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6. CONCLUSION

6.2 Future Research

Após a segunda guerra mundial, os esforços desenvolvimentistas da região se concentraram na transformação da estrutura de produção e na redução da dependência externa. A industrialização para substituição de importações produziu alguns resultados positivos. A economia regional expandiu-se enormemente: de 1950 a 1981, o PIB aumentou a uma taxa media de 5,3% ao ano. Contudo, apesar de a renda média per capita ter crescido 2,6% ao ano, persistiram, em toda a região, grandes desigualdades na distribuição dos benefícios do crescimento econômico – entre grupos sociais, entre a área urbana e rural, entre as regiões dentro de cada país e entre os diversos países. (BETHELL, 2009).

As pressões inflacionárias (devidas em parte ao grande aumento dos déficits do setor público causado pelo serviço da dívida pública e pelos crescentes subsídios concedidos aos devedores privados) se traduziram em altas anuais dos preços ao consumidor de três, quatro ou até cinco dígitos em muitos países latino-americanos: 12.250% na Nicarágua (1988), 11.750% na Bolívia (1985), 672% na Argentina (1985), 667% no Peru (1988), 586% no Brasil (1988) e 132% no México (1987). Muitos países latino-americanos registravam vários anos de hiperestagflação na década de 1980. (BETHELL, 2009).

Depois de décadas de estagnação, algumas economias latino-americanas começaram a mostrar sinais de recuperação no início da década de 1990. A ampla liberalização dos mercados e a privatização das empresas públicas disseminaram-se por toda a região, contribuindo para uma forte redução do papel do Estado.

O papel do Estado passou a restringir-se à política macroeconômica, à construção de infraestruturas e a programas sociais. Contudo, no processo de reforma e ajuste, foi fortemente enfraquecida a capacidade do Estado de desempenhar até mesmo seu novo papel, muito mais limitado. Em consequência, surgiu uma incoerência entre a capacidade do Estado reformado e a necessidade, imposta em grande medida pela profundidade da “crise social” e pela transição para governos democráticos em toda a região, de seguir uma estratégia de desenvolvimento com equidade. É aqui que residem os principais desafios da década de 1990. (BETHELL, 2009).

A partir da década de 1980, muitos países se democratizaram na América Latina e dessa forma, abriu-se espaço para uma maior atuação da sociedade civil e liberdade dos órgãos de imprensa. Assim foi dado início a uma pressão maior para que as empresas fossem mais transparentes em suas ações. Em muitos países, aumentou o aparecimento de ONGs nas

áreas social e ambiental e muitas dessas organizações agem como agentes fiscalizadores da sociedade, enquanto outras atuam em parcerias com empresas.

Num estudo sobre a percepção da população quanto à legitimidade fiscal em vários países da América Latina, menos de 25% dos latino-americanos confiam que seus impostos sejam bem aplicados, considerando que em muitos países latino-americanos o desempenho fiscal e a governança democrática sofrem com a baixa legitimidade fiscal. (LATINOBARÓMETRO, 2005).

Há uma expectativa para que as empresas atuem em áreas que antes não eram vistas como de sua responsabilidade, como projetos sociais e ambientais. Com a falta de credibilidade e a crise fiscal dos governos, o papel do Estado tem sido muitas vezes reduzido em quantidade e qualidade na provisão de serviços públicos, inclusive nas áreas sociais, como educação, saúde e assistência social. Além disso, a estagnação econômica das últimas décadas tem levado a um agravamento do quadro social, com o desemprego, a não diminuição significativa da pobreza e o aumento da criminalidade. Esses problemas afetam diretamente o ambiente em que muitas empresas estão instaladas, e fazem com que recaia sobre elas as responsabilidades de mitigá-los, provendo escolas, hospitais e segurança para a comunidade ao seu redor. (PUPPIM DE OLIVEIRA, 2008, p. 9).

Produto Interno Bruto

O PIB da América Latina em 2008 foi de aproximadamente 4 trilhões, com grande concentração no Brasil e no México, as duas maiores economias da região seguidas da Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile, como mostra a Tabela 2.8.

Tabela 2.8: Produto Interno Bruto Total a Preços Correntes de Mercado (MU$)

País 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Argentina 129 595,6 153 129,3 183 196,0 214 267,4 262 450,8 328 468,7 Brasil 552 453,1 663 732,8 882 040,3 1 089 398,0 1 300 312,0 1 448 684,0 Chile 73 989,8 95 652,9 118 250,1 146 774,0 163 879,4 169 458,0 Colômbia 91 702,5 113 773,7 144 580,6 162 346,5 207 785,7 242 608,2 Equador 28 635,9 32 642,2 37 186,9 41 763,2 45 789,4 54 685,9 México 700 324,7 758 221,8 846 177,1 949 129,9 1 022 674,0 1 085 208,0 Peru 61 356,0 69 700,9 79 388,9 92 319,0 107 329,1 128 933,3 Venezuela 83 529,0 112 451,6 145 513,5 184 508,5 228 070,8 313 799,3 América Latina e Caribe 1 920 772,2 2 216 623,9 2 688 994,4 3 167 726,0 3 665 331,0 4 145 891,0

Fonte: CEPAL - Statistical yearbook for Latin America and the Caribbean (2009)

Observa-se maior concentração da geração de riqueza em somente dois países da região: Brasil e México. A Tabela 2.9 apresenta as variações anuais do PIB nos últimos anos:

Tabela 2.9: Taxas de Variação Anual do Produto Interno Bruto País 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Argentina 8,1 3,9 - 3,4 - 0,8 - 4,4 - 10,9 8,8 9,0 9,2 8,5 8,7 6,8 0,7 Brasil 3,4 0,0 0,3 4,3 1,3 2,7 1,1 5,7 3,2 4,0 5,7 5,1 0,3 Chile 6,6 3,2 - 0,8 4,5 3,4 2,2 3,9 6,0 5,6 4,6 4,7 3,2 - 1,8 Colômbia 3,4 0,6 - 4,2 2,9 2,2 2,5 4,6 4,7 5,7 6,9 7,5 2,4 0,3 Equador 4,1 2,1 - 6,3 2,8 5,3 4,2 3,6 8,0 6,0 3,9 2,5 6,5 - 0,4 México 6,8 5,0 3,8 6,6 0,0 0,8 1,4 4,0 3,3 5,0 3,4 1,3 - 6,7 Venezuela 6,4 0,3 - 6,0 3,7 3,4 - 8,9 - 7,8 18,3 10,3 9,9 8,2 4,8 - 2,3 América Latina e Caribe 5,5 2,5 0,4 4,0 0,4 - 0,4 2,2 6,1 5,0 5,8 5,8 4,1 - 1,8

Fonte: CEPAL - Statistical yearbook for Latin America and the Caribbean (2009)

A América Latina experimentou um desempenho econômico favorável até 2004. A mudança de cenário ocorreu a partir de 2008, em função da crise financeira iniciada e desencadeada nos Estados Unidos, que se propagou às demais economias, desenvolvidas ou não. Apesar das melhoras no desempenho econômico da maioria dos países da região, a América Latina continua sendo uma das regiões mais desiguais do mundo em relação à distribuição de renda, pois a maioria dos países apresenta níveis de desigualdade considerados alto ou muito alto.

A distribuição do PIB por setor mostra grande concentração da riqueza gerada pelos países nas seguintes grandes áreas: de indústria, comércio, serviços pessoais, bens imóveis, comércio atacadista e varejista, restaurantes e hotéis e indústrias manufatureiras, como mostra a Tabela 2.10.

Tabela 2.10 : Produto Interno Bruto por Setor

2004 2005 2006 2007 2008 Produto interno bruto 2 292 099,2 2 405 722,9 2 546 188,6 2 693 086,3 2 804 477,0

Agricultura, caça, silvicultura e pesca 108 386,9 111 543,1 116 130,6 122 484,3 126 609,5 Exploração de minas 107 996,8 110 051,1 112 540,4 112 266,4 112 991,4 Indústrias manufatureiras 382 571,7 397 728,4 417 287,2 437 631,1 446 281,9 Energia elétrica, gás e água 50 683,2 52 651,1 55 560,9 57 577,0 59 380,6

Construção 118 877,9 127 701,2 141 510,4 151 076,4 156 947,7

Comércio atacadista e varejista, Restaurantes e hotéis 320 372,6 338 836,9 363 505,4 388 053,7 405 941,2 Transportes, armazenamento e Comunicações 186 109,4 199 296,7 213 866,9 231 606,0 246 557,8 Estabelecimentos financeiros, seguros, bens imóveis e

serviços prestados a empresas 387 942,9 410 619,5 437 609,4 466 976,5 489 665,3

Serviços pessoais 453 250,6 472 025,7 491 989,2 511 289,8 528 085,2

Fonte: CEPAL - Statistical yearbook for Latin America and the Caribbean (2009)

A expansão do comércio internacional no final do século XIX representou importante vínculo entre as economias latino-americanas e o comércio mundial, quando se consolidou a estrutura de produção com base em matérias-primas para exportação e na importação de produtos manufaturados.

Nos primeiros anos da década de 1990, a economia mundial se destacou pela consolidação dos blocos regionais, especificamente na America Latina com MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), grupo formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, em um primeiro momento. Atualmente fazem parte do bloco a Bolívia e a Venezuela, sendo o Chile parceiro comercial. O Chile, ainda é membro da APEC (Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), é parceiro comercial do bloco do NAFTA (Tratado Norte- Americano de Livre Comércio), formado pelos Estados Unidos, Canadá e México, possuindo alguns acordos econômicos com a União Européia. (MOREL, 2008).

As maiores multinacionais latino-americanas atuam com commodities primárias e atividades relacionadas. Um pequeno número de empresas locais se tornou área-chave para a atividade multinacional, primeiro regionalmente e, agora, globalmente.

A Tabela 2.11 apresenta a distribuição das maiores empresas que exercem atividades na América Latina por país.

Tabela 2.11: As 500 Maiores Empresas da América Latina

Países Número de empresas

entre as 500 maiores

Receitas operacionais em US$ bilhões Totais Médias por empresa

Brasil 226 956,7 4,2 México 119 580,6 4,8 Chile 55 152,3 2,8 Argentina 33 105,3 3,2 Colômbia 30 65,9 2,2 Peru 19 29,7 1,6 Venezuela 6 85,0 14,2

Outros países, América

Central e Caribe 12 21,7 1,8

Totais 500 2.004,6 4,0

Fonte: América Economia (2010)

A publicação do ranking das 500 maiores empresas da América Latina inclui empresas controladas por capital público e capital privado, sociedades anônimas de capital aberto e de capital fechado, além de subsidiárias de multinacionais, que geralmente operam na região como sociedades por cotas de responsabilidade limitada. Dessa forma, entre as companhias listadas nesse ranking, nem todas disponibilizam relatórios anuais ou relatórios socioambientais.