Endereço: Rua Felipe dos Santos 165
Sistema Construtivo: Alvenaria de Pedras
Risco Geotécnico: Área 2
Diagnóstico: Trincas, fissuras,
descolamento de revestimento,
5. C
O N C L U S Ã O5.1 - INTRODUÇÃO
De acordo com Liliane Vieira (2006), o rápido crescimento urbano e populacional da cidade de Ouro Preto, a partir de meados do século XX, após um longo período de esvaziamento e estagnação econômica, é conseqüência dos ciclos turístico, industrial e universitário, também os responsáveis pela recente saturação na ocupação do núcleo central da cidade e pela expansão em direção à periferia.
Infelizmente este crescimento trouxe conseqüências danosas para a conservação do acervo arquitetônico colonial que caracteriza o Núcleo Histórico. O efeito das vibrações provocadas pelo trânsito de veículos é uma das causas de danos para o patrimônio histórico, além dos danos que também provoca para as pessoas, no sentido da promoção de um grau elevado de incomodidade.
De acordo com os conceitos revisados neste trabalho, com a revisão bibliográfica apresentada, e com os dados recolhidos do meio físico abordado nesta pesquisa, podemos afirmar que o efeito das vibrações põe, de forma efetiva, em risco a integridade do acervo arquitetônico da cidade, mais especificamente do seu Caminho
Tronco.
5.2- DIAGNÓSTICO
Concluímos neste trabalho que o efeito das vibrações, tanto pela sua intensidade quanto pela sua freqüência, apresenta fortes evidências de danos para os monumentos históricos, e que é necessário que sejam criados mecanismos que promovam a reversão deste quadro patológico. Concluímos também que a forma mais adequada para tratar a questão é a diminuição das fontes de vibração que incidem nos monumentos, já que o reforço estrutural das suas estruturas frente às vibrações é uma proposta de custo muito elevado, além da interferência que provoca na preservação do sistema construtivo tradicional e original do conjunto.
Concluímos que o monitoramento da velocidade das partículas do solo que atingem os edifícios é atividade essencial, e que deverá ser efetuado de acordo com a metodologia sugerida no capítulo 3 desta dissertação. Este monitoramento deverá estabelecer os locais mais comprometidos pelas vibrações com origem no trânsito de veículos, e possibilitar o estabelecimento de um dos fatores a ser considerado para a construção do Mapa de Risco para os edifícios do Caminho Tronco.
Concluímos que, o Mapa de Risco deverá ser construído levando em conta não só a intensidade das vibrações, mas também a sua freqüência, e ainda outros parâmetros relacionados ao meio físico em questão, como a característica geotécnica, e a característica arquitetônica do bem.
Consideramos que, para a construção do Mapa de Risco, a consideração da velocidade máxima será a mais restritiva dentre os parâmetros internacionais, ou seja, 2,0 mm/s para edifícios sensíveis, como é o nosso conjunto arquitetônico colonial.
Para a construção do Mapa de Risco consideramos que a parcela do risco correspondente à característica geotécnica do solo terá o valor do nível do risco (risco 1, risco 2, ou risco 3) estabelecido na Carta Geotécnica, Anexo I desta dissertação.
Concluímos que os conceitos estatísticos serão fundamentais para o estabelecimento da parcela do risco associada às vibrações, no sentido de contextualizar uma realidade complexa de informações que estão envolvidas no momento das medições. A confiabilidade dos valores obtidos na medição dos índices de vibração que incidem nos monumentos deverá ser estabelecida tendo em vista as condições específicas, para o estudo geral, como é este caso, ou para qualquer outro estudo para o qual se queira estabelecer as condições de risco. Esta confiabilidade é obtida pelo estabelecimento da
significância desejada no tratamento estatístico das vibrações medidas.
Concluímos que, até que sejam viabilizadas as questões de ordem operacional e logística, algumas medidas preventivas e mitigadoras devem ser tomadas, no sentido de minimizar o efeito danoso das vibrações nos monumentos de Ouro Preto.
5.3- TRATAMENTO
O tratamento proposto nesta conclusão é a construção do Mapa de Risco de Danos para o CH de Ouro Preto, de acordo com a metodologia apresentada, no sentido de viabilizar subsídios para as normas da ordenação urbana da cidade, e a adoção imediata das medidas mitigadoras.
O valor final a ser representado em cor (escala recomendada de 1 a 10) no Mapa de Risco é o grau de risco de danos por vibração em cada edificação. Corresponde ao produto dos valores dos riscos para cada um dos agentes envolvidos no processo: o solo (risco geotécnico; 1, 2, ou 3), o edifício (resistência ao corte = Acorte /Atotal), e o impulso
vibracional (valor máximo Vpp). Como na expressão:
Fator de Risco = Rgeotécnico . 1 . Vpp onde: Rcorte
Rgeotécnico = Grau de risco geotécnico = 1, 2, ou 3, conforme anexo I;
Rcorte = Resistência das paredes ao corte = área das fundações das paredes / área total
das bases;
Vpp = Velocidade de pico da partícula obtido através do tratamento estatístico das
medições dos níveis máximos de vibração que incidem no edifício.
Propomos também que, até que sejam viabilizadas as questões de ordem operacional e logística necessárias na construção do mapa, algumas medidas preventivas e mitigadoras sejam tomadas, no sentido de minimizar o efeito danoso das vibrações nos monumentos de Ouro Preto, como a seguir:
■ restrição mais efetiva ao trânsito de veículos de qualquer natureza no Centro Histórico de Ouro Preto, notadamente os ônibus e caminhes, reduzindo a intensidade e freqüência das vibrações em sua origem.
■ melhoria das condições de pavimentação das ruas em toda a cidade, com ênfase para o caminho tronco, ainda no sentido de diminuir a vibração na sua origem.
■ impedir a alteração das características dos terrenos, evitando cortes, grandes aterros e dessaterros, de forma a resguardar as condições de Risco Geotécnico1, 2 e 3, definidas na Carta Geotécnica de Ouro Preto (anexo).
Tabela 13 - Tabela para determinação do Grau de Risco Geotécnico conforme tabela contida na Carta Geotécnica de Ouro Preto.
5.4 - SUGESTÕES PARA PESQUISAS ADICIONAIS
Este trabalho configura-se como uma continuidade dos estudos sobre os efeitos das vibrações e do trânsito de veículos em Ouro Preto. Porém, ele também apresenta um potencial para desdobramentos e continuidade dos estudos. A questão em pauta é muito complexa e bastante dinâmica, então, na medida em que os fatores variáveis inerentes ao estudo (principalmente o fluxo e o tipo de veículos, mas também o tipo e o nivelamento das vias) são alterados, surge a possibilidade de execução de um novo estudo e a construção de um novo mapa, atualizado e particularizado.