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9.2 Future Work
São vários os autores que se referem à linguagem como um dos produtos mais misteriosos da mente humana. Para além de ser o principal meio de comunicação e socialização, ela constitui também um veículo para o pensamento. Sendo o Homem um ser essencialmente social, as suas competências comunicativas são consideradas a base da interação social.
O desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, da competência comunicativa é uma característica primordial para o desenvolvimento cognitivo e social de qualquer indivíduo, ajudando-o a compreender o mundo e as experiências que vivencia ao longo da vida (SIMMS, 2007) e a exercer controlo sobre a sua vida social, emocional e na relação com os outros. Para BUCKLEY (2003), o desenvolvimento otimizado das competências comunicativas das crianças é considerado a base para uma comunicação bem sucedida ao longo da vida.
É geralmente aceite que o termo “comunicação” se refere ao processo através do qual informação, ideias, opiniões, saberes, sentimentos e mensagens são transmitidas entre pessoas. O DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA (2009) define comunicação como sendo a “troca de informação entre indivíduos através da fala, da escrita, de um código comum ou do próprio comportamento”. Para que esta ocorra terá que existir necessariamente alguém que transmita (emissor) e outro que receba (recetor) uma mensagem, que poderá ser auditiva, visual e/ou tátil. Ao encarar-se o processo de troca de informação como sendo dinâmico, este envolve, sequencialmente, a codificação/formulação, transmissão e descodificação/compreensão de uma mensagem entre dois ou mais intervenientes. Para que o ato comunicativo seja eficaz, o recetor deverá estar apto para integrar toda a informação sensorial transmitida (auditiva, visual e táctil) de forma a compreender em pleno todo o significado da mensagem (BUCKLEY, 2003). Para além disso, os intervenientes terão que dominar um código comum e utilizar o canal apropriado à situação de comunicação. Neste contexto, o código diz respeito a um sistema convencionado de sinais que é usado na transmissão de uma mensagem (língua natural, braille, morse,...) e o canal de comunicação refere-se ao meio em que a mensagem é transmitida (SIM-SIM, 2008a).
A maioria das interações entre indivíduos envolve uma combinação de mensagens verbais e não verbais. Da comunicação não verbal fazem parte os aspetos extralinguísticos (mímica facial, proximidade, gestos, postura corporal, movimento dos olhos, contacto corporal) e os aspetos paralinguísticos (entoação, ritmo, velocidade, pausas e hesitações, intensidade e altura da voz). A comunicação verbal refere-se ao uso da linguagem tanto na vertente oral como na escrita (RIGOLET, 2006) e constitui a forma mais elaborada de comunicação, devido ao facto do sistema linguístico ser considerado o mais complexo dos códigos.
É comummente aceite que a linguagem envolve um sistema organizado de sinais e símbolos que são utilizados por um grupo de pessoas para partilhar determinado significado. Hoje em dia existem tantas definições de linguagem quantas as disciplinas que a estudam. Por este motivo e tendo em consideração o âmbito deste estudo, a definição apresentada é a da A.S.H.A. por ser a mais aceite e referenciada internacionalmente no âmbito da Terapia da Fala.
Segundo a A.S.H.A. (1982), “language is a complex and dynamic system of conventional symbols that is used in various modes for thought and communication” (p. 1). Para SIM-SIM (2008a), o sistema complexo diz respeito à estrutura constituída pelos sons e palavras (unidades discretas) e pelos princípios e regras que orientam a sua combinação e ordenação; os símbolos são convencionados, uma vez que constituem representações do real que são partilhadas, num contexto específico, por determinado grupo social; as modalidades compreendem as vertentes oral e escrita da linguagem. Ainda relativamente à linguagem, a A.S.H.A. (1982) refere que pontos de vista contemporâneos sobre a linguagem humana sustentam que: a) a linguagem se desenvolve dentro de contextos históricos, culturais e sociais específicos; b) a linguagem, enquanto comportamento governado por regras, é constituída por cinco subsistemas: a fonologia, a morfologia, a sintaxe, a semântica e a pragmática; c) a aprendizagem e o uso da linguagem são determinados pela interação entre fatores biológicos, cognitivos, psicossociais e ambientais; d) o uso efetivo da linguagem para a comunicação requer uma larga compreensão da interação humana, incluindo os fatores a ela associados como os aspetos não- verbais (para e extralinguísticos), a motivação e os papéis sociais.
Como foi referido anteriormente, a linguagem é geralmente constituída por cinco subsistemas. Embora existam regras para cada um deles, elas devem ser vistas no seu conjunto e não isoladamente. Os vários subsistemas sobrepõem-se e, nalguns casos, a determinação de um subsistema é um pouco arbitrária. De seguida são descritos cada um deles de acordo com SMILEY & GOLDSTEIN (1998), PUYUELO (2003) e BOCHNER & JONES (2005).
A fonologia constitui a forma da linguagem e diz respeito ao sistema de sons e às regras que orientam a sua combinação. Há regras que indicam a possibilidade de ocorrência de sons, que sequências sonoras são aceitáveis na língua e quais os sons e combinações possíveis de ocorrer nas várias línguas. A morfologia envolve as regras que governam o uso das unidades mínimas com significado mínimo, os morfemas. Já a sintaxe refere-se às regras de formação de frases, nomeadamente à função e à ordem das palavras nas frases. A semântica, considerado o sistema referente ao conteúdo da linguagem, é responsável pela atribuição de significado às palavras e à combinação de palavras. Por último, a pragmática refere-se ao uso da linguagem e visa a sua adequação ao contexto de comunicação.
Para a que a comunicação seja o mais bem sucedida possível, as regras de todas as componentes devem funcionar de forma integrada e ao mesmo nível. Existem, no entanto, aspetos específicos no domínio de cada subsistema que são característicos de determinada idade e diferenças culturais e subculturais nas regras de cada um.
Sendo por natureza um animal lin transforme e transmita (produza produção/expressão constituem d da informação verbal. LUÍS CA Linguagem e da Afasia em Portu informação verbal nas vertentes enquadra no âmbito da linguagem linguagem oral.
O processamento da linguagem o através do sistema acústico. Este (fonemas), uma vez que há indica palavra, atuando antes do acesso A primeira etapa para a descod oralmente, sendo o léxico fonológ
Figura 1 – Ada de LUÍS CAST
Enquadramen
al linguístico, a linguagem permite que o Homem rec oduza) informação linguisticamente formatada. A
em duas componentes que se encontram implicadas S CASTRO, CALÓ & GOMES (2007) nas Provas
Português (PALPA-P) propõem um modelo para o tentes oral e escrita. Tendo em consideração que
agem em idade pré escolar, é apresentado apenas o
em oral tem início com a perceção da mensagem pro . Este diz respeito ao reconhecimento dos vários so indicações claras de que os fonemas são reconhecid
esso ao léxico fonológico.
escodificação da mensagem é o reconhecimento nológico de entrada o sistema utilizado para esta fun
Adaptação do modelo do sistema de processamento da linguagem CASTRO, CALÓ & GOMES (2007).
ramento Teórico e Conceptual
m receba (compreenda), . A compreensão e a cadas no processamento rovas de Avaliação da ara o processamento da o que este trabalho se nas o processamento da
m produzida pelo locutor ios sons de uma palavra hecidos antes da própria
ento das palavras ditas ta função. Léxico porque
constitui uma lista de palavras, fonológico porque lida com a combinação dos sons e de entrada porque se refere mais à perceção do que à produção. Este sistema contém apenas informação do tipo fonológico, permitindo que a pessoa identifique se conhece ou não aquela sequência de sons como uma palavra, sem que dela consiga extrair qualquer significado. Para que seja possível conhecer o significado das palavras é necessário que a informação fonológica contida no léxico fonológico de entrada passe para o sistema semântico, uma vez que é ele que contém a informação sobre o significado de todas as palavras que fazem parte do vocabulário de um indivíduo.
Para que determinada mensagem seja produzida, é necessária a existência de um sistema que contenha o conjunto das representações de todas as palavras do vocabulário oral do falante. O léxico fonológico de saída é um armazém de palavras que contém um conjunto de representações fonológicas utilizadas para a produção. Para expressar oralmente uma mensagem é necessário (1) que a mensagem seja formulada a partir do sistema semântico, uma vez que é neste sistema que são selecionados os significados que o falante deseja expressar; (2) uma ligação entre este sistema e o léxico fonológico de saída, sendo aqui que são selecionadas as cadeias sonoras (palavras faladas) correspondentes.
Para além do exposto anteriormente, existem outros processos envolvidos quer na compreensão como na produção de uma palavra integrada numa frase. Estes processos podem incluir a existência de um sistema “tampão” (buffer) de registo temporário em que, no caso específico do buffer fonológico de entrada e devido ao facto da fala ser transitória, as palavras faladas terem de ser mantidas na memória o tempo suficiente para que os sistemas de processamento fonológico as reconheçam, permitindo assim, a descodificação. No buffer fonológico de saída são compostas as cadeias de fonemas que vão formar as palavras, permitindo especificar as variações alofónicas que podem ocorrer no contexto da palavra e a programação neuromuscular para a produção propriamente dita.
Após a descrição do sistema de processamento da linguagem (SPL) pode constatar-se que a compreensão da linguagem oral implica um conjunto de operações que, a partir de um enunciado, permite reencontrar a ideia de partida (PUYUELO, 2003). A compreensão envolve a receção, descodificação e interpretação da mensagem, de acordo com as regras do sistema linguístico. A produção corresponde à codificação da mensagem de acordo com as regras de determinado código linguístico que se materializa na articulação da cadeia fónica no caso específico da linguagem oral. A fala é, assim, uma forma de expressar linguagem e corresponde ao processo de articulação dos sons (BUCKLEY, 2003).