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As instituições educacionais metodistas do Sul do Brasil iniciaram sua trajetória de forma diferenciada das demais escolas metodistas do Sudeste e do Norte do país, as quais foram fundadas por missionários oriundos da Igreja Metodista Episcopal do Sul dos EUA. No Sul, o Metodismo chega pelo Uruguai, a partir da Igreja Metodista Episcopal. João Corrêa, brasileiro, casado e filiado a Igreja Metodista em Montevidéu é designado a instalar- se no Sul do Brasil, como uma extensão da igreja uruguaia e aonde a Igreja Metodista Episcopal Sul ainda não havia chegado. Conforme Salvador (1982, p. 168), “a capital gaúcha, por sua importância, seria o ponto básico para estender o Metodismo às regiões interioranas”. “Enquanto os metodistas do Sul divulgavam a Palavra no interior do Rio Grande, os da Missão Brasileira espalhavam-na em Minas, São Paulo e Norte do país (p. 274)”.

A primeira escola metodista fundada no Estado do Rio Grande do Sul é o atual Colégio Americano da cidade de Porto Alegre, primeiramente chamado Colégio Misto nº. 1 e fundado por Carmem Chacon, professora uruguaia que acompanhou a família do pastor da Igreja Metodista do Uruguai, João Corrêa.

Foi em 21 de março de 1885 que João Corrêa recebeu a nomeação para o circuito da Província do Rio Grande do Sul. Portanto, João C. Corrêa, Maria Rejos (sua esposa), Ponciana Corrêa Rejos (filha) e a professora Carmem Chacon, logo se mudaram para Porto Alegre. Carmem tinha sido designada (nomeada) para tomar cargo da instrução da mocidade, que era o objetivo preliminar do trabalho. Em 27 de setembro de 1885 iniciaram-se as reuniões privadas na casa da família Corrêa. Em outubro abrimos ao público à Praça do General Marques, um Colégio Misto que foi inaugurado com 3 alunos. No final do ano de 1886 eram 187 crianças de ambos os sexos. Com o passar do tempo chegamos a sustentar quatro escolas que atingiram freqüência de mais de 400 alunos matriculados... (Jornal o Testemunho, 1905)23

Corrêa iniciou sua trajetória como mensageiro da Sociedade Bíblica, na República do Uruguai, em 1885 e recebeu como missão da Igreja Metodista Episcopal dos Estados Unidos, fundar a primeira Igreja Metodista em solo rio-grandense. Em 1889, este trabalho missionário passa para a Methodist Episcopal Church, South, que já havia se instalado na região central do Brasil.

Posteriormente, outras instituições são fundadas no Sul do país: o Instituto Educacional de Passo Fundo – IE, em 1919; o Instituto Metodista Centenário – Colégio Metodista Centenário, em 1922; o Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista – Porto Alegre College, em 1923 e o Instituto Metodista União – Colégio Metodista União que em 2008 completa 100 anos como escola metodista na cidade de Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina. O Colégio União é a única instituição que inicia a sua trajetória no Sul, diferentemente das demais escolas metodistas do Brasil, sendo fundado em 1870, pelo francês Aleixo Vurlod, de origem huguenote24 que, mais tarde, em 1908, passa a sua escola para a administração da Igreja Metodista.

A educação metodista no Sul do país será fortemente reestruturada em sua filosofia e gestão administrativa com o advento das Diretrizes da Educação na Igreja Metodista – DEIM, aprovadas pelo XIII Concílio Geral da Igreja Metodista, de 1982 e, mais recentemente, pelos dois últimos Concílios Gerais da Igreja Metodista (2001 e 2007), nos quais a Igreja se define pela constituição de um Sistema Nacional de Educação Metodista que organizará suas instituições educacionais em Rede, tendo em vista a busca de sua sustentabilidade no contexto do novo século que inicia.

No próximo capítulo da Tese, discorre-se sobre a história de duas instituições metodistas de educação do Sul, o Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista – IPA e o Instituto Metodista de Educação e Cultura – IMEC, suas origens e trajetória na cidade de

23 SIMEONE, M. I. Citado de O Testemunho, 1905, p.10. 24

Huguenote é a denominação dada aos protestantes franceses (quase sempre calvinistas) pelos seus inimigos, nos séculos XVI e XVII. O antagonismo entre católicos e protestantes resultou nas guerras religiosas que dilaceraram a França do século XVI.

Porto Alegre e a transformação das suas Faculdades Isoladas que se unem e formam o Centro Universitário Metodista.

3 INÍCIO DE UMA TRAJETÓRIA CONJUNTA - INSTITUTO PORTO ALEGRE DA IGREJA METODISTA - IPA E INSTITUTO METODISTA DE EDUCAÇÃO E CULTURA - IMEC

As instituições educacionais metodistas do Sul do Brasil iniciam sua trajetória com a missão da Igreja Metodista ao final do século XIX e início do século XX, na cidade de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul. São elas o IPA (que, anteriormente a 2002, acolhia o Colégio IPA e a Faculdade de Ciências da Saúde), fundado por missionários metodistas oriundos de Dallas, no Texas, Estados Unidos da América e o IMEC (Instituto que acolhe o Colégio Metodista Americano e, até 2004, as Faculdades de Nutrição e Fonoaudiologia e de Administração) fundado pela missionária uruguaia Carmem Chacon em 1885. Atualmente, tanto o IPA quanto o IMEC têm uma história de referência em educação para a cidade de Porto Alegre. Verifica-se que cidadãos porto-alegrenses identificam as instituições metodistas como escolas formadoras de lideranças nas áreas dos setores público e privado, em nível local, estadual, nacional e também internacional.

O IPA inicia sua trajetória como instituição educacional em 1923, denominado como “Porto Alegre College”. Foi fundado por missionários metodistas norte-americanos vindos da Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos (hoje, Igreja Metodista Unida) os quais tiveram como missão da igreja dos Estados Unidos educar jovens e meninos, futuros líderes da sociedade rio-grandense.

A história desta instituição registra o seu primeiro funcionamento em um sobrado na esquina das ruas Marechal Floriano e Salgado Filho, no centro da cidade de Porto Alegre, sendo, mais tarde, em 1924, transferido para os altos do morro milenar, hoje, bairro Rio Branco, já edificado o atual prédio principal de aulas, réplica da Southern Methodist University – SMU, da cidade de Dallas, no Texas, Estados Unidos da América e o antigo internato.

O Bispo estadunidense John Moore, fundador do “Porto Alegre College”, veio ao Brasil em busca de um local para a instalação efetiva do Colégio, lugar privilegiado e de destaque na cidade. Depois de muita investigação, encontrou um terreno rodeado de matas, no alto do morro, longe das margens do Guaíba. Encantado, comprou a antiga fazenda dos Mariante onde se localiza a instituição. No local, havia uma pedreira de onde foram retiradas as pedras de granito que edificaram as construções e caracterizam a arquitetura dos prédios.

No decorrer dos anos seguintes, em 1935, outros prédios foram construídos, como o do bar, o da alfaiataria e o da livraria, incluindo a casa do Reitor, em frente à Rua Quintino Bocaiúva.

De 1942 a 1961, outras edificações foram feitas, como a ampliação do internato junto à Rua Cabral, o pavimento superior da biblioteca, a construção do prédio da escola primária e o ginásio Moreland no centro do espaço físico do IPA.

Com o objetivo de formar lideranças, a igreja metodista trouxe para o país um modelo de escola de vanguarda, com métodos inovadores e de formação integral do ser humano, o qual se fundamentava nos princípios cristãos liberais da época. Como primeira escola de formação para educar meninos manteve, durante 10 anos, um curso bíblico que formou pastores, pessoas que auxiliaram na expansão da Igreja para várias partes do Brasil. Mais tarde, este curso foi transferido para o Instituto Metodista de São Paulo – atual IMS, transformando-se em um curso de ensino superior, que funciona no Instituto de Teologia até os dias de hoje.

Com o passar dos anos, a partir do crescimento e do reconhecimento da escola na comunidade, os docentes do “Porto Alegre College” encaminham um pedido aos dirigentes da mantenedora para que os autorizem a formar a primeira escola de curso superior de Educação Física. Tal pedido, após ser fortemente avaliado e aprovado pelo Conselho Diretor, órgão máximo dirigente da instituição, originou a Escola Superior de Educação Física - ESEF, a qual, em 27 de agosto de 1971, teve a sua aula inaugural.

Em 1975, surgem os cursos de pós-graduação em nível de aperfeiçoamento e especialização na área da Educação Física, abrindo espaço para a ampliação e para a consagração da educação superior metodista no Rio Grande do Sul; foi, então, que surgiram os cursos da área da saúde, a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional.

Conforme os dados disponíveis, em cinco anos, a educação superior do IPA passou de 80 para 783 alunos, aumentando significativamente o número de estudantes, fato que conduziu a instituição a investir em novos Cursos de Graduação, de acordo com o impacto que já vinha representando na comunidade com os Cursos de Fisioterapia, Terapia Ocupacional, além da Educação Física.

Enquanto o IPA iniciava suas atividades na Educação Superior, em 1975, com o Curso de Educação Física, a antiga Escola de Educação Física - ESEF, o IMEC, mantenedora do Colégio Americano e agora também da Faculdade, lançava o seu primeiro Curso Superior em Nutrição no ano de 1978. Entre as duas instituições IPA e IMEC, o total do número de alunos na educação superior chegou a ser de 822. Com este desafio, criava-se o Instituto Metodista

de Educação e Cultura – IMEC, mantenedora do Colégio Americano e da Faculdade de Nutrição. O IPA e o IMEC, agora, então como institutos, acolhiam a educação superior e a educação básica da Igreja Metodista na cidade de Porto Alegre. Tal decisão levou a igreja optar pelo caminho da educação superior no Rio Grande do Sul.

As instituições metodistas do Sul, com mais de um século de existência passaram pela gestão de muitos diretores gerais e reitores, como assim eram chamados, anteriormente, mesmo sem estas instituições contemplarem, na época, cursos de educação superior. O termo “reitor” ou “reitora” foi incorporado aos educandários brasileiros, pois se assemelhavam às estruturas das instituições de educação metodistas norte-americanas que assim chamavam seus dirigentes máximos.

Desde sua fundação até os dias atuais, o Instituto Porto Alegre – Porto Alegre College – IPA acolheu 15 reitores, durante o período compreendido entre 1923 e 2007. Durante este tempo, conforme dados históricos, não houve uma regularidade nos mandatos, o que, de certa forma, demonstra uma inconstância na continuidade do projeto institucional desejado que viabilizasse o projeto de universidade pretendido pelos missionários. O Colégio Americano – Colégio Misto nº 1 -, mais tarde chamado de “o colégio das americanas” foi dirigido por mulheres que completaram mandatos mais regulares.

Após sete anos da fundação do Porto Alegre College, em 1930, e mais de 45 anos de fundação do Colégio Americano, o Brasil passava por mudanças profundas que fortaleciam o movimento nacionalista, desencadeado pelo então Presidente Getúlio Vargas o qual defendia o fortalecimento do produto interno nacional e da cultura brasileira. Essa situação inviabilizou o sonho da expansão e da criação do sistema educacional privado no País que foi alijado do processo de expansão da educação superior brasileira. Nessa mesma época, criam-se as Universidades Federais, em todo o Brasil, para serem os grandes centros de pesquisa nacional da educação pública no país.

Assim, a retomada do projeto de universidade metodista para o Sul só voltou à discussão na década de 70, quando do lançamento do curso de Educação Física – ESEF do IPA. Atualmente, o desejo da comunidade é ver a criação da primeira universidade metodista do Sul do Brasil.