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6. Conclusions

6.2. Future work

Para compreender todo o processo que envolve a redes de aprendizagem – uma inovação - no processo de ensino aprendizagem, torna-se interessante conhecer o processo de difusão de uma inovação. No livro Diffusion of Innovation, Everett Rogers (1995) lembra de que a disseminação de uma tecnologia, dadas as suas conseqüências futuras e suas pretensões, é indesejável e inevitável para alguns, e às vezes para todos, e também envolve um forte compromisso aos padrões éticos da prática profissional. Rogers ensina que a aquisição de conhecimento, avaliação do risco, confinamentos sociais/econômicos/políticos da aceitação do valor, adaptação às situações específicas, época, dinheiro e a perícia de agentes da mudança influenciam a adoção de uma inovação.

Ele tem como idéia chave a adoção pessoal, que passa pelo conhecimento/consciência (awareness); pela persuasão, pelo convencimento; pela decisão de fazer; a implementação e a aplicação, pela reflexão e confirmação.

A adoção de uma inovação tende a ocorrer em cinco estágios: consciência, interesse, avaliação, teste/experiência e por fim a adoção. Primeiro se toma a consciência da existência de uma inovação, esta por sua vez pode despertar ou não um interesse, que pode ser de crescimento pessoal, ideológico ou profissional. Passa-se então à fase de avaliação desta inovação, quais suas vantagens e desvantagens, passando pela possibilidade de testar, experimentar. Se puder ser testada terá mais chances de ser adotada e finalmente a adoção ou não.

Existem elementos chaves que influenciam a adoção de uma inovação/idéia, podendo ser citados fatores importantes como:

 Vantagem relativa: grau de vantagem para usar o novo em relação ao atual;

 Compatibilidade: grau em que a inovação é compatível com seus valores, experiências e necessidades;

 Complexidade: se a inovação é fácil de usar ou aplicar;

 Experimental: possibilidades de experimentar a inovação antes da adoção;

 Observável: possibilidade de se observarem os resultados da inovação com outros. Deve-se observar atentamente estes fatores nos projetos de adoção de novas tecnologias na educação, pois poderá acontecer uma possível rejeição se estes fatores não forem amplamente discutidos no processo de implantação.

Rogers define difusão como o processo pelo qual uma inovação é comunicada através de certos canais ao longo do tempo entre os membros de um sistema social. Esta definição contém quatro elementos que estão presentes no processo de difusão da inovação:

 Inovação - é uma idéia, uma prática, ou objeto que é percebida como nova. O que pôde parecer familiar a algum é novo a outro. As inovações podem ser materiais ou não materiais e podem causar mudanças em relações sociais e culturais.

 Canais de comunicação: São os processos pelos quais as pessoas criam e compartilham informações para alcançar um entendimento mútuo. São fundamentais para o conhecimento, compartilhamento e discussão das novas idéias, possibilitando assim sua difusão.

 Tempo: Processo para decidir inovar - processo mental que passa do conhecimento da inovação até o consolidar de uma atitude em direção à inovação. Para alguns o tempo necessário é somente o de se conhecer uma inovação e para que imediatamente seja adotada; para outros o processo é mais lento, passando por vários estágios até a decisão de se adotar ou não.

 Sistema social - O aspecto importante dos sistemas sociais a se reconhecer é que as coletividades sociais têm hierarquias de prestígio. As opiniões de algumas pessoas/organizações carregam mais peso do que aquelas de outras durante o processo social da comparação. Rogers rotula estas pessoas/organizações mais prestigiosas como líderes de opinião. Muitas vezes uma inovação é adotada simplesmente por representar um prestígio social.

Os indivíduos que adotam inovações podem ser classificados dentro de cinco categorias, segundo Rogers:

 Inovadores (innovators) gostam de arriscar, se aventurar com uma nova idéia;

 Adotadores precoces (early adopters) são cosmopolitas - pessoas que se consideram cidadãos do mundo e que em toda a parte tem conhecimentos, adaptando-se facilmente aos costumes das diferentes terras por onde passam, são líderes na maioria dos sistemas;

 Maioria precoce (early majority) adotam novas idéias pouco antes dos membros médios de um sistema. Eles interagem freqüentemente com os seus pares, mas raramente detêm posições de liderança de opinião em um sistema;

 Maioria atrasada (late majority) adotam novas idéias pouco depois dos membros médios de um sistema. A adoção pode ser o resultado da crescente rede de pressões dos seus pares. As inovações são abordadas com um certo ceticismo e cautela;  Retardatários (laggards) não possuem quase nenhuma liderança de opinião,

geralmente só adotam por imposição ou vantagem pessoal.

A importância dada por cada indivíduo é que separa os papéis dos adotadores para innovators ou laggards. Uns podem ser Innovators com respeito a uma tecnologia nova, mas talvez sejam laggards com respeito à outra. As pessoas, entretanto, tendem a exibir as qualidades socioeconômicas e psicológicas que as colocam dentro de determinadas categorias dos adotadores.

Everett Rogers apresenta graficamente a curva da adoção de uma inovação para melhorar a produção agrícola:

Gráfico 1 – Curva de adoção: Inovadores; adotam cedo; maioria adiantada; experimentam mais tarde (maioria atrasada) e retardatário (demoram a adotar).

FONTE: E.M. Rogers. Diffusion of Innovations. 4th edition (New York: The Free Press, 1995). Disponível em

http://www.dangerouslyirrelevant.org/2007/06/diffusion_of_in.html.

Para ele a porcentagem maior está no centro, existem poucos inovadores mas também poucos retardatários.

O problema da adoção das novas tecnologias no ensino não está somente no fato de quando adotar e sim de como e de para que adotar. Porém os professores não podem estar na categoria dos retardatários, pois a educação tem que ser o mais dinâmica possível e de acordo com o tempo social e cultural em que se encontra. Os professores das escolas de educação profissional e tecnológica devem contribuir através dos seus processos de ensino para que seus alunos desenvolvam capacidades criativas, atitudes inovadoras e reflexivas sobre as novas tecnologias, devendo se tornar inclusive desenvolvedores de tecnologias.

O ideal seria que os professores se situassem no grupo da maioria precoce de Rogers – porém tornando-se líderes de opinião. Esse é apenas um passo, Habermas (apud BIANCHETTI, 1997, p. 9) acredita que “devemos ter a consciência de que é preciso avançar no sentido de que as criações humanas estejam sob o domínio dos homens e principalmente que sejam colocadas a serviço de todos os homens”.