmo sem sucesso. Ainda que sejam considerados pouco trabalhadores, aproveitam as hipóteses que lhes são dadas para melhorarem o seu aproveitamento. Exemplo disso é um aluno a quem foi retirado o plano de recuperação por ter atingido os objectivos para ele traçados (a recuperação das quatro negativas obtidas no final do 1º período). De facto, o aluno em questão terminou o 2º período sem qualquer avaliação inferior a 3 (cf. Anexo 29).
IV.1.2. Exemplo de aulas leccionadas
Após análise das aulas leccionadas nas duas turmas de 9º ano, optou-se por apresentar a primeira do 9ºB por se tratar da única com alguma relevância no quadro da
25 A informação aqui disponibilizada foi retirada das actas dos Conselhos de Turma disponíveis no dossiê de Direcção de Turma.
45 investigação feita no âmbito deste relatório. De facto, o trabalho elaborado nestas turmas foi mais numa perspectiva de cooperação com a professora Ana Cristina Salvado, partilhando com ela alguns momentos da aula, mas em raras excepções leccionando a totalidade dos noventa minutos.
IV.1.2.1. Incentivando a produção oral: o trabalho a pares
Com o intuito de dar o início ao estudo do tema “Les études et la vie active”, decidiu-se rever um pouco do léxico já apreendido pelos alunos em níveis anteriores, acrescentando aspectos novos a serem abordados neste ano lectivo. No entanto, pretendeu-se fazer esta introdução num ambiente descontraído, aplicando estratégias não utilizadas durante a observação (cf. Anexo 30).
Deu-se primazia ao trabalho a pares. Tratando-se de uma turma habituada ao trabalho individual e num ambiente extremamente controlado, ponderou-se os prós e os contras de colocar os alunos em grupos. Concluiu-se que, para uma primeira experiência, seria preferível o trabalho de pares, seguindo a opinião de Jeremy Harmer, que defende que “Because some students are unused to working in pairs and groups (…) it may be necessary to invest some time in discussion of learning routines” (2009: 167). No mesmo sentido, Wright, Betteridge and Buckby defendem que numa primeira experiência de trabalho cooperativo com uma determinada turma é preferível optar-se pelo trabalho de pares (2006: 3).
Assim, após a conclusão das actividades programadas pela professora Ana Cristina Salvado para esta aula (correcção do teste de avaliação e apresentação de dois trabalhos de grupo), deu-se início à introdução do tema através da leitura de alguns excertos de bandas desenhadas francófonas onde eram referidas profissões do conhecimento dos alunos (cf. Anexo 31). Cada fila teve acesso a um excerto diferente, estando prevista a discussão de cada um deles através dos resumos feitos pelos próprios alunos. Numa segunda fase do trabalho, os alunos elaborariam uma lista com todas as profissões referidas nos excertos, profissões essas que seriam transcritas para o quadro. Finalmente, regressaríamos a uma etapa de discussão livre sobre outras profissões do seu conhecimento, agrupando-as em temas (ex.: hospital, escola, tribunal, …).
Foi exactamente a última fase descrita que permitiu a passagem para um novo momento da aula. Perguntou-se aos alunos em que áreas gostariam de trabalhar quando fossem grandes, explicando-lhes que poderiam escolher aspectos que não estivessem no quadro. O objectivo era levá-los a responder áreas menos habituais, tais como parc de
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loisirs ou jeux vidéo. A estes foram acrescentados outros campos, tais como transports publics, marché de gros ou BTP, que foram posteriormente distribuídos pelos alunos. Finalmente, a pares, e durante cinco minutos, foram desafiados a reunir o maior número possível de profissões que poderiam estar associados a essas áreas. Poderiam consultar todos os materiais à sua disposição para tal efeito. A verificação era feita a partir de uma fotocópia referente à área trabalhada onde estavam presentes todas as profissões correspondentes a essa área, com a respectiva explicação e informação sobre os estudos necessários para a exercer (cf. Anexo 32). Foi somente feito o esclarecimento do vocabulário presente nas fotocópias antes do final da aula.
O facto da turma não estar habituada a actividades mais livres reflectiu-se inicialmente na falta de discussão dos primeiros aspectos. Embora os alunos fossem incitados a participar, sentiu-se, inicialmente, alguma relutância da sua parte em levantar o dedo para partilhar o seu excerto com a turma. No entanto, chegado o momento de completar a lista de profissões feita a partir das bandas desenhadas, eles manifestaram já uma maior abertura para a participação. Sentiu-se que estavam já mais à-vontade para partilhar conhecimentos.