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4.   METHODOLOGY

4.2.1   LCOE

O crescimento de M. circinelloides no substrato acrescido de casca de arroz foi distinto quanto ao substrato farinha de soja, porém, não foram observadas diferenças na formação de esporos e no crescimento micelial, em relação às diferentes quantidades de casca de arroz no substrato. As hifas cresceram uniformemente no substrato, sendo observada formação de esporos nos espaços disponíveis no interior do substrato (FIGURA 19). Esta característica de crescimento influencia na formação de micélio e de hifas aéreas devido à proporção da área por volume e substrato disponível. Considerando que a formação de AGI está diretamente ligada a ação de enzimas ∆9-dessaturase e 6-dessaturase e que estas dependem de oxigênio disponível para a transformação à AGL (CERTIK et al., 2006), a adição de agentes descompactantes melhora a respiração e eficiência da aeração nos espaços inter-partículas (PANDEY et al., 2000) e aumenta a produção de enzimas por grama de substrato inicial (RAHARDJO et al., 2005) e ajudam a remover o calor gerado durante o cultivo e promover a acumulação de AGL no bioproduto (CERTIK et al, 2006).

Figura 19. (A) Crescimento de M. circinelloides em farinha de soja acrescido de casca de arroz (3:2),

por seis dias, a 25 ºC. (B) Detalhe do crescimento de M. circinelloides com aumento de 10x. B

69 A adição de CA ao substrato farinha de soja em diferentes proporções, sem adição de óleo vegetal, proporcionou decréscimo na concentração de AGI produzido quanto ao substrato cultivado (TABELA 17) quando comparado com o experimento na Figura 17. Verificou-se também que houve grande decréscimo na composição de LT em todos os cultivos. Este fato pode estar ligado ao aumento da porosidade no substrato, havendo maior aproveitamento pelo fungo para o crescimento, havendo diminuição na concentração de LT final de 62,59% em CA 3:1 e 72,52% em CA 3:2 acrescido de óleos vegetais comparado ao substrato controle. A maior porção de LT encontrado no tratamento CA 3:2 representou 57,9% dos LT encontrado no tratamento CG 1:1 na Tabela 17, no qual se encontrou maior concentração de AGL.

Tabela 18. Produção de lipídios totais, AO, AL e AGL em cultivos de M. circinelloides, em farinha de soja, por 144 horas a 25 ºC, com adição de casca de arroz e suplementação com óleos vegetais 2% (CG 1:1 p/p). Legenda: LT: lipídios totais; CG: canola:gergelim.

Casca de Arroz pH LT mg/g substrato g/Kg Bioproduto AO AL AGL mg AGL/g LT Sem óleo 3:1 5,94 47,1±2,2d 21,3±6,2 27,1±7,8 3,0±0,4b 9,6±1,2a 3:2 5,89 38,4±0,6c 30,5±8,5 34,3±2,3 4,4±1,6c 13,8±3,7b 3:3 5,86 11,0±2,7a 20,3±4,0 17,8±2,2 2,7±1,5a 14,3±6,8b Com óleo 3:1 5,88 47,6±7,7d 30,2±2,2 43,5±3,3 5,3±1,6d 18.9±8,9b 3:2 5,91 27,6±8,3b 29,9±0,6 38,7±2,4 8,4±0,9e 36,3±3,8c 3:3 5,82 32,0±4,3b 15,7±5,0 19,6±1,9 4,6±2,8c 14.8±8,2b

Médias seguidas de letras iguais na coluna não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de significância.

A concentração de AGL nos substratos acrescido de casca de arroz e de óleos vegetais na proporção 1:1 aumentou em 35,5% (8,4 g AGL.Kg-1 Bioproduto) comparado-se ao AGL encontrado na Tabela 17 (6,2 g AGL.Kg-1 Bioproduto). A concentração de AGL (mg.g-1 LT) aumentou 39,6% quando acrescido de CA 3:2 mais adição de óleos vegetais. A análise de variância e o teste de Tukey empregados a este cultivo demonstraram que houve

diferenças significativas ao nível de 5%. Pode-se atribuir a estes resultados o fato de que não há uma relação entre concentração de LT no substrato e concentração de AGL nos LT, podendo ser ou não obtidos em altas concentrações de grandes proporções de LT. Konova et al. (1988) relataram que há correlação entre o grau de insaturação de lipídios e a soma de lipídios no micélio, onde o grau de insaturação diminui com o decréscimo do conteúdo de lipídios e, que, alta concentração de lipídios, bem como, o alto conteúdo de AGL está relacionado ao baixo conteúdo de lipídios (HANSSON e DOSTALEK, 1988). Emelyanova (1997) relatou que o grau de insaturação e o conteúdo de AGL aumentaram nos LT, durante a fase de crescimento do fungo juntamente com o acúmulo de lipídios e diminuiu durante a fase estacionária de crescimento, quando o conteúdo de lipídios na biomassa permaneceu quase constante.

A concentração relativa de AGL nos LT e Bioproduto (TABELA 19) demonstrou que no cultivo de M. circinelloides, ao aumentar os valores nutricionais do substrato ou de LT, diminuiu a proporção de ácidos graxos saturados nos lipídios e aumentou as proporções de AGI. Segundo alguns autores, este ácido pode ser nutricionalmente melhor disponíveis na alimentação e tendo funções biológicas nos mamíferos controlando as concentrações de colesterol e lipoproteína a no plasma sangüíneo (KRIS-ETHERTON et al., 1999; CALDER e GRIMBLE, 2002; MURANO, 2003).

Tabela 19. Porcentagem relativa de lipídios totais e AGL nos cultivos realizados em farinha de soja

acrescida de casca de arroz, por seis dias a 25 ºC, com adição de casca de arroz e suplementação com óleos vegetais 2% (CG 1:1 p/p). Legenda: LT lipídios totais; CG: canola:gergelim.

Casca de Arroz % LT (p/p) % AGL/ LT (p/p) % AGL/ Bioproduto (p/p) Sem óleo 3:1 4,75 3,04 2,26 3:2 2,75 4,29 2,64 3:3 3,10 13,04 1,35 Com óleo 3:1 4,71 5,95 3,97 3:2 3,83 15,77 5,00 3:3 3,20 4,77 1,71

71 Certik et al. (2006) adicionaram óleos vegetais em vários cereais utilizados como substrato e verificaram o aumento da superfície de crescimento fúngico e de AGL nos bioprodutos em torno de 14,3% (p/p). Nos substratos sem adição de grãos de malte houve a formação de massa compacta afetando a respiração microbiana e interferindo negativamente no uso do substrato. Conseqüentemente ocorreu o uso incompleto do substrato e menos obtenção de lipídios com baixo conteúdo de AGL (STREDANSKI et al., 2000). Esses mesmos autores relataram que cerca de 40% do óleo no substrato foi convertido a óleo fúngico quando acrescido de grãos de malte e óleo de linhaça obtendo produção de 8,2% (p/p) de AEP e de 6,0% (p/p) de AA. Conti et al. (2001) adicionaram grãos de malte ao substrato de cevada acrescido de óleo de amendoim e observaram que o AL presente no meio serviu como precursor para aumentar o conteúdo de AGL obtendo 13,4 mg AGL.mg-1 substrato (13,8% p/p), portanto, a adição de grandes quantidades de óleo vegetal diminuiu a concentração de AGL, onde provavelmente o óleo não foi metabolisado pelo microrganismo.

5.6 Influência da Temperatura no Cultivo de M. Circinelloides (Linhagem M1)